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Vulcabras (VULC3) aprova recompra de até 15 milhões de ações até 2028

Programa equivale a 13,56% das ações em circulação; ata oficial, porém, traz divergência em anexo sobre o limite de papéis que poderão ser adquiridos

por João Souza
07/08/2026 às 13h09
em Empresas
Vulcabras (Vulc3) Aprova Recompra De Até 15 Milhões De Ações Até 2028 - Gazeta Mercantil

A Vulcabras (VULC3) aprovou um novo programa de recompra que autoriza a aquisição de até 15 milhões de ações ordinárias ao longo de 18 meses, com prazo até 4 de fevereiro de 2028. O limite corresponde a aproximadamente 13,56% das 110,6 milhões de ações atualmente em circulação e reforça a estratégia de utilização da estrutura de capital para remuneração e geração de valor aos acionistas.

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A decisão foi tomada pelo conselho de administração em reunião realizada em 4 de agosto, que também encerrou antecipadamente o programa de recompra aprovado em março de 2025. A companhia manterá em tesouraria 3.869.249 ações acumuladas até agora, equivalentes a cerca de 1,2% de seu capital total.

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As compras poderão ser realizadas na B3 a preços de mercado e serão intermediadas pela XP Investimentos e pelo BTG Pactual. A diretoria terá liberdade para definir quando comprar e qual quantidade adquirir dentro do prazo, dos recursos disponíveis e das restrições previstas na regulamentação.

A aprovação não significa, portanto, que a Vulcabras necessariamente comprará os 15 milhões de papéis. O conselho estabeleceu um teto para o programa, enquanto a execução efetiva dependerá da situação financeira, das condições de mercado e das decisões da administração durante os próximos 18 meses.

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Programa equivale a 13,56% do free float

A Vulcabras possui capital social composto por 317.982.170 ações ordinárias. Desse total, 110.618.680 papéis, ou 34,8%, integram o free float, enquanto 3.869.249 ações estão atualmente em tesouraria.

O limite de 15 milhões aprovado pelo conselho corresponde a 13,56% do número de ações em circulação utilizado pela companhia como base para o novo programa. A participação não deve ser confundida com o capital total da Vulcabras: em relação às 317,98 milhões de ações emitidas, o teto autorizado representa uma parcela menor.

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Segundo a ata do conselho, a recompra tem múltiplas finalidades. A empresa poderá manter os papéis em tesouraria, cancelá-los posteriormente, vendê-los novamente no mercado, utilizá-los em programas de remuneração baseada em ações ou empregá-los no pagamento de parcelas de preço em futuras operações societárias.

A administração também afirmou que considera a cotação de mercado da companhia inferior ao valor que atribui aos ativos, à capacidade de geração de resultados e às perspectivas de rentabilidade. Essa é uma avaliação da própria Vulcabras e não constitui garantia de valorização futura das ações.

Para o acionista, o efeito econômico de uma recompra depende da destinação dos papéis. Se houver cancelamento, o número de ações emitidas é reduzido e cada papel remanescente passa a representar uma participação proporcionalmente maior na companhia. Caso os papéis permaneçam em tesouraria, eles ficam sujeitos às regras específicas da CVM e podem posteriormente receber outra destinação.

Anexo da ata apresenta divergência sobre quantidade

A análise dos documentos oficiais revelou uma inconsistência no material divulgado pela própria Vulcabras. A deliberação principal da ata do conselho estabelece de forma expressa um limite de 15 milhões de ações, equivalente a aproximadamente 13,56% das 110.618.680 ações em circulação.

O Anexo G incorporado à mesma ata, porém, registra no item referente à quantidade autorizada que poderão ser recompradas até 10 milhões de ações. Apesar disso, o próprio anexo mantém a informação de que o volume representaria 13,56% das ações em circulação.

Os dois números não são matematicamente compatíveis. Dez milhões de ações equivalem a aproximadamente 9,04% das 110,6 milhões de ações em circulação. Já 15 milhões correspondem, efetivamente, a cerca de 13,56%.

A deliberação principal do conselho, que contém a decisão formal, aponta 15 milhões. O percentual informado tanto na decisão quanto no anexo também é compatível com esse limite. Por essa razão, a referência de 15 milhões é a que encontra suporte simultâneo na quantidade estabelecida pelo conselho e no percentual divulgado.

Até a conclusão desta apuração, não foi localizada nos documentos oficiais consultados uma retificação do Anexo G esclarecendo a divergência. O erro documental não altera a necessidade de a companhia respeitar os limites da legislação e da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários na execução das compras.

CVM limita volume mantido em tesouraria

A Resolução CVM nº 77 estabelece que companhias abertas não podem manter em tesouraria quantidade superior a 10% de cada espécie ou classe de ações em circulação no mercado, ressalvadas as hipóteses previstas na norma.

O próprio Anexo G da Vulcabras reconhece expressamente essa limitação ao informar que a recompra destinada à manutenção em tesouraria observará o artigo 9º da resolução. Isso significa que o teto global do programa e o máximo que pode permanecer simultaneamente em tesouraria são conceitos diferentes.

A companhia pode, ao longo dos 18 meses, adquirir papéis e dar diferentes destinações a eles, inclusive cancelamento, alienação, utilização em programas de remuneração ou operações societárias. A execução deve ser ajustada para que o saldo mantido em tesouraria permaneça enquadrado na regulamentação.

As ações em tesouraria também não possuem os mesmos direitos dos papéis em circulação. Pela regulamentação da CVM, enquanto estiverem nessa condição, não têm direito a voto nem a proventos pagos em dinheiro.

