quarta-feira, 4 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

PGR rejeita segunda delação de Vorcaro; retorno a presídio de segurança máxima é risco

Proposta já havia sido negada pela PF; investigação apura títulos falsos e prejuízo bilionário ao BRB

por Júlia Campos
15/06/2026 às 23h15
em Política
Daniel Vorcaro - Gazeta Mercantil
Brasília, 15 de junho de 2026 – A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou nesta segunda-feira a segunda proposta de acordo de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de investigações sobre suposta emissão de títulos sem lastro pelo Banco Master. A decisão foi encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e repete o posicionamento da Polícia Federal, que já havia recusado os mesmos termos na semana passada. Os detalhes do parecer permanecem sob sigilo, e os motivos da nova negativa não foram tornados públicos.
Este é o segundo desdobramento negativo para a defesa do empresário em menos de um mês. Em maio, a primeira versão da delação foi rejeitada depois que investigadores concluíram que Vorcaro não trouxe dados ou fatos inéditos que não estivessem já nos autos do processo ou no material apreendido durante buscas e apreensões. Na ocasião, a Polícia Federal também registrou que o banqueiro não assumiu a prática de nenhum crime — condição essencial prevista em lei para que acordos desse tipo sejam validados pela Justiça.
As tratativas para firmar o acordo começaram em março, logo após Vorcaro ser preso preventivamente pela segunda vez desde o início das operações policiais que miram o Banco Master. Para viabilizar as conversas, ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima, para dependências da Superintendência da Polícia Federal na capital federal, onde teria estrutura e privacidade para prestar depoimentos e apresentar documentos. Com a nova recusa do Ministério Público, há risco iminente de que ele retorne ao regime prisional mais restrito.

Investigação mira manipulação de dados e negociação com o BRB

O cerne das apurações envolve a suposta criação de ativos financeiros fictícios, que não teriam lastro econômico ou garantia real, mas que foram lançados na contabilidade do Banco Master. Segundo as investigações, a estratégia teria sido usada para inflar artificialmente o tamanho da carteira de investimentos e a rentabilidade da instituição, transmitindo ao mercado uma imagem de crescimento sólido e solidez financeira que não existia de fato.
Essa estrutura, conforme apurado pela PF, teria sido determinante para viabilizar a venda de parte do controle do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A operação, concluída em período anterior às investigações, resultou em perdas estimadas em cerca de R$ 12 bilhões para a instituição pública, que adquiriu participação societária e ativos que, posteriormente, se revelaram irregulares ou sem valor econômico. O prejuízo é considerado um dos maiores já registrados no sistema financeiro nacional envolvendo instituições públicas e privadas.
Desde o início das diligências, a linha de investigação segue a hipótese de organização criminosa voltada para fraude financeira, manipulação de demonstrativos contábeis e uso do sistema financeiro para práticas irregulares. Os investigadores trabalham com a tese de que os títulos falsos foram usados também para captar recursos de investidores, levantar empréstimos e garantir operações financeiras que, sem a aparência de solidez, não seriam aprovadas por instituições parceiras.

Requisitos legais não foram atendidos, avaliam autoridades

A legislação brasileira que regulamenta acordos de delação premiada exige, além da confissão formal dos crimes, que o colaborador apresente informações capazes de levar à identificação de outros envolvidos, à recuperação de valores desviados ou à descoberta de provas que não seriam obtidas por outros meios. Nos dois casos analisados até aqui, tanto pela Polícia Federal quanto pela PGR, a avaliação técnica foi a de que as propostas não atendiam a esses critérios.
Na primeira recusa, em maio, os investigadores destacaram que tudo o que foi apresentado já constava de relatórios, documentos apreendidos ou depoimentos de outras pessoas. Além disso, a ausência de admissão de culpa foi apontada como obstáculo intransponível, pois não há como firmar acordo com quem nega participação ou conhecimento sobre os fatos investigados. A segunda proposta, segundo fontes acompanhantes do caso, não teria alterado esses pontos centrais, o que levou à mesma conclusão.
A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou publicamente sobre a nova decisão, nem informou se pretende apresentar uma terceira versão do acordo ou adotar outra estratégia jurídica. O processo segue sob segredo de justiça, medida que as autoridades justificam pela complexidade do caso, pelo volume de dados envolvidos e pela necessidade de preservar o andamento das investigações, que ainda ouvem testemunhas e analisam documentos digitais e contratos.

Caso expõe riscos em negociações de delação no sistema financeiro

A sequência de recusas mostra o rigor que tem sido aplicado em acordos de colaboração premiada, especialmente em casos que envolvem valores altos, instituições financeiras e possíveis danos ao erário. Para o Ministério Público, o acordo só faz sentido se trouxer ganho real para a investigação e para o processo judicial, não se configurando como benefício automático a quem está preso ou sob acusação.
No cenário atual, com o acordo negado novamente, o banqueiro permanece na condição de investigado, respondendo em liberdade provisória restrita — enquanto estiver nas dependências da PF — ou poderá ser levado de volta à penitenciária federal, onde cumpre prisão preventiva. A decisão sobre o retorno deve ser definida pelo ministro André Mendonça, que acompanha todo o inquérito e tem a palavra final sobre medidas cautelares no âmbito do STF.
O desfecho das negociações também influencia o futuro das investigações contra o Banco Master e os demais envolvidos. Sem colaboração, a Polícia Federal e a PGR seguem dependentes de provas materiais, análise contábil e depoimentos de terceiros para construir o caso e levar as acusações a julgamento. O processo deve ainda percorrer etapas de análise técnica e pareceres antes de eventuais denúncias ao Supremo Tribunal Federal.
Enquanto isso, o impacto da operação segue sendo avaliado pelo mercado financeiro e por órgãos de regulação, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que também acompanham os desdobramentos para verificar se houve falhas na fiscalização ou nos mecanismos de controle que permitiram a emissão e negociação dos títulos investigados.

