A próxima pesquisa Quaest sobre as eleições presidenciais de 2026 em São Paulo vai medir o desempenho de onze pré-candidatos e testar quatro cenários de segundo turno envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o comunicado do instituto, o levantamento encomendado pelo Banco Genial começou nesta quinta-feira, 23 de julho, será concluído na segunda-feira, 27, e divulgado na quarta-feira, 29. Serão entrevistados 1.650 eleitores paulistas por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, com margem de erro máxima de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
O recorte paulista é tratado como central para a disputa nacional. São Paulo reúne 34,9 milhões de eleitores aptos, cerca de 22% do eleitorado brasileiro, distribuídos em 645 municípios. Desde a redemocratização, o resultado no estado tem sido usado por analistas como termômetro da eleição presidencial.
O que será medido no maior colégio eleitoral do país
De acordo com a Quaest, o questionário foi estruturado em três blocos. O primeiro mede intenção de voto estimulada e espontânea para o primeiro turno. O segundo testa confrontos diretos de segundo turno. O terceiro avalia o governo federal e a percepção sobre o melhor resultado para o país em 2026.
A pesquisa também fará uma pergunta aberta, sem apresentação de nomes, para identificar se o eleitor já definiu seu voto para presidente. Depois da resposta estimulada, o entrevistador questionará se a decisão é definitiva ou se ainda pode mudar até a eleição.
Segundo o instituto, o desenho amostral combina sorteio probabilístico de municípios e setores censitários fornecidos pelo IBGE, com cotas por sexo, idade, escolaridade, renda familiar e região do estado. O método replica o padrão adotado nos levantamentos nacionais da parceria Genial e Quaest.
Primeiro turno terá 11 nomes e inclui partidos nanicos
No cenário estimulado de primeiro turno, os entrevistados escolherão entre onze possíveis candidatos. A lista inclui o presidente Lula pelo PT, o senador Flávio Bolsonaro pelo PL, o empresário Renan Santos pelo Missão, o governador de Minas Gerais Romeu Zema pelo Novo, o governador de Goiás Ronaldo Caiado pelo PSD, além de Cabo Daciolo pelo Mobiliza, Edmilson Costa pelo PCB, o escritor Augusto Cury pelo Avante, Hertz Dias pelo PSTU, Leonardo Avalanche pelo PRTB e Samara Martins pela UP.
A composição reflete o quadro de pré-candidaturas declaradas até julho de 2026. Conforme levantamento da Wikipedia eleitoral com base em registros partidários, estão oficialmente colocados como pré-candidatos pelo menos Lula, Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado, Cabo Daciolo, Augusto Cury, Edmilson Costa, Hertz Dias e Samara Martins, além de outros nomes em definição de vice e de federação.
De acordo com a Quaest, a inclusão de candidatos de partidos sem representação no Congresso segue a regra do Tribunal Superior Eleitoral de testar todos os nomes que comunicaram oficialmente a pré-candidatura até o registro da pesquisa. Nomes como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, não aparecem neste recorte paulista, em linha com a decisão do próprio governador de reiterar que buscará a reeleição estadual, embora ainda seja citado por aliados do centrão como alternativa.
Quatro cenários de segundo turno colocam Lula contra Flávio e três nomes de direita
A Quaest apresentará quatro confrontos diretos. Lula será testado contra Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Em cada cenário, o eleitor poderá escolher um dos candidatos, declarar voto em branco ou nulo, afirmar que não compareceria ou dizer que ainda está indeciso.
A escolha dos quatro adversários tem base nas pesquisas nacionais mais recentes. Segundo a última rodada nacional Genial e Quaest divulgada em 15 de julho, com 2.004 entrevistas presenciais realizadas entre 10 e 13 de julho e registro no TSE sob o número BR-07181 de 2026, Lula lidera no primeiro turno com 40% contra 28% de Flávio, com Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. Indecisos somam 11% e brancos, nulos e não vão votar somam 8%.
No segundo turno nacional, ainda de acordo com a Quaest, Lula tem 45% contra 37% de Flávio, vantagem de oito pontos, a maior registrada desde dezembro de 2024. Contra Caiado, Lula aparece com 45% a 36%, contra Zema com 45% a 35% e contra Renan Santos com 45% a 33%. A margem de erro nacional é de dois pontos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa paulista também perguntará qual seria o melhor resultado para o país, com quatro alternativas, nova vitória de Lula e do PT, retorno da família Bolsonaro ao governo, eleição de um candidato moderado fora da polarização ou vitória de um nome de fora da política e da polarização. A pergunta busca medir demanda por terceira via.
