quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Empresas

Raízen (RAIZ4) deve concluir venda de ativos na Argentina por até US$ 1,5 bilhão

Operação inclui cerca de mil postos Shell e a refinaria Dock Sud; recursos devem reforçar caixa da companhia em meio à reestruturação financeira

por João Souza
09/05/2026 às 00h02
em Empresas
Raízen (Raiz4) - Gazeta Mercantil

A Raízen (RAIZ4) deve concluir ainda em maio a venda de seus ativos na Argentina em uma transação que pode chegar a US$ 1,5 bilhão, segundo informações atribuídas ao Estadão. A operação envolve uma ampla estrutura de refino e distribuição no país vizinho, incluindo aproximadamente mil postos de combustíveis sob a bandeira Shell e a refinaria Dock Sud, e faz parte da estratégia da companhia para reorganizar suas finanças em meio à pressão do endividamento.

As negociações avançaram nas últimas semanas e já passaram por etapas de análise dos ativos. A expectativa é que a formalização do contrato ocorra na segunda quinzena de maio, após os últimos ajustes entre as partes envolvidas.

O negócio é acompanhado de perto pelo mercado porque pode representar uma das principais medidas da Raízen (RAIZ4) para reforçar liquidez, reduzir alavancagem e dar sustentação ao processo de reestruturação financeira ligado ao grupo Cosan (CSAN3), controlador da companhia em parceria com a Shell.

A venda também marca uma possível mudança relevante na presença regional da Raízen (RAIZ4), que assumiu os ativos argentinos em 2018, quando comprou as operações locais da Shell. À época, a refinaria Dock Sud era avaliada em cerca de US$ 1 bilhão.

Pacote inclui postos Shell e refinaria estratégica

O pacote em negociação reúne ativos de distribuição e refino. Entre eles estão cerca de mil postos de combustíveis que operam sob a bandeira Shell na Argentina, além da refinaria Dock Sud, uma das mais importantes do país.

A unidade tem capacidade para processar cerca de 100 mil barris de petróleo por dia, ficando atrás apenas de duas refinarias da estatal argentina YPF. Essa capacidade torna o ativo relevante para grupos interessados em ampliar participação no mercado energético argentino.

A combinação entre rede de postos e refinaria dá ao comprador uma estrutura integrada, com atuação da produção ao abastecimento final. Esse tipo de operação costuma ser valorizado por investidores estratégicos, pois permite maior controle da cadeia e potencial captura de margens em diferentes etapas do negócio.

Para a Raízen (RAIZ4), a alienação desses ativos representaria uma redução relevante de exposição ao mercado argentino, em um momento em que a companhia busca concentrar esforços na reorganização financeira e na preservação de caixa.

Mercuria e empresários argentinos conduzem aquisição

A aquisição dos ativos da Raízen (RAIZ4) na Argentina está sendo conduzida pela Mercuria Energy Group em parceria com os empresários argentinos José Luis Manzano e Daniel Vila.

O grupo já possui atuação no país e pode ampliar sua presença com a incorporação dos ativos de refino e distribuição. Os investidores também têm participação na Phoenix Global Resources, o que abre espaço para uma estrutura integrada entre produção, refino e comercialização de combustíveis.

Caso seja concluída, a transação pode alterar a dinâmica competitiva do setor energético argentino. A entrada de um grupo com atuação em diferentes elos da cadeia pode fortalecer a concorrência com players locais e aumentar a disputa por participação no mercado de combustíveis.

A operação também ocorre em um ambiente de reorganização do setor de energia na Argentina, marcado por ativos relevantes, necessidade de investimentos e interesse de grupos internacionais em ampliar presença no país.

Valor da transação pode chegar a US$ 1,5 bilhão

As propostas vinculantes para os ativos foram apresentadas em novembro do ano passado. O valor estimado da transação varia entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, dependendo das condições finais do acordo.

Antes do avanço das negociações atuais, a Raízen (RAIZ4) chegou a conversar diretamente com a Saudi Aramco, mas as tratativas não evoluíram. A mudança no perfil dos compradores reforça a atratividade dos ativos argentinos, especialmente pela combinação entre escala, capilaridade e integração operacional.

O valor final dependerá de fatores como estrutura de pagamento, eventuais passivos associados, condições regulatórias, ajustes de capital de giro e cronograma de fechamento da operação.

Para investidores da Raízen (RAIZ4), o montante é relevante porque pode contribuir para aliviar pressões financeiras em um momento delicado para a companhia. A entrada de recursos em caixa tende a ser um dos principais pontos observados pelo mercado após a assinatura do contrato.

Venda faz parte de plano para reduzir endividamento

A decisão de vender os ativos argentinos integra um plano mais amplo de reestruturação financeira da Raízen (RAIZ4) e de seu grupo controlador. A companhia tem enfrentado pressão sobre o balanço e negocia alternativas para reduzir dívida e melhorar sua estrutura de capital.

Os recursos obtidos com a venda devem ser usados para reforçar o caixa e diminuir o endividamento. A medida também pode dar fôlego às negociações com bancos e credores, em um momento em que a empresa discute um plano de recuperação extrajudicial.

A intenção é levar esse plano para homologação judicial já em junho. A recuperação extrajudicial é um mecanismo usado por empresas para renegociar dívidas com credores fora de um processo tradicional de recuperação judicial, mas com posterior validação pela Justiça.

Nesse contexto, a venda de ativos pode funcionar como sinalização de compromisso da companhia com a desalavancagem. Para credores, a conversão de ativos em caixa ajuda a demonstrar capacidade de execução e disposição para reorganizar obrigações financeiras.

