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PetroReconcavo (RECV3) amplia acordo com Petrobras (PETR3; PETR4) para processar gás na Bahia

Aditivos garantem capacidade de processamento na UTG Catu a partir de 2028, atualizam condições comerciais e reduzem a urgência de uma unidade própria de US$ 60 milhões

por João Souza
19/08/2026 às 22h46
em Empresas
Petroreconcavo (Recv3) - Gazeta Mercantil M

A PetroReconcavo (RECV3) ampliou seu acordo de longo prazo com a Petrobras (PETR3; PETR4) para processamento de gás natural na Unidade de Tratamento de Gás Natural de Catu, em Pojuca, na Bahia. Os novos aditivos entram em vigor imediatamente e estendem, a partir de 2028, a garantia de capacidade na instalação operada pela estatal, dando à produtora independente maior previsibilidade para monetizar o gás extraído de seus campos terrestres no estado.

O movimento altera de maneira relevante o planejamento de infraestrutura da PetroReconcavo. Em 2024, a companhia havia aprovado a construção da UPGN Miranga, uma unidade própria com capacidade inicial de 950 mil metros cúbicos de gás por dia, expansível para 1,5 milhão de metros cúbicos diários e investimento estimado em US$ 60 milhões. Naquele momento, o projeto era apresentado como uma forma de reduzir a dependência de infraestrutura de terceiros e verticalizar integralmente o processamento no Ativo Bahia.

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A extensão do acesso à UTG Catu muda essa equação. O contrato anterior com a Petrobras garantia processamento até o fim de 2027, justamente o período em que a PetroReconcavo projetava colocar a UPGN Miranga em operação. Com os novos aditivos assegurando capacidade a partir de 2028, a companhia passa a contar com uma alternativa contratual de longo prazo para continuar utilizando uma infraestrutura já existente.

Na prática, isso reduz a pressão para que a empresa mobilize imediatamente os US$ 60 milhões inicialmente estimados para a nova planta e amplia as opções de alocação de capital. A decisão não significa que Miranga tenha perdido seu valor estratégico: uma unidade própria continuaria oferecendo maior autonomia operacional e poderia voltar ao centro da estratégia caso a produção futura exija capacidade adicional ou as condições econômicas do processamento por terceiros se tornem menos favoráveis.

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Acordo passa a valer imediatamente

A Petrobras informou que os aditivos foram assinados com PetroReconcavo, Brava Energia (BRAV3) e Origem Energia e produzem efeitos imediatos. O objetivo é assegurar a continuidade do processamento de gás na UTG Catu e oferecer maior previsibilidade aos produtores que utilizam a unidade.

Um dos principais pontos é justamente a extensão do prazo de garantia da capacidade de processamento a partir de 2028. As empresas também revisaram condições comerciais e operacionais, com foco declarado na redução de custos e no melhor aproveitamento da infraestrutura existente na Bahia.

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A UTG Catu funciona como uma peça central da infraestrutura de gás terrestre baiana. A unidade recebe produção proveniente de campos da região, realiza o tratamento necessário e permite que o gás siga para comercialização. O compartilhamento da planta entre a Petrobras e produtores independentes ganhou importância com a abertura do mercado de gás e com a transferência de campos terrestres anteriormente operados pela estatal.

Os atuais contratos têm origem em uma estrutura que começou a ser consolidada há alguns anos. Em março de 2023, a Petrobras iniciou a operação dos contratos de escoamento e processamento de gás natural firmados com a PetroReconcavo e outros produtores para acesso à UTG Catu, substituindo um modelo transitório de swap comercial utilizado desde janeiro de 2022.

O novo acordo prolonga esse arranjo e evita que o acesso à infraestrutura termine justamente no momento em que a PetroReconcavo havia planejado iniciar uma solução própria.

Plano original previa UPGN Miranga até o fim de 2027

A estratégia desenhada em 2024 era diferente. Em 31 de outubro daquele ano, o conselho de administração da PetroReconcavo aprovou a decisão final de investimento da UPGN Miranga. A instalação teria capacidade de 950 mil m³ por dia, com possibilidade de expansão para 1,5 milhão de m³ diários.

O projeto deveria começar a ser executado no primeiro semestre de 2025 e entrar em operação até o final de 2027. A estimativa de investimento era da ordem de US$ 60 milhões. A intenção declarada era verticalizar as atividades de midstream da companhia na Bahia, reduzindo a dependência de terceiros para processar o gás produzido nos campos da região.

Na época, a coincidência das datas fazia parte do desenho estratégico. O contrato então vigente para utilização da UTG Catu havia sido estendido por 3,5 anos, até o fim de 2027. A PetroReconcavo previa que, ao término desse período, a própria UPGN Miranga estivesse pronta para assumir parte relevante do processamento.

A extensão contratual anunciada agora quebra essa necessidade temporal. Mesmo depois de 2027, a companhia continuará dispondo de capacidade contratada em Catu, o que permite comparar o custo de utilizar a infraestrutura compartilhada com o retorno econômico de construir uma unidade própria.

Esse tipo de decisão envolve não apenas o valor do investimento inicial, mas também custos operacionais, tarifas de processamento, riscos de indisponibilidade, crescimento esperado da produção e valor estratégico de controlar diretamente a infraestrutura.

Bahia produz 11,7 mil barris equivalentes por dia

A importância dessa infraestrutura aparece nos números operacionais da PetroReconcavo. No segundo trimestre de 2026, o Ativo Bahia produziu em média 11,7 mil barris de óleo equivalente por dia, sendo aproximadamente 6 mil boe/dia de petróleo e 5,7 mil boe/dia de gás natural.

