terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Agronegócio

Abate de bovinos chega a 10,72 milhões no 2º trimestre; suínos avançam e frangos recuam

Dados do IBGE mostram aumento da produção de carne bovina e suína entre abril e junho, enquanto número de frangos abatidos cai na comparação trimestral; leite também perde ritmo

por Daniel Wicker
19/08/2026 às 18h46
em Agronegócio
Abate De Bovinos No Brasil Bate Recorde Histórico Pelo Segundo Ano Consecutivo - Gazeta Mercantil

A pecuária brasileira manteve produção elevada no segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, o país abateu 10,72 milhões de bovinos em estabelecimentos submetidos a algum tipo de inspeção sanitária, volume 1,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e 4,2% acima do primeiro trimestre deste ano. Os dados fazem parte das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia também: Wesley Batista Filho assume comando global da JBS em 2027; Tomazoni vai para o conselho

O crescimento foi ainda mais intenso quando se observa a quantidade de carne produzida. As carcaças bovinas somaram 2,76 milhões de toneladas no trimestre, alta de 3% na comparação anual e de 4,7% diante dos três primeiros meses do ano. Isso mostra que o aumento da produção não ocorreu apenas porque mais animais foram enviados aos frigoríficos. O peso médio das carcaças também ficou maior.

Leia também: Cota de carne bovina para China chega a 90% e acende alerta para exportações do Brasil

Leia também: Dinheiro do FGC após o caso Master ajuda fundos a captar R$ 159,2 bilhões no 1º trimestre.

A relação entre o volume produzido e o número de animais abatidos resulta em aproximadamente 257,5 quilos de carcaça por bovino no segundo trimestre. Um ano antes, a média implícita estava perto de 253 quilos. Embora a diferença por animal pareça pequena, ela ganha relevância quando multiplicada por mais de 10 milhões de cabeças processadas em apenas três meses.

O resultado prolonga um período de oferta elevada na pecuária brasileira. Em 2025, o país já havia registrado recordes no abate de bovinos, suínos e frangos. No caso do gado, foram 42,94 milhões de cabeças no ano. O início de 2026 manteve esse ritmo: 10,29 milhões de bovinos foram abatidos no primeiro trimestre e outros 10,72 milhões entre abril e junho. Com isso, o primeiro semestre já acumula pouco mais de 21 milhões de cabeças.

Leia também: Como pedir reembolso de taxas na Shein?.

Produção de carne bovina cresce mais que o abate

A diferença entre o avanço das cabeças abatidas e o crescimento das carcaças é um dos principais sinais do levantamento. Na comparação anual, o número de bovinos aumentou 1,3%, enquanto o peso total produzido avançou 3%. Na comparação trimestral, a mesma tendência aparece: 4,2% de crescimento no abate e 4,7% na produção de carcaças.

Esse comportamento indica que os frigoríficos receberam, em média, animais mais pesados. O levantamento do IBGE não atribui esse resultado a uma causa específica, já que fatores como genética, alimentação, manejo, idade de abate e condições comerciais podem influenciar o peso final. Ainda assim, o dado é relevante porque mostra que a expansão da oferta de carne foi superior à simples evolução do número de animais processados.

Em uma cadeia do tamanho da pecuária bovina brasileira, pequenas alterações no peso médio produzem efeitos expressivos sobre o volume disponível. Um ganho de poucos quilos por cabeça, aplicado a milhões de bovinos, transforma-se em dezenas de milhares de toneladas adicionais de carne. Isso ajuda a explicar por que a produção de carcaças cresceu mais rapidamente do que o abate no trimestre.

Suínos também avançam e chegam a 15,58 milhões de cabeças

O setor de suínos apresentou movimento semelhante. O país abateu 15,58 milhões de animais no segundo trimestre, alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025 e de 2% frente ao primeiro trimestre deste ano. O peso das carcaças, porém, cresceu em ritmo mais forte e alcançou 1,49 milhão de toneladas, avanço de 4,8% em um ano e de 4,5% na comparação trimestral.

A partir desses volumes, o peso médio implícito ficou próximo de 95,6 quilos por suíno. No primeiro trimestre, a média calculada pelos mesmos parâmetros estava ao redor de 93 quilos. A diferença ajuda a entender por que a produção de carne suína aumentou mais do que o número de animais abatidos.

O desempenho reforça uma tendência comum às duas principais cadeias de mamíferos destinadas à produção de carne no período: além de mais animais chegarem aos frigoríficos, houve aumento no volume médio produzido por cabeça. Para a indústria, esse ganho tem impacto direto na quantidade final de carne colocada no mercado sem necessidade de uma expansão proporcional do número de animais processados.

Frango recua em cabeças, mas produz praticamente a mesma quantidade de carne

A avicultura apresentou um quadro diferente. Foram abatidos 1,69 bilhão de frangos no segundo trimestre de 2026. O número ficou 2,8% acima do observado entre abril e junho do ano passado, mas caiu 1,2% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

A queda trimestral no número de aves não se transformou, porém, em redução da produção de carne. O peso acumulado das carcaças chegou a 3,74 milhões de toneladas, resultado 5,1% superior ao de um ano antes e praticamente estável frente aos três primeiros meses de 2026, com avanço de 0,1%.

A explicação está novamente no peso médio. A relação entre as 3,74 milhões de toneladas produzidas e os 1,69 bilhão de frangos abatidos resulta em aproximadamente 2,21 quilos de carcaça por ave. No primeiro trimestre, essa média ficava próxima de 2,18 quilos. O aumento foi suficiente para compensar a redução na quantidade de animais.

Por isso, a queda do abate de frangos precisa ser vista com alguma cautela. O número de cabeças diminuiu na comparação com o início do ano, mas a disponibilidade física de carne praticamente não caiu. Na comparação anual, a cadeia continua em expansão, tanto em número de aves quanto no peso produzido.

Frango continua à frente em volume total de carne

Mesmo com o recuo trimestral nas cabeças, o frango permaneceu como a maior das três principais cadeias quando se considera exclusivamente o volume de carcaças. A produção chegou a 3,74 milhões de toneladas no segundo trimestre, ante 2,76 milhões de toneladas de bovinos e 1,49 milhão de toneladas de suínos.

Juntas, as três cadeias produziram aproximadamente 7,99 milhões de toneladas no período. Desse total, o frango respondeu por cerca de 47%, os bovinos por aproximadamente 35% e os suínos por algo próximo de 19%. As proporções servem apenas para mostrar o peso físico de cada atividade e não representam participação em faturamento, exportações ou valor agregado, já que os preços e os mercados das três proteínas são bastante diferentes.

A escala da avicultura também ajuda a explicar por que pequenas mudanças no peso médio das aves têm efeitos importantes sobre a oferta. Quando mais de 1,6 bilhão de animais são abatidos em um único trimestre, uma variação de poucas dezenas de gramas por unidade pode produzir uma diferença relevante na quantidade final de carne.

Aquisição de leite cai, enquanto couro e ovos avançam

Fora dos frigoríficos, os resultados foram mistos. Os estabelecimentos submetidos à inspeção sanitária adquiriram 6,61 bilhões de litros de leite cru no segundo trimestre. O volume ficou 1% acima do registrado no mesmo período de 2025, mas caiu 2,5% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

A diferença corresponde a uma redução aproximada de 170 milhões de litros frente aos três primeiros meses de 2026. O dado, porém, precisa ser analisado levando em consideração a sazonalidade da atividade leiteira, que responde às condições das pastagens, regime de chuvas, alimentação do rebanho, custos de produção e preços pagos aos produtores.

Na indústria do couro, os curtumes pesquisados pelo IBGE receberam 10,96 milhões de peças inteiras de couro cru bovino no segundo trimestre, alta de 1,9% tanto na comparação anual quanto em relação ao trimestre imediatamente anterior. A pesquisa considera estabelecimentos que realizam o curtimento de pelo menos 5 mil unidades inteiras de couro cru bovino por ano.

O volume recebido pelos curtumes ficou próximo do número de bovinos abatidos no trimestre, mas os dois indicadores não podem ser relacionados diretamente animal por animal. Diferenças de estoque, tempo entre o abate e o processamento e a própria cobertura estatística das pesquisas impedem esse tipo de equivalência.

Já a produção de ovos de galinha alcançou 1,25 bilhão de dúzias, alta de 0,3% sobre o segundo trimestre de 2025 e de 2,6% frente ao primeiro trimestre de 2026. Convertido para unidades, o resultado corresponde a aproximadamente 15 bilhões de ovos produzidos entre abril e junho.

