Os contratos futuros do petróleo encerraram esta quarta-feira (24) em forte queda, acumulando o terceiro pregão consecutivo de perdas, após sinais de normalização do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz e avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã reduzirem os temores de interrupção na oferta global da commodity.
O movimento levou o petróleo Brent, referência internacional, para US$ 73,87 por barril, enquanto o WTI fechou abaixo dos US$ 71. A queda ocorreu em um ambiente de redução do prêmio de risco geopolítico que havia impulsionado os preços desde o agravamento das tensões no Oriente Médio.
A correção dos preços também influenciou os mercados acionários, pressionando empresas ligadas ao setor de petróleo e contribuindo para a queda de ações de produtoras de energia em diversas bolsas ao redor do mundo.
Brent e WTI registram terceira sessão consecutiva de perdas
No fechamento dos negócios, o contrato do petróleo Brent para setembro negociado na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, recuou 3,81%, equivalente a US$ 2,93, encerrando a sessão a US$ 73,87 por barril.
Já o petróleo WTI para agosto, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), caiu 3,92%, ou US$ 2,87, fechando a US$ 70,34 por barril. Durante o pregão, o contrato chegou a operar abaixo da marca psicológica de US$ 70.
As perdas ampliaram a correção iniciada após a redução das preocupações do mercado em relação ao risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.
Declarações de Trump aceleram movimento de venda
A pressão sobre os preços ganhou intensidade durante a manhã após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Trump, o governo iraniano informou oficialmente que não está cobrando pedágios, taxas adicionais ou encargos sobre embarcações que utilizam o Estreito de Ormuz.
A sinalização foi interpretada pelos investidores como mais um indicativo de que a circulação marítima na região está retornando à normalidade após semanas marcadas por incertezas geopolíticas.
O mercado vinha monitorando de perto qualquer possibilidade de restrição ao tráfego de navios na região, já que uma parcela significativa do petróleo consumido globalmente passa diariamente pelo estreito.
Com a redução dos riscos percebidos, investidores passaram a desmontar posições defensivas que haviam sido montadas durante a escalada das tensões no Oriente Médio.
Fluxo de petróleo em Ormuz reforça percepção de normalização
Outro fator que contribuiu para a queda dos preços foi a divulgação de novos dados sobre o fluxo de embarcações na região.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que aproximadamente 72 navios atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas.
Segundo ele, esse volume corresponde a cerca de 20 milhões de barris de petróleo transportados pelo corredor marítimo durante o período.
Os números reforçaram a percepção de que as exportações de energia do Golfo estão sendo retomadas sem grandes interrupções.
Paralelamente, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, informou que equipes técnicas dos Estados Unidos e do Irã deverão retomar ainda neste mês as negociações diplomáticas no Oriente Médio.
A combinação entre normalização logística e avanço das conversas diplomáticas reduziu substancialmente a pressão compradora observada no mercado de petróleo durante as últimas semanas.
Consultorias veem retorno do excesso de oferta global
Analistas passaram a revisar suas projeções para os preços da commodity diante do novo cenário.
A consultoria Capital Economics avalia que boa parte das notícias positivas relacionadas à retomada das exportações já foi incorporada aos preços atuais.
Segundo a instituição, o mercado global poderá voltar a apresentar excesso de oferta assim que toda a produção interrompida for restabelecida.
Nesse cenário, a projeção da consultoria aponta para um petróleo Brent próximo de US$ 60 por barril até o final de 2027.
A expectativa reflete uma combinação de crescimento moderado da demanda global e aumento gradual da oferta por parte dos grandes produtores internacionais.
Goldman Sachs vê resiliência nas margens de combustíveis
Apesar da queda do petróleo bruto, o Goldman Sachs avalia que as margens de refino podem permanecer elevadas por mais tempo.
Segundo o banco americano, os spreads de diesel e gasolina continuam significativamente acima dos níveis observados antes da recente crise geopolítica.
Essa dinâmica pode ajudar a sustentar parte da rentabilidade das refinarias e empresas ligadas à cadeia de combustíveis, mesmo em um cenário de preços mais baixos para o petróleo.
O comportamento das margens continua sendo acompanhado de perto por investidores, especialmente em companhias integradas de energia que atuam tanto na produção quanto no refino.
Estoques americanos ampliam volatilidade do mercado
Além dos fatores geopolíticos, os investidores também repercutiram novos dados sobre os estoques de petróleo nos Estados Unidos.
As reservas comerciais da commodity registraram queda de 6,08 milhões de barris na semana encerrada em 19 de junho.
O resultado superou a expectativa do mercado, que apontava para redução de aproximadamente 4,1 milhões de barris.
Em condições normais, uma queda mais intensa dos estoques tende a favorecer os preços do petróleo. No entanto, o impacto foi ofuscado pela melhora do cenário geopolítico e pela retomada dos fluxos de exportação na região do Golfo.
Queda do petróleo mantém setor de energia sob pressão nos mercados
O recuo acumulado da commodity nos últimos três pregões altera novamente as expectativas dos investidores para empresas ligadas ao setor energético.
Companhias produtoras de petróleo, incluindo Petrobras (PETR3; PETR4), Prio (PRIO3), Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3), permaneceram entre os ativos mais sensíveis ao movimento observado no mercado internacional.
Com o Brent abaixo de US$ 74 por barril e a perspectiva de normalização do fluxo em Ormuz, o foco dos investidores passa a ser a evolução das negociações entre Washington e Teerã, além do equilíbrio entre oferta e demanda global nos próximos meses.










