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Genial/Quaest: Lula abre seis pontos sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno

Pesquisa Genial/Quaest mostra presidente com 44% contra 38% do senador; levantamento indica mudança em relação a rodadas anteriores, marcadas por empate técnico

por Júlia Campos
10/06/2026 às 13h00
em Política
Lula E Flavio Bolaonaro Em Pesquisa Genial/ Quaest - Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece seis pontos percentuais à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026.

Lula registra 44% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 38%. A diferença supera a margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Leia também: Ibovespa abre cauteloso com tensão e dólar a R$ 5.

O resultado modifica a fotografia observada nas rodadas anteriores, quando os dois nomes estavam empatados ou separados por diferenças dentro da margem de erro.

Em maio, Lula aparecia com 42%, ante 41% de Flávio Bolsonaro. Em abril, o senador tinha vantagem numérica, com 42%, enquanto o presidente registrava 40%. Em março, ambos apareciam com 41%.

Leia também: Uber Livelo: como acumular pontos de fidelidade em cada corrida no Brasil.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho.

O nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07661/2026.

Lula avança enquanto Flávio recua

A comparação entre as quatro rodadas mostra uma mudança na trajetória da disputa.

Em março, Lula e Flávio Bolsonaro estavam empatados em 41%. No mês seguinte, o senador avançou para 42%, enquanto o presidente oscilou para 40%.

Em maio, Lula recuperou a dianteira numérica ao marcar 42%, contra 41% do adversário. A diferença, porém, permanecia dentro da margem de erro.

Na pesquisa divulgada nesta quarta-feira, o presidente sobe para 44%, enquanto Flávio Bolsonaro recua para 38%.

A distância de seis pontos representa a vantagem mais ampla registrada por Lula nessa sequência de simulações.

O resultado não encerra a disputa, mas altera o patamar político do confronto. Em vez de empate técnico, a nova rodada mostra o presidente numericamente à frente mesmo quando considerada a margem de erro.

Pesquisas realizadas antes da oficialização das candidaturas, contudo, retratam a intenção de voto no período da coleta e não funcionam como previsão do resultado eleitoral.

Até as convenções partidárias, os nomes testados podem confirmar candidaturas, desistir da disputa ou participar de alianças diferentes das atualmente consideradas.

Primeiro turno tem Lula com 39%

Na simulação de primeiro turno, Lula aparece na liderança com 39% das intenções de voto.

Flávio Bolsonaro ocupa a segunda posição, com 29%. O senador tinha 33% na pesquisa anterior e, portanto, apresentou recuo numérico de quatro pontos.

Lula manteve o mesmo percentual registrado em maio.

A comparação direta exige cautela porque a pesquisa atual testou 13 nomes, enquanto a rodada anterior apresentava dez possíveis candidatos.

A inclusão de novas alternativas pode provocar redistribuição das intenções de voto, especialmente entre eleitores de oposição, centro e direita.

Em pesquisas estimuladas, os entrevistados escolhem um nome dentro de uma lista apresentada pelo instituto. Quanto maior a quantidade de candidatos, maior a possibilidade de fragmentação.

Renan Santos e Caiado aparecem com 3%

Depois de Lula e Flávio Bolsonaro, Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre e integrante do Missão, aparece com 3%.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) também registra 3%.

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) aparecem com 2% cada.

Os percentuais mostram que a disputa permanece concentrada nos dois primeiros colocados, enquanto as demais candidaturas buscam espaço entre eleitores que rejeitam a polarização entre PT e bolsonarismo.

A fragmentação do campo oposicionista pode beneficiar Flávio Bolsonaro no debate sobre a candidatura mais competitiva contra Lula, mas também evidencia que o senador ainda precisa consolidar apoios fora da base diretamente identificada com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para os candidatos de centro e direita, o desafio é ampliar conhecimento nacional, construir palanques regionais e apresentar uma alternativa capaz de atrair eleitores que não desejam votar nos dois principais polos.

Aécio e Joaquim Barbosa estreiam na pesquisa

A rodada divulgada nesta quarta-feira incluiu pela primeira vez Aécio Neves e Joaquim Barbosa nas simulações presidenciais da Quaest para 2026.

Aécio disputou a Presidência em 2014 e foi derrotado no segundo turno por Dilma Rousseff (PT).

Sua inclusão ocorre em um momento de tentativa de reorganização do PSDB, partido que perdeu espaço no cenário presidencial depois de ter liderado a oposição ao PT durante duas décadas.

Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, foi testado como possível candidato do Democracia Cristã.

Na lista apresentada pela Quaest, Barbosa substituiu o nome de Aldo Rebelo.

A presença dos dois amplia a diversidade de alternativas e permite medir o potencial de candidaturas conhecidas nacionalmente, mas que ainda não aparecem entre os líderes da disputa.

Mesmo com percentuais baixos, candidaturas menores podem exercer influência sobre alianças, debates, tempo de propaganda, formação de chapas e palanques estaduais.

Também podem ser relevantes em um eventual segundo turno, quando seus eleitores precisarão escolher entre os dois candidatos mais votados ou optar pelo voto branco, nulo ou pela abstenção.

Polarização continua organizando a eleição

Os números reforçam que a eleição presidencial permanece estruturada principalmente em torno da disputa entre Lula e o campo político associado a Jair Bolsonaro.

Lula busca a continuidade de seu governo apoiado em uma base eleitoral consolidada, nas alianças partidárias e na estrutura política da administração federal.

