A Adecoagro S.A. (AGRO) reportou Ebitda ajustado recorde de US$ 172,5 milhões no segundo trimestre de 2026 e de US$ 258,3 milhões no acumulado de seis meses, com desempenho impulsionado pela operação de fertilizantes, maior produção de ureia e maior disponibilidade de cana. O resultado foi divulgado pela companhia em 11 de agosto de 2026, após o fechamento do mercado em Nova York, como o maior da série trimestral e marca a consolidação da aquisição da Profertil concluída em dezembro de 2025.
Segundo o documento de resultados divulgado pela companhia, as vendas brutas ficaram praticamente em linha com o ano anterior nos dois períodos, enquanto a geração de caixa operacional avançou de forma relevante. O lucro operacional foi sustentado pela combinação de preços internacionais de ureia mais elevados, diluição de custos fixos na indústria e estratégia de maximização de etanol no cluster de Mato Grosso do Sul.
Fertilizantes sustentam recorde com ureia a US$ 699 por tonelada
O segmento de Fertilizantes respondeu pela maior parcela do resultado. Conforme o release de resultados, o Ebitda ajustado da divisão alcançou US$ 121,2 milhões no segundo trimestre e US$ 173,8 milhões no primeiro semestre, com altas de 109,7% e de 148,5% em base pro forma, respectivamente. O avanço foi sustentado por produção de ureia 21,6% maior na comparação anual e preço médio realizado de US$ 699 por tonelada no trimestre.
O desempenho reflete a mudança de escala após a aquisição da Profertil. A planta argentina tem capacidade para produzir até 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano e atende parcela relevante da demanda doméstica daquele país. De acordo com o balanço do primeiro trimestre, o preço médio de venda já havia subido de US$ 444 por tonelada no primeiro trimestre de 2025 para US$ 517 por tonelada no primeiro trimestre de 2026, antes de acelerar no segundo trimestre.
A companhia informou ainda que, desde o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro de 2026, os preços internacionais de ureia avançaram cerca de 55%, com o CFR Brasil negociado em torno de US$ 725 por tonelada em média. Como grande parte da base de custos, principalmente gás natural, permanece fixa, a receita incremental flui diretamente para o Ebitda, com expansão de margem. O documento do primeiro trimestre já projetava Ebitda ajustado mais forte que o antecipado em 2026, com desempenho acima de anos anteriores.
No primeiro trimestre, o segmento havia registrado Ebitda ajustado de US$ 52,5 milhões, o que em base pro forma representava aumento de 4,3 vezes em relação ao mesmo período de 2025, assumindo que a aquisição da Profertil tivesse ocorrido em 1º de janeiro de 2025. O balanço do primeiro trimestre indicava também vendas 67,8% maiores em base anual na divisão, com 69,5 mil toneladas adicionais comercializadas e custo de produção menor por maior diluição e compras spot de gás a preços mais competitivos.
Açúcar, etanol e energia mantém moagem em alta com mix alcooleiro
A operação de Açúcar, Etanol e Energia registrou Ebitda ajustado de US$ 53,2 milhões no segundo trimestre e de US$ 93,8 milhões no semestre, com recuo de 21,8% e de 4,2% na comparação anual, apesar de maior moagem e mix de etanol de 78%. O segmento de Alimentos e Agricultura entregou Ebitda ajustado de US$ 4,9 milhões no trimestre e de US$ 6,2 milhões no semestre.
Segundo dados do release do primeiro trimestre, a companhia já havia estabelecido recorde de moagem para um primeiro trimestre, com 2,2 milhões de toneladas, alta de 49,1% na comparação anual, com produtividade de 105 toneladas por hectare ante 53 toneladas por hectare no mesmo período do ano anterior. O conteúdo de ATR por tonelada recuou 9,0%, mas o rendimento por hectare avançou 79,5%.
A estratégia de maximizar etanol se manteve. No primeiro trimestre, a divisão operou com mix de 4% de açúcar e 96% de etanol, refletindo flexibilidade operacional e prêmio do etanol sobre o açúcar em Mato Grosso do Sul, de 32% para o hidratado e 50% para o anidro naquele período. No segundo trimestre, a companhia processou 3,5 milhões de toneladas de cana, alta de 2,8% na comparação anual, e acumula 5,8 milhões de toneladas no ano, crescimento de 16,8%.
De acordo com o documento de resultados, 41% da produção acumulada de etanol no ano estava armazenada para captura de preços mais elevados no futuro, prática recorrente da companhia que utiliza capacidade de armazenagem para vender como hidratado ou desidratar e converter em anidro conforme demanda doméstica e de exportação. A energia exportada totalizou 120 mil MWh no primeiro trimestre, alta de 113,4%, explicada pelo maior volume de moagem e uso de bagaço estocado.
Os custos de produção também pressionaram o segmento. O custo unitário acumulado no ano subiu para 10,4 centavos de dólar por libra-peso no segundo trimestre, avanço de 16%, pressionado principalmente pela valorização do real e pelo diesel mais caro. No primeiro trimestre, o custo já havia sido de 12,9 centavos por libra ante 11,1 centavos no mesmo intervalo de 2025, impactado pela apreciação do real, antecipação de despesas agrícolas normalmente concentradas mais tarde no ano e menor diluição por menor teor de ATR por tonelada de cana.
Alavancagem cai para 3,0 vezes após pico sazonal
Em base pro forma, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos doze meses melhorou de 3,2 vezes no primeiro trimestre para 3,0 vezes no segundo trimestre, à medida que o Ebitda mais elevado sustentou o processo de desalavancagem. A posição de dívida líquida havia alcançado US$ 1,627 bilhão em 31 de março de 2026, com alta de 45,3% na comparação trimestral.
Conforme o balanço do primeiro trimestre, o aumento refletiu o pagamento de cerca de US$ 400 milhões referente ao saldo da aquisição da Profertil, além da sazonalidade típica de capital de giro associada a plantio e colheita no segmento de Alimentos e Agricultura no primeiro semestre. A estrutura de endividamento era composta por US$ 341,3 milhões em dívida de curto prazo e US$ 1,515 bilhão em dívida de longo prazo, totalizando dívida bruta de US$ 1,857 bilhão, com caixa e equivalentes de US$ 172,3 milhões e investimentos de curto prazo de US$ 57,0 milhões.
O capex de manutenção somou US$ 51,4 milhões no primeiro trimestre, recuo de 5,5% na comparação anual e de 18,6% em base pro forma, relacionado principalmente à renovação de máquinas agrícolas e industriais nas operações de açúcar, etanol e energia e ao plantio de renovação de 5.862 hectares de cana. O capex de expansão totalizou US$ 433,5 milhões no trimestre, dos quais US$ 396,3 milhões se referiam ao pagamento remanescente pela aquisição de 90% de participação na Profertil.
A companhia reafirmou a intenção de continuar reduzindo o índice de alavancagem por meio de maior geração de Ebitda ajustado, principalmente nas operações de fertilizantes, com liberação sazonal de capital de giro ao longo do segundo semestre.
Mudança de segmentos e integração da Profertil alteram perfil
Desde 1º de janeiro de 2026, a Adecoagro opera com três segmentos reportáveis: Açúcar, Etanol e Energia, Fertilizantes, que captura os resultados da Profertil, e Alimentos e Agricultura, que consolida as atividades agrícolas e de alimentos anteriormente geridas por verticais separadas, incluindo Grãos, Arroz e Laticínios. A redefinição foi comunicada no release de resultados do ano de 2025 e detalhada no relatório anual.
A aquisição da Profertil foi concluída em 15 de dezembro de 2025, com a compra da participação de 50% detida pela YPF, tornando-se acionista controladora com 90% do capital, enquanto a Asociación de Cooperativas Argentinas mantém 10%. O valor pago pela participação foi de aproximadamente US$ 1,1 bilhão, financiado com caixa existente, linha de crédito de longo prazo e recursos de emissão de ações de US$ 300 milhões, com 41.379.311 ações a US$ 7,25 por ação, ancorada por compromisso de US$ 220 milhões do acionista controlador Tether Investments e US$ 26 milhões de administração e familiares.
Segundo o formulário anual, o Ebitda ajustado pro forma de 2025 teria sido de US$ 467,2 milhões, ante US$ 276,7 milhões reportados em base histórica, refletindo a incorporação integral da Profertil. A companhia projeta vendas superiores a US$ 2 bilhões e quase duplicação do Ebitda ajustado após a integração, com 91 dias de parada programada registrados em 2025 e expectativa de recuperação de produtividade em 2026.
A Adecoagro possui mais de 210 mil hectares próprios e administra mais de 600 mil hectares, além de ativos industriais ligados às diferentes etapas da produção, com sede em Luxemburgo e listagem na Bolsa de Nova York. As operações estão distribuídas em regiões produtivas da Argentina, Brasil e Uruguai, com produção de açúcar, etanol, energia renovável, grãos, arroz, leite e fertilizantes.
Preços, hedge e expansão em Mato Grosso do Sul
No lado comercial, a companhia informou que 65% da produção de açúcar estava protegida por hedge a preço médio de 15,7 centavos de dólar por libra-peso na data do release do primeiro trimestre, com ritmo de moagem em linha para atingir a meta anual e perspectiva de crescimento de dois dígitos baixo no volume de moagem em 2026 versus 2025, assumindo clima normal.
A expansão do cluster de Mato Grosso do Sul avançou com o acordo para aquisição da usina Caarapó e acordos de fornecimento de cana do Grupo Raízen por valor estimado de R$ 760 milhões, cerca de US$ 148 milhões, pagáveis em dinheiro no fechamento, sujeito a ajustes. A usina, localizada a cerca de 100 km das unidades Angélica e Ivinhema, processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 e pode produzir açúcar, etanol hidratado e anidro e energia renovável. A conclusão está sujeita à aprovação do CADE e outras condições, com fechamento esperado antes de 1º de outubro de 2026.
Em termos de alocação de capital, a assembleia geral anual realizada em 15 de abril de 2026 aprovou distribuição total de dividendo em dinheiro de US$ 35 milhões. A primeira parcela de US$ 17,5 milhões, cerca de US$ 0,1213 por ação, foi paga em 19 de maio de 2026 a acionistas registrados em 4 de maio. A segunda parcela, em igual valor, está prevista para novembro de 2026.
A teleconferência de resultados do segundo trimestre foi agendada para 12 de agosto de 2026, com divulgação do release em 11 de agosto após o fechamento do mercado, conforme cronograma oficial de eventos da companhia.
Fontes:
- Adecoagro S.A. — Earnings Release 1Q26 – Adjusted EBITDA reached $85.8 million in 1Q26 — 11 de maio de 2026 — https://ir.adecoagro.com/wp-content/uploads/2026/05/ER-03.31.2026.pdf
- Adecoagro S.A. — Result Center – Relação de filings incluindo Form 20-F e 6K de conclusão da aquisição da Profertil — 2026 — https://ir.adecoagro.com/result-center/
- Adecoagro S.A. — Press Release Record Adjusted EBITDA at $172.5 million in 2Q26 and $258.3 million in 6M26 — 11 de agosto de 2026 — https://ir.adecoagro.com/
- Adecoagro S.A. — Form 20-F for fiscal year ended December 31, 2025 — 29 de abril de 2026 — https://ir.adecoagro.com/sec-filings/









