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Pfizer eleva projeção de receita para até US$ 62,5 bilhões após resultado trimestral

Medicamentos não ligados à Covid sustentaram a receita, enquanto baixas de ativos levaram a farmacêutica a prejuízo de US$ 248 milhões.

por João Souza
05/08/2026 às 12h43
em Empresas
Pfizer - Gazeta Mercantil

A Pfizer (PFE) elevou a projeção de receita para 2026 depois de registrar faturamento de US$ 15,03 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 3% em relação aos US$ 14,65 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior. Sem o efeito favorável da variação cambial, o avanço operacional foi de 1%.

A farmacêutica passou a prever receita anual entre US$ 60,5 bilhões e US$ 62,5 bilhões. A estimativa anterior variava de US$ 59,5 bilhões a US$ 62,5 bilhões. A mudança elevou em US$ 500 milhões o ponto médio da projeção, de US$ 61 bilhões para US$ 61,5 bilhões.

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O desempenho melhor que o esperado pela própria administração nos medicamentos não relacionados à Covid-19 acrescentou cerca de US$ 1,5 bilhão à previsão anual. Parte desse ganho foi compensada pela redução de US$ 1 bilhão na estimativa para a vacina Comirnaty e o antiviral Paxlovid.

A Pfizer agora espera obter aproximadamente US$ 4 bilhões com os dois produtos contra a Covid-19 em 2026, abaixo dos US$ 5 bilhões previstos anteriormente. A companhia manteve a projeção de lucro ajustado entre US$ 2,80 e US$ 3 por ação.

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Baixa de ativos leva Pfizer a prejuízo contábil

Apesar do crescimento da receita, a Pfizer encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 248 milhões, equivalente a uma perda diluída de US$ 0,04 por ação. No mesmo período de 2025, a companhia havia registrado lucro líquido de US$ 2,91 bilhões, ou US$ 0,51 por ação.

A reversão do resultado foi provocada principalmente por US$ 4,33 bilhões em baixas contábeis de ativos intangíveis. Essas despesas não representam necessariamente uma saída imediata de caixa, mas reduzem o valor registrado no balanço para medicamentos, tecnologias e projetos adquiridos anteriormente.

A maior baixa, de US$ 3,8 bilhões, atingiu ativos de pesquisa e desenvolvimento relacionados ao sigvotatug vedotin, um conjugado anticorpo-medicamento estudado para o tratamento de câncer de pulmão. Um ensaio clínico de fase 3 não demonstrou melhora estatisticamente significativa no desfecho principal de sobrevida global na população total avaliada.

Outros US$ 525 milhões foram baixados dos direitos sobre o Oxbryta, medicamento para doença falciforme retirado do mercado em 2024. Após discussões realizadas com a Food and Drug Administration em julho de 2026, a Pfizer concluiu que não havia um caminho viável para recolocar o produto no mercado norte-americano.

Parte do impacto foi compensada por um ganho líquido de US$ 1,87 bilhão obtido com a venda da antiga participação da Pfizer na ViiV Healthcare. A companhia havia concluído a saída do investimento em março.

Excluídos os efeitos de amortizações, aquisições, baixas de ativos e outros itens considerados extraordinários, o lucro ajustado ficou em US$ 4,44 bilhões, praticamente estável em comparação com o segundo trimestre de 2025. O lucro ajustado diluído foi de US$ 0,77 por ação, ante US$ 0,78 um ano antes.

Medicamentos não ligados à Covid sustentam receita

A expansão do faturamento foi liderada por produtos de cuidados primários, oncologia e tratamentos especializados. Desconsideradas as contribuições de Comirnaty e Paxlovid, a receita da Pfizer avançou 5% em termos operacionais.

Os medicamentos lançados recentemente ou incorporados por meio de aquisições apresentaram crescimento operacional de 18%. Esse grupo inclui produtos como Padcev, Nurtec, Abrysvo, Lorbrena, Litfulo, Cibinqo e medicamentos provenientes da compra da Seagen.

