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Pesquisa AtlasIntel-Bloomberg: Tarcísio, Flávio, Michelle e Bolsonaro superam Lula numericamente em segundo turno nas eleições 2026

Levantamento ouviu mais de cinco mil eleitores entre 18 e 23 de março e revela empate técnico em todos os cenários contra o atual presidente, com margens dentro do intervalo de confiança de 95%

por Carlos Menezes - Repórter de Política
25/03/2026 às 12h07 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h14
em Política, Destaque, Notícias
Pesquisa Atlasintel-Bloomberg: Tarcísio, Flávio, Michelle E Bolsonaro Superam Lula Numericamente Em Segundo Turno Nas Eleições 2026-Gazeta Mercantil

Pesquisa AtlasIntel-Bloomberg: Tarcísio, Flávio, Michelle e Bolsonaro superam Lula numericamente em cenários de segundo turno

A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo e relevante capítulo na manhã desta quarta-feira, 25 de março. A mais recente pesquisa do AtlasIntel em parceria com a Bloomberg revelou que quatro nomes do campo político de direita e centro-direita superam numericamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em potenciais cenários de segundo turno — ainda que todos os resultados se enquadrem dentro da margem de erro de um ponto percentual, configurando tecnicamente empate em todos os confrontos.

O levantamento, que ouviu 5.028 eleitores entre os dias 18 e 23 de março deste ano, com nível de confiança de 95%, oferece o retrato mais atualizado do humor do eleitorado brasileiro a pouco mais de um ano das eleições presidenciais. Os dados chegam em um momento de intensa movimentação nos bastidores da política nacional, com alianças sendo tecidas, candidaturas sendo testadas e o campo oposicionista ainda em busca de um nome capaz de consolidar votos de forma definitiva.


O cenário mais favorável à oposição: Flávio Bolsonaro à frente

Entre todos os candidatos testados frente a frente com Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o que apresenta a maior vantagem numérica — embora ainda dentro do empate técnico. O filho mais velho do ex-presidente aparece com 47,6% das intenções de voto, contra 46,6% do petista, uma diferença de exatamente um ponto percentual — o limite da margem de erro do estudo.

Flávio Bolsonaro tem se movimentado ativamente como pré-candidato à presidência da República desde que o pai, Jair Bolsonaro, teve seus direitos políticos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023. O senador tem procurado capitalizar a base bolsonarista mais fiel, posicionando-se como o herdeiro natural do movimento iniciado em 2018. O desempenho na pesquisa sugere que essa estratégia tem alguma tração, mas o cenário ainda está longe de ser definidor — o empate técnico indica que a disputa permanece em aberto.


Tarcísio de Freitas: o nome que mais anima o mercado e a mídia

Logo atrás, com uma vantagem de 0,9 ponto percentual sobre Lula, está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos): 47,2% a 46,3%. O ex-ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro é, sem dúvida, o nome que mais acumula holofotes no cenário oposicionista brasileiro.

Gestão do estado mais rico e populoso do país, perfil de técnico com viés conservador e o apoio explícito de Jair Bolsonaro — tudo isso converge para fazer de Tarcísio um dos nomes mais monitorados da política nacional. Analistas apontam que ele tem conseguido ampliar sua base além do bolsonarismo mais radical, atraindo eleitores de centro que valorizam eficiência administrativa e tom mais moderado no discurso.

A pesquisa AtlasIntel-Bloomberg reforça esse diagnóstico ao mostrar que Tarcísio consegue superar Lula numericamente mesmo em um cenário nacional adverso, sem ter ainda formalmente declarado candidatura à presidência. A variável que se mantém no ar é se o governador efetivamente disputará 2026 ou se optará pela reeleição ao governo paulista, estratégia que também possui seus defensores dentro do campo oposicionista.


O nome inelegível que ainda movimenta pesquisas: Jair Bolsonaro

Apesar de estar inelegível por decisão do TSE — e, portanto, impedido de disputar eleições no Brasil até 2030 —, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi incluído nos cenários hipotéticos da pesquisa AtlasIntel-Bloomberg. O resultado é revelador: em um confronto direto com Lula, Bolsonaro marcaria 47,4% contra 46,6% do petista, uma diferença de 0,8 ponto percentual.

O número reforça algo que pesquisas anteriores já vinham indicando: a base de apoio ao ex-presidente permanece sólida e fidelizada, mesmo após a inelegibilidade, os processos em curso e o afastamento forçado da arena eleitoral. Esse eleitorado precisará encontrar um destinatário em 2026 — e a disputa interna no campo bolsonarista para herdar esses votos é, talvez, o capítulo mais decisivo da eleição que está por vir.


Michelle Bolsonaro: empate técnico com a menor margem do grupo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) fecha o quarteto de nomes que superam numericamente o presidente: ela marca 47% contra 46,8% de Lula — uma diferença de apenas 0,2 ponto percentual, a menor entre todos os confrontos avaliados pelo levantamento.

