A Shein adiou para setembro sua estreia na Bolsa de Hong Kong, em mais uma mudança no cronograma da aguardada oferta pública inicial de ações da varejista de moda. A companhia trabalha agora com o início do processo de coleta de pedidos dos investidores a partir de 24 de agosto, depois de um atraso na preparação da operação, que inicialmente tinha como objetivo ser concluída até o fim deste mês.
A oferta também deverá ocorrer com uma avaliação significativamente inferior aos valores associados à empresa nos últimos anos. A expectativa é de que a Shein seja avaliada em aproximadamente US$ 25 bilhões no IPO, cerca de um quarto dos quase US$ 100 bilhões atribuídos à companhia em uma transação privada realizada quatro anos antes.
A redução também representa uma mudança importante em relação às estimativas mais recentes para a listagem. No início de agosto, a avaliação discutida para a operação estava em uma faixa entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões. Se o valor próximo de US$ 25 bilhões for confirmado, a empresa chegará ao mercado público com um desconto expressivo em relação aos patamares considerados anteriormente.
A Shein pretende ainda contar com diferentes investidores-âncora na oferta, embora acionistas atuais devam assumir parcela relevante das participações. Bancos de investimento envolvidos na operação também avaliam utilizar recursos próprios para participar do IPO como investidores-âncora, de acordo com as informações disponíveis sobre a estrutura em preparação.
Shein reorganiza cronograma do IPO
O novo planejamento prevê que o book building, etapa na qual são coletadas intenções de investimento para auxiliar na definição do preço e da demanda pela oferta, comece em 24 de agosto.
A mudança afasta o plano anterior de concluir todo o processo ainda neste mês. Agora, a estreia efetiva das ações na Bolsa de Hong Kong deverá ocorrer em setembro, caso o calendário seja mantido e não haja novos ajustes na operação.
O adiamento não significa abandono do IPO. Pelo contrário, os preparativos continuam e a companhia trabalha na composição do grupo de investidores que poderá dar sustentação inicial à oferta.
A participação de investidores-âncora é particularmente relevante em operações de grande porte. Esses investidores assumem compromissos antes da estreia e podem funcionar como uma indicação de demanda institucional pelo ativo. No caso da Shein, a estrutura estudada envolve tanto novos participantes quanto acionistas que já possuem participação na empresa.
Os bancos envolvidos também avaliam a possibilidade de investir diretamente na operação. Esse desenho, se concretizado, acrescentaria capital das próprias instituições responsáveis pela estruturação do IPO ao grupo de investidores iniciais.
Avaliação de US$ 25 bilhões marca forte redução
O ponto mais relevante da operação, além do adiamento, é a queda da avaliação atribuída à Shein.
Há cerca de quatro anos, uma venda de ações da companhia foi realizada com base em uma avaliação próxima de US$ 100 bilhões. O patamar colocou a empresa entre as companhias privadas de maior valor do mundo naquele período.
A avaliação considerada para o IPO em Hong Kong está agora próxima de US$ 25 bilhões. A diferença representa aproximadamente US$ 75 bilhões em relação ao valor de referência da negociação privada anterior.
Mesmo comparada apenas às discussões realizadas neste mês, a redução é significativa. A faixa inicialmente cogitada entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões indicava que a empresa já chegaria ao mercado público com avaliação consideravelmente inferior àquela obtida em transações anteriores.
No limite superior daquela faixa, US$ 40 bilhões, a diferença para a avaliação histórica já seria de aproximadamente 60%. A eventual precificação próxima de US$ 25 bilhões amplia ainda mais essa distância.
O valor definitivo, porém, dependerá da demanda encontrada durante a coleta de pedidos. O book building permitirá avaliar quanto investidores institucionais estão dispostos a pagar pelas ações e qual volume poderá ser absorvido pelo mercado.
Investidores-âncora entram no centro da operação
A composição do grupo de investidores-âncora deve ter peso importante para a execução do IPO.
A Shein pretende apresentar vários participantes nessa condição, embora as informações disponíveis indiquem que acionistas atuais poderão responder pela maior parcela das posições assumidas nessa fase.
A manutenção de acionistas antigos pode ajudar a demonstrar compromisso de investidores que já conhecem o negócio e acompanham sua evolução antes da abertura de capital. Ao mesmo tempo, a presença de novos investidores institucionais tende a ser acompanhada de perto na definição do nível de demanda pela oferta.
Há ainda a possibilidade de instituições financeiras envolvidas na transação utilizarem capital próprio para assumir posições como investidores-âncora.
O desenho final deverá ficar mais claro à medida que o processo de book building avançar. Essa etapa é utilizada para receber indicações de demanda e construir uma faixa de preço compatível com o interesse efetivo dos investidores.
Uma oferta com demanda elevada pode dar maior margem para a definição do preço, enquanto uma procura menor tende a limitar a avaliação ou exigir ajustes no tamanho da operação.
