O fundador e presidente do conselho de administração da Smart Fit (SMFT3), Edgard Corona, afirmou que o mercado brasileiro de academias vive atualmente um cenário de “superoferta”, resultado da rápida expansão do setor nos últimos anos, da entrada de novos operadores e da consolidação dos agregadores de academias. A declaração ocorre em meio ao avanço da competição no segmento fitness e ao crescimento acelerado do TotalPass, plataforma corporativa que vem se tornando uma das principais frentes estratégicas da companhia.
Segundo Corona, parte relevante dos novos participantes entrou no mercado com estruturas excessivamente alavancadas, elevando o risco financeiro em um ambiente mais competitivo e de margens pressionadas. O executivo avaliou que empresas menos capitalizadas podem enfrentar dificuldades para sustentar expansão, manter rentabilidade e absorver custos operacionais em um setor cada vez mais disputado.
A avaliação do fundador da Smart Fit (SMFT3) ocorre após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, período em que a rede registrou crescimento de receita, expansão da base de clientes e fortalecimento do braço de agregadores. Apesar da intensificação da concorrência, a companhia afirma enxergar impacto neutro sobre sua operação devido à diversificação geográfica e à evolução do ecossistema digital.
As declarações também reforçam uma mudança estrutural no setor fitness brasileiro, que passou nos últimos anos por um ciclo acelerado de profissionalização, consolidação e transformação digital, impulsionado pelo crescimento da demanda por atividades físicas, bem-estar e programas corporativos de saúde.
Expansão acelerada aumenta pressão competitiva no setor fitness
Na avaliação de Edgard Corona, o mercado brasileiro de academias atravessa um processo típico de maturação acelerada, marcado pelo aumento da oferta de unidades e pela entrada de operadores financiados por capital de terceiros.
O executivo afirmou que a forte expansão do setor acabou atraindo grupos excessivamente dependentes de endividamento para sustentar crescimento. Segundo ele, a combinação entre juros elevados, aumento dos custos operacionais e concorrência mais intensa pode pressionar empresas menos eficientes.
A leitura do fundador da Smart Fit (SMFT3) reflete uma mudança importante no ambiente competitivo. Durante os últimos anos, o setor fitness brasileiro passou por forte crescimento impulsionado por fatores como aumento da conscientização sobre saúde, expansão das academias de baixo custo e popularização dos agregadores de acesso.
Esse movimento ampliou significativamente o número de academias em regiões antes pouco exploradas, sobretudo em cidades médias e periferias urbanas, onde o modelo de mensalidade mais acessível ganhou tração.
Ao mesmo tempo, plataformas digitais passaram a desempenhar papel central no mercado. Os agregadores permitiram que consumidores acessassem diferentes academias por meio de assinaturas integradas, alterando a dinâmica comercial do setor.
Corona afirmou que a entrada do TotalPass ajudou a evitar deterioração mais intensa do chamado “tíquete de agregador”, ao ampliar a concorrência entre plataformas e melhorar os repasses financeiros às academias parceiras.
TotalPass amplia relevância estratégica dentro da Smart Fit
O avanço do TotalPass aparece hoje como um dos principais pilares de crescimento da Smart Fit (SMFT3). A plataforma corporativa de bem-estar encerrou o primeiro trimestre com 2,1 milhões de clientes B2B no Brasil e no México, avanço de 25% na comparação com o quarto trimestre de 2025.
Segundo a companhia, o ecossistema já reúne mais de 34 mil academias parceiras no mercado brasileiro, ampliando capilaridade e alcance da operação.
Corona destacou que o TotalPass já representa 15% do lucro bruto consolidado da Smart Fit e responde por aproximadamente 9% da receita líquida da companhia, percentual que vem aumentando gradualmente.
A estratégia da empresa é fortalecer contratos corporativos, expandir participação em programas empresariais de saúde e consolidar presença no segmento de benefícios voltados ao bem-estar.
No mercado, o crescimento da vertical de agregadores é acompanhado com atenção porque altera o perfil operacional da Smart Fit (SMFT3). Embora o negócio amplie escala e recorrência de receita, investidores também observam potenciais impactos sobre margens e tíquete médio.
Analistas apontam que o avanço do TotalPass reduz dependência exclusiva das academias físicas e cria um modelo mais diversificado de monetização, em linha com tendências globais do setor fitness.
Além disso, a plataforma fortalece a capacidade da Smart Fit de capturar clientes corporativos, segmento considerado estratégico pela previsibilidade de receita e menor volatilidade de churn.
