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WEG (WEGE3) no 4T25: margens surpreendem e mercado revisa projeções para 2026

por Alice Nascimento
26/02/2026 às 11h14
em Negócios
Weg (Wege3) No 4T25: Margens Surpreendem E Mercado Revisa Projeções Para 2026 - Gazeta Mercantil

WEG (WEGE3) supera “pior trimestre da década” no 4T25, preserva margens e reacende debate sobre preço da ação

Receita recua com câmbio e fim de projetos, mas rentabilidade surpreende; mercado revisa projeções para WEG (WEGE3) em meio a divergências sobre 2026

A WEG (WEGE3) divulgou na quarta-feira (25) o balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), considerado por analistas como o “pior trimestre da década” sob a ótica de crescimento de receita. Ainda assim, a companhia conseguiu surpreender positivamente nas margens, preservando rentabilidade em nível superior ao projetado pelo mercado. O desempenho reorientou a discussão sobre o preço de WEG (WEGE3) no curto prazo e ampliou o debate sobre as estimativas para 2026.

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O Itaú BBA avaliou que o trimestre amplamente aguardado como ponto mais fraco do ciclo veio melhor do que o esperado, o que pode desencadear reação positiva nas ações WEG (WEGE3), especialmente após a recente performance inferior ao Ibovespa. A instituição manteve recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 50 para o fim do ano, praticamente em linha com a cotação de R$ 50,28 no fechamento do dia da divulgação.

A XP Investimentos adotou leitura mais conservadora e classificou o resultado como neutro, reiterando preço-alvo de R$ 46. Já a Genial Investimentos manteve recomendação de compra para WEG (WEGE3), com preço-alvo de R$ 62, embora reconheça ausência de catalisadores imediatos que sustentem reprecificação mais intensa no curto prazo.

Leia também: Nvidia (NVDC34) supera projeções com receita de US$ 81,6 bi e avanço de 85%.

O balanço, portanto, não altera a tese estrutural, mas reequilibra as expectativas em torno de crescimento e valuation.

Receita da WEG (WEGE3) recua no 4T25 com impacto de câmbio e fim de projetos

No consolidado, a WEG (WEGE3) registrou receita líquida de R$ 10,2 bilhões no 4T25, queda próxima de 5% na comparação anual com o 4T24. O resultado refletiu principalmente a valorização do real de 7,7% ano contra ano, a redução de contribuições inorgânicas e o encerramento de projetos relevantes nos segmentos de geração solar e eólica.

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A dinâmica cambial teve peso determinante. Embora a companhia tenha registrado crescimento em dólar em parte das operações externas, a conversão para reais reduziu o ritmo nominal da receita. Dado o grau de internacionalização da WEG (WEGE3), o impacto cambial tornou-se variável central na leitura do trimestre.

Segundo o Itaú BBA, o desempenho ficou alinhado às suas estimativas e próximo ao consenso de mercado. A XP Investimentos observou que a receita veio cerca de 2% abaixo de suas projeções, sobretudo por menores entregas no segmento de geração centralizada e efeitos cambiais adversos.

Ao desconsiderar aquisições recentes — como Volt, Reivax, Heresite e Tupi —, o recuo orgânico teria sido mais expressivo, o que reforça a percepção de desaceleração no curto prazo para WEG (WEGE3).

Mercado doméstico pressiona, exterior mostra resiliência

A principal pressão veio do mercado interno, especialmente no segmento de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD). A ausência de novos projetos solares e eólicos levou a retração significativa na receita doméstica da WEG (WEGE3) nesse segmento.

Por outro lado, o segmento de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) no Brasil apresentou crescimento, sustentado por demanda em produtos de ciclo curto e manutenção industrial, indicando que a base instalada da indústria nacional segue gerando pedidos recorrentes.

No mercado externo, o desempenho foi mais construtivo. Em reais, a receita permaneceu praticamente estável, mas houve crescimento em dólar, evidenciando que a fraqueza reportada decorreu majoritariamente do câmbio. Houve avanço em ventilação, refrigeração e motores de alta tensão, além de expansão sequencial no GTD externo, especialmente na América do Norte, impulsionada por investimentos em infraestrutura de redes.

Essa diversificação geográfica continua sendo um dos pilares da estratégia da WEG (WEGE3), reduzindo dependência do ciclo doméstico e atenuando volatilidades regionais.

