A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal chegou ao sétimo dia nesta quarta-feira, 16 de setembro, com uma nova rodada de negociação marcada entre o banco e os representantes dos trabalhadores. A paralisação nacional, iniciada no dia 10, permanece por tempo indeterminado e continua afetando principalmente o atendimento presencial em agências e unidades administrativas.
O Saúde Caixa, plano de assistência médica de empregados, aposentados, pensionistas e dependentes, concentra o principal impasse. A proposta apresentada pelo banco em 10 de setembro foi rejeitada nas assembleias do dia seguinte. Até a conclusão desta reportagem, não havia novo acordo nem orientação nacional para o retorno ao trabalho. Uma eventual proposta ainda terá de ser avaliada pelas entidades sindicais e submetida à categoria.
Para os clientes, aplicativos, Pix, internet banking, caixas eletrônicos, correspondentes Caixa Aqui e lotéricas continuam como as principais alternativas. A greve não interrompe automaticamente boletos, parcelas ou outros compromissos com vencimento. Serviços que exigem conferência de documentos, análise individual ou atendimento de um empregado dentro da agência podem sofrer demora maior.
Nova reunião não suspende a greve
A Caixa confirmou a retomada da negociação depois de cobranças das entidades representativas e da continuidade da paralisação. A reunião ocorre em São Paulo, mas a convocação da mesa não encerra o movimento: os empregados continuam em greve enquanto não houver uma proposta aprovada em assembleia.
O retorno ao diálogo mudou o encaminhamento anunciado após a rejeição do pacote anterior. O banco havia informado que poderia levar o conflito ao Tribunal Superior do Trabalho por meio de dissídio coletivo e divulgado medidas administrativas relacionadas ao encerramento da vigência do acordo anterior. Posteriormente, suspendeu essas providências e aceitou manter temporariamente os direitos enquanto as negociações prosseguem.
Segundo a Caixa, foram realizadas 54 mesas ao longo da campanha, e a negociação é o caminho para buscar um entendimento que considere empregados, instituição, clientes e sociedade. As entidades dos trabalhadores sustentam que a reabertura da mesa precisa resultar em mudanças concretas, sobretudo no custeio do plano de saúde.
Mesmo que o banco apresente um novo texto nesta quarta-feira, o fim da greve não será imediato. O conteúdo deverá passar pelo Comando Nacional dos Bancários, pelas representações dos empregados da Caixa e pelas assembleias nas bases sindicais. Só depois dessa votação poderá haver uma orientação nacional de encerramento ou suspensão da paralisação.
Saúde Caixa concentra o impasse financeiro
A proposta rejeitada previa elevar de 6,5% para 8% da folha de pagamento e dos proventos o limite da participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa. A diferença é de 1,5 ponto percentual, equivalente a uma ampliação de 23,1% sobre o teto anterior. O banco estimou que a mudança poderia acrescentar aproximadamente R$ 600 milhões à sua contribuição.
O pacote também incluía R$ 236 milhões para ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027 e a antecipação, pela empresa, de parcelas relacionadas à sua participação na 13ª mensalidade dos anos de 2028, 2029 e 2030. Os representantes dos empregados reivindicam o fim dessa mensalidade adicional, que também exige contribuição dos beneficiários.
Para os titulares da ativa, o modelo discutido estabelecia contribuições entre 2,30% e 4,10% do salário-base, de acordo com a idade. Entre aposentados e pensionistas, a contribuição do titular passaria de 3,5% para 4,5% da remuneração-base. A mensalidade por dependente poderia chegar a R$ 660, e o teto de comprometimento da renda do grupo familiar subiria de 7% para 9%.
Outras alterações atingiriam a utilização do plano. A cobrança por consulta em pronto-socorro passaria de R$ 75 para R$ 150, um aumento de 100%, quando realizada nas condições previstas fora do limite de coparticipação. O teto anual de coparticipação por grupo familiar subiria de R$ 3.600 para R$ 4.800. A diferença de R$ 1.200 corresponde a uma alta de 33,3%.
O texto previa ainda recadastramento anual dos grupos familiares e uma janela de 90 dias para titulares que estão fora do Saúde Caixa aderirem novamente. Encerrado esse período, quem cancelasse a adesão não poderia retornar nas mesmas condições da regra vigente, que permite nova inscrição depois de dois anos, desde que cumpridas as exigências do acordo.
Essas mudanças explicam por que o plano de saúde se tornou o núcleo da disputa. A elevação da participação da Caixa representa mais recursos da empresa, mas as novas mensalidades, coparticipações e cobranças por dependente aumentariam despesas dos beneficiários. Para um trabalhador, o efeito final depende da remuneração, da idade, da quantidade e idade dos dependentes e do uso dos serviços médicos.
