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Desemprego fica em 5,8% no Brasil; renda média sobe para R$ 3.732

País tem 102,3 milhões de ocupados e queda anual da desocupação; seguro-desemprego paga até R$ 2.518,65 em 2026.

por Daniel Wicker
22/06/2026 às 21h12
em Trabalho
Desemprego De Longa Duração Cai 21,7% E Atinge Menor Nível Da Série Histórica - Gazeta Mercantil

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado representa alta de 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, quando a taxa estava em 5,4%, mas queda de 0,8 ponto na comparação com os 6,6% registrados um ano antes.

O país tinha 6,3 milhões de pessoas desocupadas no período, número 8% superior ao do trimestre móvel anterior. Na comparação anual, entretanto, o contingente caiu 11,3%, o equivalente a 809 mil pessoas a menos procurando trabalho sem conseguir uma ocupação.

A população ocupada foi estimada em 102,3 milhões de trabalhadores. O número recuou 0,3% frente ao trimestre encerrado em janeiro, com redução de 338 mil pessoas, mas cresceu 1,1% em relação ao mesmo período de 2025, incorporando 1,07 milhão de trabalhadores.

O rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.732 mensais. O valor permaneceu estatisticamente estável no trimestre e avançou 5,3% em um ano, indicando que a renda média continuou crescendo acima da inflação.

Taxa subiu no trimestre, mas permaneceu abaixo de 2025

A taxa de desemprego no Brasil aumentou em relação aos meses finais de 2025, período normalmente favorecido pelas contratações temporárias do comércio e dos serviços.

Parte dessas vagas é encerrada no início do ano, provocando elevação sazonal da desocupação. Segundo o IBGE, o aumento decorreu principalmente do comportamento de atividades que contrataram mais trabalhadores no fim de 2025, mas não mantiveram todo o contingente nos meses seguintes.

O resultado de 5,8% não representa, portanto, uma deterioração equivalente à observada em períodos de recessão. Na comparação anual, o desemprego continuou significativamente abaixo do nível registrado entre fevereiro e abril de 2025.

A força de trabalho, formada pela soma de pessoas ocupadas e desocupadas, foi estimada em 108,7 milhões. O contingente permaneceu estável tanto no trimestre quanto na comparação anual.

O nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas trabalhando dentro da população em idade de trabalhar, ficou em 58,4%. Houve queda de 0,3 ponto percentual frente ao trimestre anterior e estabilidade em um ano.

Rendimento médio alcança R$ 3.732

O rendimento real habitual ficou em R$ 3.732 no trimestre encerrado em abril.

O indicador desconta a inflação e procura medir o poder de compra efetivo dos trabalhadores. A estabilidade trimestral mostra que a renda não perdeu força mesmo com a redução sazonal da ocupação.

Em relação ao mesmo período de 2025, o ganho real foi de 5,3%, equivalente a R$ 190 adicionais na média mensal.

A massa de rendimento real habitual, que soma os rendimentos de toda a população ocupada, chegou a R$ 377 bilhões.

O valor ficou estável no trimestre e cresceu 6,5% em um ano, aumento de aproximadamente R$ 22,9 bilhões.

A expansão da massa salarial possui impacto direto sobre o consumo das famílias, a arrecadação tributária e a atividade de setores como varejo, serviços, alimentação e transporte.

Emprego com carteira permanece em nível elevado

O Brasil tinha 39,3 milhões de empregados no setor privado com carteira assinada, desconsiderando os trabalhadores domésticos.

O número permaneceu estável tanto na comparação trimestral quanto em relação ao mesmo período de 2025.

A estabilidade ocorre depois de uma sequência de expansão do emprego formal, que levou o contingente de trabalhadores com carteira a níveis elevados dentro da série da Pnad Contínua.

O emprego sem carteira no setor privado ficou em 13,3 milhões de pessoas, também sem variações estatisticamente significativas.

O setor público empregava 12,9 milhões de trabalhadores. O contingente ficou estável no trimestre e cresceu 3,4% em um ano, com a entrada de 422 mil pessoas.

O número de trabalhadores por conta própria chegou a 26 milhões, permanecendo estável no trimestre e avançando 2,3% em 12 meses.

Informalidade recua para 37,2%

A taxa de informalidade ficou em 37,2% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores.

No trimestre encerrado em janeiro, a informalidade era de 37,5%, ou 38,5 milhões de pessoas. Um ano antes, estava em 38%, também com aproximadamente 38,5 milhões de informais.

São considerados informais trabalhadores sem carteira assinada, empregados domésticos sem registro, empregadores sem CNPJ, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e auxiliares familiares.

A redução anual da informalidade indica uma melhora na composição do mercado de trabalho, embora mais de um terço da população ocupada continue sem acesso completo às proteções associadas ao vínculo formal.

Trabalhadores informais normalmente não têm recolhimento automático de FGTS, férias remuneradas, 13º salário e seguro-desemprego.

Desalento cai 15,3% em um ano

O Brasil tinha 2,6 milhões de pessoas desalentadas no trimestre encerrado em abril.

