As ações da Usiminas (USIM5) e da Braskem (BRKM5) caminham para encerrar maio entre os principais destaques positivos do Ibovespa, em um mês marcado por queda ampla da Bolsa brasileira, realização de lucros e maior seletividade dos investidores. Até o começo da tarde desta sexta-feira (29), os papéis da Usiminas (USIM5) acumulavam alta de 30,2% no mês, enquanto Braskem (BRKM5) subia 12,9%, na contramão do Ibovespa, que recuava 6,4% no mesmo período.
O desempenho chama atenção porque ocorre em um ambiente menos favorável para a renda variável doméstica. Depois de uma sequência de valorização no início de 2026, parte relevante das ações brasileiras passou por correção em maio, refletindo realização de ganhos, cautela externa e perda de força compradora em setores sensíveis ao ciclo econômico.
No acumulado do ano, o movimento é ainda mais expressivo. Usiminas (USIM5) avança 79,2% em 2026, enquanto Braskem (BRKM5) acumula valorização de 38,4%. A força relativa dos dois papéis colocou siderurgia e petroquímica entre os poucos segmentos com desempenho positivo em meio à deterioração do índice no mês.
A dúvida do mercado, agora, é se a tendência de alta ainda encontra espaço para continuidade em junho ou se os ativos podem entrar em uma fase mais intensa de realização, após a forte valorização recente.
Usiminas sustenta alta no ano e se aproxima de resistência relevante
A Usiminas (USIM5) aparece como um dos ativos de maior força relativa do Ibovespa em 2026. No pregão desta sexta-feira, as ações subiam 0,56%, negociadas a R$ 10,71, mantendo trajetória positiva e caminhando para a sexta semana consecutiva de valorização.
Pela leitura técnica do gráfico semanal, o papel segue acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. Esse comportamento costuma indicar preservação de uma tendência de alta no médio prazo, especialmente quando o ativo mantém topos e fundos ascendentes e não devolve suportes relevantes após movimentos de valorização.
O ponto de atenção está no Índice de Força Relativa de 14 períodos, conhecido como IFR. O indicador marcava 86,38 pontos, patamar considerado de sobrecompra. Na prática, isso não significa necessariamente reversão imediata, mas indica que o ativo já opera em nível esticado e pode passar por movimentos de realização, acomodação ou consolidação antes de tentar novas máximas.
Para investidores, esse tipo de configuração exige atenção ao gerenciamento de risco. A manutenção da tendência depende da capacidade do papel de sustentar regiões de suporte e, ao mesmo tempo, romper resistências sem perda relevante de volume comprador.
Suportes em R$ 8,80 e R$ 7,31 viram referência para USIM5
No caso da Usiminas (USIM5), os suportes mais observados estão em R$ 8,80 e R$ 7,31. Enquanto essas regiões forem preservadas, a estrutura técnica segue mais favorável para continuidade da tendência de alta no médio prazo.
A perda desses patamares, porém, poderia alterar a leitura do mercado. Abaixo de R$ 7,31, os próximos suportes aparecem em R$ 6,70, R$ 6,00, R$ 5,15 e R$ 4,21. Esses níveis funcionam como possíveis zonas de defesa compradora em caso de correção mais forte.
Do lado das resistências, a faixa de R$ 10,89 é o primeiro obstáculo relevante. Um rompimento consistente acima desse nível poderia abrir espaço para busca de novas regiões de preço, com alvos técnicos em R$ 12,89, R$ 15,36, R$ 18,32 e, posteriormente, R$ 19,90.
A valorização acumulada de Usiminas (USIM5) também reflete a melhora da percepção de curto prazo sobre ativos que estavam descontados na Bolsa. Ainda assim, o setor siderúrgico segue exposto a variáveis relevantes, como demanda por aço, atividade industrial, concorrência internacional, custos de insumos e comportamento do mercado chinês.
Braskem mantém recuperação, mas perde força no curto prazo
A Braskem (BRKM5) também se destaca entre as maiores altas do Ibovespa em maio, embora com sinais mais claros de perda de força no curto prazo. As ações recuavam 4% nesta sexta-feira, negociadas a R$ 10,68, em movimento de realização após a valorização acumulada no mês e no ano.
No gráfico semanal, Braskem (BRKM5) segue acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, o que preserva a tendência positiva no médio prazo. O ativo, porém, já caminha para a segunda semana consecutiva de baixa, sinalizando que parte dos investidores começou a embolsar ganhos depois da recuperação recente.
O IFR de 14 períodos marcava 57,24 pontos, região considerada neutra. Diferentemente de Usiminas (USIM5), que opera em sobrecompra, Braskem (BRKM5) ainda não mostra um nível extremo pelo indicador. Mesmo assim, a perda de tração no curto prazo coloca a região de suporte no centro da avaliação do mercado.
A principal faixa de defesa para Braskem (BRKM5) está em R$ 9,80. Caso esse nível seja perdido, o papel pode ampliar a correção em direção aos suportes de R$ 8,09, R$ 7,25, R$ 6,11 e R$ 4,87.
Resistências em R$ 12,52 e R$ 13,78 limitam avanço de BRKM5
Para retomar maior força compradora, Braskem (BRKM5) precisa superar as resistências em R$ 12,52 e R$ 13,78. Um rompimento dessas faixas poderia indicar retomada mais consistente do fluxo positivo e abrir espaço para busca dos alvos técnicos em R$ 15,74, R$ 17,42, R$ 21,00 e R$ 23,45.
O avanço de Braskem (BRKM5) no ano ocorre em meio a um cenário de recuperação de ativos que sofreram forte pressão em períodos anteriores. A companhia segue observada de perto pelo mercado em razão de sua estrutura financeira, exposição ao ciclo petroquímico, condições globais de demanda e margens do setor.
Para o investidor, o desempenho recente não elimina riscos. A ação continua sujeita a forte volatilidade, especialmente porque o setor petroquímico é sensível ao preço de matérias-primas, câmbio, condições de crédito, dinâmica internacional de oferta e demanda e expectativas sobre a economia global.
A leitura técnica, portanto, mostra um ativo ainda construtivo no médio prazo, mas em fase que exige confirmação. A manutenção acima de R$ 9,80 preserva a tese de recuperação. A perda desse suporte, por outro lado, pode ampliar a pressão vendedora.
Ibovespa tem mês de correção e reduz apetite por risco
O desempenho de Usiminas (USIM5) e Braskem (BRKM5) se torna mais relevante porque ocorre em um mês negativo para o Ibovespa. O principal índice da Bolsa brasileira acumula queda de 6,4% em maio, em movimento de ajuste após a valorização registrada nos primeiros meses do ano.
A correção foi influenciada por um conjunto de fatores. Entre eles, estão a realização de lucros em papéis que já haviam subido de forma expressiva, a maior cautela dos investidores diante do ambiente externo e a redução do fluxo comprador em setores ligados à economia doméstica.
Esse quadro tornou o mercado mais seletivo. Em vez de uma alta disseminada, como ocorreu em alguns momentos anteriores de 2026, maio mostrou concentração de ganhos em poucos ativos. A maior parte das ações do Ibovespa opera no campo negativo, o que reforça a leitura de um mês defensivo para a Bolsa.
A seletividade também aumenta a importância da análise de setores e empresas. Em momentos de correção ampla, papéis que conseguem sustentar ganhos tendem a atrair atenção porque indicam força relativa. Ainda assim, esse movimento pode ser temporário caso o fluxo comprador não se mantenha.
Apenas 18 ações do índice sobem em maio
A distribuição de desempenho dentro do Ibovespa reforça a deterioração do mercado em maio. Dos ativos acompanhados no índice, apenas 18 registravam alta no mês, enquanto 61 operavam em queda.
O dado mostra que a valorização de Usiminas (USIM5) e Braskem (BRKM5) não reflete um movimento amplo da Bolsa, mas uma reação concentrada em papéis específicos. Essa concentração torna o ambiente mais difícil para investidores que buscam exposição generalizada ao índice.
Na ponta negativa, as maiores quedas aparecem em ações ligadas ao consumo, empresas alavancadas e companhias mais sensíveis ao cenário doméstico. Cosan (CSAN3) recuava 24,90% em maio, seguida por Magazine Luiza (MGLU3), com queda de 23,88%, e Vamos (VAMO3), com baixa de 19,74%.
Também figuravam entre os piores desempenhos as ações da Axia (AXIA6), com desvalorização de 16,29%, e da Axia (AXIA3), com recuo de 16,08%. O comportamento reforça a cautela com empresas mais expostas a juros, crédito, consumo e percepção de risco.
A diferença entre os poucos papéis em alta e a maioria em queda mostra que o Ibovespa entrou em maio em um processo de correção interna. Mesmo com alguns ativos ainda preservando tendência positiva, o índice perdeu força como conjunto.
Movimento de junho dependerá de fluxo comprador e suportes técnicos
A continuidade da alta de Usiminas (USIM5) e Braskem (BRKM5) em junho dependerá de dois fatores principais: a manutenção dos suportes técnicos e a retomada do fluxo comprador na Bolsa brasileira.
No caso de Usiminas (USIM5), o mercado acompanha a capacidade do papel de romper R$ 10,89 sem intensificar a sobrecompra. Já em Braskem (BRKM5), a atenção está na defesa de R$ 9,80 e na eventual retomada acima das resistências de R$ 12,52 e R$ 13,78.
A forte valorização recente aumenta o risco de realização, especialmente em um ambiente no qual o Ibovespa ainda mostra fragilidade. Ao mesmo tempo, a preservação das médias móveis e de suportes relevantes mantém a leitura técnica positiva no médio prazo.
Para o investidor, o cenário exige seleção criteriosa. A alta expressiva dos dois papéis em maio mostra força relativa, mas também reduz a margem de segurança para entradas tardias. A confirmação da tendência dependerá de novos sinais de compra, volume e sustentação dos preços nas próximas semanas.
Alta de Usiminas e Braskem expõe Bolsa mais seletiva no fim de maio
A disparada de Usiminas (USIM5) e Braskem (BRKM5) em maio revela uma Bolsa brasileira mais fragmentada, na qual poucos ativos conseguem se destacar enquanto o Ibovespa passa por correção. O desempenho das duas ações reforça a atenção do mercado para papéis com força técnica, mas também amplia a cautela diante da possibilidade de realização após ganhos expressivos.
Em junho, o comportamento dos suportes e resistências será determinante para indicar se a recuperação continuará ou se os ativos entrarão em uma fase de ajuste mais prolongada. Por ora, Usiminas (USIM5) e Braskem (BRKM5) encerram maio como exemplos de força relativa em um mercado que perdeu amplitude e passou a exigir maior disciplina dos investidores.