Michelle tem investido no próprio protagonismo político há pelo menos dois anos. Com forte apelo entre o eleitorado evangélico, presença intensa nas redes sociais e discurso centrado em valores conservadores e fé cristã, ela construiu uma identidade política própria que vai além do sobrenome. Ainda assim, a diferença mínima registrada pelo AtlasIntel-Bloomberg indica que a consolidação de sua candidatura — caso ela se confirme — ainda exigiria um trabalho considerável de ampliação de base e conquista de eleitores fora do núcleo duro da direita bolsonarista.


Onde Lula vence com folga: a outra face da pesquisa

Se, por um lado, o levantamento apresenta quatro adversários numericamente à frente do presidente em segundo turno, por outro ele revela com igual clareza os limites de outros nomes da oposição. Lula derrotaria com margem confortável — fora do empate técnico — os seguintes nomes:

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que apesar de dois mandatos à frente do estado mineiro e de um perfil fiscal austero, não consegue ainda traduzir aprovação regional em competitividade nacional. O senador Ronaldo Caiado (PSD), governador de Goiás até 2022 e figura respeitada no agronegócio, também apareceria atrás do petista fora da margem de erro. Na mesma situação estariam o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) — que recentemente anunciou sua desistência de disputar a Presidência — e Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, cujo perfil mais moderado ainda não encontrou a tração necessária para alçá-lo ao patamar de competitividade nacional.

A geografia desses resultados revela um padrão: os nomes que conseguem empatar ou superar Lula são aqueles com conexão direta à herança bolsonarista — seja de sangue (Flávio e Michelle), seja de proximidade política (Tarcísio e o próprio Jair Bolsonaro). Os nomes do centro-direita mais clássico, sem essa vinculação, seguem distantes de uma competitividade real contra o atual presidente.


O que os números significam — e o que ainda não dizem

Toda pesquisa de intenção de voto realizada com mais de um ano de antecedência de uma eleição deve ser lida com o rigor que o contexto exige. Os números do AtlasIntel-Bloomberg são relevantes enquanto termômetro do momento político, mas estão longe de ser determinantes para o resultado de outubro de 2026.

A eleição presidencial brasileira é decidida em dois turnos. No primeiro, o cenário é completamente diferente: múltiplos candidatos dividem votos, e a capacidade de construir uma coligação ampla ou um discurso de apelo nacional tem peso decisivo. No segundo turno — que é o que a pesquisa simula —, o eleitor precisa fazer uma escolha binária, e o humor registrado hoje pode se transformar substancialmente ao longo dos próximos meses.

Entre os fatores que ainda estão em aberto: a definição do candidato da oposição (e se haverá consenso ou fragmentação), a performance econômica do governo Lula até o pleito, o andamento dos processos judiciais que envolvem Jair Bolsonaro, e a eventual entrada de novos nomes que ainda não foram testados nos cenários de segundo turno.

O que os dados de março de 2026 comunicam com razoável clareza é que a reeleição de Lula não está garantida e que pelo menos quatro nomes da direita e centro-direita possuem potencial de competitividade real — o que torna 2026 uma das eleições mais abertas da história recente do Brasil.


Metodologia: como a pesquisa foi conduzida

O levantamento do AtlasIntel-Bloomberg que embasa esta análise ouviu 5.028 eleitores entre os dias 18 e 23 de março de 2026. O nível de confiança adotado pela pesquisadora é de 95%, com margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. A AtlasIntel é conhecida por utilizar metodologia de recrutamento online com painéis amplos de respondentes, diferentemente das pesquisas telefônicas ou presenciais tradicionais — o que confere ao levantamento uma composição amostral com características próprias que devem ser consideradas na leitura dos dados.


O que a pesquisa ainda não mede: o eleitor indeciso e o cenário do primeiro turno

Nenhum dos cenários apresentados pelo AtlasIntel-Bloomberg simula o primeiro turno — fase da eleição em que múltiplos candidatos competem simultaneamente e onde a construção de coalizões políticas e a definição de vice-presidentes têm impacto concreto no resultado. O segundo turno testado pela pesquisa pressupõe que os dois nomes já chegaram à etapa final, o que ainda é uma incógnita para praticamente todos os nomes listados.

Além disso, os percentuais apresentados não somam 100%, o que indica a presença de um contingente relevante de indecisos ou de eleitores que responderam “branco”, “nulo” ou “não sei” — fatores que, em uma eleição real, frequentemente determinam o vencedor. É nesse eleitorado flutuante que reside a verdadeira disputa política dos próximos meses: conquistá-lo, e não apenas consolidar o núcleo já fidelizado, será o desafio central tanto para o governo Lula quanto para a oposição que ainda busca seu nome definitivo.


Dados com base na pesquisa AtlasIntel-Bloomberg divulgada em 25 de março de 2026.

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