São classificadas como desalentadas as pessoas que gostariam de trabalhar e estariam disponíveis, mas deixaram de procurar emprego por acreditarem que não encontrariam uma oportunidade adequada.

O contingente permaneceu estável frente ao trimestre anterior e caiu 15,3% em um ano, com redução de 464 mil pessoas.

O percentual de desalentados ficou em 2,3%, contra 2,4% no trimestre móvel anterior e 2,7% no mesmo período de 2025.

A queda do desalento é um sinal relevante porque mostra que menos brasileiros desistiram de buscar uma vaga por falta de perspectiva.

Subutilização permanece em 13,8%

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13,8%.

O indicador inclui desempregados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas que poderiam trabalhar, mas não estavam buscando uma vaga no período da pesquisa.

A taxa ficou estável em relação ao trimestre anterior e caiu 1,7 ponto percentual na comparação anual, quando estava em 15,4%.

A população subutilizada foi estimada em 15,7 milhões, sem variação relevante no trimestre e com redução de 2 milhões de pessoas em um ano.

O contingente de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas caiu para 4,2 milhões. A redução foi de 5,5% no trimestre e de 7,3% em 12 meses.

Esses trabalhadores possuem alguma ocupação, mas trabalham menos horas do que gostariam e estariam disponíveis para ampliar a jornada.

Mercado aquecido aumenta poder de escolha do trabalhador

Uma taxa de desemprego próxima das mínimas históricas amplia o poder de negociação de determinados grupos profissionais.

Quando há menos pessoas disponíveis para preencher vagas, empresas podem enfrentar maior dificuldade para contratar e reter trabalhadores qualificados.

Esse ambiente tende a estimular aumentos salariais, benefícios adicionais, modelos híbridos de trabalho, flexibilidade de jornada e oportunidades de progressão profissional.

Também pode aumentar a rotatividade voluntária. Trabalhadores que enxergam maior facilidade para encontrar outra colocação tornam-se mais propensos a deixar um emprego em busca de remuneração ou condições melhores.

A intensidade desse movimento, porém, varia entre setores, regiões, escolaridade e experiência profissional.

Uma taxa nacional baixa não significa ausência de dificuldades para todos os grupos. Jovens, mulheres, pessoas negras e trabalhadores com menor qualificação ainda podem enfrentar índices de desemprego superiores à média.

Demissão voluntária não dá direito ao seguro-desemprego

O trabalhador que pede demissão por iniciativa própria não tem direito ao seguro-desemprego.

O benefício é destinado principalmente ao empregado formal dispensado sem justa causa e que cumpra os requisitos de tempo de trabalho, renda e situação previdenciária.

A distinção é importante em um período de maior mobilidade profissional. Quem decide sair do emprego para buscar outra oportunidade deve considerar que não receberá o benefício durante o período de transição.

Na demissão voluntária, o trabalhador normalmente recebe saldo de salário, férias vencidas e proporcionais acrescidas de um terço e 13º salário proporcional.

Não há, em regra, pagamento da multa de 40% sobre o FGTS, saque integral do fundo nem acesso ao seguro-desemprego.

Quem tem direito ao seguro-desemprego em 2026

O seguro-desemprego é uma assistência financeira temporária paga ao trabalhador dispensado sem justa causa.

Para receber o benefício, o empregado precisa estar desempregado no momento do requerimento e não possuir renda própria suficiente para sua manutenção e a da família.

Também não pode estar recebendo benefício continuado da Previdência Social, com exceção de pensão por morte e auxílio-acidente.

O tempo mínimo de vínculo varia conforme a quantidade de solicitações anteriores.

No primeiro pedido, é necessário ter recebido salários por pelo menos 12 meses nos 18 meses imediatamente anteriores à demissão.

No segundo pedido, o trabalhador precisa comprovar pelo menos nove meses de salários nos 12 meses anteriores à dispensa.

A partir da terceira solicitação, é exigido recebimento de salários em cada um dos seis meses imediatamente anteriores à demissão.

Seguro-desemprego varia de R$ 1.621 a R$ 2.518,65

O valor do seguro-desemprego em 2026 é calculado com base na média dos três últimos salários recebidos antes da dispensa.

Nenhuma parcela pode ser inferior ao salário mínimo de R$ 1.621. O teto do benefício é de R$ 2.518,65.

Para quem teve salário médio de até R$ 2.222,17, a parcela corresponde a 80% da média salarial, respeitado o valor mínimo de R$ 1.621.

Para salários médios entre R$ 2.222,18 e R$ 3.703,99, calcula-se 50% do valor que exceder R$ 2.222,17 e acrescentam-se R$ 1.777,74.

Quem teve salário médio acima de R$ 3.703,99 recebe o teto fixo de R$ 2.518,65.

Tabela do seguro-desemprego 2026

Salário médio Cálculo da parcela
Até R$ 2.222,17 80% do salário médio, respeitado o mínimo de R$ 1.621
De R$ 2.222,18 a R$ 3.703,99 50% do valor excedente a R$ 2.222,17, mais R$ 1.777,74
Acima de R$ 3.703,99 Parcela fixa de R$ 2.518,65

Quantidade de parcelas depende do tempo trabalhado

O trabalhador pode receber de três a cinco parcelas do seguro-desemprego.

