A Compass (PASS3), empresa que protagonizou uma das ofertas públicas iniciais (IPO) mais relevantes da Bolsa brasileira nos últimos anos, passou a integrar oficialmente a cobertura do Santander. O banco iniciou nesta quarta-feira (24) a análise da companhia com recomendação de compra para as ações e preço-alvo de R$ 34,05, apontando que o mercado ainda não precifica integralmente o potencial de crescimento dos negócios ligados à abertura do mercado de gás natural no Brasil.
Segundo relatório elaborado pelos analistas Andre Sampaio, Guilherme Lima e João Pedro Herrero, a Compass reúne características consideradas atrativas para investidores ao combinar receitas previsíveis oriundas da distribuição de gás com frentes de expansão associadas ao mercado livre e à produção de biometano.
A avaliação do Santander ocorre em um momento de transformação estrutural do setor energético brasileiro. A gradual abertura do mercado de gás, impulsionada por mudanças regulatórias e pela busca por maior competitividade energética, vem criando oportunidades para empresas capazes de atuar em diferentes elos da cadeia de suprimento.
Para os analistas, a Compass está posicionada justamente nesse ponto de convergência entre estabilidade operacional e crescimento de longo prazo.
Distribuição de gás segue como principal motor financeiro da Compass
A principal tese do Santander para a Compass está relacionada ao papel estratégico desempenhado pela companhia na distribuição de gás natural.
A empresa controla sete concessões de distribuição e detém a Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país. Esse segmento é considerado pelo banco como o principal gerador de caixa da companhia e responsável por sustentar dividendos, investimentos e novas iniciativas de crescimento.
Na avaliação dos analistas, a natureza regulada da atividade oferece previsibilidade de receitas e reduz a exposição da empresa às oscilações econômicas mais intensas.
O modelo de concessão também cria barreiras relevantes à entrada de novos competidores, característica frequentemente valorizada pelo mercado financeiro em negócios de infraestrutura.
O Santander destaca que a distribuição de gás deve continuar representando a espinha dorsal da Compass nos próximos anos, servindo como base para financiar a expansão em segmentos considerados mais dinâmicos.
Essa combinação entre fluxo de caixa estável e capacidade de investimento é apontada como um dos diferenciais da empresa em relação a outras companhias do setor energético.
Mercado livre de gás amplia perspectivas de crescimento
Embora a distribuição permaneça como principal fonte de receitas, o banco considera que a maior oportunidade de valorização da Compass está concentrada na Edge, subsidiária voltada ao mercado livre de gás natural.
O segmento vem ganhando relevância à medida que consumidores industriais buscam alternativas mais competitivas de contratação de energia e combustível.
Segundo o relatório, a abertura gradual do mercado brasileiro cria condições para o surgimento de novos modelos de comercialização e para o aumento da concorrência entre fornecedores.
Nesse contexto, a Edge aparece como um dos ativos estratégicos da Compass.
A subsidiária possui contrato de fornecimento considerado relevante com a TotalEnergies, com vigência até 2033, fator que oferece visibilidade operacional para os próximos anos.
Além disso, a empresa vem ampliando sua presença em áreas consideradas prioritárias para a transição energética, incluindo soluções relacionadas à descarbonização da matriz de combustíveis.
Para o Santander, embora a Edge apresente maior grau de incerteza quando comparada à distribuição regulada, seu potencial de geração de valor é significativamente superior.
Os analistas avaliam que boa parte das perspectivas de crescimento da Compass está concentrada justamente nessa operação.
Biometano ganha espaço na estratégia da companhia
Outro ponto destacado pelo Santander é a atuação da Compass no mercado de biometano, segmento que vem atraindo investimentos crescentes diante das metas globais de redução de emissões de carbono.
Por meio da Edge, a companhia opera, em parceria com a Orizon, uma das maiores plataformas de biometano do Brasil.
O combustível renovável é produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos e vem sendo apontado como uma alternativa relevante para indústrias que buscam reduzir a pegada de carbono sem alterar significativamente suas estruturas operacionais.