Na prática, a recompra transfere recursos do caixa ou das reservas disponíveis da empresa para a aquisição de ações próprias. Por isso, a CVM exige que a administração avalie previamente a capacidade financeira da companhia e a preservação dos recursos necessários ao cumprimento de obrigações.

Reservas de lucros financiarão as compras

A Vulcabras informou que as aquisições serão suportadas pela conta de reservas de lucros, respeitadas as exceções previstas na Resolução CVM nº 77. O volume efetivamente recomprado dependerá da existência desses recursos no momento de cada operação.

O conselho declarou considerar a situação financeira e a estrutura de capital compatíveis com o programa. Segundo a ata, a avaliação levou em conta os compromissos com credores, o caixa e equivalentes, as aplicações financeiras e a geração de caixa esperada ao longo dos 18 meses.

Os administradores também registraram que, em sua avaliação, a recompra não deverá prejudicar o pagamento do dividendo obrigatório. A afirmação representa a conclusão formal do conselho com base na situação conhecida no momento da aprovação e não elimina a possibilidade de mudanças posteriores no caixa ou nas condições de mercado.

A companhia não definiu previamente um preço máximo para todo o programa. Como as operações ocorrerão em bolsa, as compras serão feitas aos preços de mercado vigentes em cada momento escolhido pela administração.

Esse desenho também impede calcular antecipadamente quanto a Vulcabras efetivamente desembolsará. O custo final dependerá da quantidade comprada e da cotação dos papéis em cada operação.

Receita se aproxima de R$ 1 bilhão no 2T26

A autorização da recompra ocorreu na mesma reunião em que o conselho aprovou as demonstrações financeiras do segundo trimestre de 2026. O período terminou com receita líquida de R$ 994,8 milhões, crescimento de 11,2% sobre o segundo trimestre de 2025.

O volume vendido alcançou aproximadamente 8,8 milhões de pares e peças, aumento de 3,7% em 12 meses. O crescimento da receita acima do avanço físico das vendas indica maior faturamento médio por unidade e mudança favorável na composição comercial.

O Ebitda recorrente atingiu R$ 208,6 milhões, alta anual de 9,3%. A margem Ebitda recorrente ficou em aproximadamente 21%, ligeiramente abaixo do nível registrado um ano antes.

O lucro líquido recorrente foi de R$ 143,7 milhões, praticamente estável na comparação anual. Pelo critério recorrente utilizado pela companhia, houve uma pequena redução, apesar do avanço de dois dígitos da receita e do aumento do resultado operacional.

A diferença mostra que o crescimento das vendas não chegou integralmente ao lucro líquido. Custos financeiros e outros itens abaixo do resultado operacional continuaram interferindo na conversão do Ebitda em resultado final.

Calçados esportivos concentram crescimento

O principal negócio da Vulcabras continua concentrado em calçados esportivos. A companhia reúne marcas como Olympikus e opera Mizuno e Under Armour no mercado brasileiro.

No segundo trimestre, o crescimento das vendas ocorreu com maior contribuição do mercado doméstico, enquanto as exportações continuaram representando uma parcela reduzida do faturamento consolidado.

A estratégia de produto é particularmente relevante para a rentabilidade porque a Vulcabras opera de forma verticalizada, com produção própria e exposição direta aos custos de mão de obra, matérias-primas e componentes utilizados nos calçados.

Ao mesmo tempo, a companhia concorre por participação em um mercado disputado por grandes marcas internacionais e por empresas que utilizam modelos de importação, produção terceirizada ou distribuição exclusiva.

A capacidade de elevar receita acima do crescimento de volumes ajuda a compensar parte das pressões de custos, mas a evolução das margens mostra que preço e mix não eliminam integralmente os efeitos financeiros e operacionais.

Conselho também autoriza garantias de até R$ 179 milhões

Na mesma reunião que aprovou o programa de recompra, o conselho autorizou a Vulcabras a prestar garantias em financiamentos de suas operações industriais no Nordeste no valor total de até R$ 179 milhões.

Desse montante, até R$ 99 milhões poderão garantir uma operação da Vulcabras CE junto ao Banco do Nordeste. Outros R$ 80 milhões estão relacionados a financiamento da Vulcabras BA. Os contratos poderão ter prazo de até 144 meses.

A aprovação simultânea das garantias e da recompra torna relevante a declaração formal do conselho de que a companhia possui capacidade para executar o programa sem comprometer obrigações financeiras.

A recompra não tem cronograma obrigatório de desembolso e pode ser calibrada de acordo com a liquidez, a geração de caixa e as condições de mercado. Essa flexibilidade permite à administração reduzir, acelerar ou simplesmente não realizar determinadas aquisições dentro do limite autorizado.

Programa poderá permanecer aberto até fevereiro de 2028

O programa anterior havia sido aprovado em 11 de março de 2025 e foi encerrado pelo conselho antes de seu prazo originalmente previsto. Os 3.869.249 papéis atualmente existentes em tesouraria serão mantidos pela companhia.

O novo plano passou a vigorar imediatamente em 4 de agosto. A data final para as aquisições é 4 de fevereiro de 2028. A diretoria decidirá a oportunidade e a quantidade de cada operação, observando o teto aprovado e a regulamentação.

Até lá, a evolução do caixa, da dívida, dos resultados operacionais e da cotação de VULC3 determinará quanto do limite será efetivamente utilizado. O ponto formalmente definido neste momento é a autorização do conselho para comprar até 15 milhões de ações — ressalvada a divergência de 10 milhões existente no Anexo G — e não uma obrigação de execução integral do programa.

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