Resultado do primeiro trimestre reforça expansão operacional
Os números operacionais divulgados pela Smart Fit (SMFT3) no primeiro trimestre de 2026 foram avaliados pelo mercado como sólidos, sobretudo diante do ritmo acelerado de abertura de unidades e dos investimentos contínuos no TotalPass.
O BTG Pactual destacou crescimento da receita, evolução da rentabilidade e expansão da operação internacional como fatores positivos do balanço.
A receita líquida da companhia atingiu R$ 2,1 bilhões entre janeiro e março, avanço de 25% na comparação anual. O crescimento foi impulsionado pela ampliação da base de clientes, aumento do tíquete médio e expansão da rede.
A Smart Fit encerrou março com 5,6 milhões de alunos nas academias próprias, excluindo os usuários vinculados ao TotalPass. O número representa crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já os assinantes digitais avançaram 13%, reforçando o peso crescente das plataformas online no modelo de negócios da companhia.
Para analistas do setor, a expansão da Smart Fit (SMFT3) continua apoiada em escala operacional, eficiência de custos e forte reconhecimento de marca, fatores considerados diferenciais relevantes em um mercado mais competitivo.
O BTG também chamou atenção para o desempenho das operações internacionais da companhia, principalmente fora do eixo Brasil-México. Segundo o banco, as unidades na América Latina seguem apresentando crescimento robusto, ampliando a diversificação geográfica do grupo.
Mercado acompanha impacto da concorrência sobre margens
Apesar do crescimento operacional, investidores monitoram os efeitos da concorrência crescente sobre a rentabilidade das empresas do setor fitness.
A abertura acelerada de academias e a disputa por preços podem pressionar margens operacionais, especialmente entre operadores regionais e grupos menores.
A avaliação de Corona sobre “superoferta” foi interpretada pelo mercado como um sinal de alerta para empresas excessivamente dependentes de alavancagem financeira.
Nos últimos anos, diversas redes ampliaram presença nacional por meio de expansão financiada por dívida, apostando em crescimento acelerado da demanda por serviços ligados a saúde e condicionamento físico.
Entretanto, o ambiente econômico mais restritivo elevou custos financeiros e aumentou a necessidade de eficiência operacional.
Nesse contexto, companhias com maior escala e melhor estrutura de capital tendem a apresentar vantagem competitiva relevante.
A Smart Fit (SMFT3) vem tentando reforçar justamente esse posicionamento, sustentando expansão apoiada em padronização operacional, tecnologia, diversificação geográfica e fortalecimento do ecossistema digital.
Além disso, o crescimento do TotalPass amplia a presença da empresa em um segmento de receita recorrente que pode amortecer oscilações no desempenho das academias físicas.
Setor fitness vive consolidação e disputa por escala
O cenário descrito pela Smart Fit (SMFT3) reflete um momento de transformação estrutural do mercado fitness brasileiro e latino-americano.
Nos últimos anos, o setor deixou de ser predominantemente fragmentado para entrar em uma fase de consolidação liderada por grandes redes nacionais e plataformas digitais.
A expansão das academias low cost redefiniu a dinâmica competitiva, reduzindo barreiras de entrada para consumidores e ampliando o alcance do mercado.
Ao mesmo tempo, agregadores passaram a disputar espaço com modelos tradicionais de fidelização, pressionando empresas a revisarem estratégias comerciais e formatos de relacionamento com clientes.
A tendência também acompanha mudanças no comportamento do consumidor, que passou a buscar maior flexibilidade de acesso, experiências digitais integradas e soluções corporativas de bem-estar.
Para investidores, o setor continua apresentando potencial relevante de crescimento no longo prazo, principalmente diante da baixa penetração histórica de academias na América Latina em comparação com mercados desenvolvidos.
Ainda assim, o ambiente competitivo tende a selecionar empresas capazes de sustentar expansão com disciplina financeira e escala operacional.
No caso da Smart Fit (SMFT3), o mercado acompanha especialmente a evolução das margens, o ritmo de abertura de novas unidades e o crescimento do TotalPass como indicadores centrais da estratégia da companhia.
A avaliação de Edgard Corona sobre excesso de oferta no setor reforça a percepção de que o ciclo atual pode marcar uma nova fase de consolidação no mercado fitness, com pressão crescente sobre operadores menores e maior concentração entre grupos capitalizados.
Enquanto isso, a Smart Fit (SMFT3) segue ampliando presença regional e fortalecendo seu ecossistema digital em meio à disputa cada vez mais intensa por clientes, contratos corporativos e participação no mercado de bem-estar da América Latina.









