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PoderData: Flávio Bolsonaro chega a 45% e passa Lula numericamente no 2º turno

Senador tem 45% contra 44% do presidente, mas diferença de um ponto permanece dentro da margem de erro e mantém empate técnico

por Júlia Campos
03/09/2026 às 13h21
em Política
Lula X Flavio - Pesquisa Eleitoral - Gazeta Mercantil

Flávio Bolsonaro (PL) apareceu numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial, segundo pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira, 3 de setembro. O senador tem 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A diferença de apenas um ponto percentual não configura vantagem estatística, já que a margem de erro do levantamento é de 1,8 ponto para mais ou para menos, mas chama atenção por inverter a posição registrada apenas uma semana antes.

Na pesquisa anterior, Lula tinha 45% e Flávio Bolsonaro aparecia com 44%. Agora, os dois simplesmente trocaram de posição: o senador oscilou um ponto para cima e o presidente, um ponto para baixo. O movimento é insuficiente para afirmar que houve uma ultrapassagem consolidada, mas reforça uma tendência que vem aparecendo nas rodadas mais recentes: a disputa entre os dois candidatos se tornou cada vez mais apertada, e a vantagem numérica que Lula conservava anteriormente deixou de aparecer no levantamento mais recente.

Brancos e nulos somam 8% no cenário de segundo turno entre os dois, enquanto 3% dos entrevistados disseram não saber em quem votar. Mais do que estabelecer um novo favorito, a pesquisa revela um eleitorado dividido praticamente ao meio entre as duas principais candidaturas neste momento da campanha.

Flávio passa Lula nos números, mas não estatisticamente

A diferença entre vantagem numérica e vantagem estatística é particularmente importante nesta pesquisa. O placar de 45% a 44% permite dizer que Flávio Bolsonaro aparece à frente nos números brutos do levantamento, mas não que tenha assumido uma liderança comprovada sobre Lula. Com a margem de erro de 1,8 ponto percentual, os intervalos possíveis dos dois candidatos se sobrepõem amplamente.

Esse cuidado também vale para a comparação com a pesquisa anterior. Lula havia registrado 45% e Flávio, 44%, resultado igualmente classificado como empate técnico. A inversão atual pode refletir uma mudança real no eleitorado, mas também pode decorrer de oscilações próprias de pesquisas amostrais. Para identificar uma tendência mais sólida, seria necessário observar a continuidade desse movimento nas próximas rodadas.

Ainda assim, a sequência dos levantamentos indica que a diferença entre presidente e senador diminuiu ao longo dos últimos meses. Em pesquisas anteriores, Lula chegou a manter vantagem numérica um pouco maior. Agora, os dois entram em setembro separados por apenas um ponto, o menor tipo de distância possível em uma pesquisa apresentada com números inteiros.

Politicamente, isso coloca pressão sobre as duas campanhas. Lula precisa evitar que sua desaprovação limite sua capacidade de crescer fora do eleitorado já consolidado. Flávio, por sua vez, precisa transformar o empate técnico em uma tendência consistente e demonstrar que consegue ampliar apoio além do eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.

No primeiro turno, Lula tem 37% e Flávio, 34%

O cenário de primeiro turno apresenta uma configuração semelhante. Lula continua numericamente na liderança, com 37% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 34%. A diferença de três pontos é pequena e, considerando a margem de erro aplicada aos dois resultados, também deixa os candidatos em uma faixa de forte proximidade.

Na rodada anterior, Lula tinha 38% e Flávio, 35%. Os dois oscilaram exatamente um ponto para baixo, preservando a mesma distância de três pontos. Isso sugere que, ao menos entre as duas principais candidaturas, não houve mudança significativa de força no primeiro turno em relação à pesquisa da semana passada.

A principal novidade está mais abaixo na disputa. Augusto Cury (Avante) saltou de 4% para 10% e passou a ocupar, com folga, a terceira colocação. Trata-se de uma oscilação de seis pontos em uma única rodada e do movimento mais expressivo captado pela pesquisa. Embora ainda esteja muito distante de Lula e Flávio, Cury passa a ocupar um espaço eleitoral que até então permanecia pulverizado entre vários candidatos.

