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Resultado do Santander no 4T25: custos surpreendem positivamente e ROE avança de forma gradual

por João Souza
03/02/2026 às 22h37
em Negócios
Resultado Do Santander No 4T25: Custos Surpreendem Positivamente E Roe Avança De Forma Gradual - Gazeta Mercantil

Santander abre a temporada de balanços do 4T25 sob expectativa de avanço gradual do ROE

O Santander Brasil (SANB11) será o primeiro grande banco a divulgar seus números referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25), inaugurando oficialmente a temporada de balanços do setor financeiro. O mercado acompanha o resultado com atenção redobrada, não apenas por se tratar do banco que abre o calendário, mas porque os números devem ajudar a calibrar expectativas para o desempenho do sistema bancário como um todo em 2026.

Analistas de diferentes casas convergem em um ponto central: o resultado do Santander no 4T25 deve confirmar uma trajetória de recuperação gradual da rentabilidade, ainda que distante dos patamares históricos de retorno sobre o patrimônio (ROE). A melhora esperada está ancorada, sobretudo, em um controle mais rígido de custos, enquanto receitas seguem pressionadas por um ambiente competitivo e pela dinâmica da tesouraria.

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A divulgação acontece antes da abertura dos mercados, o que tende a amplificar a reação dos investidores ao longo do pregão. Estimativas compiladas indicam lucro líquido recorrente próximo de R$ 4 bilhões no trimestre, consolidando um crescimento relevante na comparação anual, mas ainda modesto em termos sequenciais.

Custos ganham protagonismo na leitura do balanço

Entre os principais vetores de sustentação do resultado do Santander no 4T25, o controle de despesas operacionais aparece como o elemento mais consistente. Casas como JPMorgan destacam que os custos devem crescer abaixo da inflação, movimento considerado crucial para sustentar a expansão gradual do ROE nos próximos anos.

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A leitura predominante é de que o banco conseguiu avançar em eficiência operacional, mesmo em um cenário de pressão competitiva sobre margens e de crescimento contido da carteira de crédito. Esse ajuste estrutural nos custos é visto como um passo necessário para a retomada mais robusta da rentabilidade, ainda que seus efeitos mais relevantes devam se materializar apenas a partir de 2027.

Para 2026, algumas estimativas já trabalham com lucro anual superior a R$ 17 bilhões, refletindo ganhos acumulados de eficiência, ainda que o ritmo de crescimento permaneça moderado frente a pares domésticos.

Receita mostra sinais mistos no fim do ano

No campo das receitas, o resultado do Santander no 4T25 deve refletir tendências semelhantes às observadas nos trimestres anteriores. Analistas projetam estabilidade ou leve expansão na margem financeira com clientes, beneficiada por uma postura mais seletiva na concessão de crédito e por ajustes de preço em determinadas linhas.

Por outro lado, a receita de tesouraria segue como um ponto de atenção. O ambiente de mercado no período manteve pressão sobre esse segmento, limitando a contribuição do resultado de intermediação financeira para o desempenho consolidado do banco.

Ainda assim, as receitas de tarifas devem apresentar crescimento sequencial, impulsionadas por fatores sazonais típicos do quarto trimestre, como maior volume de transações com cartões, seguros e serviços associados. Esse movimento ajuda a compensar parcialmente a menor tração observada em outras frentes do negócio.

Carteira de crédito cresce com seletividade

O crescimento da carteira de crédito permanece moderado e alinhado a uma estratégia de maior seletividade. As projeções indicam expansão anual em torno de 3%, refletindo tanto fatores sazonais quanto uma postura mais cautelosa diante do cenário macroeconômico.

No resultado do Santander no 4T25, esse crescimento contido reforça a leitura de que o banco prioriza qualidade dos ativos e preservação de margens ajustadas ao risco, em detrimento de uma expansão mais agressiva do volume de empréstimos.

Esse posicionamento é visto de forma positiva por parte do mercado, especialmente em um contexto no qual o custo de capital segue elevado e a inadimplência, embora controlada, apresenta sinais de leve alta em determinados segmentos.

Qualidade dos ativos segue sob controle

A expectativa é de manutenção de tendências estáveis na qualidade dos ativos. O custo de risco deve permanecer relativamente constante, com provisões crescendo em linha com a expansão da carteira de crédito.