Dados mostram oferta de carne ainda elevada em 2026

O conjunto dos números mostra que a produção animal brasileira entrou no segundo semestre em nível elevado. Bovinos e suínos registraram crescimento tanto no número de animais abatidos quanto no volume de carcaças, enquanto a avicultura conseguiu manter a produção de carne mesmo com uma redução trimestral nas cabeças processadas.

O ponto comum às três cadeias foi o aumento do peso médio das carcaças. Nos bovinos, o ganho ajudou a fazer a produção crescer mais que o abate. Nos suínos, a diferença foi ainda maior. No frango, o aumento do peso médio compensou a queda no número de aves e evitou uma retração na quantidade de carne produzida.

Esses movimentos têm impacto além das propriedades rurais e dos frigoríficos. A oferta de proteína animal influencia preços ao consumidor, exportações, demanda por transporte e a utilização de milho e soja na fabricação de ração, especialmente para aves e suínos. Também afeta atividades associadas, como couro, logística e processamento de alimentos.

Depois dos recordes observados em 2025, os dados do segundo trimestre indicam que a pecuária brasileira continua operando em ritmo forte em 2026. O avanço não aparece apenas na quantidade de animais levados ao abate, mas também na capacidade de produzir mais carne por cabeça — uma diferença que, diante da escala do setor, pode alterar de forma relevante a oferta final de proteínas no país.

Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha referentes ao segundo trimestre de 2026; IBGE — resultados consolidados da produção pecuária de 2025 e do primeiro trimestre de 2026.

LEIA MAIS

Boletim Focus: Mercado Corta Projeção Da Inflação De 2026 Para 5,30% - Gazeta Mercantil
Economia

Boletim Focus: inflação de 2026 sobe para 5,22% e Selic projetada cai a 13,25%

Índice apresentou alta de 0,21 ponto percentual, indo par 5,22%; Selic e câmbio registraram queda nos resultados desta semana com estimativa de encerrar o ano em 13,25% e...

Leia MaisDetails
Bradseg, Do Bradesco, Mira Expansão Em Seguros E Prioriza Rentabilidade - Gazeta Mercantil - Empresas
Empresas

Bradseg, do Bradesco, mira expansão em seguros e prioriza rentabilidade

Estratégia mantém um limite claro: não vai sacrificar rentabilidade para crescer agressivamente em ramos que entraram em disputa excessiva de preços, a exemplo do segmento de automóveis

Leia MaisDetails
Ipca-15 Sobe 0,70% Em Setembro, Acima Do Esperado, E Ibovespa Futuro Avança-Gazeta Mercantil
Economia

IPCA de setembro sobe 0,82%, e inflação em 12 meses chega a 4,58%

O aumento das contas de energia elétrica e a retomada da alta dos alimentos levaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a subir 0,82% em...

Leia MaisDetails
Eua Batem Recorde De Compras De Carne Bovina Do Brasil, Mas China Reduz Exportações-Gazeta Mercantil
Agronegócio

EUA batem recorde de compras de carne bovina do Brasil, mas China reduz exportações

Os Estados Unidos se consolidaram em setembro como o principal vetor de expansão entre os grandes mercados da carne bovina brasileira, justamente no momento em que a China...

Leia MaisDetails
Inteligência Artificial Atinge 41,9% Da Indústria E Reorganiza Compras Da Cruzeiro Do Sul (Csed3) Com Plataforma Nimbi-Gazeta Mercantil
Tecnologia

IA avança de 16,9% para 41,9% na indústria e chega à gestão de compras

A inteligência artificial deixou de ocupar apenas projetos experimentais e passou a integrar processos administrativos cotidianos de grandes empresas. Entre as companhias industriais brasileiras pesquisadas pelo IBGE, a...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL MERCADO AGORA

16:21:30
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Vivara Aprova Emissão De R$ 300 Milhões Em Debêntures Com Vencimento Em 2031-Gazeta Mercantil
Empresas

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Leia MaisDetails
Mercado Livre
Mercados

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

Leia MaisDetails
Governo Notifica 37 Fintechs Ligadas A Bets Ilegais
Política

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Economia

Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Ibovespa hoje (13/10): Bolsa recua dos 209 mil pontos com eleições e inflação no radar

Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP