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Tarcísio lidera Haddad em SP, mas vantagem cai em nova pesquisa para 2026

Paraná Pesquisas mostra governador à frente no primeiro e no segundo turno, enquanto disputa paulista ganha peso nacional.

por Júlia Campos
19/06/2026 às 10h05
em Política
Tarcísio Lidera Haddad Em Sp, Mas Vantagem Cai Em Nova Pesquisa Para 2026 - Gazeta Mercantil - Política

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantém a liderança na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes em 2026, mas viu diminuir sua vantagem sobre Fernando Haddad (PT), segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira, 19 de junho, pelo Paraná Pesquisas. No cenário estimulado de primeiro turno, Tarcísio aparece com 45,6% das intenções de voto, contra 34,1% do ex-ministro da Fazenda. A diferença entre os dois é de 11,5 pontos percentuais, abaixo dos 13,8 pontos registrados na pesquisa anterior do instituto, realizada em maio, sinalizando uma disputa ainda favorável ao atual governador, mas com maior competitividade no principal colégio eleitoral do país.

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 18 de junho, com 1.600 eleitores no Estado de São Paulo. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-08639/2026.

No cenário testado pelo instituto, Tarcísio e Haddad concentram a maior parte das intenções de voto e deixam os demais nomes em patamar distante. Paulo Serra (PSDB) aparece com 4,6%, enquanto Kim Kataguiri (Missão) registra 3%. Eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato somam 7,5%. Os que não sabem ou não responderam representam 5,2%.

Tarcísio segue à frente no segundo turno

A vantagem de Tarcísio de Freitas também aparece na simulação de segundo turno contra Fernando Haddad. Nesse cenário, o governador paulista registra 51,4% das intenções de voto, enquanto o petista alcança 37,9%. Brancos, nulos e nenhum somam 6,9%, e os indecisos ficam em 3,8%.

Apesar da liderança, o novo levantamento mostra oscilação em relação à pesquisa anterior. Em maio, Tarcísio tinha 52,7% no segundo turno, contra 37,6% de Haddad. A diferença, que era de 15,1 pontos percentuais, passou para 13,5 pontos. O movimento indica estabilidade relativa na dianteira do governador, mas também mostra que o petista preserva um piso eleitoral relevante em São Paulo.

A disputa pelo governo paulista ganhou importância adicional no tabuleiro nacional porque Tarcísio é visto como um dos principais nomes da direita para 2026. Sua permanência ou não na corrida estadual depende também do arranjo nacional que será definido pelos partidos aliados. Haddad, por sua vez, aparece como o principal nome do PT para tentar recuperar o comando do Estado, governado pela direita desde 2023.

Pesquisa espontânea mostra eleitorado ainda pouco definido

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Tarcísio de Freitas aparece com 23,9% das citações. Fernando Haddad registra 9,9%. Kim Kataguiri tem 0,6%, Geraldo Alckmin (PSB) aparece com 0,3%, e Paulo Serra marca 0,1%. Outros nomes somam 0,7%.

O dado mais relevante da pesquisa espontânea é o alto percentual de eleitores que ainda não sabem em quem votar ou preferem não opinar: 58,3%. Esse número mostra que, embora Tarcísio e Haddad sejam hoje os nomes mais consolidados, a eleição estadual ainda está em fase preliminar.

A distância entre a pesquisa espontânea e a estimulada indica que a força dos principais candidatos depende, em parte, do grau de exposição nacional e estadual. Tarcísio se beneficia da visibilidade do cargo de governador, enquanto Haddad mantém recall elevado por ter sido ministro da Fazenda, candidato à Presidência em 2018 e ex-prefeito da capital paulista.

Rejeição de Haddad segue como desafio para o PT

O levantamento também mediu a rejeição dos possíveis candidatos ao governo de São Paulo. Fernando Haddad lidera esse indicador: 42,5% dos entrevistados afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Tarcísio de Freitas aparece em seguida, com 29,1%.

Paulo Serra tem rejeição de 17%, enquanto Kim Kataguiri registra 15,9%. Os eleitores que afirmam que poderiam votar em todos somam 7,8%. Outros 9,2% não souberam ou não responderam.

A rejeição é um dos principais obstáculos para Haddad em uma eventual disputa contra Tarcísio. Embora o petista tenha ampliado ligeiramente sua presença no cenário estimulado, o índice de resistência ao seu nome permanece elevado. Para o PT, reduzir essa barreira será uma condição importante para tornar a disputa mais competitiva no segundo turno.

No caso de Tarcísio, a rejeição menor em comparação com Haddad reforça a vantagem do governador em uma eleição majoritária. Ainda assim, o avanço desse indicador em relação a levantamentos anteriores será observado por aliados, adversários e investidores políticos, especialmente se a disputa estadual se tornar um teste de força entre lulismo e direita em São Paulo.

Resultado coloca São Paulo no centro da disputa de 2026

São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e concentra peso econômico decisivo. Por isso, a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes tem impacto que vai além da política estadual. O resultado das urnas pode influenciar a composição de forças no Congresso, a articulação presidencial e o equilíbrio entre governo federal e oposição.

Para Tarcísio, a liderança nas pesquisas reforça sua posição como principal ativo eleitoral da direita no Estado. O governador construiu sua base política com apoio do bolsonarismo, mas também tenta manter diálogo com setores empresariais, prefeitos e lideranças de centro. A manutenção da dianteira sobre Haddad ajuda a preservar esse capital político.

Para Haddad, o levantamento mostra que o PT continua competitivo em São Paulo, embora ainda distante da liderança. O ex-ministro tem forte identificação com o eleitorado petista e presença conhecida na capital, mas enfrenta resistência em parte do interior e entre segmentos que rejeitam o partido.

A presença de Paulo Serra e Kim Kataguiri em patamar mais baixo também indica que, neste momento, a eleição tende a se organizar em torno da polarização entre Tarcísio e Haddad. Ainda assim, candidaturas de centro ou de direita não alinhadas diretamente ao governador podem ter papel relevante na distribuição de votos no primeiro turno.

Queda da vantagem aumenta atenção sobre alianças

A redução da diferença entre Tarcísio e Haddad ocorre em um momento em que os partidos ainda discutem palanques, chapas proporcionais e alianças regionais. Em São Paulo, a composição partidária será decisiva para definir tempo de propaganda, capilaridade municipal e capacidade de mobilização.

O Republicanos, partido de Tarcísio, terá de administrar a relação com legendas de direita e centro que integram sua base. O governador também dependerá do apoio de prefeitos, deputados estaduais e federais para sustentar sua vantagem fora da capital.

No campo petista, Haddad precisará consolidar uma frente capaz de reunir o PT, partidos aliados do governo federal e lideranças municipais. O desafio será ampliar a votação além do eleitorado tradicional da esquerda, especialmente em regiões onde o antipetismo segue forte.

A pesquisa também mostra que o espaço de indefinição ainda é relevante. Somados, eleitores que indicam branco, nulo, nenhum candidato ou que não sabem em quem votar representam 12,7% no cenário estimulado. Esse grupo pode ter peso decisivo caso a disputa se estreite ao longo da campanha.

Disputa paulista terá reflexos para governo federal e oposição

A eleição em São Paulo deve ser tratada como uma das principais batalhas políticas de 2026. Para o governo federal, uma candidatura competitiva de Haddad representaria a tentativa de ampliar a presença petista no Estado mais rico do país. Para a oposição, a manutenção de Tarcísio no Bandeirantes preservaria uma vitrine administrativa importante.

O levantamento do Paraná Pesquisas indica que Tarcísio inicia a corrida em posição confortável, mas não sem riscos. A queda da vantagem mostra que o cenário não está congelado e pode mudar conforme a campanha avance, sobretudo com maior exposição dos candidatos, definição de alianças e entrada do debate nacional na disputa estadual.

A partir de agora, a evolução dos índices de rejeição, a capacidade de Haddad reduzir a distância no interior e a manutenção da aprovação de Tarcísio serão variáveis centrais para medir a competitividade da eleição. Em um Estado com grande peso fiscal, industrial e eleitoral, a disputa pelo governo de São Paulo continuará sendo um dos principais termômetros políticos do país em 2026.

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