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Telefônica Brasil (VIVT3) lucra R$ 1,57 bilhão; pós-pago e fibra ampliam margem

Dona da Vivo eleva receita em 7,6% e Ebitda em 10,9% no segundo trimestre, mas fluxo de caixa livre recua com pagamentos de tributos e menor contribuição do capital de giro

por João Souza
27/07/2026 às 20h20
em Empresas,Destaque,Notícias
Telefônica (Vivt3) - Gazeta Mercantil

A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da marca Vivo, encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,572 bilhão, alta de 17% sobre o mesmo período do ano passado, apoiada pelo crescimento das receitas de telefonia móvel, fibra óptica e serviços digitais, além do controle das despesas operacionais. O balanço divulgado nesta segunda-feira, 27 de julho, mostrou expansão da margem Ebitda, avanço da base de clientes e aumento dos investimentos em infraestrutura, embora a geração de caixa livre tenha recuado.

A receita líquida alcançou R$ 15,757 bilhões entre abril e junho, crescimento de 7,6% na comparação anual. O desempenho refletiu a expansão de 7,9% da receita de pós-pago, de 10,7% no negócio de fibra até a residência e de 7,8% nos serviços de dados corporativos, tecnologia da informação e soluções digitais.

O Ebitda, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, avançou 10,9%, para R$ 6,581 bilhões. Foi o maior crescimento anual do indicador desde o terceiro trimestre de 2023.

A margem Ebitda subiu de 40,5% para 41,8%, uma expansão de 1,3 ponto percentual. O avanço indica que o resultado operacional cresceu em ritmo superior ao da receita, apesar da elevação dos custos de produtos, serviços digitais e investimentos em sistemas.

O lucro ficou abaixo dos R$ 1,7 bilhão esperados, em média, por analistas consultados pela LSEG. O Ebitda, por outro lado, veio praticamente em linha com a projeção de R$ 6,6 bilhões.

Pós-pago sustenta crescimento do negócio móvel

A receita de serviços móveis da Telefônica Brasil (VIVT3) somou R$ 10,183 bilhões no segundo trimestre, alta de 6,6% ante o mesmo intervalo de 2025.

O principal impulso veio do pós-pago, cuja receita cresceu 7,9% e passou a representar 87% do faturamento com serviços móveis, um aumento de um ponto percentual em 12 meses.

A base total de clientes pós-pagos chegou a 73,2 milhões de acessos, alta de 6,9%. Desconsiderados dispositivos de comunicação entre máquinas e modems, o número de clientes alcançou 52,4 milhões, expansão de 7,3%.

A empresa adicionou 3,6 milhões de acessos pós-pagos humanos nos últimos 12 meses. O movimento reflete tanto a entrada de novos clientes quanto a migração de usuários do pré-pago para planos mensais de maior valor.

A receita média por usuário do pós-pago, excluindo dispositivos e modems, aumentou 0,8%, para R$ 53,90. A taxa de cancelamento permaneceu em 1%, considerada pela companhia um patamar historicamente baixo.

Para os investidores, o avanço do pós-pago é relevante porque esses contratos tendem a apresentar receita mais previsível, maior fidelização e melhor capacidade de venda de serviços adicionais.

Pré-pago reduz queda e volta a adicionar clientes

O segmento pré-pago permaneceu em retração, mas apresentou melhora em relação ao desempenho do ano anterior.

A receita caiu 1,3% no segundo trimestre, uma redução significativamente menor que o recuo de 10,6% registrado entre abril e junho de 2025.

A base pré-paga apresentou adições líquidas positivas em relação ao primeiro trimestre, algo que não ocorria desde o fim de 2023. A receita média por usuário cresceu 7,1%.

A estabilização pode reduzir a pressão provocada pela migração estrutural dos consumidores para o pós-pago. A estratégia da Vivo tem sido manter clientes de menor consumo dentro de seu ecossistema e, gradualmente, oferecer planos com franquias maiores e serviços agregados.

O negócio móvel também se beneficiou das vendas de aparelhos e eletrônicos. A receita da categoria avançou 27,8%, superando R$ 1 bilhão no trimestre.

Smartphones compatíveis com redes 5G representaram 98,8% das unidades vendidas nas lojas da companhia. O indicador avançou 3,8 pontos percentuais em um ano.

Fibra chega a 8,2 milhões de clientes

A receita líquida do negócio fixo cresceu 6%, para R$ 4,527 bilhões.

O principal vetor foi a fibra óptica até a residência, conhecida pela sigla FTTH, cuja receita aumentou 10,7%. A operação encerrou junho com 8,2 milhões de casas conectadas, expansão de 11,3% sobre o segundo trimestre de 2025.

A infraestrutura da Telefônica Brasil (VIVT3) passou a alcançar 32 milhões de domicílios, alta de 6,4%. A taxa de penetração — proporção entre clientes conectados e imóveis cobertos pela rede — subiu 1,1 ponto percentual, para 25,6%.

Esse avanço é relevante porque uma rede já construída precisa conquistar clientes para diluir os investimentos realizados. Quanto maior a taxa de ocupação, maior tende a ser a contribuição da infraestrutura para receitas e margens.

A base convergente de fibra alcançou 5,3 milhões de acessos. Desse total, 3,8 milhões estavam vinculados ao Vivo Total, produto que combina serviços móveis e banda larga em uma única oferta.

O número de clientes do Vivo Total cresceu 18,4% em um ano. O produto representou 86% das novas assinaturas de fibra realizadas nas lojas próprias durante o trimestre.

A participação do Vivo Total dentro da base de clientes de fibra aumentou 6,5 pontos percentuais e chegou a 46,3%.

Convergência busca reduzir cancelamentos

A combinação de telefonia móvel e banda larga é uma das principais ferramentas da Vivo para elevar a receita por cliente e reduzir cancelamentos.

O consumidor que concentra diferentes contratos na mesma operadora tende a enfrentar maior custo de troca, além de receber benefícios associados ao relacionamento conjunto.

A receita média mensal por CPF atingiu R$ 68,50 nos últimos 12 meses, aumento de 7,6%. O indicador considera uma base de 56,7 milhões de CPFs.

As receitas de conectividade para consumidores cresceram 5,8%, enquanto os novos negócios voltados ao público pessoa física avançaram 33,6%.

O resultado mostra a estratégia da Telefônica Brasil (VIVT3) de ampliar o relacionamento com seus clientes além dos serviços tradicionais de telecomunicações.

A companhia passou a oferecer entretenimento, serviços financeiros, seguros, produtos de saúde, armazenamento em nuvem e assinaturas digitais dentro de seu ecossistema.

Serviços digitais ganham espaço na receita

As receitas de dados corporativos, tecnologia da informação, comunicação e serviços digitais somaram R$ 1,467 bilhão no trimestre, alta de 7,8%.

Dentro desse conjunto, os serviços digitais fixos destinados a empresas cresceram 13,2%, para R$ 1,056 bilhão.

Nos últimos 12 meses, as receitas de serviços digitais alcançaram R$ 5,466 bilhões, expansão de 14,9%. A categoria passou a representar 8,8% do faturamento total da Telefônica Brasil (VIVT3).

O segmento empresarial respondeu por 22,5% das receitas da companhia, um avanço de 0,4 ponto percentual em um ano.

A oferta inclui serviços de computação em nuvem, cibersegurança, internet das coisas, mensagens corporativas e soluções de transformação digital.

No mercado de consumo, a receita de entretenimento alcançou R$ 890 milhões nos últimos 12 meses, alta de 25,7%. A base de assinantes cresceu 33,3%, para 4,9 milhões.

Os serviços financeiros geraram receita de R$ 433 milhões, crescimento de 12,8%. Desde o lançamento da plataforma Vivo Pay, em 2020, as concessões de empréstimos pessoais somaram R$ 1,3 bilhão.

A área de saúde e bem-estar registrou R$ 126 milhões em receita, avanço de 58,2%, e atingiu 511 mil assinaturas.

Ebitda cresce mais que despesas operacionais

Os custos dos serviços e produtos vendidos avançaram 10,2%, pressionados pela expansão das soluções digitais e pelo aumento das vendas de aparelhos e eletrônicos.

Os custos de produtos cresceram 18,6%, passando a representar 7,4% da receita líquida. Já os custos de serviços aumentaram 5,3% e corresponderam a 11,2% do faturamento.

As despesas operacionais avançaram 3,2%, abaixo do crescimento de 7,6% da receita.

As despesas comerciais e de infraestrutura subiram 5,7%, em razão da expansão das redes, do desenvolvimento de sistemas e da maior atividade de vendas. Como proporção da receita, porém, recuaram 0,4 ponto percentual.

Os gastos com pessoal aumentaram 3,2%, refletindo reajustes de salários e benefícios e ampliação do quadro de funcionários. O peso dessa conta sobre a receita caiu 0,5 ponto percentual, para 10,7%.

As despesas gerais e administrativas tiveram alta mais forte, de 12,3%, impulsionadas por gastos com computação em nuvem, programas, sistemas e infraestrutura tecnológica.

A provisão para perdas com clientes inadimplentes aumentou apenas 0,5%. Como percentual da receita bruta, o indicador recuou 0,2 ponto percentual.

Venda de cobre gera ganho de R$ 202 milhões

O resultado operacional também contou com R$ 202 milhões obtidos com a venda de ativos vinculados à antiga concessão de telefonia fixa.

O valor veio integralmente da comercialização de cobre retirado das redes legadas. No mesmo período de 2025, os ganhos com venda de ativos haviam somado apenas R$ 5 milhões.

A monetização do cobre ocorre à medida que a companhia substitui redes antigas pela fibra óptica e desativa parte da infraestrutura tradicional.

Embora o ganho ajude o resultado no curto prazo, ele tem natureza não recorrente. A avaliação da evolução operacional exige separar esse efeito da expansão gerada por clientes, preços, produtos e eficiência.

A comparação anual também foi influenciada por benefícios tributários extraordinários reconhecidos no segundo trimestre de 2025, que não se repetiram na mesma proporção neste ano.

Depreciação de rede antiga deixará de pressionar resultado

As despesas de depreciação e amortização cresceram 8%, refletindo a consolidação dos ativos da FiBrasil e os investimentos em 5G, fibra e redes de transporte de dados.

A partir do terceiro trimestre, a companhia espera uma redução importante nessa pressão.

A Telefônica Brasil (VIVT3) concluirá a depreciação acelerada de tecnologias legadas, incluindo ativos ligados às redes de cobre. O encerramento deverá eliminar uma despesa aproximada de R$ 300 milhões por trimestre.

A mudança poderá beneficiar o lucro operacional e o lucro líquido nos próximos balanços, sem representar uma entrada adicional de caixa.

O resultado financeiro permaneceu como fator de pressão. A despesa líquida aumentou 3,6%, para R$ 713,8 milhões, principalmente devido aos passivos de arrendamento vinculados à infraestrutura.

Ainda assim, o crescimento do Ebitda e do resultado operacional foi suficiente para sustentar a alta de 17% no lucro líquido.

Investimentos chegam a R$ 2,59 bilhões

Os investimentos somaram R$ 2,589 bilhões no trimestre, aumento de 6,1%.

O valor correspondeu a 16,4% da receita líquida, uma redução de 0,2 ponto percentual em comparação com o segundo trimestre de 2025.

Mais de 75% dos recursos foram direcionados às redes móvel e fixa. A companhia priorizou a expansão do 5G, da fibra óptica e da capacidade de transporte de dados.

A cobertura 5G da Vivo alcançou 978 municípios, 325 a mais que um ano antes, e passou a atender aproximadamente 73% da população brasileira.

A rede de fibra permaneceu presente em 453 cidades. A estratégia combina expansão geográfica com aumento da ocupação da infraestrutura já instalada.

O fluxo de caixa operacional, calculado pela diferença entre Ebitda e investimentos, cresceu 14,3%, para R$ 3,992 bilhões. A margem avançou 1,5 ponto percentual, para 25,3%.

Fluxo de caixa livre recua 10,7%

Apesar da melhora operacional, o fluxo de caixa livre caiu 10,7%, para R$ 2,661 bilhões.

A redução foi provocada por pagamentos maiores de tributos e por uma contribuição menor do capital de giro.

A comparação também foi afetada por uma base mais forte no segundo trimestre de 2025, quando a companhia registrou volume extraordinário de recebimentos de clientes.

A diferença entre o crescimento do Ebitda e a queda do fluxo de caixa livre é um dos principais pontos de atenção do balanço.

Para os investidores, o caixa livre é relevante porque financia dividendos, juros sobre capital próprio, recompras, redução de dívida e novos investimentos.

A administração terá de demonstrar nos próximos trimestres se a redução foi predominantemente temporária ou se os pagamentos tributários e a dinâmica do capital de giro continuarão limitando a conversão do lucro em caixa.

Companhia mantém caixa líquido antes dos arrendamentos

A Telefônica Brasil (VIVT3) encerrou junho com caixa líquido de R$ 3,787 bilhões quando são excluídos os passivos de arrendamento.

Incluindo os contratos contabilizados pelas regras do IFRS 16, a dívida líquida alcançou R$ 10,998 bilhões.

A dívida financeira bruta, sem arrendamentos, caiu 14,4%, para R$ 4,932 bilhões. A redução refletiu principalmente a liquidação de R$ 1,5 bilhão em debêntures realizada em julho de 2025.

Do total da dívida bruta, 99% estavam denominados em reais. A parcela em moeda estrangeira encontrava-se integralmente protegida por instrumentos de hedge cambial.

A estrutura reduz a exposição direta às oscilações do dólar e mantém a companhia em posição confortável para financiar a expansão das redes e remunerar seus acionistas.

Remuneração de R$ 6,99 bilhões reforça retorno ao acionista

A Telefônica Brasil pagou R$ 6,99 bilhões aos acionistas nos primeiros sete meses de 2026, alta de 31,6% sobre o mesmo intervalo do ano passado.

O montante inclui R$ 2,99 bilhões em juros sobre capital próprio declarados em 2025 e uma redução de capital de R$ 4 bilhões paga em 14 de julho.

A companhia também aprovou R$ 2,22 bilhões em juros sobre capital próprio ao longo de 2026, aumento de 34,5%. Os pagamentos serão realizados até 30 de abril de 2027.

Além dos proventos, existe um programa que permite a recompra de até R$ 1 bilhão em ações até fevereiro de 2027.

A administração reafirmou o compromisso de distribuir, no mínimo, o equivalente a 100% do lucro líquido anual de 2026 por meio de dividendos, juros sobre capital próprio, reduções de capital e recompras.

O balanço reforça a combinação que sustenta a tese de investimento em Telefônica Brasil (VIVT3): crescimento do pós-pago e da fibra, expansão da margem e elevada distribuição de recursos.

A queda do fluxo de caixa livre e a presença de ganhos não recorrentes com venda de cobre, contudo, exigem acompanhamento. Nos próximos trimestres, a capacidade de converter o avanço operacional em caixa será decisiva para manter o ritmo de investimentos e a política de remuneração aos acionistas.

Tags: 5Gbalanço 2T26dividendos VIVT3EbitdaEmpresasfibra ópticalucro da Vivoresultado Telefônica Brasiltelecomunicaçõestelefonia móvelTelefônica BrasilvivoVIVT3

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