A quantidade depende do número de solicitações anteriores e do total de meses trabalhados dentro do período considerado pelo programa.

O sistema analisa os vínculos registrados e calcula automaticamente a quantidade de pagamentos.

Contratos mantidos com empresas diferentes podem ser considerados, desde que estejam dentro do período exigido e cumpram as regras do benefício.

A existência de mais de um emprego anterior não permite receber dois seguros-desemprego simultaneamente. Os vínculos servem para comprovar o tempo mínimo necessário.

Caso o trabalhador consiga um novo emprego durante o recebimento, as parcelas restantes são suspensas.

Pedido deve ser feito entre o 7º e o 120º dia

O seguro-desemprego pode ser solicitado a partir do sétimo dia contado da data da demissão.

O prazo para o trabalhador formal termina 120 dias depois da dispensa.

O pedido pode ser feito pelo Portal Gov.br, pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, nas unidades do Sistema Nacional de Emprego ou nas Superintendências Regionais do Trabalho.

Para a solicitação digital, o trabalhador precisa informar o número do requerimento entregue pelo empregador após a rescisão.

O sistema apresenta os dados do vínculo, verifica os requisitos e informa o número e o valor das parcelas.

O serviço é gratuito. Nenhum intermediário pode cobrar para liberar o benefício ou acelerar a análise.

Trabalhador pode recorrer de benefício negado

Caso o seguro-desemprego seja negado, o trabalhador pode solicitar revisão administrativa.

O recurso pode ser apresentado pelo Portal Gov.br ou pelos aplicativos oficiais, acompanhado de justificativa e documentos que comprovem o direito.

O prazo para pedir a revisão é de até dois anos contados da data da demissão.

Entre os problemas mais comuns estão divergências nos dados enviados pelo empregador, vínculos não reconhecidos, informações incorretas sobre renda e inconsistências cadastrais.

Quando houver erro no requerimento, também pode ser necessário procurar uma unidade do Sine ou uma Superintendência Regional do Trabalho.

O trabalhador deve acompanhar o andamento pelos canais oficiais e evitar links enviados por mensagens ou redes sociais.

Desemprego friccional cresce em mercados aquecidos

O desemprego friccional ocorre durante a transição natural entre ocupações.

Ele inclui pessoas que deixaram um emprego e ainda não começaram outro, trabalhadores em busca da primeira oportunidade e profissionais que decidiram procurar uma vaga mais adequada.

Esse tipo de desemprego pode existir mesmo quando a economia está aquecida e há muitas vagas disponíveis.

Em um mercado com maior mobilidade, o desemprego friccional pode aumentar temporariamente porque mais profissionais se sentem seguros para mudar de empresa.

A duração costuma ser relativamente curta, especialmente para trabalhadores com experiência e qualificações demandadas.

Desemprego estrutural reflete mudança nas qualificações

O desemprego estrutural ocorre quando as competências disponíveis na força de trabalho não correspondem às necessidades das empresas.

Automação, inteligência artificial, digitalização e mudanças nos modelos de negócio podem reduzir a demanda por algumas ocupações e criar vagas que exigem conhecimentos diferentes.

Nesse cenário, a existência de postos disponíveis não garante contratação, porque os trabalhadores podem não possuir as qualificações necessárias.

A redução desse tipo de desemprego depende de educação, treinamento profissional, requalificação e adaptação dos currículos às transformações econômicas.

Políticas de intermediação de mão de obra também ajudam a conectar trabalhadores e empresas.

Desemprego cíclico acompanha crises econômicas

O desemprego cíclico está relacionado às fases de retração da economia.

Quando o consumo e os investimentos caem, empresas vendem menos, reduzem a produção e cortam postos de trabalho.

Esse movimento foi observado em diferentes crises econômicas, quando a taxa de desocupação brasileira atingiu níveis de dois dígitos.

A recuperação da atividade tende a reduzir o desemprego cíclico, embora o processo possa ocorrer com atraso.

O resultado de 5,8% no trimestre encerrado em abril indica que o componente cíclico permanece reduzido, apesar da alta sazonal frente ao fim de 2025.

Renda e formalização sustentam mercado de trabalho

A taxa de desemprego no Brasil permaneceu em nível historicamente baixo, mesmo com a alta sazonal registrada no começo de 2026.

O país tinha 102,3 milhões de pessoas ocupadas, 39,3 milhões de empregados privados com carteira e rendimento médio real de R$ 3.732.

A informalidade caiu para 37,2%, enquanto o número de desalentados recuou 15,3% em um ano.

O cenário amplia o poder de escolha de parte dos trabalhadores e favorece a mobilidade profissional, mas também mantém desafios relacionados à informalidade, qualificação e desigualdade no acesso às oportunidades.

Para quem é dispensado sem justa causa, o seguro-desemprego oferece de três a cinco parcelas, com valores entre R$ 1.621 e R$ 2.518,65 em 2026.

 

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