Margens da WEG (WEGE3) surpreendem e mudam narrativa do trimestre

O ponto de inflexão do 4T25 foi a rentabilidade. O Ebitda da WEG (WEGE3) somou R$ 2,3 bilhões, com margem de 22,4%, superando as estimativas das principais casas de análise.

O Itaú BBA projetava contração de 90 pontos-base na margem Ebitda, mas o resultado mostrou expansão de 30 pontos-base na comparação anual. A melhora foi atribuída a um mix de vendas mais favorável, maior participação de negócios de ciclo longo e ganhos de eficiência operacional, principalmente nas unidades internacionais.

A XP Investimentos destacou que esses fatores compensaram impactos tarifários e custos mais elevados de insumos, como o cobre. A Genial Investimentos ressaltou que a preservação de margens em ambiente de câmbio adverso reforça a capacidade da WEG (WEGE3) de proteger rentabilidade mesmo em cenário de desaceleração de receita.

Essa combinação — receita pressionada, mas margens resilientes — reduz o risco de revisões negativas mais severas no lucro projetado e sustenta parte do prêmio de valuation historicamente associado à companhia.

Lucro líquido recua, mas ROIC permanece elevado

O lucro líquido da WEG (WEGE3) no 4T25 foi de R$ 1,587 bilhão, queda anual de 6,3%. Ainda assim, o retorno sobre o capital investido (ROIC) permaneceu acima de 30%, nível considerado elevado para padrões industriais.

O capex de R$ 814 milhões no trimestre indica continuidade da estratégia de expansão e modernização de capacidade produtiva no Brasil e no exterior. Embora a ampliação da base de ativos pressione o retorno marginal no curto prazo, ela cria fundamentos para crescimento estrutural nos próximos ciclos.

Para o investidor de WEG (WEGE3), a equação central passa a ser o equilíbrio entre crescimento e múltiplos. A companhia mantém elevada eficiência operacional, mas precisa retomar trajetória de expansão mais robusta para justificar valuation próximo de 30 vezes o lucro projetado para 2026.

Divergências sobre 2026 moldam cenário para WEG (WEGE3)

O principal ponto de divergência entre as casas de análise está menos no 4T25 e mais na assimetria para 2026.

O Itaú BBA vê risco positivo nas estimativas do próximo ano, sustentando recomendação de compra para WEG (WEGE3). A avaliação é de que eventual retomada do ciclo industrial em economias desenvolvidas pode elevar a taxa de ocupação dos ativos adquiridos recentemente.

A Genial Investimentos compartilha visão semelhante, especialmente em cenário de cortes de juros nos Estados Unidos e na Europa, que poderiam estimular investimentos industriais e infraestrutura energética.

Já a XP Investimentos pondera que o crescimento orgânico no curto prazo permanece limitado por capacidade instalada e volatilidade cambial. Para a casa, o valuation de WEG (WEGE3) passou a exigir maior visibilidade de aceleração para sustentar múltiplos atuais.

Valuation, câmbio e pipeline de projetos no radar

A trajetória de WEG (WEGE3) nos últimos anos foi marcada por expansão internacional, diversificação de portfólio e posicionamento estratégico em eficiência energética e eletrificação — vetores com potencial estrutural de crescimento.

Contudo, o encerramento de grandes projetos de geração centralizada evidencia o caráter cíclico de parte do portfólio. A recomposição do pipeline no segmento de GTD doméstico será determinante para restaurar ritmo mais consistente de crescimento.

A sensibilidade ao câmbio segue variável crítica. Valorização do real reduz receita convertida, enquanto desvalorização amplia faturamento em moeda local, ainda que possa pressionar custos. A dinâmica cambial continuará influenciando diretamente a percepção sobre WEG (WEGE3) ao longo de 2026.

Reação de curto prazo e desafio estrutural

No curto prazo, a surpresa positiva nas margens pode sustentar reação técnica nas ações WEG (WEGE3). O fato de o “pior trimestre da década” ter sido melhor do que o antecipado reduz o risco de revisões negativas imediatas.

No médio prazo, entretanto, o mercado exigirá evidências de aceleração consistente da receita. A companhia preservou rentabilidade, mas a materialização de crescimento orgânico será o fator decisivo para uma nova rodada de valorização relevante.

A WEG (WEGE3) encerra 2025 demonstrando resiliência operacional, mesmo em cenário adverso de câmbio e transição de projetos. O desafio agora é transformar eficiência em expansão, justificando múltiplos elevados e consolidando a tese estrutural que, até aqui, sustenta o prêmio atribuído pelo mercado.

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