O anticoagulante Eliquis permaneceu como o produto de maior receita da companhia no trimestre. As vendas globais aumentaram 21%, para US$ 2,43 bilhões. Em termos operacionais, o crescimento foi de 19%.

Segundo a empresa, o desempenho foi favorecido por preços líquidos mais elevados nos Estados Unidos, menor volume de descontos, composição mais favorável dos canais de venda e crescimento da demanda mundial. A expansão foi parcialmente limitada pela entrada de versões genéricas e pela redução de preços em alguns mercados internacionais.

A família Vyndaqel, utilizada no tratamento da cardiomiopatia causada por amiloidose por transtirretina, faturou US$ 1,76 bilhão, alta de 9%. O crescimento operacional foi de 8%, apoiado pelo aumento do número de diagnósticos e pela ampliação do acesso ao tratamento fora dos Estados Unidos.

Na oncologia, as vendas do Padcev aumentaram 23%, para US$ 667 milhões. O medicamento ganhou participação no tratamento de primeira linha do câncer urotelial localmente avançado ou metastático e ampliou sua utilização em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo.

O Lorbrena faturou US$ 354 milhões, avanço de 41% em valores reportados e de 37% em termos operacionais. A Pfizer atribuiu o resultado ao aumento da participação do medicamento no tratamento inicial de pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células metastático e positivo para a alteração ALK.

A receita total da unidade de oncologia alcançou US$ 4,17 bilhões, alta de 3%. Os medicamentos especializados somaram US$ 3,35 bilhões, crescimento de 9%, enquanto os produtos de cuidados primários recuaram 1%, para US$ 5,5 bilhões.

Comirnaty e Paxlovid ampliam queda

O desempenho dos produtos contra a Covid-19 continuou em trajetória de retração. A receita trimestral do Paxlovid caiu 95%, de US$ 427 milhões para US$ 21 milhões.

A companhia atribuiu a queda à redução das infecções nos Estados Unidos e em outros mercados, além da diminuição das compras governamentais internacionais. No mercado norte-americano, não houve receita relevante do antiviral no trimestre, ante US$ 328 milhões no mesmo período de 2025.

A Comirnaty, desenvolvida em parceria com a BioNTech, faturou US$ 261 milhões, redução de 32% em valores reportados e de 34% em termos operacionais. Nos Estados Unidos, as vendas recuaram 79%, para US$ 38 milhões.

Segundo a Pfizer, o resultado refletiu menor utilização da vacina no país e uma recomendação mais restrita para a imunização, além de um ajuste contábil menos favorável relacionado à provisão para devoluções.

A redução da projeção anual para Comirnaty e Paxlovid confirma que a transição para um mercado endêmico e sazonal continua pressionando a receita da farmacêutica. A administração tenta compensar essa perda com medicamentos adquiridos, novas indicações, tratamentos oncológicos e expansão da área de obesidade.

Pfizer amplia programa de corte de custos

A companhia anunciou mais US$ 2,5 bilhões em economias previstas entre 2027 e 2029. O valor está dividido entre US$ 1 bilhão em novas reduções de despesas administrativas e US$ 1,5 bilhão em economias adicionais no programa de otimização industrial.

Com as novas iniciativas, a Pfizer projeta alcançar aproximadamente US$ 6,7 bilhões em economias acumuladas no programa de reorganização de sua estrutura de custos até 2029. A empresa mantém a expectativa de atingir US$ 5,7 bilhões desse total até o fim de 2026.

A obtenção do US$ 1 bilhão adicional exigirá cerca de US$ 2 bilhões em despesas de implementação, incluindo digitalização, simplificação de processos e desligamentos de funcionários.

Na frente industrial, a farmacêutica pretende alterar sua rede de produção, reorganizar o portfólio e ampliar a eficiência operacional. O programa de fabricação deverá gerar US$ 3 bilhões em economias acumuladas até 2029, considerando as etapas anunciadas anteriormente.

A nova fase exigirá aproximadamente US$ 4 bilhões em despesas. Cerca de 60% desse valor deverá envolver itens sem efeito imediato sobre o caixa, como depreciação acelerada e redução do valor de ativos. O restante incluirá indenizações, implementação e custos de saída.