Raízen comprou operação argentina da Shell em 2018

A presença da Raízen (RAIZ4) na Argentina ganhou força em 2018, quando a companhia comprou as operações locais da Shell. A transação incluiu ativos relevantes de refino, distribuição e comercialização de combustíveis.

A aquisição fazia sentido estratégico em um momento em que a Raízen (RAIZ4) buscava ampliar sua atuação regional e fortalecer a marca Shell em mercados sul-americanos. A estrutura argentina oferecia escala, rede de postos consolidada e uma refinaria importante.

Anos depois, o contexto mudou. A pressão financeira, o aumento do endividamento e a necessidade de reorganizar o balanço levaram a companhia a revisar sua carteira de ativos e buscar alternativas para levantar recursos.

A possível venda da operação argentina mostra uma mudança de prioridade: menos expansão regional e mais foco em liquidez, eficiência financeira e preservação de capital.

Mercado observa impacto sobre a Cosan

A operação também tem impacto sobre a leitura do mercado em relação à Cosan (CSAN3), controladora da Raízen (RAIZ4) ao lado da Shell. A estrutura financeira do grupo tem sido acompanhada de perto por investidores, especialmente diante das discussões sobre dívida, desalavancagem e venda de ativos.

A Raízen (RAIZ4) é uma das principais empresas do portfólio da Cosan (CSAN3), com atuação em açúcar, etanol, bioenergia, combustíveis e lubrificantes. Por isso, qualquer movimento relevante de venda de ativos pode influenciar a percepção sobre a capacidade do grupo de reduzir pressão financeira.

A alienação dos ativos argentinos, caso confirmada dentro da faixa estimada de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão, pode ser interpretada como um passo importante dentro da agenda de simplificação e fortalecimento do balanço.

Ainda assim, o mercado deverá observar se o valor obtido será suficiente para alterar de forma material a alavancagem da companhia e se novas vendas ou medidas financeiras serão necessárias nos próximos meses.

Ativos argentinos podem mudar equilíbrio do setor

Para a Argentina, a venda dos ativos da Raízen (RAIZ4) pode redefinir a estrutura competitiva do setor de combustíveis. A rede de postos Shell tem presença relevante no mercado local, enquanto a refinaria Dock Sud representa capacidade significativa de processamento.

A entrada de Mercuria e dos empresários José Luis Manzano e Daniel Vila pode criar um grupo com atuação mais integrada, considerando a ligação com a Phoenix Global Resources. Essa integração entre produção, refino e distribuição pode fortalecer a posição dos compradores.

O setor energético argentino passa por mudanças em meio a desafios macroeconômicos, necessidade de investimentos e busca por maior eficiência. Nesse cenário, ativos de refino e distribuição seguem estratégicos, especialmente para grupos interessados em capturar valor ao longo da cadeia.

Para a Raízen (RAIZ4), a saída do mercado argentino reduziria exposição operacional no país, mas também diminuiria a presença internacional em combustíveis.

Desfecho deve ocorrer na segunda quinzena de maio

A expectativa é que o contrato seja formalizado na segunda quinzena de maio, após a conclusão dos ajustes finais. Até a assinatura, a operação ainda depende de acertos entre as partes e eventuais etapas regulatórias ou contratuais.

O mercado deve acompanhar três pontos principais: o valor efetivo da transação, a forma de pagamento e o uso dos recursos pela Raízen (RAIZ4). Esses elementos serão decisivos para medir o impacto financeiro da venda.

A operação também será analisada dentro do plano de reestruturação financeira da companhia. Se concluída nos termos esperados, a venda pode reforçar o caixa antes da possível homologação judicial do plano de recuperação extrajudicial.

Para acionistas, o negócio pode representar alívio de curto prazo, mas não encerra a necessidade de monitorar margens, dívida, geração de caixa e execução operacional da Raízen (RAIZ4).

Venda pode marcar nova fase da reestruturação

A possível venda dos ativos da Raízen (RAIZ4) na Argentina por até US$ 1,5 bilhão pode se tornar um dos movimentos mais relevantes da companhia em 2026. A operação combina redução de exposição internacional, reforço de caixa e tentativa de reorganização financeira em meio à pressão do endividamento.

A conclusão do negócio, prevista para maio, será decisiva para mostrar ao mercado a capacidade da empresa de executar seu plano de desalavancagem. A partir daí, investidores e credores deverão avaliar se a transação será suficiente para estabilizar o balanço ou se novas medidas serão necessárias.

A Raízen (RAIZ4) deixa sobre a mesa um conjunto de ativos de peso no mercado argentino. Em troca, busca liquidez para atravessar uma fase de ajuste financeiro que se tornou central para a companhia, para a Cosan (CSAN3) e para os acionistas.

LEIA MAIS

Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

A LVMH, maior grupo de luxo do mundo, encerrou a sessão de 15 de setembro de 2026 com valor de mercado em torno de €201 bilhões, depois de...

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) (BSLI3; BSLI4) recebeu R$ 376 milhões com a venda à XP de ativos que haviam chegado ao banco por meio de operações relacionadas...

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

O JPMorgan reduziu de R$ 24 para R$ 22 o preço-alvo das ações do Banco do Brasil (BBAS3) para dezembro de 2027 e manteve recomendação neutra para os...

Leia MaisDetails
Xp Reduz Aposta Em Privatização E Rebaixa Sanepar, Com Incerteza Sobre Precatório-Gazeta Mercantil
Empresas

Sanepar (SAPR11): XP corta recomendação para neutra e vê privatização mais distante

A XP Investimentos reduziu de compra para neutra a recomendação para as units da Sanepar (SAPR11), mesmo depois de elevar para R$ 45,80 o preço-alvo projetado para o...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

06:46:33
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP