A COFCO International acertou a compra das usinas de açúcar Rio Vermelho e Nova Unialco, pertencentes à Bunge, em uma operação que reforça a presença da companhia chinesa no cinturão sucroenergético do interior de São Paulo. O acordo anunciado em 1º de setembro prevê a transferência das unidades localizadas em Junqueirópolis e Guararapes, na região de Araçatuba, e ainda depende do cumprimento das condições habituais de fechamento e das aprovações regulatórias necessárias.
A operação representa, ao mesmo tempo, uma redução de exposição da Bunge ao negócio de açúcar e uma expansão da plataforma industrial da Cofco no país. Os valores da transação não foram divulgados. As duas usinas acrescentam, juntas, capacidade de processamento de cerca de 7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.
Com a aquisição, a Cofco passa de quatro para seis usinas de açúcar no Brasil. Em termos de quantidade de ativos industriais, isso representa uma expansão de 50% da plataforma existente antes do acordo. A companhia já mantém operações em Catanduva, Meridiano, Potirendaba e Sebastianópolis do Sul, todas no Estado de São Paulo.
Compra aumenta escala industrial da Cofco
A concentração das unidades no interior paulista é um dos principais elementos estratégicos da operação. As quatro usinas já controladas pela Cofco estão distribuídas em regiões próximas aos novos ativos, o que cria condições para uma gestão mais integrada de originação, processamento e logística.
A Cofco informou que considera a aquisição alinhada à sua estratégia de longo prazo para ampliar e fortalecer o negócio de açúcar. A empresa destacou ainda que a incorporação das duas unidades pode abrir espaço para ganhos de eficiência operacional, diversificação e maior resiliência de sua atividade.
A lógica é relevante para um setor em que escala industrial, regularidade no suprimento de cana e integração territorial influenciam diretamente a utilização das plantas. Ao acrescentar duas unidades à atual estrutura, a Cofco amplia sua presença em um dos principais polos produtores de cana do país sem precisar iniciar um projeto industrial do zero.
O movimento também amplia a capacidade da companhia de combinar produção, comercialização e inserção internacional. A Cofco International atua globalmente na originação, processamento e distribuição de commodities agrícolas, enquanto o negócio de açúcar brasileiro oferece uma base industrial diretamente conectada à produção agrícola paulista.
Embora os detalhes financeiros ainda não tenham sido publicados, a dimensão física do negócio é significativa. As duas usinas representam aproximadamente 7 milhões de toneladas de capacidade combinada de moagem. Considerando apenas a quantidade de unidades, a operação adiciona metade do número de usinas que a Cofco possuía antes do acordo.
A companhia informou que os ativos adquiridos devem ser integrados à plataforma já existente no Brasil. O diretor-geral de Usinas de Açúcar da Cofco International, Daniel Pagnani, afirmou que a combinação pode ampliar a eficiência operacional e fortalecer a atuação da empresa em regiões agrícolas consideradas relevantes para sua estratégia.
Bunge encerra ciclo de desinvestimento no açúcar
Para a Bunge, a operação representa mais uma etapa de uma estratégia de simplificação do portfólio. As usinas Rio Vermelho e Nova Unialco não faziam parte da estrutura histórica independente da companhia antes da combinação com a Viterra. Os dois ativos passaram para a carteira da Bunge depois que a fusão global entre as empresas foi concluída, em julho de 2025.
A entrada desses ativos no portfólio da Bunge, portanto, foi relativamente recente. A companhia incorporou as operações de açúcar como consequência da transação com a Viterra e, pouco mais de um ano depois, negociou a saída das duas últimas usinas brasileiras que permaneciam sob seu controle.
A decisão também dá continuidade ao processo de retirada da Bunge do segmento sucroenergético brasileiro. Em 2024, a companhia vendeu sua participação de 50% na BP Bunge Bioenergia para a BP, que passou a deter integralmente o negócio. A transação encerrou a participação da Bunge na joint venture criada em 2019 para combinar os ativos de cana-de-açúcar das duas empresas.
A joint venture reunia 11 usinas e tinha capacidade de processamento de 32 milhões de toneladas de cana por ano, além de produção de açúcar, etanol e bioeletricidade.
Com a venda para a Cofco, a presença da Bunge no setor de açúcar e cana no Brasil diminui novamente. A operação sinaliza uma definição mais clara do foco da companhia em suas cadeias consideradas estratégicas, principalmente originação, armazenamento e distribuição de grãos e processamento de oleaginosas.
No comunicado sobre a operação, o diretor de operações da Bunge, Julio Garros, afirmou que a venda está relacionada às prioridades estratégicas de longo prazo da empresa. A companhia também agradeceu às equipes das usinas pelas atividades desenvolvidas durante o período em que os ativos estiveram sob sua gestão.
