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Tenda (TEND3): ação favorita do BTG pode subir até 43% e ganha destaque na bolsa

por João Souza
18/03/2026 às 15h09
em Negócios
Tenda (Tend3): Ação Favorita Do Btg Pode Subir Até 43% E Ganha Destaque Na Bolsa - Gazeta Mercantil

Tenda (TEND3) ganha protagonismo no mercado e pode subir até 43%, aponta BTG Pactual

A Tenda (TEND3) voltou ao radar dos investidores institucionais e passou a ocupar posição de destaque entre as recomendações do mercado financeiro brasileiro. Em relatório recente, o BTG Pactual reiterou sua visão otimista sobre a construtora, classificando a companhia como sua principal escolha entre as empresas voltadas ao segmento de habitação popular. A análise indica um potencial de valorização de até 43% para os papéis nos próximos 12 meses, sustentado por uma combinação de melhora operacional, avanço de margens e ambiente macroeconômico mais favorável.

O preço-alvo estipulado pelo banco é de R$ 44, significativamente acima da cotação atual, que gira em torno de R$ 31. A trajetória recente da ação reforça o otimismo: somente em 2026, a Tenda (TEND3) já acumula alta superior a 30%, enquanto no horizonte de 12 meses o avanço ultrapassa 120%, refletindo uma reprecificação relevante após anos de dificuldades.

Leia também: Transformando Ideias em Ação com Planejamento Online.

Reestruturação marca nova fase da Tenda (TEND3)

A recuperação da Tenda (TEND3) não ocorreu de forma abrupta, mas sim como resultado de um processo estruturado de turnaround. Entre 2021 e 2022, a construtora enfrentou um dos períodos mais desafiadores de sua história recente, impactada principalmente pela escalada dos custos de insumos durante a pandemia de covid-19.

O aumento expressivo nos preços de materiais como aço, cimento e alumínio pressionou fortemente as margens da companhia. Com atuação concentrada nas faixas de menor renda, a Tenda (TEND3) teve dificuldades para repassar os custos aos consumidores, devido às limitações impostas pelos programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que estabelece tetos para os preços dos imóveis.

Esse cenário resultou em margens negativas, deterioração da rentabilidade e perda de confiança por parte dos investidores. A percepção de risco aumentou significativamente, refletindo-se no desempenho das ações.

No entanto, a partir de 2022, a empresa iniciou uma virada consistente. Mudanças no ambiente regulatório e ajustes internos permitiram que a Tenda (TEND3) retomasse gradualmente sua capacidade de geração de valor.

Ambiente favorável impulsiona recuperação da Tenda (TEND3)

Um dos principais vetores para a retomada da Tenda (TEND3) foi a reformulação do programa Minha Casa, Minha Vida. A ampliação de subsídios e a melhoria nas condições de financiamento criaram um ambiente mais propício para o setor de habitação popular.

Com isso, a construtora conseguiu recompor preços, melhorar suas margens e equilibrar a relação entre custos e receitas. Paralelamente, a estabilização dos preços de insumos contribuiu para reduzir a pressão sobre os resultados.

Esse novo cenário permitiu à Tenda (TEND3) alinhar sua operação aos níveis de eficiência observados em concorrentes, marcando uma transição importante de uma empresa em crise para uma operação estruturalmente mais saudável.

Eficiência operacional redefine modelo de negócios

Outro fator determinante para a valorização da Tenda (TEND3) foi a adoção de melhorias significativas em sua execução operacional. Entre as principais iniciativas está o modelo construtivo baseado em formas de alumínio, que representa uma abordagem mais industrializada da construção civil.

Nesse sistema, estruturas são moldadas previamente e preenchidas com concreto, permitindo maior padronização, redução de desperdícios e aumento da produtividade. A consequência direta é a diminuição da dependência de mão de obra intensiva.

Atualmente, a mão de obra representa cerca de 33% dos custos da Tenda (TEND3), abaixo dos aproximadamente 45% observados em métodos tradicionais, como a alvenaria estrutural. Essa diferença confere à companhia uma vantagem competitiva relevante em termos de eficiência e controle de custos.

Além disso, o modelo industrializado contribui para acelerar o ritmo das obras, reduzir prazos de entrega e melhorar a previsibilidade dos projetos, fatores altamente valorizados pelo mercado.

Rentabilidade e geração de caixa reforçam tese de investimento

A evolução dos indicadores financeiros da Tenda (TEND3) também sustenta a visão positiva do BTG Pactual. A companhia encerrou 2025 com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 35%, um patamar considerado elevado para o setor.

