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PF reabre negociação com Daniel Vorcaro e delação pode ampliar caso Banco Master

Polícia Federal voltou a discutir uma colaboração premiada com o ex-controlador do Banco Master após rejeitar a primeira proposta por considerar as informações insuficientes

por Júlia Campos
28/05/2026 às 16h11
em Política
Daniel Vorcaro - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal voltou a negociar uma delação premiada com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, uma semana depois de ter rejeitado a primeira proposta de colaboração apresentada pelo empresário. Os investigadores comunicaram ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, que há interesse em discutir novos termos para um eventual acordo. A retomada das conversas ocorre em meio ao avanço das apurações sobre suspeitas de crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o banco e seus antigos dirigentes.

A primeira proposta de colaboração foi recusada pela PF no último dia 20. A avaliação dos investigadores foi de que os relatos apresentados por Vorcaro não trouxeram elementos relevantes além das provas já reunidas na investigação, como mensagens extraídas de celular, documentos e outros registros obtidos no curso das apurações.

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Com a nova rodada de tratativas, a defesa de Daniel Vorcaro terá de apresentar informações mais detalhadas, inéditas e verificáveis para que a colaboração avance. A reabertura da negociação, porém, não significa que o acordo será fechado nem que será homologado pelo STF.

PF viu primeira proposta como insuficiente

A decisão da Polícia Federal de rejeitar a primeira tentativa de delação foi interpretada como um sinal de que os investigadores esperam uma colaboração mais robusta. Em acordos desse tipo, não basta que o investigado confirme fatos já conhecidos pelas autoridades. É necessário apresentar informações capazes de revelar novos crimes, identificar outros envolvidos, recuperar valores ou comprovar condutas ainda não esclarecidas.

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No caso de Daniel Vorcaro, a avaliação inicial foi de que a proposta não avançava de forma significativa em relação ao material já obtido. Para a PF, uma colaboração premiada só tende a prosperar quando o investigado oferece elementos concretos e passíveis de checagem.

A posição coincide com manifestação anterior do ministro André Mendonça. Em 7 de maio, o gabinete do relator afirmou que uma colaboração premiada deve ser “séria e efetiva” para produzir efeitos. Na ocasião, Mendonça também informou que ainda não havia tido acesso ao teor do material entregue pela defesa à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Depois da negativa, Vorcaro sinalizou interesse em negociar diretamente com a PGR. A Polícia Federal, no entanto, aceitou reabrir a discussão, o que recoloca a colaboração premiada no centro do caso Banco Master.

Quem é Daniel Vorcaro e por que sua delação importa

Daniel Vorcaro ganhou projeção no mercado financeiro como controlador do Banco Master, instituição que cresceu de forma acelerada nos últimos anos e passou a ocupar espaço relevante em operações de crédito, investimentos e captação. O banco, embora tivesse participação inferior a 1% dos ativos bancários do país, tornou-se alvo de atenção por causa da crise de liquidez, da liquidação da instituição em 2025 e das investigações que vieram em seguida.

A eventual colaboração de Vorcaro é considerada sensível porque ele ocupava posição central na estrutura decisória do Banco Master. Como principal nome ligado à instituição, poderia detalhar operações internas, fluxos financeiros, negociações com agentes privados, interlocuções com autoridades e eventuais relações sob suspeita.

Para os investigadores, o valor de uma delação não está apenas na posição ocupada pelo colaborador, mas na qualidade das informações apresentadas. O conteúdo precisa ser específico, documentado e capaz de produzir novas frentes de investigação.

O que a PF espera da nova proposta

A principal expectativa da Polícia Federal é que a nova rodada de negociação traga informações inéditas e úteis para o avanço das apurações. Isso pode incluir a identificação de outros envolvidos, a descrição de operações financeiras, a apresentação de documentos, mensagens, registros bancários e elementos que ajudem a comprovar crimes ou recuperar valores.

Sem esse acréscimo concreto, a delação pode encontrar a mesma resistência da primeira tentativa. A PF já indicou que não considera suficiente uma colaboração que apenas confirme fatos conhecidos ou reproduza versões sem sustentação documental.

A defesa de Vorcaro terá, portanto, de demonstrar que a nova proposta tem capacidade real de ampliar o alcance da investigação. A colaboração, se aceita, poderá ajudar a esclarecer pontos ainda pendentes sobre a atuação do Banco Master, a relação com outros agentes do sistema financeiro e eventuais conexões com autoridades públicas.

Caso Banco Master avança no STF

A investigação envolvendo o Banco Master passou a tramitar sob relatoria de André Mendonça no Supremo após Dias Toffoli se declarar impedido de continuar no caso. A mudança ocorreu em meio a questionamentos sobre supostos vínculos mencionados em elementos da apuração. Toffoli negou ter recebido pagamentos ou mantido relações impróprias com Daniel Vorcaro.