Decisão reforça posição de rigor em casos de fraude financeira

A rejeição da segunda proposta de delação premiada alinha-se a uma postura mais firme do Ministério Público Federal em casos de grande repercussão econômica, especialmente aqueles que envolvem prejuízos a instituições públicas. A avaliação interna é que acordos não podem ser firmados apenas para reduzir pena ou facilitar a saída de prisão, mas precisam cumprir o objetivo legal de auxiliar na elucidação dos fatos e na reparação de danos.
Para Daniel Vorcaro, o cenário atual reduz as alternativas jurídicas e aumenta a pressão para que apresente, se houver interesse em colaborar, dados efetivamente novos e assuma formalmente sua participação nos crimes que estão sendo apurados. Qualquer nova tentativa de acordo dependerá de mudança significativa na estratégia da defesa, sob risco de ser novamente recusada.
O caso permanece no centro das atenções jurídicas e econômicas, pois pode servir de referência para outras investigações que envolvem instituições financeiras e negociações de participação societária. O resultado final, além de definir a responsabilidade dos envolvidos, deve também gerar reflexos sobre regras de governança, auditoria e transparência no setor financeiro nacional.

Leia também

  • Crise no STF trava novas diligências da PF nos casos Master e INSS
  • BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

LEIA MAIS

Flávio Bolsonaro Diz Que Não Fugiu Do País E Se Declara 'O Verdadeiro Presidente' Do Brasil; Confira A Nota Completa – Money Times
Política

Fuga de Flávio Bolsonaro envolveu agência de turismo sob suspeita e ex-agente israelense, diz TV

Ao menos três registros migratórios de Flávio Bolsonaro na Argentina foram revelados, e apontam agência de turismo e ex-integrante da inteligência israelense na viagem.

Leia MaisDetails
Redução Da Maioridade Penal Tem Apoio De 90% Dos Brasileiros, Diz Pesquisa - Gazeta Mercantil
Política

PEC da Segurança volta ao Senado com impasse sobre redução da maioridade penal

PEC da Segurança Pública volta ao Senado com impasse sobre redução da maioridade penal para 14 e 16 anos. Veja o que está em discussão.

Leia MaisDetails
Alexandre De Moraes - Gazeta Mercantil
Política

Flávio Bolsonaro pede suspeição de Moraes e cita jatinho ligado a Willer Tomaz

Defesa de Flávio Bolsonaro pede suspeição de Alexandre de Moraes ao STF e cita uso de jatinho ligado a Willer Tomaz e proposta envolvendo o Banco Master.

Leia MaisDetails
Alcolumbre Marca Votação Da Pec Da Segurança Para Terça (3) E Maioridade Penal Divide Senado - Gazeta Mercantil - Política
Política

Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança para terça (3) e maioridade penal divide Senado

Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança Pública para terça (3). Proposta enfrenta impasse sobre redução da maioridade penal no Senado.

Leia MaisDetails
Willer Tomaz E Flavio Bolsonaro - Gazeta Mercantil
Política

Disputa entre Richarlison e Willer Tomaz em Angra expõe debate sobre terrenos de marinha

Disputa entre Richarlison e Willer Tomaz em Angra dos Reis expõe regras sobre terrenos de marinha e propostas de Flávio Bolsonaro no Senado.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

03:31:30
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Serasa Registra 84,2 Milhões De Inadimplentes E Dívidas De R$ 597,4 Bilhões No Brasil-Gazeta Mercantil
Economia

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

Leia MaisDetails
Mercados - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Leia MaisDetails
Gado Leiteiro - Gzt - Gazeta Mercantil
Agronegócio

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Leia MaisDetails
Dólar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Leia MaisDetails
Tesouro Projeta Dívida Pública De 86,3% Do Pib Em 2036 E Identifica R$ 4,87 Trilhões Em Riscos Fiscais-Gazeta Mercantil
Economia

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Serasa registra 84,2 milhões de inadimplentes e dívidas de R$ 597,4 bilhões no Brasil

BTG Pactual muda carteira após eleições e projeta alta de até 83% para ações

Paraná libera construção de centro de pecuária leiteira com investimento de R$ 36 milhões

Dólar hoje fecha a R$ 5,4872, com alta de 0,79% e pressão fiscal

Dívida bruta do Brasil deve atingir 83,7% do PIB em 2026, projeta Tesouro

Lara Resende propõe limitar Selic enquanto juros da dívida superam R$ 1,2 trilhão

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil