São Paulo — O Santander divulgou nesta semana a carteira recomendada de small caps para o mês de junho de 2026, mantendo a mesma composição de 11 ações adotada no mês anterior. A seleção reúne empresas de pequeno e médio porte listadas na B3, com atuação em setores variados como
agronegócio, energia, construção civil, saúde, varejo e mineração, escolhidas com base em análise fundamentalista que avalia geração de caixa, potencial de crescimento, qualidade da gestão e perspectivas de valorização. O objetivo da
estratégia é superar o desempenho do índice Small Cap (SMLL) no médio e longo prazo.
Diferente de estratégias baseadas apenas em tendências de
mercado, a carteira do banco prioriza companhias que apresentam modelos de negócios sólidos, capacidade de adaptação a cenários econômicos e perspectivas claras de retorno para o acionista. Mesmo
com resultados abaixo do benchmark no curto prazo, a estratégia segue apresentando desempenho superior em janelas mais longas, reforçando a tese de investimento em empresas menores, mas com espaço para crescer mais do que grandes conglomerados.
Composição e alocação por setor
A carteira de
junho mantém pesos definidos para cada ativo, com maior concentração em três nomes: Direcional (DIRR3), Iguatemi (IGTI11) e Orizon (ORVR3), cada um com participação de 10% no portfólio. Na sequência, Alupar (ALUP11), C&A Modas (CEAB3), Fleury (FLRY3), Marcopolo (POMO4), Pague Menos (PGMN3) e Sanepar (SAPR11) têm alocação de 9% cada. Por fim, 3tentos (TTEN3) e Aura Minerals (AURA33)
completam a lista com 8% de participação cada.
A distribuição setorial reflete a visão do banco
sobre quais segmentos têm melhores perspectivas neste momento do ciclo econômico. O
setor de energia e saneamento é o mais representado, com três empresas — Alupar, Orizon e Sanepar — totalizando 28% da carteira, seguido por varejo, com C&A Modas e Pague Menos (18%), e construção civil, representada pela Direcional (10%). Saúde, agronegócio, mineração, shopping centers e indústria completam a seleção.
Para cada ação, o Santander também definiu preço-alvo para o final de 2026 e projeção de dividend yield, indicadores que ajudam o investidor a estimar retorno total. O destaque de valorização esperada fica por conta da C&A Modas (CEAB3), que pode saltar de R$ 11,39 para R$ 24,50 —
alta de 115% — enquanto a Pague Menos (PGMN3) tem potencial de alta de 88%, saindo de R$ 4,25 para R$ 8,00. Do lado da renda variável, Marcopolo (POMO4) lidera com projeção de
retorno em dividendos de 7,23% no ano, seguida por Pague Menos (6,67%), Fleury (6,01%) e Direcional (6,00%).
Confira a lista completa com dados de 29 de maio de 2026:
| Empresa |
Código |
Setor |
Peso |
Preço Atual (R$) |
Preço-Alvo (R$) |
Dividend Yield 2026 |
| 3tentos |
TTEN3 |
Agronegócio |
8% |
15,51 |
20,00 |
2,15% |
| Alupar |
ALUP11 |
Energia & Saneamento |
9% |
32,46 |
41,75 |
4,52% |
| Aura Minerals |
AURA33 |
Mineração |
8% |
128,95 |
140,00 |
2,05% |
| C&A Modas |
CEAB3 |
Varejo |
9% |
11,39 |
24,50 |
4,61% |
| Direcional |
DIRR3 |
Construção Civil |
10% |
13,34 |
22,00 |
6,00% |
| Fleury |
FLRY3 |
Saúde |
9% |
15,39 |
18,50 |
6,01% |
| Iguatemi |
IGTI11 |
Shopping Centers |
10% |
25,89 |
40,70 |
2,81% |
| Marcopolo |
POMO4 |
Industrial |
9% |
6,12 |
10,50 |
7,23% |
| Orizon |
ORVR3 |
Energia & Saneamento |
10% |
78,28 |
87,94 |
1,02% |
| Pague Menos |
PGMN3 |
Varejo |
9% |
4,25 |
8,00 |
6,67% |
| Sanepar |
SAPR11 |
Energia & Saneamento |
9% |
37,94 |
50,88 |
5,39% |
Desempenho: curto prazo fraco, mas longo prazo positivo
Em maio, a carteira recomendada registrou queda de 4,41%, desempenho abaixo do índice SMLL, que
recuou 3,45% no mesmo período. O resultado negativo foi puxado por movimentos de mercado que afetaram especialmente ações de setores ligados à renda variável e à atividade econômica, mas houve um destaque positivo: a construtora Direcional (DIRR3), que
avançou 5,35% e se mostrou resiliente mesmo em cenário de queda generalizada.
No acumulado do ano de 2026, a carteira tem variação negativa de 1,26%, enquanto o índice de referência caiu 0,81%. A diferença pequena mostra que, mesmo com desempenho ligeiramente inferior, a estratégia segue próxima do benchmark. Já em janelas mais longas, a vantagem fica clara: em 12 meses, a carteira sobe 10,94% contra alta de 3,04% do SMLL. Em dois anos, o retorno chega a 20,17%,
ante 12,09% do índice — diferença de mais de 8 pontos percentuais que confirma a tese de que a seleção de ativos de qualidade gera valor ao longo do tempo.
Por que investir em small caps agora?
Para o Santander, o momento atual é favorável para o segmento por dois motivos principais: ajuste de preços e perspectivas de
queda de juros. Muitas ações de pequenas e médias empresas passaram por desvalorizações nos últimos anos em função de juros altos, o que
criou oportunidades de entrada com preços mais atrativos. Com a expectativa de redução da
taxa Selic ao longo de 2026, empresas que dependem de crédito ou que têm receita ligada ao consumo devem se beneficiar, impulsionando resultados.
É importante lembrar que, por terem menor liquidez em comparação com ações de grandes
empresas, as small caps podem apresentar maior oscilação de preço e menor volume de negociação. Por isso, a recomendação é que esse tipo de investimento seja feito com horizonte de médio e longo prazo, e que corresponda a uma parcela adequada do portfólio total do investidor, conforme seu
perfil de risco.
O que esperar para os próximos meses
A manutenção da carteira sem alterações em relação a maio mostra confiança da equipe de análise nas teses de investimento já definidas. O banco segue monitorando indicadores econômicos, resultados trimestrais e mudanças no cenário regulatório para eventuais ajustes, mas avalia que as empresas selecionadas
têm fundamentos sólidos para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades.
Para os investidores que seguem a recomendação, os próximos meses devem trazer definições importantes
sobre o ciclo de juros e sobre o desempenho de setores como varejo e construção, que têm peso relevante na carteira. A divulgação de balanços do segundo trimestre também será acompanhada de perto, pois deve confirmar se as projeções de crescimento e
geração de caixa estão se cumprindo.
Com potencial de valorização que chega a mais de 100% em alguns casos e rendimentos de dividendos acima da média do mercado, a carteira de small caps do Santander segue como uma das principais referências para quem busca retorno acima da média no mercado de ações brasileiro.