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Vale (VALE3), Santander (SANB11) e Usiminas (USIM5) lideram agenda de balanços do 2T26

Resultados de mineração, bancos, telecomunicações e consumo podem elevar a volatilidade das ações e do Ibovespa nesta semana.

por João Souza
26/07/2026 às 23h47
em Empresas
Fevereiro Dos Balanços: Quem Brilhou E Quem Decepcionou Na B3

Imagem gerada por IA

A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 entra em uma semana decisiva para a Bolsa brasileira, com 11 companhias programadas para divulgar resultados entre esta segunda-feira, 27 de julho, e sexta-feira, 31. Vale (VALE3), Santander Brasil (SANB11), Usiminas (USIM5), Ambev (ABEV3), Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) estão entre os nomes que podem influenciar o comportamento de ações relevantes e, em alguns casos, do próprio Ibovespa.

O calendário reúne empresas de mineração, siderurgia, bancos, telecomunicações, bebidas, infraestrutura, tecnologia, concessões rodoviárias, shopping centers e papel e embalagens. A diversidade transforma a semana em um teste abrangente sobre a capacidade das companhias brasileiras de preservar margens em um ambiente marcado por juros elevados, custos financeiros pressionados e crescimento econômico mais moderado.

Leia também: Usiminas (USIM5) despenca após BofA e Safra cortarem recomendação da ação.

A Vale concentra a maior atenção pelo peso que possui no Ibovespa e pela exposição ao preço internacional do minério de ferro. Santander será observado pela evolução da inadimplência, das provisões e da rentabilidade. Na Usiminas, o mercado buscará sinais sobre preços do aço, concorrência dos produtos importados e desempenho da mineração.

A agenda começa na segunda-feira, com os balanços da Vivo e da TIM, e ganha força na quarta-feira, quando Santander, Intelbras (INTB3) e Motiva (MOTV3) apresentam seus números. A quinta-feira concentra Vale, Ambev, Multiplan (MULT3) e EcoRodovias (ECOR3). Usiminas e Irani Papel e Embalagem (RANI3) encerram a semana.

A ISA Energia Brasil (ISAE4), incluída em alguns calendários preliminares entre as empresas que divulgariam resultados na quinta-feira, atualizou sua programação. Segundo a agenda oficial da companhia, o balanço do segundo trimestre será publicado em 3 de agosto, com teleconferência no dia seguinte.

Vivo e TIM abrem semana com disputa por receita e geração de caixa

Vivo e TIM apresentam seus balanços após o fechamento do mercado nesta segunda-feira. Os números das duas operadoras oferecerão uma leitura atualizada sobre o comportamento do setor de telecomunicações, que combina receitas recorrentes, crescimento do uso de dados e necessidade permanente de investimentos em infraestrutura.

Na Vivo, os investidores deverão observar a expansão das receitas de serviços móveis, o desempenho da fibra óptica e a capacidade de transformar crescimento operacional em geração de caixa. A companhia encerrou o primeiro trimestre com receita de R$ 15,5 bilhões, Ebitda de R$ 6,2 bilhões e uma base total de 117,4 milhões de clientes.

O mercado também deverá avaliar a evolução dos custos comerciais e operacionais, o ritmo dos investimentos e a contribuição dos negócios digitais. A estratégia da Vivo deixou de depender apenas dos serviços tradicionais de telefonia e passou a incluir soluções financeiras, segurança digital, entretenimento e serviços para empresas.

Na TIM, a atenção estará concentrada na receita média por usuário, nas adições líquidas de clientes, na eficiência operacional e na remuneração aos acionistas. A operadora vem trabalhando com uma estrutura de custos mais enxuta e com foco na expansão das margens, especialmente no segmento móvel.

A leitura conjunta dos dois balanços ajudará a medir a intensidade da competição. O setor apresenta menor necessidade de disputa agressiva por preços do que em ciclos anteriores, mas permanece pressionado por investimentos em redes, atualização tecnológica e exigências crescentes de qualidade.

Resultados superiores às expectativas poderão reforçar a percepção defensiva das ações de telecomunicações. Frustrações em margem, fluxo de caixa ou crescimento da base, por outro lado, tendem a provocar revisões nas projeções de dividendos.

Santander testa recuperação da rentabilidade bancária

O Santander Brasil divulgará o resultado na quarta-feira, antes da abertura dos mercados. A apresentação a investidores está marcada para as 10h, em um momento no qual o setor bancário acompanha de perto a qualidade das carteiras de crédito e os efeitos dos juros elevados sobre famílias e empresas.

A XP Investimentos projeta lucro de R$ 3,3 bilhões para o Santander no segundo trimestre, queda de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025. A expectativa considera crescimento anual entre 4% e 5% da carteira de crédito e retorno sobre o patrimônio líquido, o ROE, próximo de 14%.

A rentabilidade será um dos principais pontos do balanço. Um ROE mais baixo pode indicar dificuldade do banco para ampliar receitas, controlar despesas e compensar o custo do risco. O mercado também observará se o crescimento da carteira ocorreu em linhas com retorno adequado ou por meio de produtos com maior possibilidade de inadimplência.

As provisões para perdas, os atrasos acima de 90 dias e o desempenho dos segmentos de pessoas físicas e pequenas empresas deverão receber atenção especial. Esses grupos costumam ser mais sensíveis aos juros elevados e à perda de renda disponível.

Outro indicador relevante será a margem financeira com clientes. O Santander tenta recuperar a rentabilidade sem depender de uma expansão excessiva do crédito, equilibrando concessões mais seletivas, revisão de preços e aumento da participação de produtos com tarifas.

O balanço também servirá de referência para as expectativas em relação aos demais grandes bancos. Uma deterioração mais forte da qualidade dos ativos poderá aumentar a cautela com o setor, enquanto sinais de estabilização das provisões favoreceriam a leitura de recuperação gradual dos resultados.

Vale pode definir direção das ações de mineração

A Vale divulgará o balanço na quinta-feira, após o fechamento do mercado, e realizará teleconferência na sexta-feira. A companhia já apresentou seu relatório de produção e vendas do segundo trimestre, permitindo ao mercado formar uma avaliação preliminar sobre volumes, preços realizados e custos.

A XP estima Ebitda ajustado de aproximadamente US$ 3,9 bilhões. A projeção considera um ambiente mais favorável para os preços das commodities, mas também incorpora desafios operacionais e pressões de custos.

O resultado da Vale será analisado além do lucro líquido. Investidores deverão concentrar-se no Ebitda, no custo caixa do minério de ferro, nos embarques, nos prêmios obtidos por produtos de maior qualidade e na geração de fluxo de caixa livre.

A política de remuneração aos acionistas também permanece no radar. A combinação entre geração de caixa, investimentos, dívida e obrigações relacionadas às reparações define o espaço disponível para dividendos e eventuais recompras de ações.

Por seu peso no Ibovespa, a reação de Vale pode afetar o índice mesmo em uma sessão marcada por fatores externos. Uma surpresa positiva em custos ou preços realizados tende a beneficiar também outras ações ligadas à mineração e à siderurgia.

O risco permanece associado à demanda chinesa, ao comportamento dos preços do minério e à volatilidade cambial. Mesmo quando os volumes avançam, uma queda mais intensa da commodity pode reduzir receitas, margens e geração de caixa.

Usiminas enfrenta pressão do aço importado

A Usiminas encerra a semana de balanços na sexta-feira. O Morgan Stanley estima Ebitda de R$ 676 milhões no segundo trimestre, considerando novas premissas para câmbio, preços de commodities e desempenho operacional.

O resultado será acompanhado em meio ao debate sobre o avanço das importações de aço e a eficácia das medidas de defesa comercial. A indústria siderúrgica brasileira sustenta que produtos estrangeiros, especialmente asiáticos, têm chegado ao mercado nacional em condições que comprometem a competição.

O banco avalia que ainda é cedo para concluir se as medidas antidumping serão capazes de reduzir permanentemente a participação do aço importado aos níveis históricos. Essa incerteza deverá continuar presente nas projeções para volumes e preços domésticos.

Além da siderurgia, o mercado avaliará o desempenho da divisão de mineração. A operação pode compensar parcialmente oscilações do negócio de aço, mas também expõe a companhia ao comportamento do minério de ferro e aos custos de produção.

Na siderurgia, os principais indicadores serão vendas, preço médio por tonelada, custo das placas, margem operacional e utilização da capacidade. A demanda da indústria automotiva e de bens de capital também ajudará a determinar a leitura do trimestre.

O balanço deverá esclarecer se a companhia conseguiu recompor preços sem perder participação ou se a concorrência externa continuou limitando o repasse de custos. Para a ação, o ponto central será a sustentabilidade da melhora operacional, e não apenas o resultado isolado de um trimestre.

Copa do Mundo coloca volumes da Ambev em evidência

A Ambev divulgará seus números na quinta-feira. O Citi avalia que o trimestre pode apresentar um ambiente operacional mais construtivo, beneficiado por uma base de comparação mais favorável em junho e pelo aumento do consumo relacionado à Copa do Mundo de 2026.

Grandes eventos esportivos costumam ampliar vendas em bares, restaurantes, supermercados e canais de conveniência. O efeito, entretanto, dependerá da capacidade da companhia de transformar volumes maiores em receita e margem.

Os investidores deverão observar o desempenho das vendas de cerveja no Brasil, a receita por hectolitro e o custo das matérias-primas. Alumínio, cevada, embalagens, energia e transporte permanecem componentes relevantes da estrutura de despesas.

O câmbio também pode produzir efeitos distintos. A valorização do real tende a reduzir o custo de determinados insumos, mas altera a conversão dos resultados obtidos no exterior.

A comparação com o trimestre anterior permitirá verificar se a companhia conseguiu estabilizar volumes sem ampliar descontos. Crescimento baseado em promoções excessivas pode elevar a receita, mas prejudicar a rentabilidade.

A disputa com concorrentes continuará no centro da análise. O mercado brasileiro de bebidas exige investimentos elevados em marcas, distribuição, equipamentos de refrigeração e presença nos pontos de venda.

Concessões e shopping centers medem força da atividade doméstica

Motiva e EcoRodovias apresentarão seus balanços em uma semana importante para as empresas de infraestrutura. Os resultados deverão mostrar o comportamento do tráfego nas rodovias, a evolução das tarifas e o impacto dos investimentos previstos nos contratos de concessão.

Na Motiva, o mercado acompanhará também o desempenho dos negócios de mobilidade urbana e aeroportos. A antiga CCR atravessa uma fase de reorganização de portfólio e precisa equilibrar expansão, execução de investimentos e controle do endividamento.

Na EcoRodovias, o crescimento do tráfego deverá ser analisado em conjunto com reajustes tarifários e obras em novas concessões. O aumento da receita pode vir acompanhado de maior necessidade de capital, pressionando o fluxo de caixa no curto prazo.

A Multiplan divulgará o balanço na quinta-feira. A companhia será observada pela evolução das vendas dos lojistas, aluguel nas mesmas lojas, ocupação dos empreendimentos e inadimplência.

Shopping centers têm se beneficiado da recuperação da circulação de consumidores, mas enfrentam os efeitos dos juros elevados sobre o crédito e o consumo discricionário. A qualidade do portfólio e a capacidade de reajustar aluguéis serão determinantes para a margem.

A valorização dos ativos imobiliários, o custo da dívida e a distribuição de resultados também influenciam a reação das ações. O mercado tende a favorecer companhias capazes de crescer sem comprometer a alavancagem.

Intelbras e Irani completam agenda setorial

A Intelbras divulgará os resultados na quarta-feira, após o fechamento. A companhia atua nos segmentos de segurança eletrônica, comunicação, energia e tecnologia, o que torna seu balanço uma leitura sobre investimentos corporativos e demanda por equipamentos.

O mercado deverá acompanhar receitas, estoques, margens e desempenho dos produtos de energia solar. A dinâmica cambial é particularmente relevante para empresas que dependem de componentes importados ou mantêm cadeias de fornecimento internacionais.

A Irani Papel e Embalagem encerra a agenda na sexta-feira. Seus números deverão refletir preços de papelão ondulado, volume vendido, custos de energia e matéria-prima e demanda de setores como alimentos, bebidas, comércio eletrônico e bens de consumo.

O negócio de embalagens funciona como indicador indireto da atividade econômica. A desaceleração da produção e do consumo tende a reduzir a procura, enquanto a recuperação de volumes melhora a utilização das fábricas e dilui custos fixos.

Calendário de balanços entre 27 e 31 de julho

Empresa Ticker Data Horário de divulgação
Vivo VIVT3 27/07/2026 Após o fechamento
TIM TIMS3 27/07/2026 Após o fechamento
Santander Brasil SANB11 29/07/2026 Antes da abertura
Intelbras INTB3 29/07/2026 Após o fechamento
Motiva MOTV3 29/07/2026 Após o fechamento
Ambev ABEV3 30/07/2026 Não informado
Multiplan MULT3 30/07/2026 Não informado
Vale VALE3 30/07/2026 Após o fechamento
EcoRodovias ECOR3 30/07/2026 Após o fechamento
Usiminas USIM5 31/07/2026 Não informado
Irani Papel e Embalagem RANI3 31/07/2026 Não informado

As datas podem ser alteradas pelas companhias. Investidores devem acompanhar os canais oficiais de relações com investidores, especialmente porque mudanças de horário podem modificar o momento em que os resultados são incorporados aos preços das ações.

A concentração dos balanços na segunda metade da semana tende a elevar a volatilidade de empresas importantes do Ibovespa. Mais do que os números absolutos, o mercado buscará indicações sobre margens, endividamento, qualidade do crédito, geração de caixa e projeções para o restante de 2026.

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