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Dell (DELL) dispara 28% após receita recorde e explosão da demanda por IA

Companhia eleva projeções bilionárias para 2027 e reforça liderança no mercado de infraestrutura para inteligência artificial

por João Souza - Repórter de Negócios
29/05/2026 às 21h19
em Mercados, Destaque, Empresas, Notícias
Dell (Dell) Dispara 28% Após Receita Recorde E Explosão Da Demanda Por Ia-Gazeta Mercantil

As ações da Dell Technologies (DELL) dispararam mais de 28% nesta sexta-feira em Wall Street após a companhia divulgar resultados trimestrais muito acima das expectativas do mercado e elevar de forma agressiva suas projeções financeiras para o ano fiscal de 2027. O desempenho foi impulsionado principalmente pela forte expansão das vendas de infraestrutura voltada à inteligência artificial, segmento que se consolidou como o principal motor de crescimento da empresa.

A valorização colocou a Dell entre os maiores destaques do pregão norte-americano e reforçou o movimento global de forte apetite dos investidores por empresas ligadas à inteligência artificial, data centers e semicondutores.

A companhia reportou receita recorde de US$ 43,84 bilhões no primeiro trimestre fiscal encerrado em abril, superando com ampla margem as estimativas do mercado, que giravam em torno de US$ 34,8 bilhões. O lucro ajustado por ação alcançou US$ 4,86, também acima das projeções de analistas de Wall Street.

O resultado surpreendeu o mercado não apenas pelo crescimento acelerado das receitas, mas principalmente pela magnitude da expansão da divisão de infraestrutura voltada à inteligência artificial.

Os números reforçaram a percepção de que a corrida global por capacidade computacional para IA continua acelerando os investimentos em servidores, armazenamento de dados e infraestrutura de alto desempenho.

Servidores de IA impulsionam explosão de receita da Dell

O principal destaque do balanço ficou concentrado na divisão Infrastructure Solutions Group (ISG), responsável pelos negócios de servidores, armazenamento e soluções corporativas da Dell.

A receita do segmento atingiu US$ 29,01 bilhões no trimestre, um salto de aproximadamente 181% na comparação anual.

Segundo a companhia, apenas a receita ligada a servidores otimizados para inteligência artificial alcançou US$ 16,1 bilhões no período, superando inclusive a previsão anterior da própria empresa, que estimava cerca de US$ 13 bilhões.

Além da receita recorde, a Dell informou que os pedidos de servidores de IA chegaram a US$ 24,4 bilhões no trimestre.

O backlog acumulado do segmento avançou para US$ 51,3 bilhões, acima dos US$ 43 bilhões registrados no trimestre anterior.

O diretor de operações da Dell, Jeff Clarke, afirmou que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial continua crescendo em ritmo acelerado e não apresenta sinais de desaceleração.

Segundo o executivo, grandes empresas seguem ampliando investimentos em data centers de alta capacidade para suportar modelos de IA generativa, processamento de dados e expansão de aplicações corporativas de inteligência artificial.

“Estamos aumentando nossas expectativas de receita de servidores de IA para o ano fiscal de 2027 para US$ 60 bilhões, o que demonstra que a oportunidade em inteligência artificial continua extremamente forte”, afirmou Clarke durante apresentação aos investidores.

O avanço consolidou a Dell como uma das principais beneficiárias da nova corrida global por infraestrutura tecnológica ligada à inteligência artificial.

Guidance bilionário amplia euforia em Wall Street

Além do resultado trimestral robusto, o mercado reagiu fortemente à revisão das projeções financeiras da companhia.

A Dell elevou sua expectativa de receita anual para uma faixa entre US$ 165 bilhões e US$ 169 bilhões, acima da projeção anterior, que variava entre US$ 138 bilhões e US$ 142 bilhões.

As estimativas do mercado apontavam receita anual próxima de US$ 143,9 bilhões.

A empresa também aumentou significativamente sua previsão de lucro ajustado por ação para o exercício fiscal de 2027.

A nova estimativa passou para um intervalo entre US$ 17,65 e US$ 18,15 por ação, contra guidance anterior entre US$ 12,65 e US$ 13,15.

O movimento foi interpretado como um sinal claro de confiança da companhia na continuidade do ciclo de expansão da inteligência artificial.

Para o segundo trimestre fiscal, a Dell também apresentou projeções acima das expectativas de Wall Street.

A companhia estimou receita entre US$ 44 bilhões e US$ 45 bilhões, enquanto analistas projetavam cerca de US$ 35 bilhões.

Já a previsão de lucro ajustado por ação ficou em US$ 4,80, acima das expectativas do mercado, próximas de US$ 3,05.

A magnitude da revisão das projeções ampliou a percepção de que a demanda corporativa por infraestrutura de IA permanece significativamente mais forte do que o inicialmente esperado por investidores e bancos de investimento.

Bancos elevam preço-alvo após resultado histórico

O balanço da Dell provocou uma rápida revisão das estimativas de grandes instituições financeiras de Wall Street.

O Bank of America reiterou recomendação de compra para as ações da Dell (DELL) e elevou seu preço-alvo de US$ 280 para US$ 500.

O banco também aumentou sua projeção de lucro por ação para o ano fiscal de 2027 de US$ 13,22 para US$ 19,47.

A estimativa de receita foi elevada para US$ 178,37 bilhões.

Analistas do Bank of America destacaram que a combinação entre aumento de preços, expansão de volumes e crescimento da demanda por memória e infraestrutura de IA vem impulsionando de forma consistente os resultados da companhia.

Já o Morgan Stanley, que anteriormente mantinha recomendação “underweight” para os papéis da Dell, afirmou que o trimestre apresentado pela empresa foi um dos mais impressionantes já observados pela equipe de análise do banco no setor de hardware.

A instituição colocou suas estimativas e preço-alvo sob revisão após o balanço.

Segundo analistas do Morgan Stanley, parte dos clientes corporativos estaria antecipando investimentos futuros em infraestrutura tecnológica para garantir acesso a componentes considerados estratégicos para inteligência artificial.

O banco observou ainda que a corrida global por capacidade computacional pode continuar sustentando forte crescimento para fabricantes de servidores nos próximos trimestres.

A Bernstein também elevou seu preço-alvo para US$ 500 e classificou os resultados como “excepcionalmente fortes”.

Segundo a instituição, a Dell está operando “em todos os cilindros” em meio à expansão global da infraestrutura de inteligência artificial.

Mercado amplia apostas no ciclo de expansão da IA

A disparada das ações da Dell reforçou o movimento mais amplo de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial em Wall Street.

Ao longo dos últimos meses, companhias de semicondutores, servidores, computação em nuvem e infraestrutura de data centers vêm liderando o rali das bolsas norte-americanas.

A percepção predominante entre investidores é que o avanço da IA generativa inaugurou um novo ciclo multianual de investimentos em capacidade computacional.

Nesse cenário, empresas capazes de fornecer infraestrutura física para treinamento e operação de modelos de inteligência artificial passaram a ocupar posição estratégica dentro do mercado de tecnologia.

Além da Dell, outras empresas do setor também registraram forte valorização nesta sexta-feira.

As ações da Super Micro Computer avançaram mais de 10%, enquanto os papéis da Hewlett Packard Enterprise subiram mais de 13%.

A valorização também impulsionou empresas ligadas à cadeia de semicondutores e memória.

Investidores continuam ampliando exposição a companhias consideradas essenciais para a expansão dos data centers utilizados por modelos de IA generativa.

O movimento reforçou ainda mais a liderança das ações de tecnologia dentro do Nasdaq, índice que renovou máximas históricas recentemente.

Segmento de PCs também mostra recuperação

Embora a inteligência artificial tenha concentrado a maior atenção do mercado, a divisão Client Solutions Group (CSG), responsável pelos negócios de computadores pessoais da Dell, também apresentou crescimento relevante.

A receita do segmento atingiu US$ 14,61 bilhões no trimestre, avanço de aproximadamente 16,8% na comparação anual.

Segundo analistas, a melhora do segmento indica uma recuperação gradual do mercado global de PCs após o período de desaceleração observado nos últimos anos.

A margem operacional da divisão também apresentou expansão relevante, alcançando 8%, alta de 279 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho reforçou a percepção de que a Dell conseguiu melhorar eficiência operacional mesmo em um ambiente ainda desafiador para parte do mercado tradicional de hardware.

Analistas observam que a combinação entre retomada do segmento corporativo de PCs e explosão da demanda por IA criou um cenário particularmente favorável para a companhia.

Investidores monitoram sustentabilidade do crescimento acelerado

Apesar da euforia em Wall Street, parte do mercado segue monitorando os riscos relacionados à sustentabilidade do atual ritmo de expansão do setor de inteligência artificial.

Analistas destacam que a forte aceleração da demanda por infraestrutura tecnológica também vem sendo acompanhada por aumento relevante dos preços de memória, componentes eletrônicos e equipamentos de alta performance.

O próprio Morgan Stanley observou que parte dos clientes corporativos estaria antecipando compras originalmente previstas para anos futuros.

Esse movimento poderia gerar alguma normalização de demanda mais adiante caso o ritmo de investimentos desacelere.

Ainda assim, o consenso predominante no mercado continua sendo de continuidade do ciclo de crescimento da inteligência artificial nos próximos anos.

A corrida global entre grandes empresas de tecnologia, governos e companhias privadas por capacidade computacional permanece sustentando forte expansão dos investimentos em infraestrutura.

Nesse contexto, fabricantes de servidores e fornecedores de soluções para data centers seguem entre os maiores beneficiários da nova fase da indústria de tecnologia.

Resultado da Dell reforça liderança da inteligência artificial em Wall Street

O balanço da Dell (DELL) consolidou mais um capítulo do forte movimento de transformação provocado pela inteligência artificial no mercado financeiro global.

A combinação entre receita recorde, explosão das vendas de servidores de IA e revisão agressiva das projeções financeiras fortaleceu a percepção de que o setor tecnológico continua no centro do atual ciclo de valorização das bolsas norte-americanas.

O resultado também ampliou a pressão competitiva sobre outras empresas do setor de hardware e infraestrutura tecnológica, que agora enfrentam expectativas cada vez mais elevadas por parte dos investidores.

Em Wall Street, o desempenho da Dell passou a ser interpretado como um dos sinais mais fortes até agora de que o ciclo de expansão da inteligência artificial permanece acelerando a demanda corporativa global por capacidade computacional.

A reação das ações reforçou ainda mais o protagonismo das empresas ligadas à IA dentro do Nasdaq e ampliou o fluxo de capital para companhias expostas ao crescimento da infraestrutura digital global.

Tags: ações de tecnologiadata centersDellEmpresasInteligência ArtificialmercadosNasdaqresultados trimestraisservidores de IAtecnologiaWall Street

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