Canais digitais continuam disponíveis aos clientes
A Caixa orienta os clientes a utilizar os canais digitais e remotos durante a paralisação. O aplicativo Caixa permite consultar saldo, fazer Pix e transferências, pagar contas e movimentar a conta. Também permanecem disponíveis o Internet Banking Caixa e os aplicativos Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa e FGTS.
Terminais de autoatendimento, Banco24Horas, correspondentes Caixa Aqui e casas lotéricas podem absorver parte da procura, respeitados os limites e os serviços oferecidos por cada canal. O WhatsApp oficial e o Alô Caixa também funcionam para consultas e orientações. Antes de se deslocar, o cliente deve verificar se a operação desejada pode ser concluída por uma dessas alternativas.
Contas e parcelas não deixam de vencer por causa da greve. Quem não conseguir realizar uma operação deve registrar a tentativa, guardar protocolos e comprovantes e procurar um canal oficial do banco. A documentação é relevante se houver necessidade posterior de contestar multa, juros ou outro prejuízo provocado pela indisponibilidade do serviço.
O impacto tende a ser maior em procedimentos presenciais, como determinadas atualizações cadastrais, entrega e conferência de documentos, desbloqueios específicos, renegociações mais complexas e etapas de contratos habitacionais. A situação varia entre cidades e agências, porque a adesão é definida localmente. Beneficiários de programas sociais, idosos com pouca familiaridade digital e clientes sem acesso regular à internet estão entre os grupos mais expostos à redução do atendimento físico.
Fechamento atingiu 97,7% dos locais monitorados em São Paulo e região
O balanço mais recente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região mostra o alcance da paralisação em sua base. Na terça-feira, 15, ficaram fechadas 292 das 299 agências acompanhadas e os quatro prédios administrativos da Caixa. Somados, foram 296 de 303 locais sem funcionamento regular, o equivalente a 97,7%.
O cálculo indica que apenas sete unidades monitoradas nessa área permaneceram abertas, ou 2,3% do total. O resultado superou o registrado no primeiro dia de greve, quando 245 das 299 agências e os quatro centros administrativos haviam fechado. Considerando somente as agências, a adesão passou de 81,9% no dia 10 para 97,7% no dia 15, avanço de 15,8 pontos percentuais.
Os números não representam a situação nacional. Eles abrangem apenas a base territorial de São Paulo, Osasco e cidades da região acompanhadas pelo sindicato. Não havia, até a publicação, uma consolidação oficial que permitisse calcular quantas agências estavam fechadas em todo o país. Por isso, o cliente deve confirmar o funcionamento da unidade específica antes de sair de casa.
Além do fechamento das unidades, os trabalhadores realizaram atos na capital paulista. Na terça-feira, cerca de 250 pessoas participaram de um protesto em frente à área de Gestão de Pessoas da Caixa no Ipiranga. Para esta quarta-feira, foi convocada uma caminhada no centro de São Paulo, com saída nas proximidades do Edifício Martinelli e destino ao prédio da instituição na Sé.
Direitos anteriores permanecem durante a negociação
A Caixa aceitou aplicar temporariamente a ultratividade do acordo coletivo. Na prática, os benefícios e as condições existentes antes de 31 de agosto continuam durante o período de negociação, de forma excepcional e provisória. O banco também suspendeu as medidas administrativas que haviam sido comunicadas depois da rejeição da proposta.
A decisão reduz o risco de interrupção imediata de direitos enquanto não existe um novo Acordo Coletivo de Trabalho assinado. Não se trata, porém, de uma solução definitiva. A manutenção está vinculada ao andamento das tratativas, e as condições permanentes dependerão do texto que eventualmente for aprovado pela categoria e pelo banco.
A paralisação atual está concentrada na Caixa. Os empregados dos bancos privados aprovaram a convenção coletiva, e os funcionários do Banco do Brasil aceitaram o acordo específico da instituição. Isso significa que a situação de atendimento pode ser diferente entre bancos e que a expressão “greve dos bancários” não corresponde, neste momento, ao fechamento uniforme de toda a rede financeira.
O próximo passo formal é o resultado da reunião desta quarta-feira. Se houver nova proposta, as entidades deverão informar o conteúdo e organizar assembleias. Se o impasse sobre o Saúde Caixa permanecer, a greve poderá prosseguir, ainda sem data definida para o retorno do atendimento presencial normal.
Fontes:
Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa – proposta do Acordo Coletivo de Trabalho, mudanças no Saúde Caixa, ultratividade e retomada da negociação
Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região – balanços de adesão, linha do tempo da greve e atos realizados durante a paralisação
Caixa Econômica Federal – canais oficiais de atendimento e serviços digitais disponíveis aos clientes