Somados, os dois programas poderão produzir US$ 9,7 bilhões em economias líquidas até 2029. Os valores, no entanto, representam projeções da administração e dependem da execução das medidas, dos custos efetivamente incorridos e das condições operacionais da companhia.

Investimentos aumentam em oncologia e obesidade

As despesas reportadas com pesquisa e desenvolvimento cresceram 13% no segundo trimestre, para US$ 2,81 bilhões. Em bases ajustadas, os gastos avançaram 12%, para US$ 2,73 bilhões.

A Pfizer atribuiu o aumento principalmente aos investimentos em candidatos a medicamentos para oncologia e obesidade. No primeiro semestre, a companhia aplicou US$ 5,3 bilhões em projetos internos de pesquisa e desenvolvimento.

A empresa reforçou sua posição no mercado de tratamentos para obesidade com a aquisição da Metsera, concluída em novembro de 2025. A transação teve valor empresarial de aproximadamente US$ 7 bilhões, além de pagamentos adicionais condicionados ao cumprimento de metas clínicas e regulatórias.

O principal ativo incorporado foi o berobenatide, também identificado como PF’3944, um agonista do receptor GLP-1 em desenvolvimento para aplicações semanais e mensais. O medicamento ainda é experimental e não possui aprovação para comercialização.

A Pfizer apresentou em junho resultados de estudos de fase 2 e afirmou que pretende iniciar dez ensaios de fase 3 com o candidato em 2026. O programa deverá avaliar controle crônico de peso e doenças associadas à obesidade, como osteoartrite do joelho e apneia obstrutiva do sono.

A administração planeja conduzir mais de 20 estudos relacionados à obesidade, abrangendo medicamentos injetáveis, orais e possíveis combinações. O avanço clínico, entretanto, não garante aprovação regulatória nem sucesso comercial.

Acordo com Innovent afeta projeção de lucro

A manutenção da projeção de lucro ajustado entre US$ 2,80 e US$ 3 por ação já considera uma despesa de US$ 650 milhões relacionada ao acordo firmado com a chinesa Innovent Biologics.

A parceria abrange pesquisa e desenvolvimento de 12 medicamentos oncológicos em estágio inicial, incluindo conjugados anticorpo-medicamento e anticorpos multiespecíficos. A Pfizer efetuou um pagamento inicial de US$ 650 milhões após a conclusão da operação, em 10 de julho.

A Innovent poderá receber até US$ 9,85 bilhões adicionais caso sejam atingidos marcos de desenvolvimento, aprovação regulatória e comercialização. Também estão previstos royalties sobre as vendas de produtos eventualmente aprovados.

A despesa inicial deverá ser registrada no terceiro trimestre e produzir impacto negativo estimado de US$ 0,10 por ação. Mesmo absorvendo esse efeito, a Pfizer manteve sua projeção anual de resultado ajustado.

Nova projeção depende da execução do portfólio

A elevação da estimativa de receita indica que os medicamentos não relacionados à Covid-19 estão compensando uma parcela maior da retração de Comirnaty e Paxlovid. A companhia, porém, continua exposta à perda de exclusividade de produtos mais antigos, à entrada de concorrentes genéricos e aos riscos de desenvolvimento clínico.

A projeção para 2026 considera um impacto negativo de aproximadamente US$ 1,1 bilhão provocado pela concorrência de medicamentos genéricos e biossimilares. Também pressupõe que não haverá recompra de ações durante o ano.

A Pfizer encerrou o primeiro semestre com receita acumulada de US$ 29,48 bilhões, crescimento de 4% sobre o mesmo período de 2025. O lucro líquido reportado caiu 58%, para US$ 2,44 bilhões, enquanto o lucro ajustado recuou 10%, para US$ 8,73 bilhões.

A capacidade de atingir a nova faixa de receita dependerá principalmente da manutenção do crescimento de Eliquis, Padcev, Vyndaqel e Lorbrena, da recuperação sazonal das vendas de vacinas no segundo semestre e da execução dos programas de redução de custos.

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