Renan Santos (Missão) aparece com 3%. Ronaldo Caiado (PSD), Pablo Marçal (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) registram 2% cada. Romeu Zema (Novo), Clariana Barão (DC), Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1% cada. Wilson Grassi (Democrata) não pontuou. Outros 5% afirmaram que votariam em branco ou anulariam o voto, e 2% não souberam responder.

O desempenho de Augusto Cury merece atenção justamente porque altera a composição do bloco intermediário. Com 10%, ele ainda está longe de ameaçar a presença de Lula e Flávio em um eventual segundo turno, mas passa a reunir um contingente de eleitores que pode se tornar relevante na fase decisiva da eleição, especialmente pela capacidade de transferência de votos.

Lula também enfrenta disputas apertadas contra Zema e Caiado

A pesquisa PoderData/Aya também simulou outros confrontos de segundo turno e encontrou dificuldades para Lula diante de nomes além de Flávio Bolsonaro. Contra Romeu Zema, o presidente aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o candidato do Novo marca 42%. O mesmo resultado se repete no confronto com Ronaldo Caiado: Lula tem 44%, contra 42% do candidato do PSD.

Em ambos os casos, a diferença está dentro da margem de erro e configura empate técnico. O resultado mostra que a competitividade eleitoral contra Lula não está restrita ao campo diretamente ligado à família Bolsonaro. Tanto Zema quanto Caiado conseguem, nos cenários testados, chegar muito próximos do presidente em uma disputa direta.

Contra Renan Santos, Lula apresenta uma margem maior. O presidente tem 44% e o candidato do Missão, 39%. A diferença de cinco pontos distancia esse cenário dos confrontos com Flávio, Zema e Caiado, embora ainda mostre um adversário com percentual relevante.

Essas simulações ajudam a dimensionar a dificuldade que o presidente enfrenta na busca pela reeleição. Lula permanece competitivo em todos os cenários testados e lidera numericamente o primeiro turno, mas não aparece com vantagem confortável contra seus principais adversários em um confronto direto. A eleição continua aberta e dependente tanto da avaliação do governo quanto da capacidade de cada candidatura de atrair eleitores que hoje estão fora de suas bases mais fiéis.

Rejeição de Lula e Flávio também está próxima

Outro dado que ajuda a explicar o equilíbrio é o nível de rejeição dos dois principais candidatos. Segundo o PoderData/Aya, 48% dos entrevistados dizem que não votariam em Lula “de jeito nenhum”. No caso de Flávio Bolsonaro, a rejeição é de 46%.

Na pesquisa anterior, os dois estavam empatados em 49%. Flávio oscilou três pontos para baixo, enquanto Lula recuou um ponto. Como ocorre nas intenções de voto, a diferença atual entre os dois permanece dentro da margem de erro, mas o indicador é importante porque mostra que ambos enfrentam resistência de uma parcela muito elevada do eleitorado.

Em eleições polarizadas, rejeição pode ser tão importante quanto intenção de voto. Um candidato pode possuir uma base fiel e ainda encontrar dificuldades para ultrapassar determinado teto se uma parcela muito grande da população se recusar a votar nele em qualquer circunstância. Neste momento, Lula e Flávio convivem justamente com esse desafio: os dois têm apoio suficiente para liderar a corrida, mas também carregam rejeições próximas da metade do eleitorado.

Essa configuração ajuda a explicar por que pequenas oscilações produzem mudanças frequentes na liderança numérica das pesquisas. Com eleitorados fortemente consolidados dos dois lados e espaço reduzido para expansão, um deslocamento de poucos pontos pode alterar o placar sem necessariamente representar uma transformação estrutural da disputa.

Lula conserva vantagem entre mulheres e no Nordeste

Os recortes da pesquisa mostram que as duas candidaturas permanecem apoiadas em bases eleitorais bastante diferentes. Lula mantém melhor desempenho entre as mulheres e no Nordeste. No cenário de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente registra 48% entre o eleitorado feminino, diante de 41% do senador.

No Nordeste, Lula alcança 53%, mantendo a região como um de seus principais redutos. O presidente também apresenta desempenho mais forte entre eleitores com renda de até dois salários mínimos e entre aqueles com escolaridade até o ensino fundamental. São segmentos nos quais o petista historicamente encontra maior apoio e que continuam desempenhando papel central na sustentação de sua candidatura.

Flávio Bolsonaro apresenta desempenho mais elevado no Sul e no Centro-Oeste. No segundo turno, o senador chega a 55% na região Sul e a 56% no Centro-Oeste, além de registrar bom desempenho entre eleitores com escolaridade até o ensino médio. O mapa eleitoral, portanto, continua marcado por diferenças regionais e socioeconômicas relevantes.

Esses recortes ajudam a mostrar por que a disputa nacional permanece tão apertada. As vantagens obtidas por cada candidato em determinados grupos acabam sendo parcialmente neutralizadas pelo desempenho do adversário em outros segmentos. O resultado agregado é um país praticamente dividido entre os dois nomes quando a eleição é reduzida a um confronto direto.

Avaliação negativa do governo limita espaço de Lula

A pesquisa também mostra que Lula chega à fase decisiva da campanha enfrentando uma avaliação predominantemente negativa de sua administração. O desempenho pessoal do presidente é desaprovado por 50% dos entrevistados e aprovado por 42%. Outros 8% não souberam responder.

Quando os eleitores são questionados especificamente sobre o governo, 51% dizem desaprovar a administração e 42% aprovam. Na avaliação qualitativa, 34% consideram o governo ótimo ou bom, 15% classificam como regular e 48% dizem que é ruim ou péssimo.

Esses números ajudam a entender a dificuldade do presidente para abrir distância no segundo turno. Como candidato à reeleição, Lula não disputa apenas contra seus adversários, mas também contra a percepção acumulada sobre seu próprio governo. Eleitores insatisfeitos com a administração federal tornam-se um público natural para as candidaturas de oposição, ainda que não estejam necessariamente comprometidos com Flávio Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, Lula mantém um piso eleitoral elevado. Mesmo com a desaprovação acima da aprovação, o presidente lidera o primeiro turno e registra 44% em praticamente todos os principais cenários de segundo turno. Isso mostra a força de sua base eleitoral, mas também sugere que o desafio da campanha será encontrar votos adicionais em um ambiente de forte resistência.

Pesquisa confirma uma eleição aberta

A comparação entre as duas rodadas mais recentes ajuda a evitar conclusões exageradas sobre o placar de 45% a 44%. Na semana passada, Lula tinha exatamente a mesma vantagem que Flávio possui agora. Em sete dias, o líder numérico mudou, mas o diagnóstico estatístico permaneceu o mesmo: empate técnico.

O movimento mais relevante pode estar justamente na estabilidade dessa disputa apertada. Lula e Flávio continuam concentrando a maior parcela do eleitorado, separados por poucos pontos e com rejeições elevadas. Ao mesmo tempo, Augusto Cury começa a reunir um número mais expressivo de intenções de voto e outros candidatos, como Zema e Caiado, mostram competitividade quando colocados diretamente contra Lula.

A pesquisa foi realizada entre 30 de agosto e 2 de setembro de 2026, com 3.000 entrevistas em 716 municípios distribuídos pelas 27 unidades da Federação. As entrevistas foram feitas por telefone, utilizando celulares e linhas fixas. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-07561/2026.

O número que naturalmente produz a manchete é a vantagem de 45% a 44% de Flávio Bolsonaro. A fotografia mais importante da eleição, porém, continua sendo o equilíbrio. A pouco mais de um mês do primeiro turno, nenhum dos dois principais candidatos conseguiu construir vantagem estatística sobre o outro, e o resultado das próximas pesquisas será decisivo para mostrar se a inversão desta semana foi apenas uma oscilação ou o início de uma mudança mais consistente na corrida presidencial.

Fontes:

PoderData/Aya – pesquisa nacional de intenção de voto realizada entre 30 de agosto e 2 de setembro de 2026

PoderData/Aya – série histórica de pesquisas presidenciais e comparação com a rodada anterior

Tribunal Superior Eleitoral – registro da pesquisa BR-07561/2026

PoderData/Aya – dados de rejeição, avaliação do governo e recortes demográficos

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