O volume total produzido pela companhia, considerando também o Ativo Potiguar, foi de 24,1 mil boe/dia no trimestre. A Bahia, portanto, respondeu por quase metade da produção consolidada, mostrando por que a segurança da infraestrutura de escoamento e processamento é uma variável relevante para o negócio.

Miranga é um dos polos centrais dessa operação. No segundo trimestre, a produção do campo foi afetada por paradas preventivas no sistema de compressão e por eventos elétricos. O Ativo Bahia registrou queda de 2% em relação ao primeiro trimestre, enquanto a produção de Miranga recuou 4%.

O desempenho evidencia que a monetização do gás depende de uma cadeia que vai além dos poços. Compressão, gasodutos, tratamento, processamento e acesso ao sistema de transporte precisam funcionar de maneira coordenada para que a molécula chegue aos compradores.

A própria PetroReconcavo tem ampliado seus investimentos nessa frente. A UTG São Roque, também na Bahia, está em operação desde julho de 2024 e foi classificada pela empresa como um ativo estratégico para elevar a autonomia, a eficiência e a previsibilidade do processamento e do escoamento de gás.

Gás já representa parcela relevante das receitas

No segundo trimestre de 2026, a PetroReconcavo produziu e entregou 126,1 milhões de metros cúbicos de gás natural. O preço médio de realização foi de US$ 10,26 por milhão de BTUs, enquanto a receita líquida associada ao segmento alcançou aproximadamente R$ 279 milhões.

A companhia também manteve contratos de demanda firme equivalentes a entregas de aproximadamente 1,345 milhão de metros cúbicos por dia para distribuidoras estaduais do Nordeste e outros clientes. Esse perfil contratual torna a continuidade do processamento especialmente importante: interrupções na infraestrutura podem obrigar a empresa a reorganizar produção, adquirir gás de terceiros ou buscar alternativas para honrar compromissos comerciais.

Na Bahia, parte dos líquidos derivados do processamento do gás continua sendo comercializada com a própria Petrobras na saída da UTG Catu. Esse relacionamento operacional mostra que a unidade não funciona apenas como uma instalação física, mas como um elo entre produção, separação de líquidos e comercialização dos diferentes produtos obtidos a partir do gás rico.

O acordo de longo prazo, portanto, atua sobre um dos principais riscos operacionais do negócio: a disponibilidade de capacidade para tratar o gás produzido nos campos terrestres.

Compartilhar infraestrutura pode liberar capital

O efeito financeiro potencial do novo arranjo vai além da tarifa de processamento. Uma planta própria de US$ 60 milhões exigiria desembolsos durante a implantação antes de começar a gerar benefícios operacionais. Ao prolongar o acesso a uma estrutura existente, a PetroReconcavo ganha espaço para comparar esse investimento com outras possibilidades de aplicação de capital.

A companhia vem adotando uma estratégia de disciplina financeira em 2026. No segundo trimestre, registrou produção média de 24,1 mil boe/dia, receita líquida de aproximadamente R$ 808 milhões e lucro líquido de R$ 202,7 milhões. O ambiente torna decisões sobre novos projetos particularmente dependentes do retorno esperado, da curva do petróleo e do custo das alternativas disponíveis.

Existe ainda um ganho de flexibilidade. Construir uma UPGN própria cria capacidade dedicada e reduz dependência de terceiros, mas também imobiliza recursos e expõe a companhia ao risco de utilizar menos capacidade do que a projetada. Um contrato de acesso, por outro lado, transforma parte dessa necessidade em custo operacional e diminui a exigência de capital inicial.

A equação pode mudar novamente se a produção de gás crescer acima da capacidade contratada, se outros produtores buscarem a infraestrutura da região ou se o custo do acesso à UTG Catu deixar de ser competitivo. Por isso, o valor estratégico da UPGN Miranga não desaparece mesmo com a ampliação contratual.

Próxima etapa será medir necessidade de capacidade própria

O novo acordo cria uma ponte entre o encerramento da antiga vigência, no fim de 2027, e a próxima fase da produção de gás da PetroReconcavo na Bahia. A Petrobras afirmou que os aditivos já produzem efeitos e que a garantia de capacidade foi estendida a partir de 2028, acompanhada de novas condições comerciais e operacionais.

Para a PetroReconcavo, a decisão que passa a importar é quanto da capacidade futura poderá ser atendida pela infraestrutura compartilhada e em que momento uma unidade própria voltará a apresentar retorno superior ao contrato de processamento. A companhia ainda não divulgou, nas fontes primárias consultadas, um novo cronograma de implantação da UPGN Miranga após a mudança contratual.

O próximo marco operacional será justamente a implementação do novo regime de acesso e a evolução da produção do Ativo Bahia até 2028. Esses dados determinarão se os 950 mil metros cúbicos diários originalmente planejados para Miranga voltarão a justificar um investimento próprio ou se a UTG Catu continuará sendo a principal solução de processamento da companhia na Bahia.


Fontes

Petrobras — Petrobras, PetroReconcavo, Brava Energia e Origem Energia ampliam contratos da UTG Catu para processamento de gás no longo prazo — 19 de agosto de 2026

Petrobras — Petrobras inicia compartilhamento de infraestrutura de escoamento e processamento de gás na Bahia — 7 de março de 2023

PetroReconcavo — Divulgação dos Resultados 4T24 e 2024 — março de 2025

PetroReconcavo — Divulgação dos Resultados 2T26 — 6 de agosto de 2026

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