Embora haja menção a uma leve elevação da inadimplência, o movimento não é interpretado como um sinal de deterioração relevante. No resultado do Santander no 4T25, esse equilíbrio entre crescimento moderado e controle de risco contribui para a previsibilidade do desempenho financeiro, fator valorizado por investidores institucionais.

A leitura predominante é de que o banco conseguiu atravessar o ciclo recente sem comprometer a solidez do balanço, o que reforça a percepção de resiliência do modelo de negócios.

Lucro confirma recuperação gradual, mas sem aceleração

As estimativas de lucro líquido recorrente para o trimestre giram em torno de R$ 4 bilhões a R$ 4,1 bilhões. Esse patamar representa crescimento expressivo na comparação anual, mas avanço limitado frente ao trimestre imediatamente anterior.

O resultado do Santander no 4T25 deve, portanto, reforçar a narrativa de recuperação gradual, sem aceleração abrupta. Parte desse desempenho é explicada por uma alíquota efetiva de imposto relativamente baixa, que contribui para sustentar o lucro líquido mesmo em um cenário de crescimento mais contido das receitas.

Analistas avaliam que, sem esse efeito tributário favorável, a expansão do resultado final seria ainda mais moderada, o que reforça a cautela nas projeções para os próximos trimestres.

ROE melhora, mas segue abaixo da ambição estratégica

Um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado é o retorno sobre o patrimônio líquido. No resultado do Santander no 4T25, o ROE deve ficar próximo de 17,4%, acima do observado no mesmo período do ano anterior, mas ainda distante da ambição estratégica da administração, que mira patamares superiores a 20%.

A avaliação predominante é de que a convergência para esse nível mais elevado de rentabilidade exigirá mais tempo, com expectativa de avanços mais relevantes apenas a partir de 2027. Até lá, o banco deve continuar apostando em eficiência operacional, ajustes finos de portfólio e disciplina na alocação de capital.

Esse cenário ajuda a explicar por que o papel segue sendo visto como uma tese de recuperação gradual, e não como uma história de crescimento acelerado no curto prazo.

Despesas operacionais e eficiência ganham destaque

As despesas operacionais devem apresentar crescimento sazonal no trimestre, como é típico do período, mas ainda assim permanecer abaixo da inflação na comparação anual. Esse comportamento tende a melhorar o índice de eficiência, reforçando um dos principais pontos positivos do resultado do Santander no 4T25.

O mercado observa com atenção se essa tendência se mantém ao longo de 2026, já que a capacidade de sustentar ganhos de eficiência será determinante para a trajetória do ROE e para a percepção de valor do banco no médio prazo.

Tributação influencia leitura do trimestre

Outro fator relevante na análise do resultado do Santander no 4T25 é a alíquota efetiva de imposto. As projeções indicam um nível mais baixo do que a média histórica, ainda que superior ao registrado no trimestre anterior.

Esse componente limita a expansão sequencial do lucro, mas, ao mesmo tempo, contribui para manter o resultado em patamar considerado sólido pelo mercado. A ausência de guidance oficial por parte do banco reforça a importância dessa variável na calibragem das expectativas para 2026.

Sinalização para o setor financeiro em 2026

Por abrir a temporada de balanços, o resultado do Santander no 4T25 tende a funcionar como uma referência inicial para o setor bancário. Embora cada instituição tenha características próprias, investidores costumam usar esse primeiro balanço como termômetro para avaliar tendências de margem, custo de risco e eficiência operacional.

A leitura preliminar sugere um ambiente de crescimento contido, foco em eficiência e melhora gradual da rentabilidade, sem sinais de deterioração relevante, mas também sem catalisadores claros para uma aceleração expressiva no curto prazo.

Mercado avalia próximos passos após a divulgação

Com a divulgação dos números, a reação do mercado deve se concentrar menos no lucro em si e mais na composição do resultado, especialmente na dinâmica de custos, margens e qualidade dos ativos. O resultado do Santander no 4T25 será analisado em detalhe para identificar se os sinais observados ao longo do ano se consolidam ou se surgem novos vetores de risco.

Para investidores, o balanço pode reforçar a tese de estabilidade com recuperação gradual, ou, alternativamente, reacender debates sobre o ritmo de convergência do ROE e a capacidade do banco de se destacar em um ambiente cada vez mais competitivo.

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