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Smart Fit (SMFT3) lucra R$ 204 milhões no 2T26 e receita cresce 22%

Rede encerrou junho com 2.170 academias, Ebitda de R$ 712 milhões e aumento do ticket médio; margem das unidades maduras recuou para 51%

por João Souza
05/08/2026 às 20h30
em Empresas
Smart Fit (Smft3) - Gazeta Mercantil

A Smart Fit (SMFT3) registrou lucro líquido recorrente de R$ 204 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. A expansão do resultado foi sustentada pelo aumento da receita, pela ampliação da rede de academias e pelo avanço do ticket médio, apesar da redução da margem das unidades maduras e da elevação da alavancagem financeira.

A receita líquida alcançou R$ 2,18 bilhões entre abril e junho, alta anual de 22%. O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda, somou R$ 712 milhões, avanço de 24% sobre o segundo trimestre de 2025.

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Com esses números, a margem Ebitda ficou próxima de 32,7%, ante 32,1% no mesmo período do ano passado. O desempenho mostra que o crescimento da receita continuou sendo convertido em resultado operacional, mesmo diante dos custos associados à abertura e à maturação de novas unidades.

A margem líquida recorrente, por outro lado, foi estimada em aproximadamente 9,4%, abaixo dos 10,6% registrados no segundo trimestre de 2025. A diferença entre o crescimento de 24% do Ebitda e a expansão de 8% do lucro recorrente indica maior pressão de despesas financeiras, depreciação, amortização e tributos sobre o resultado final.

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Ticket médio e base de alunos impulsionam faturamento

O aumento da receita foi explicado principalmente por dois fatores: a alta de 10% no ticket médio das academias próprias da marca Smart Fit e o crescimento de 8% da base média de alunos nessas unidades.

O ticket médio considera não apenas os reajustes das mensalidades, mas também a composição da base entre diferentes modalidades de planos, serviços adicionais e acessos realizados por usuários de plataformas corporativas, como o TotalPass.

A evolução reforça a estratégia da companhia de ampliar a receita gerada por academia sem depender exclusivamente da abertura de novas unidades. O modelo combina reajustes de preços, aumento da penetração de planos com maior valor agregado e expansão da utilização dos estabelecimentos por clientes vinculados a agregadores.

No primeiro trimestre de 2026, a Smart Fit já havia informado crescimento de 12% no ticket médio das academias próprias em comparação com o mesmo período de 2025. A alta de 10% no segundo trimestre mostra a continuidade dessa estratégia, ainda que em ritmo ligeiramente inferior.

A receita do segundo trimestre também superou em aproximadamente 3,7% os R$ 2,10 bilhões registrados nos três primeiros meses do ano. O avanço ocorreu em um período no qual o setor costuma enfrentar efeitos sazonais sobre as matrículas e a frequência dos alunos.

Ebitda cresce acima da receita

O Ebitda de R$ 712 milhões representou aumento de aproximadamente R$ 136 milhões em relação aos R$ 575,7 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.

O crescimento de 24% ficou acima da expansão de 22% da receita, permitindo aumento estimado de 0,6 ponto percentual na margem operacional. A melhora indica ganhos de escala e diluição de parte das despesas fixas da estrutura corporativa.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o Ebitda havia somado R$ 672 milhões, houve crescimento sequencial de cerca de 6%. A margem passou de 32% para aproximadamente 32,7%.

Considerando os dois primeiros trimestres, o Ebitda acumulado em 2026 alcançou aproximadamente R$ 1,38 bilhão, avanço de 26% sobre os R$ 1,10 bilhão apurados no primeiro semestre de 2025.

A receita acumulada no primeiro semestre foi estimada em R$ 4,28 bilhões, aumento de aproximadamente 23% na comparação anual. O lucro líquido recorrente dos seis primeiros meses chegou a cerca de R$ 411 milhões, alta próxima de 25%.

Os números acumulados demonstram que a companhia manteve crescimento operacional acima do avanço da receita durante o semestre. A rentabilidade líquida, contudo, evoluiu em ritmo menor no segundo trimestre, refletindo o aumento das despesas abaixo da linha operacional.

Rede chega a 2.170 academias

A Smart Fit encerrou junho com 2.170 academias, crescimento de 19% em relação às 1.818 unidades existentes ao fim do segundo trimestre de 2025.

Do total, 1.746 eram academias próprias, equivalentes a pouco mais de 80% da rede. As demais unidades funcionavam sob o modelo de franquias.

A quantidade de estabelecimentos próprios cresceu aproximadamente 20% em 12 meses. No segundo trimestre de 2025, a companhia possuía 1.459 unidades próprias e 359 franquias.

A manutenção de uma participação superior a 80% de academias próprias indica que a Smart Fit continua priorizando o controle direto das operações, embora utilize franquias para acelerar a entrada em determinadas cidades e mercados.