Flávio Bolsonaro tenta se afirmar como o principal representante do bolsonarismo na sucessão presidencial.

O senador pelo Rio de Janeiro carrega o sobrenome e a identificação política do ex-presidente, elementos que favorecem sua presença entre os líderes das pesquisas.

Ao mesmo tempo, precisa ampliar sua votação entre eleitores que não fazem parte do núcleo mais fiel ao bolsonarismo.

O resultado do segundo turno indica que Lula apresenta, nesta rodada, maior capacidade de reunir votos de eleitores que no primeiro turno escolheriam outros candidatos.

A diferença entre os cenários também mostra o papel decisivo dos eleitores das candidaturas menores.

No primeiro turno, Lula e Flávio somam 68%. Em uma disputa direta, os dois alcançam 82%, demonstrando que parte expressiva dos votos de outros nomes migra para os finalistas.

Resultado pressiona estratégia da oposição

A vantagem de Lula tende a produzir efeitos nas articulações partidárias anteriores às convenções.

Para o governo, os números fortalecem o argumento de que o presidente continua sendo o nome mais competitivo do campo governista.

A liderança pode ajudar o PT a negociar alianças estaduais, composição de palanques e apoio de partidos que ainda avaliam o posicionamento na eleição.

Para a oposição, a queda de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e a desvantagem de seis pontos na simulação direta aumentam a pressão por uma estratégia de ampliação.

O senador precisa preservar o eleitorado bolsonarista e, simultaneamente, buscar apoio entre setores de centro, direita liberal e eleitores que rejeitam Lula, mas não estão automaticamente alinhados ao PL.

O levantamento também poderá ser utilizado por defensores de outras candidaturas para sustentar que o campo oposicionista precisa avaliar alternativas.

Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Aécio Neves, Renan Santos e Joaquim Barbosa aparecem distantes dos dois primeiros colocados, mas podem tentar crescer durante o período de pré-campanha.

A capacidade de cada nome para formar alianças, obter recursos, estruturar campanhas estaduais e participar dos debates será determinante para a continuidade das candidaturas.

Economia será decisiva para a disputa

Embora a pesquisa meça intenção de voto, a evolução da corrida presidencial dependerá do desempenho da economia e da avaliação do governo.

Inflação, emprego, renda, juros, crédito e custo de vida costumam exercer influência direta sobre o comportamento do eleitorado.

Como presidente em exercício, Lula será avaliado principalmente pela percepção das famílias sobre a situação econômica.

Uma melhora perceptível na renda e no poder de compra pode fortalecer a campanha de continuidade. Uma deterioração da inflação, do emprego ou das condições de crédito tende a ampliar o espaço para a oposição.

Flávio Bolsonaro deverá buscar associar sua candidatura às críticas ao governo e à defesa do legado político do pai.

Além da economia, segurança pública, programas sociais, relação entre Executivo e Congresso, decisões do Supremo Tribunal Federal e política externa devem ocupar espaço na campanha.

O peso de cada tema dependerá da evolução dos acontecimentos até o início oficial do período eleitoral.

Margem de erro afasta empate técnico

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

Isso significa que Lula, com 44%, pode estar entre 42% e 46%. Flávio Bolsonaro, com 38%, pode variar entre 36% e 40%.

Mesmo nos extremos dos intervalos, o menor percentual possível de Lula permanece acima do maior resultado possível do senador.

Por essa razão, os dois não estão tecnicamente empatados na simulação de segundo turno.

A situação é diferente das rodadas anteriores. Em maio, por exemplo, Lula marcava 42% e Flávio Bolsonaro, 41%, uma diferença de apenas um ponto.

Em abril, o senador tinha 42%, ante 40% do presidente. A diferença de dois pontos também não permitia afirmar uma vantagem estatisticamente consolidada.

A rodada desta quarta-feira estabelece, portanto, uma mudança relevante na série recente.

Pesquisa está registrada no TSE

O levantamento foi realizado por meio de entrevistas presenciais entre 5 e 8 de junho.

A amostra reúne 2.004 eleitores com 16 anos ou mais. O nível de confiança informado é de 95%.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07661/2026.

O registro é obrigatório para levantamentos divulgados durante o período eleitoral e permite consultar informações sobre a metodologia, o contratante, a amostra e o questionário aplicado.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos.

Os dados devem ser interpretados como uma fotografia do momento em que as entrevistas foram realizadas. Mudanças econômicas, decisões partidárias, acontecimentos políticos e o início da campanha podem alterar o comportamento do eleitorado.

Nova rodada redefine referência da disputa

Em 10 de junho de 2026, Lula aparece em uma posição mais favorável do que nas três pesquisas anteriores da Quaest.

A vantagem de seis pontos no segundo turno interrompe uma sequência de empates técnicos e amplia a pressão sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro.

No primeiro turno, o presidente mantém 39%, enquanto o senador recua para 29% em um cenário com maior número de candidatos.

Os resultados fortalecem Lula nas negociações políticas e oferecem ao governo um argumento para sustentar a manutenção da atual estratégia eleitoral.

Para Flávio Bolsonaro, a pesquisa reforça a necessidade de recuperar terreno e ampliar o apoio além da parcela do eleitorado diretamente vinculada ao bolsonarismo.

A disputa permanece aberta, com candidaturas ainda não oficializadas e alianças em formação. A rodada desta quarta-feira, entretanto, cria uma nova referência: pela primeira vez na série recente, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro por uma diferença que supera a margem de erro.

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