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WEG (WEGE3) lucra R$ 1,56 bilhão no 2T26; avanço no exterior compensa fraqueza da energia solar

Receita externa cresceu 14,7% em dólares, enquanto câmbio, custos do cobre e menor entrega de projetos solares pressionaram o balanço.

por João Souza
22/07/2026 às 09h28
em Empresas
Weg (Wege3) Lucra R$ 1,56 Bilhão No 2T26; Avanço No Exterior Compensa Fraqueza Da Energia Solar - Gazeta Mercantil - Empresas

A WEG (WEGE3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,56 bilhão, queda de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado e avanço de 7% sobre os três primeiros meses deste ano. O resultado refletiu uma operação internacional ainda aquecida, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, mas pressionada na conversão para reais pela valorização da moeda brasileira e, no mercado doméstico, pela redução das entregas de grandes projetos de geração solar.

A receita operacional líquida alcançou R$ 10,14 bilhões entre abril e junho. O valor ficou praticamente estável na comparação anual, com recuo de 0,6%, embora tenha crescido 7,1% diante do primeiro trimestre. O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 2,21 bilhões, também 2,1% abaixo do segundo trimestre de 2025.

A margem Ebitda permaneceu elevada, em 21,8%, mas perdeu 0,3 ponto percentual em um ano e 0,4 ponto em relação ao trimestre imediatamente anterior. A acomodação foi atribuída principalmente à alta de matérias-primas, com destaque para o cobre, ao impacto das tarifas de importação nos Estados Unidos e ao aumento das despesas com pessoal associado à expansão da capacidade produtiva.

O balanço apresenta uma WEG em transição entre dois movimentos. A companhia preserva rentabilidade e retorno sobre o capital acima da média da indústria, ao mesmo tempo em que amplia fábricas, absorve aquisições e ajusta sua carteira à desaceleração de determinados negócios de energia renovável no Brasil.

No exterior, a demanda continua avançando.

Crescimento internacional fica escondido pela valorização do real

As operações fora do Brasil geraram receita de R$ 6,17 bilhões no segundo trimestre, alta de 2,3% na comparação anual. Quando medida em dólares, porém, a expansão foi muito mais forte: as vendas externas chegaram a US$ 1,22 bilhão, crescimento de 14,7% sobre o mesmo período de 2025.

A diferença entre os dois números decorre principalmente do câmbio. A cotação média do dólar considerada pela WEG caiu de R$ 5,67 no segundo trimestre do ano passado para R$ 5,05 neste ano. A valorização de 10,9% do real reduziu o valor contábil das receitas obtidas no exterior quando convertidas para a moeda brasileira.

Nas moedas locais e sem os efeitos da consolidação de empresas adquiridas, a receita externa cresceu 11,8%. Esse indicador mostra que a atividade comercial continuou avançando nas regiões em que a companhia atua, embora parte desse crescimento tenha desaparecido na apresentação consolidada do balanço.

A América do Norte permaneceu como o principal mercado internacional da WEG. A região respondeu por US$ 613,8 milhões em vendas, alta anual de 20%, e representou pouco mais da metade da receita externa do trimestre.

Na Europa, o faturamento cresceu 16,3%, para US$ 294,8 milhões. A região da Ásia-Pacífico avançou 7,1%, para US$ 149,5 milhões. América do Sul e Central e África apresentaram crescimento mais moderado.

O desempenho internacional foi favorecido pela demanda por motores, equipamentos para óleo e gás, sistemas de ventilação e refrigeração, transformadores e soluções ligadas à infraestrutura elétrica.

Os data centers ganharam espaço nessa composição.

Data centers ampliam demanda por motores e geração de reserva

A expansão da infraestrutura digital apareceu em duas frentes do balanço. A WEG registrou demanda por equipamentos de ventilação e refrigeração utilizados em centros de processamento de dados e também por geradores destinados ao fornecimento de energia de reserva dessas instalações.

Data centers operam com exigência elevada de disponibilidade elétrica e controle térmico. A expansão da capacidade computacional, impulsionada por serviços em nuvem e aplicações intensivas em processamento, aumenta a procura por sistemas redundantes de energia, automação, motores e refrigeração.

No mercado externo, a área de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais faturou R$ 3,54 bilhões, crescimento de 1,9% em reais. A companhia destacou a continuidade da demanda nos Estados Unidos e na Europa, sobretudo nos segmentos de óleo e gás e nas soluções destinadas a data centers.

A operação americana da Marathon, fabricante de geradores incorporada ao grupo, também apresentou desempenho positivo. Parte relevante das vendas foi direcionada a equipamentos de geração de emergência para centros de dados.

O movimento reforça a diversificação da WEG para além de motores elétricos tradicionais. A empresa combina equipamentos industriais, automação, geração, transmissão e distribuição em projetos que exigem soluções integradas.

No Brasil, a atividade industrial também melhorou.

A receita doméstica de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais cresceu 16,5% em um ano, para R$ 1,67 bilhão. Houve avanço tanto nos produtos de ciclo curto, como motores de baixa tensão e redutores, quanto nos equipamentos fabricados sob encomenda, incluindo motores de alta tensão e painéis de automação.

A indústria de papel e celulose esteve entre os destaques. A entrada de novos pedidos para equipamentos de ciclo longo permaneceu saudável, mantendo uma carteira que deverá ser convertida em receita ao longo dos próximos trimestres.

Energia solar concentra a queda no mercado brasileiro

Apesar da melhora da atividade industrial, a receita total da WEG no Brasil caiu 4,9%, para R$ 3,97 bilhões. A retração esteve concentrada na área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia.

O faturamento doméstico desse segmento recuou 22,9%, para R$ 1,6 bilhão. O principal motivo foi a ausência de novos projetos de geração solar centralizada em 2026, que reduziu o volume de entregas em comparação com o ano anterior.

A geração solar centralizada envolve usinas de maior porte conectadas ao sistema elétrico. Esses projetos geram receitas relevantes, mas são reconhecidos conforme o cronograma de fabricação e entrega dos equipamentos, o que pode provocar oscilações expressivas entre os trimestres.

A menor participação das grandes usinas não significou paralisação do negócio de energia. A demanda por geração solar distribuída foi mantida, enquanto transformadores, subestações e equipamentos associados aos leilões de transmissão continuaram contribuindo para a receita.

A carteira também inclui compensadores síncronos, geradores e transformadores destinados à expansão e à estabilidade da rede elétrica.

No mercado externo, a divisão de Geração, Transmissão e Distribuição seguiu em direção oposta à observada no Brasil. A receita cresceu 5,8%, para R$ 2,13 bilhões, sustentada pelas entregas de equipamentos para reforço da infraestrutura elétrica dos Estados Unidos e pelo desempenho dos negócios de geração.

A diferença entre os mercados evidencia uma mudança no vetor de crescimento. Enquanto a ausência de novos projetos solares reduziu o faturamento doméstico, a necessidade de modernização das redes elétricas americanas sustentou a expansão internacional.

Cobre e tarifas pressionam a margem bruta

O custo dos produtos vendidos ficou praticamente estável em R$ 6,77 bilhões. Ainda assim, a margem bruta recuou de 33,7% para 33,2% na comparação anual.

A pressão veio do aumento de determinadas matérias-primas, especialmente o cobre, e das tarifas de importação nos Estados Unidos. O metal é um insumo essencial na fabricação de motores, transformadores, geradores e outros equipamentos elétricos, o que torna sua cotação relevante para a estrutura de custos da companhia.

A expansão industrial também elevou as despesas com pessoal antes que todas as novas capacidades alcancem utilização plena. Esse movimento é comum em ciclos de investimento: parte dos gastos aparece antes de a produção adicional gerar receita na mesma proporção.

As despesas de vendas, gerais e administrativas chegaram a R$ 1,26 bilhão, alta de 4,1% em um ano e de 6,4% sobre o primeiro trimestre. Como proporção da receita, passaram de 11,9% para 12,5%.

Mesmo com essas pressões, a WEG manteve a margem Ebitda próxima de 22%. A empresa atribuiu essa resistência ao mix de produtos, aos ganhos de produtividade e às iniciativas de eficiência operacional.

A comparação sequencial também mostra recuperação. A margem bruta aumentou 1,6 ponto percentual diante dos três primeiros meses do ano, enquanto o Ebitda cresceu 5,2%.

O segundo trimestre, portanto, não marcou uma deterioração abrupta da rentabilidade. O balanço aponta uma acomodação anual das margens dentro de um patamar ainda elevado.

Lucro volta a crescer na comparação trimestral

O lucro líquido de R$ 1,56 bilhão ficou cerca de R$ 33 milhões abaixo do resultado de um ano antes, mas superou em pouco mais de R$ 101 milhões o valor registrado entre janeiro e março.

A margem líquida alcançou 15,4%, estável na comparação trimestral e 0,2 ponto percentual abaixo do segundo trimestre de 2025. O lucro por ação foi de aproximadamente R$ 0,3715.

No primeiro semestre, a companhia acumulou lucro de R$ 3,02 bilhões, queda de 3,9% ante o mesmo intervalo do ano passado. A receita líquida dos seis primeiros meses somou R$ 19,61 bilhões, retração de 3,3%.

A composição geográfica explica boa parte desse resultado. A receita doméstica acumulada caiu 12,4%, para R$ 7,55 bilhões, pressionada principalmente pelo negócio de geração solar. As vendas externas cresceram 3,4% em reais e 15,4% em dólares.

A operação internacional, que respondeu por 60,8% da receita trimestral, tornou-se ainda mais importante para amortecer a desaceleração de determinadas linhas no Brasil.

Essa exposição, por outro lado, aumenta a sensibilidade dos demonstrativos à taxa de câmbio. Um real mais forte reduz o valor das vendas externas convertidas para a moeda brasileira, mesmo quando os volumes e as receitas em dólares continuam crescendo.

Retorno sobre capital avança durante ciclo de expansão

O retorno sobre o capital investido, calculado com base nos últimos 12 meses, atingiu 33,6%. O indicador avançou 0,7 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2025 e 0,5 ponto diante do início deste ano.

O resultado ganha relevância porque a WEG continua ampliando sua capacidade produtiva. Investimentos em novas fábricas aumentam o capital empregado antes de gerar todo o retorno esperado, o que normalmente pressiona o indicador durante a fase de implantação.

A companhia conseguiu compensar esse efeito com margens operacionais elevadas, controle do capital de giro e manutenção do lucro operacional após impostos.

No segundo trimestre, os investimentos somaram R$ 794,9 milhões. As operações brasileiras receberam 44,5% desse total, enquanto 55,5% foram destinados a fábricas e instalações no exterior.

No Brasil, os recursos financiaram a ampliação da capacidade de equipamentos de transmissão e distribuição, a modernização das fábricas de motores de baixa tensão e a expansão da produção de equipamentos de grande porte em Jaraguá do Sul.

No exterior, a companhia avançou nas fábricas de transformadores no México, na Colômbia e nos Estados Unidos, além de ampliar capacidade na China.

A distribuição do investimento acompanha a geografia atual do crescimento. Os mercados externos já respondem pela maior parcela da receita e continuam apresentando expansão de dois dígitos quando avaliados em dólares.

Caixa líquido sobe para R$ 3,74 bilhões

A WEG encerrou junho com R$ 8,81 bilhões em disponibilidades e aplicações financeiras. A dívida financeira bruta somava R$ 5,07 bilhões, resultando em caixa líquido de R$ 3,74 bilhões.

A posição melhorou em relação aos R$ 2,65 bilhões registrados no fim de 2025 e aos R$ 3,04 bilhões de junho do ano passado.

A geração de caixa operacional acumulada no primeiro semestre alcançou R$ 2,45 bilhões, acima dos R$ 1,97 bilhão apurados no mesmo período de 2025. O desempenho foi sustentado pelas margens operacionais e pelo controle da necessidade de capital de giro.

As atividades de investimento consumiram R$ 1,42 bilhão, incluindo expansão fabril, ativos intangíveis, aplicações e aquisições. Nas atividades de financiamento, houve captação líquida de R$ 628 milhões.

A estrutura financeira permite à WEG continuar investindo sem depender excessivamente de dívida. Também oferece proteção diante de um cenário marcado por volatilidade cambial, tarifas comerciais e oscilação das matérias-primas.

Em pesquisa, desenvolvimento e inovação, a companhia investiu R$ 736,2 milhões no primeiro semestre, equivalente a 3,8% da receita líquida do período.

Proventos mantêm remuneração ao acionista

O Conselho de Administração aprovou duas distribuições de juros sobre capital próprio em 2026. As deliberações de março e junho somam cerca de R$ 858,2 milhões, com pagamento previsto para março de 2027, sujeito às condições societárias estabelecidas pela companhia.

Além desses valores, a WEG pagará em agosto a primeira parcela dos dividendos extraordinários aprovados no fim de 2025. A etapa corresponde a R$ 1,73 bilhão, ou aproximadamente R$ 0,4128 por ação, destinada aos acionistas que estavam na base societária definida na aprovação.

A remuneração ocorre em paralelo ao ciclo de investimentos. Essa combinação — expansão fabril, caixa líquido e distribuição de recursos — depende da manutenção da elevada conversão operacional observada nos últimos anos.

Balanço mantém a tese de crescimento, mas eleva atenção sobre margens

O resultado do segundo trimestre preserva os principais fundamentos associados à WEG: presença internacional, diversificação industrial, retorno elevado sobre o capital e capacidade de investir com uma estrutura financeira sólida.

A desaceleração anual do lucro e da receita, contudo, mostra que a companhia não está imune ao ambiente econômico. A queda das entregas solares no Brasil retirou uma parcela importante do crescimento, enquanto o câmbio reduziu a tradução contábil do avanço internacional.

Os custos também ganharam peso. O cobre, as tarifas americanas e o aumento antecipado da estrutura produtiva limitaram a expansão das margens.

Para os investidores de WEGE3, o ponto central dos próximos trimestres será a capacidade de transformar a carteira internacional em crescimento consolidado, mesmo diante de um real mais valorizado. A evolução das encomendas de transformadores, motores de alta tensão, painéis de automação e equipamentos para data centers deverá orientar essa leitura.

A recuperação de projetos de energia no mercado brasileiro também será relevante. Sem novas entregas de geração solar centralizada, o crescimento doméstico continuará dependendo mais da atividade industrial e da expansão das redes de transmissão e distribuição.

A WEG entra no segundo semestre com demanda internacional robusta, margem Ebitda de 21,8%, retorno sobre capital de 33,6% e caixa líquido de R$ 3,74 bilhões. O balanço não aponta perda estrutural de competitividade, mas estabelece um teste mais exigente: fazer o crescimento em dólares aparecer também na receita, no lucro e na margem reportados em reais.

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