O caso ganhou força nos últimos meses e passou a envolver diferentes frentes de apuração. Entre os pontos investigados estão suspeitas de irregularidades financeiras, possíveis operações fraudulentas, pagamentos indevidos e relações com agentes públicos e privados.

Em março, Vorcaro voltou a ser detido em investigação que apura suspeitas de corrupção, suborno, lavagem de dinheiro, ameaças e atuação de organização criminosa. A defesa do empresário nega irregularidades e sustenta que seus atos foram legítimos.

Em abril, a investigação teve nova etapa com a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, em apuração sobre suposto esquema envolvendo carteiras de crédito falsas entre Banco Master e BRB. Segundo fontes ligadas ao caso, a ordem partiu do ministro André Mendonça.

Delação pode atingir novas frentes da investigação

Uma eventual delação de Daniel Vorcaro pode ampliar o alcance do caso Banco Master caso traga informações novas e comprováveis. O ex-controlador do banco poderia detalhar como determinadas operações foram estruturadas, quem participou das negociações e quais fluxos financeiros passaram pela instituição.

Também poderá haver interesse dos investigadores em entender eventuais interlocuções políticas e institucionais. Um dos pontos sensíveis do caso envolve mensagens e contatos atribuídos a agentes públicos, incluindo menções ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Até o momento, porém, eventuais responsabilidades dependem de apuração formal e comprovação por provas independentes.

Esse cuidado é essencial em casos de grande repercussão. A delação premiada não pode ser tratada como prova isolada suficiente para condenar alguém. O relato do colaborador precisa ser confirmado por documentos, registros financeiros, mensagens, depoimentos ou outros elementos externos de corroboração.

Como funciona a homologação de uma delação no STF

Mesmo que a Polícia Federal e a PGR aceitem negociar novos termos, a colaboração premiada só terá validade após análise judicial. No Supremo Tribunal Federal, caberá ao relator verificar a legalidade, a voluntariedade e a regularidade do acordo.

A homologação não significa que o conteúdo narrado pelo colaborador seja automaticamente verdadeiro. Ela apenas confirma que o acordo foi celebrado dentro das regras legais e que o investigado aceitou colaborar de forma voluntária.

Depois disso, as informações prestadas precisam ser investigadas e confirmadas. As autoridades devem cruzar dados, verificar documentos, buscar registros bancários, ouvir testemunhas e testar a consistência das declarações. Somente a partir dessa corroboração os relatos podem produzir efeitos concretos em outras frentes da investigação.

No caso de Daniel Vorcaro, essa etapa será decisiva. Como parte das apurações já conta com mensagens, documentos e dados financeiros, a nova proposta terá de ir além do material conhecido. A utilidade da delação dependerá da capacidade de abrir caminhos ainda não explorados pelos investigadores.

Banco Master segue sob pressão jurídica e financeira

A retomada das negociações ocorre em meio à pressão sobre o legado do Banco Master e seus antigos controladores. A liquidação da instituição em 2025 marcou um dos episódios mais sensíveis do setor financeiro brasileiro nos últimos anos e levantou questionamentos sobre governança, supervisão, controle de risco e integridade regulatória.

Embora o Banco Master tivesse participação limitada no total de ativos do sistema bancário, o caso ganhou relevância por envolver suspeitas de relações com agentes públicos, decisões regulatórias, operações financeiras complexas e possíveis pagamentos indevidos.

As investigações também mobilizam atenção sobre a atuação de órgãos de supervisão e sobre a eventual influência de agentes privados em decisões administrativas. Esse ponto é considerado sensível porque envolve a confiança no funcionamento do sistema financeiro e na capacidade do Estado de fiscalizar instituições bancárias.

A defesa de Vorcaro nega irregularidades. Como em qualquer investigação criminal, todos os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório. Eventuais acusações dependerão de comprovação pelas autoridades competentes.

Nova rodada será teste para Vorcaro

A nova negociação será um teste para Daniel Vorcaro e para os investigadores. A primeira proposta foi rejeitada porque, na avaliação da PF, não apresentava informações suficientes para justificar os benefícios de uma colaboração premiada.

Agora, a defesa terá de demonstrar que possui elementos capazes de contribuir de forma efetiva para a investigação. Isso significa apresentar dados específicos, indicar caminhos de prova, identificar possíveis participantes e permitir a verificação independente das informações.

Para a Polícia Federal, a reabertura das conversas mantém aberta uma frente que pode revelar novos aspectos do caso Banco Master. Para Vorcaro, a delação representa uma tentativa de obter benefícios legais em meio ao avanço das apurações.

O desfecho dependerá da qualidade das informações apresentadas, da posição da PGR e da avaliação do ministro André Mendonça no STF. Até lá, a retomada das tratativas mostra que a colaboração premiada voltou a ser uma possibilidade concreta, embora ainda incerta, no centro da investigação.

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