Hong Kong se torna palco da aguardada listagem
A escolha de Hong Kong coloca a Shein diante de um dos principais mercados financeiros da Ásia em um momento decisivo de sua trajetória corporativa.
A companhia foi fundada na China em 2012 e expandiu suas operações internacionalmente com um modelo baseado em moda de baixo preço e vendas predominantemente digitais.
Seus produtos são comercializados para consumidores em aproximadamente 160 países, segundo as informações disponíveis sobre a empresa. Vestidos vendidos por cerca de US$ 5 e jeans próximos de US$ 10 estão entre os exemplos da estratégia de preços utilizada pela varejista para conquistar participação no mercado global de fast-fashion.
A expansão internacional transformou a Shein em uma companhia de alcance global, mas a transformação de uma empresa privada em companhia listada exige que o mercado estabeleça um preço público para o negócio.
A diferença entre os quase US$ 100 bilhões de avaliação atribuídos à empresa anos atrás e os cerca de US$ 25 bilhões atualmente considerados torna essa precificação especialmente relevante.
O IPO poderá estabelecer uma nova referência de valor para a companhia e permitir uma comparação mais direta entre as expectativas anteriores dos investidores privados e a percepção atual de participantes do mercado acionário.
Queda da avaliação aumenta importância do preço do IPO
A avaliação de uma empresa antes de sua estreia em Bolsa não corresponde necessariamente ao valor que será confirmado quando suas ações começarem a ser negociadas.
No caso da Shein, o processo de formação de preço ganha atenção adicional justamente por causa da distância entre as diferentes avaliações discutidas ao longo dos últimos anos.
Uma oferta próxima de US$ 25 bilhões representaria uma revisão substancial das expectativas anteriores. Isso não significa necessariamente que o preço definitivo será exatamente esse: o número permanece sujeito às condições da operação e à demanda identificada junto aos investidores.
O início do book building em 24 de agosto será, portanto, uma etapa decisiva.
A partir das ordens recebidas, os coordenadores poderão observar não apenas a quantidade de investidores interessados, mas os preços aos quais esses participantes estão dispostos a assumir posições na companhia.
Essa informação servirá para definir a precificação da oferta e poderá determinar também eventuais ajustes na quantidade de ações disponibilizadas.
Acionistas atuais podem assumir parcela relevante
A presença expressiva de investidores que já participam do capital da Shein também chama atenção na estrutura planejada.
Acionistas atuais devem responder pela maior parte das participações entre os investidores-âncora, embora a companhia pretenda apresentar diversos nomes nessa categoria.
Na prática, isso significa que parte da demanda inicial poderá vir de participantes que já possuem exposição econômica à empresa antes do IPO.
O interesse desses acionistas pode fornecer sustentação à operação, especialmente diante da redução da avaliação considerada para a estreia.
Ao mesmo tempo, o mercado deverá observar a capacidade da Shein de atrair novos investidores institucionais. A entrada de capital novo é um dos indicadores utilizados para avaliar a recepção de uma companhia durante uma abertura de capital.
A eventual participação dos próprios bancos envolvidos na estruturação acrescenta outro elemento à composição da demanda inicial. As instituições estudam comprometer recursos próprios para assumir posições na oferta.
Setembro passa a ser a nova referência
A empresa havia trabalhado com a possibilidade de completar o processo até o final de agosto, mas o calendário foi revisto após o atraso na captação de pedidos.
Com a coleta de intenções prevista agora para começar em 24 de agosto, setembro passa a ser o período esperado para a efetiva negociação das ações.
A alteração no cronograma ocorre justamente enquanto a empresa ajusta a avaliação pretendida e organiza o grupo de investidores-âncora.
Esses fatores estão diretamente relacionados. O preço pretendido influencia o interesse dos investidores, enquanto a força da demanda determina quanto a companhia consegue sustentar da avaliação planejada para a abertura de capital.
A diferença entre os US$ 25 bilhões atualmente considerados e as avaliações anteriores aumenta a importância dessa etapa para acionistas existentes e potenciais novos investidores.
Book building será o próximo teste para a Shein
O próximo marco objetivo da operação será, portanto, 24 de agosto, quando deverá começar o processo de coleta de pedidos.
É nessa fase que a avaliação próxima de US$ 25 bilhões começará a ser confrontada com o interesse concreto dos investidores.
A Shein chega a esse momento depois de reduzir significativamente as expectativas de valor associadas ao IPO e transferir para setembro a previsão de estreia em Hong Kong.
A composição dos investidores-âncora, o envolvimento dos acionistas atuais e a eventual utilização de recursos próprios pelos bancos coordenadores serão elementos relevantes para determinar a sustentação inicial da oferta.
Caso o novo calendário seja mantido, os últimos dias de agosto serão dedicados à formação do livro de ordens e à definição das condições finais da operação. A estreia efetiva das ações ficará para setembro, quando o mercado público deverá estabelecer uma nova referência de valor para uma empresa que já chegou a ser avaliada perto de US$ 100 bilhões e que agora prepara sua entrada em Bolsa em torno de um quarto desse patamar.