Metodologia presencial domiciliar segue padrão Genial Quaest com registro no TSE
Segundo a Quaest, a metodologia utilizada nos levantamentos encomendados pela Genial Investimentos é baseada em entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais realizadas com eleitores de 16 anos ou mais. O modelo foi detalhado em fichas técnicas de pesquisas recentes na Bahia, no Ceará e no Amazonas.
Na Bahia, a Quaest ouviu 11.646 eleitores em dez estados entre 21 e 28 de abril de 2026, com margem de aproximadamente dois pontos e registro BR-08703 de 2026. No Ceará, o levantamento ouviu 1.002 eleitores entre 24 e 28 de abril, com margem de três pontos e registro CE-01725 de 2026, encomendado pelo Banco Genial. No Amazonas, foram 1.500 eleitores em 34 municípios entre 5 e 11 de março de 2026, com margem de três pontos e registro BR-02944 de 2026.
De acordo com especialistas em amostragem ouvidos em análises técnicas, uma amostra de 1.650 entrevistas em São Paulo, com estratificação por sexo, faixa etária e região, permite margem próxima de dois pontos para 95% de confiança, quando bem distribuída. A lei eleitoral exige registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral até cinco dias antes da divulgação, com contratante, valor, metodologia, período de coleta e questionário completo.
Conforme o Tribunal Superior Eleitoral, todas as pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2026 devem ser registradas no sistema PesqEle, com número de protocolo público. A pesquisa nacional de julho citada tem protocolo BR-07181 de 2026. A pesquisa paulista que começa nesta semana deve receber novo protocolo estadual.
São Paulo vira termômetro nacional e Flávio aparece à frente de Lula no estado
Embora Lula lidere no agregado nacional, São Paulo mostra dinâmica distinta. Segundo análise divulgada pela CNN com base na rodada estadual da Genial e Quaest de 10 estados, com 11.646 eleitores, Flávio Bolsonaro tem 47% da intenção de voto em potencial segundo turno em São Paulo contra 35% de Lula. No mesmo levantamento, há empate técnico em Minas Gerais, com Lula com 39% e Flávio com 36%, dentro da margem de três pontos.
De acordo com o instituto, Flávio vence em cinco estados, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás, enquanto Lula vence em quatro, todos no Nordeste e no Pará, com vantagem de até 26 pontos no Rio Grande do Sul para o senador. O quadro indica uma eleição geograficamente polarizada, com Sudeste e Sul mais competitivos para a oposição e Nordeste como base do petista.
Segundo a Quaest, a avaliação do governo Lula também será medida em São Paulo, com perguntas sobre aprovação do trabalho e avaliação da gestão de ótima a péssima, além de questionamento sobre merecimento de mais quatro anos na Presidência. Em levantamento nacional recente, a aprovação chegou a 48% contra 47% de desaprovação, primeira vez desde dezembro de 2024 com saldo positivo.
Outros levantamentos mostram disputa aberta e crescimento de indecisos
Outros institutos apontam cenário ainda fluido. Segundo a pesquisa BTG Pactual e Nexus divulgada em 29 de junho com 2.017 entrevistas por telefone em 27 unidades da federação, Lula e Flávio aparecem com 47% a 44% no segundo turno, empate técnico dentro da margem de dois pontos, com 8% de brancos e nulos e 1% de indecisos. No primeiro turno, Lula lidera com vantagem entre oito e dez pontos sobre Zema e Caiado.
De acordo com a AtlasIntel e Bloomberg, sem Flávio Bolsonaro na disputa, Romeu Zema lidera o campo oposicionista com 17%, seguido por Ronaldo Caiado com 13,8% e Renan Santos com 8%, enquanto Lula fica com 46,7%, com aumento de brancos, nulos e indecisos, indicando falta de transferência automática de votos.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista após a rodada de 15 de julho, o desempenho de Flávio teria sido impactado por desgaste provocado pela disputa pública com Michelle Bolsonaro e por negociações envolvendo financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, avaliadas negativamente por 65% dos entrevistados naquela rodada. A análise do instituto indica que o senador segue como nome mais competitivo da oposição nos cenários testados, mas com volatilidade entre maio e julho, quando a diferença para Lula passou de um ponto para oito pontos.
A divulgação da pesquisa paulista na quarta-feira, 29, deve atualizar o mapa da disputa a pouco mais de dois meses do primeiro turno marcado para 4 de outubro de 2026. Até lá, o Tribunal Superior Eleitoral prevê que as pesquisas registradas sirvam como retrato do momento e possam sofrer alterações até o dia da votação.