A companhia informou 98 adições de academias no acumulado de 2026. O número de unidades da rede, entretanto, passou de 2.084 ao final de 2025 para 2.170 em junho, saldo líquido de 86 estabelecimentos.

A diferença pode decorrer de fechamentos, conversões entre academias próprias e franquias ou outros ajustes realizados na base. Dessa forma, o número de inaugurações ou adições não corresponde necessariamente ao crescimento líquido da rede.

Somente entre março e junho, a quantidade total de academias avançou de 2.113 para 2.170, incremento líquido de 57 unidades.

Companhia mantém plano de abrir até 350 unidades

A Smart Fit manteve a projeção de realizar entre 330 e 350 adições líquidas de academias em 2026. Aproximadamente 80% das novas unidades previstas deverão ser próprias.

O objetivo representa a continuidade do ritmo de expansão observado em 2025, quando a empresa adicionou 341 academias e encerrou o exercício com 2.084 unidades em 16 países.

A execução do plano deverá se concentrar principalmente no segundo semestre. A companhia historicamente apresenta maior volume de inaugurações nos últimos meses do ano, após o desenvolvimento de projetos, obras, aquisição de equipamentos e contratação de equipes.

A expansão exige investimentos elevados antes que as novas unidades alcancem maturidade. Além dos gastos com construção e equipamentos, as academias recém-inauguradas operam inicialmente com uma quantidade menor de alunos, enquanto mantêm custos fixos de aluguel, pessoal, energia e manutenção.

A administração considera uma academia madura quando a unidade possui pelo menos 24 meses de operação no início do ano-calendário. A evolução das margens durante esse período é um dos principais indicadores utilizados para avaliar o retorno dos investimentos.

Margem das unidades maduras recua

A margem bruta das academias maduras ficou em 51% no segundo trimestre, abaixo dos 52% registrados tanto no primeiro trimestre de 2026 quanto no mesmo período de 2025.

A redução de 1 ponto percentual merece atenção porque as unidades maduras constituem a parcela mais rentável e previsível da operação. Essas academias já concluíram a maior parte do processo de formação da base de alunos e possuem maior diluição dos custos fixos.

Apesar do recuo, a margem permaneceu próxima do patamar histórico informado pela companhia. Nos resultados anteriores, a Smart Fit vinha mantendo a rentabilidade das unidades maduras em torno de 52%.

A leve compressão pode refletir despesas de pessoal, manutenção, energia, ocupação e outras pressões operacionais. A companhia também vem ampliando a quantidade e a variedade de equipamentos disponíveis nas academias, o que pode elevar gastos de manutenção e depreciação.

O aumento do ticket médio ajudou a compensar essas pressões. A capacidade de continuar reajustando preços sem comprometer a retenção e a entrada de alunos será determinante para a evolução das margens nos próximos trimestres.

Alavancagem sobe para 1,20 vez

A alavancagem financeira encerrou junho em 1,20 vez, acima do múltiplo de 1,08 vez registrado no fim do primeiro semestre de 2025.

O indicador relaciona a dívida líquida ao Ebitda e permite avaliar a capacidade da empresa de cumprir suas obrigações financeiras com a geração operacional de caixa.

Embora o nível permaneça relativamente controlado, a elevação mostra que parte do programa de expansão está sendo financiada por aumento do endividamento. Esse movimento também tende a ampliar as despesas financeiras e ajuda a explicar por que o lucro recorrente cresceu menos do que o Ebitda no segundo trimestre.

A expansão física exige desembolsos antes da geração integral de receita. No primeiro trimestre, a Smart Fit havia investido R$ 566 milhões, dos quais R$ 489 milhões estavam relacionados à expansão.

A administração sustenta que o crescimento da dívida deve ser analisado em conjunto com a maturação das novas academias. À medida que as unidades abertas nos últimos dois anos ampliam a quantidade de alunos e a geração de caixa, a expectativa é de aumento da contribuição para o resultado consolidado.

Desafio será conciliar expansão e rentabilidade

O balanço do segundo trimestre mostra que a Smart Fit continuou expandindo receita, Ebitda, lucro recorrente e presença geográfica. O crescimento da rede e o aumento do ticket médio permaneceram como os principais motores operacionais.

A companhia, no entanto, terá de administrar três frentes simultaneamente: cumprir o plano de inaugurações, preservar a margem das academias maduras e impedir que o aumento da dívida reduza de forma excessiva o avanço do lucro líquido.

A diferença entre a expansão de 24% do Ebitda e a alta de 8% do lucro recorrente evidencia que a análise dos próximos resultados não deverá se limitar ao crescimento operacional. Resultado financeiro, alíquota tributária, depreciação e necessidade de investimentos também serão decisivos.

O desempenho das unidades inauguradas recentemente terá papel central nessa avaliação. A maturação dentro dos padrões históricos poderá ampliar a geração de caixa e diluir os investimentos realizados. Uma evolução mais lenta, por outro lado, poderá prolongar a pressão sobre a alavancagem e a rentabilidade líquida.

 

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