O mercado de biometano ainda se encontra em estágio inicial no país, mas especialistas apontam potencial significativo de expansão nos próximos anos.
A combinação entre disponibilidade de matéria-prima, avanço regulatório e crescente demanda corporativa por soluções sustentáveis tem atraído investidores e operadores para o segmento.
Nesse cenário, o Santander considera que a exposição da Compass ao biometano representa uma opcionalidade estratégica que pode gerar valor adicional no longo prazo.
Embora o impacto financeiro atual ainda seja limitado quando comparado às operações tradicionais de distribuição, o banco vê espaço para expansão relevante à medida que o mercado amadurece.
Santander vê desconto nas ações da Compass
A recomendação de compra divulgada pelo Santander está fundamentada na percepção de que o mercado ainda não atribui valor suficiente aos ativos de crescimento da companhia.
Segundo o relatório, as ações da Compass são negociadas em patamares considerados atrativos quando comparados ao potencial de geração de caixa e às perspectivas futuras da empresa.
Na visão dos analistas, a precificação atual parece refletir principalmente os negócios mais maduros da companhia, deixando em segundo plano o potencial associado à Edge e ao desenvolvimento do mercado livre de gás.
Esse desalinhamento entre preço e fundamentos é justamente o que sustenta a recomendação positiva para os papéis.
O preço-alvo de R$ 34,05 embute expectativa de valorização baseada na evolução operacional da companhia e na captura gradual das oportunidades criadas pela modernização do setor de gás brasileiro.
A avaliação também leva em consideração a capacidade da Compass de executar projetos de expansão sem comprometer sua estrutura financeira.
Para investidores institucionais, esse perfil tende a ser visto como uma combinação relevante entre previsibilidade e crescimento.
IPO recolocou o mercado brasileiro no radar de emissões
A entrada da Compass no radar do Santander também ganha relevância por representar uma das empresas que marcaram a retomada das ofertas públicas iniciais na Bolsa brasileira.
Após um longo período de escassez de IPOs provocado pelo ambiente de juros elevados e pela volatilidade dos mercados, a estreia da companhia foi acompanhada com atenção por investidores e instituições financeiras.
O movimento foi interpretado por analistas como um teste importante para medir o apetite dos investidores por novas emissões de ações.
A receptividade ao papel ajudou a reabrir discussões sobre possíveis operações futuras de outras companhias interessadas em acessar o mercado de capitais.
Embora o cenário macroeconômico continue exigindo cautela, a redução gradual das incertezas relacionadas à política monetária e à trajetória da inflação vem contribuindo para melhorar o ambiente para captações.
Nesse contexto, a Compass tornou-se uma referência relevante para avaliar a disposição dos investidores em financiar empresas ligadas à infraestrutura e à transição energética.
Abertura do mercado de gás reforça interesse dos investidores
A recomendação do Santander para a Compass reflete uma visão mais ampla sobre as perspectivas do setor de gás natural no Brasil.
Nos últimos anos, mudanças regulatórias e iniciativas voltadas ao aumento da concorrência têm alterado a dinâmica de um mercado historicamente concentrado.
A expectativa de especialistas é que a ampliação do acesso ao gás e a diversificação das fontes de suprimento contribuam para reduzir custos para consumidores industriais e estimular novos investimentos.
Empresas posicionadas em diferentes etapas da cadeia tendem a ser beneficiadas por esse processo.
A Compass aparece entre os grupos mais expostos a essa transformação por reunir ativos de distribuição, comercialização e produção de combustíveis renováveis.
Na avaliação do Santander, essa combinação cria um modelo de negócios capaz de capturar ganhos tanto em segmentos maduros quanto em mercados ainda em expansão.
Com a inclusão da companhia em sua cobertura oficial, o banco reforça a percepção de que a evolução do mercado de gás continuará sendo um dos principais vetores de atenção para investidores nos próximos anos, mantendo a Compass (PASS3) entre as empresas mais observadas do setor de infraestrutura energética na Bolsa brasileira.