Viterra está na origem da atual estrutura dos ativos
A trajetória recente de Rio Vermelho e Nova Unialco ajuda a dimensionar a rapidez com que os ativos mudaram de controle. As duas usinas pertenciam à Viterra e foram incorporadas pela Bunge como consequência da combinação empresarial concluída em 2 de julho de 2025.
A fusão ampliou significativamente a escala global da Bunge e diversificou sua exposição geográfica e por cadeias agrícolas. Ao mesmo tempo, trouxe para a companhia negócios que posteriormente passaram por revisão estratégica, entre eles os ativos sucroenergéticos brasileiros.
A venda para a Cofco ocorre, portanto, dentro de um processo de reorganização posterior à combinação com a Viterra. Em vez de manter os ativos recém-incorporados, a Bunge optou por aliená-los e concentrar seus recursos em operações consideradas mais centrais para sua estratégia.
Esse movimento é diferente da venda da participação na BP Bunge Bioenergia. Naquele caso, a Bunge deixou uma sociedade da qual era coproprietária. Agora, a companhia está alienando diretamente duas usinas que haviam chegado ao seu portfólio por meio da fusão com a Viterra.
Cofco ganha escala em região estratégica
A compra também fortalece a posição da Cofco no noroeste e oeste paulista, onde a empresa já mantém ativos industriais e cadeias de fornecimento de cana. Rio Vermelho e Nova Unialco passam a complementar uma estrutura formada por quatro usinas já instaladas no Estado.
A Cofco mantém operações no Brasil como uma das principais bases de sua estratégia global de commodities agrícolas. No açúcar, a companhia possui uma plataforma que combina atividades industriais, produção agrícola e comercialização, com forte presença no Centro-Sul brasileiro.
A expansão do parque industrial aumenta também a relevância logística da operação. A proximidade entre unidades pode facilitar o compartilhamento de estruturas, conhecimento operacional e relações com fornecedores, embora eventuais sinergias financeiras ou metas específicas ainda não tenham sido divulgadas pelas empresas.
A empresa já informou anteriormente que suas operações brasileiras de açúcar incluem produção de energia a partir da biomassa da cana. Em relatório corporativo, a companhia destacou a geração e comercialização de bioeletricidade excedente de suas usinas, acrescentando uma fonte complementar de receita ao processamento da cana.
Para a região de Araçatuba, a operação mantém os ativos dentro de uma grande plataforma internacional de agronegócio. A Cofco considera que a aquisição reforçará sua presença industrial e sua conexão com importantes áreas produtoras do Estado de São Paulo.
Fechamento ainda depende de aprovações
Apesar de o acordo já ter sido anunciado pelas duas empresas, a transferência definitiva das usinas ainda não foi concluída. Bunge e Cofco informaram que a operação permanece condicionada às condições habituais de fechamento, incluindo as aprovações regulatórias aplicáveis.
Até que essas etapas sejam cumpridas, a Bunge continua formalmente como proprietária dos ativos. O cronograma para conclusão e os detalhes sobre eventuais impactos operacionais, administrativos ou financeiros não foram divulgados.
Também não foram apresentados os valores pagos pelas usinas nem informações sobre a estrutura de financiamento da aquisição. Dessa forma, ainda não é possível dimensionar financeiramente o ganho esperado pela Cofco ou o efeito da venda sobre os resultados da Bunge.
O que já está definido é a mudança de posicionamento das duas companhias. Para a Cofco, o negócio amplia em 50% o número de usinas próprias no Brasil e reforça sua estratégia de crescimento no açúcar. Para a Bunge, representa a continuidade de uma retirada do segmento sucroenergético brasileiro iniciada com a venda da participação na BP Bunge Bioenergia em 2024.
A conclusão da operação deverá determinar a efetiva transferência das duas unidades e consolidar uma nova configuração do mercado sucroenergético regional, com a Cofco assumindo uma posição industrial maior na região de Araçatuba e a Bunge concentrando ainda mais sua presença brasileira nas cadeias de grãos e oleaginosas.
Fontes:
Bunge – comunicado de 1º de setembro de 2026 sobre a venda das usinas Rio Vermelho e Nova Unialco para a COFCO International
COFCO International – comunicado sobre a aquisição das usinas Rio Vermelho e Nova Unialco e a expansão da operação de açúcar no Brasil
Bunge – comunicado sobre a conclusão da venda da participação de 50% na BP Bunge Bioenergia para a BP
Bunge – comunicado sobre a conclusão da combinação de negócios com a Viterra em julho de 2025
COFCO International – relatório corporativo com informações sobre as operações de açúcar e geração de bioenergia no Brasil