A geração de caixa voltou a ser positiva, enquanto a alavancagem foi significativamente reduzida, afastando preocupações que anteriormente pesavam sobre a tese de investimento. Esse conjunto de fatores indica que a empresa não apenas superou um período crítico, mas também construiu bases sólidas para crescimento sustentável.

Na avaliação dos analistas, a Tenda (TEND3) está deixando para trás a fase de recuperação e entrando em um novo ciclo, caracterizado por maior estabilidade operacional e expansão de margens.

Alea surge como opcional de valorização adicional

Além do negócio principal, a Tenda (TEND3) conta com um ativo estratégico que pode representar valor adicional: a Alea, unidade de construção industrializada do grupo.

Embora ainda opere com prejuízos, a Alea é vista como uma potencial alavanca de crescimento no médio prazo. O mercado, segundo o BTG, ainda atribui pouco valor a essa operação, o que pode abrir espaço para revisões positivas caso a unidade alcance maior eficiência.

Em 2025, a Alea enfrentou desafios, incluindo dificuldades na formação de banco de terrenos e controle de custos. No entanto, a Tenda (TEND3) implementou mudanças relevantes, como a concentração das operações em regiões estratégicas — Ribeirão Preto, Bauru e Campinas — e o aumento da produção interna.

Essas medidas já começam a apresentar resultados. A queima de caixa no quarto trimestre de 2025 foi reduzida em relação aos períodos anteriores, sinalizando melhora operacional.

A expectativa é que a unidade atinja o ponto de equilíbrio em 2027, o que pode representar um catalisador importante para a valorização da Tenda (TEND3).

Desempenho na bolsa reflete mudança de percepção

O comportamento das ações da Tenda (TEND3) na B3 evidencia a mudança de percepção do mercado. Após um período de forte desvalorização, os papéis passaram por um movimento de recuperação consistente, impulsionado por resultados mais robustos e revisão das expectativas.

O avanço de mais de 120% em 12 meses não apenas recupera parte das perdas anteriores, mas também sinaliza que investidores voltaram a enxergar valor na companhia.

A manutenção da recomendação de compra pelo BTG Pactual reforça essa leitura, indicando que ainda há espaço para valorização adicional, especialmente considerando o potencial de expansão das margens e a consolidação da nova fase operacional.

Riscos e desafios no radar

Apesar do cenário positivo, a tese de investimento na Tenda (TEND3) não está isenta de riscos. O segmento de habitação popular permanece sensível a fatores macroeconômicos, como taxa de juros, inflação e políticas públicas.

Mudanças nas regras do Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, podem impactar diretamente a demanda e a capacidade de precificação da empresa. Além disso, a execução da estratégia da Alea ainda representa um ponto de atenção.

A sustentabilidade da recuperação também dependerá da capacidade da Tenda (TEND3) de manter disciplina operacional, controlar custos e preservar a geração de caixa em um ambiente que pode se tornar mais desafiador.

Mercado imobiliário e perspectivas para 2026

O desempenho da Tenda (TEND3) está diretamente ligado às perspectivas do mercado imobiliário brasileiro, especialmente no segmento de baixa renda. A expectativa para 2026 é de continuidade da demanda, sustentada por políticas habitacionais e necessidade estrutural de moradia.

A redução gradual das taxas de juros, caso confirmada, tende a beneficiar o setor, ampliando o acesso ao crédito e impulsionando lançamentos e vendas.

Nesse contexto, a Tenda (TEND3) se posiciona como uma das principais beneficiárias, devido à sua atuação focada e modelo operacional mais eficiente.

BTG reforça confiança e mantém Tenda (TEND3) como top pick

A decisão do BTG Pactual de manter a Tenda (TEND3) como sua principal escolha entre as construtoras reflete um alto grau de confiança na trajetória da companhia.

Para os analistas, a empresa reúne características que a tornam uma oportunidade atrativa, incluindo valuation ainda descontado, potencial de crescimento e melhora consistente dos fundamentos.

A combinação de fatores operacionais, financeiros e macroeconômicos cria um cenário em que a Tenda (TEND3) pode continuar entregando desempenho acima da média, consolidando sua posição como uma das principais histórias de recuperação do mercado brasileiro.

Virada estrutural coloca Tenda (TEND3) entre os destaques da bolsa

A transformação vivida pela Tenda (TEND3) ao longo dos últimos anos ilustra a capacidade de adaptação e resiliência de empresas inseridas em setores desafiadores. A passagem de um cenário de crise para uma fase de crescimento estruturado reposiciona a companhia no radar de investidores.

Com fundamentos mais sólidos, operação mais eficiente e perspectivas favoráveis, a Tenda (TEND3) emerge como um dos ativos mais relevantes no segmento imobiliário da bolsa brasileira, com potencial de continuar gerando valor no médio e longo prazo.

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