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Ana Castela, que posou com Nikolas Ferreira, teve R$ 12,2 milhões em shows públicos, diz levantamento

Levantamento aponta 17 apresentações contratadas por administrações públicas em 2024; autoria individual das emendas relacionadas aos recursos ainda não foi identificada.

por Carlos Menezes
25/08/2026 às 11h02
em Política
Ana Castela, Que Posou Com Nikolas Ferreira, Teve R$ 12,2 Milhões Em Shows Públicos, Diz Levantamento - Gazeta Mercantil - Política

Contratações públicas de shows da cantora Ana Castela teriam movimentado R$ 12,265 milhões em 2024, distribuídos por 17 apresentações realizadas em diferentes municípios brasileiros, segundo levantamento divulgado pela Revista Fórum. Os valores individuais apontados pela publicação variam entre R$ 450 mil e R$ 850 mil por apresentação.

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O levantamento associa os gastos a recursos provenientes de emendas parlamentares e sustenta que as transferências estariam vinculadas a congressistas de partidos do Centrão e da direita. A própria publicação, entretanto, afirma que não conseguiu identificar, até o momento, os autores formais das emendas relacionadas a cada um dos contratos analisados.

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Essa ressalva é relevante porque a contratação de um artista por uma prefeitura e a existência de uma transferência orçamentária federal para o município não demonstram, isoladamente, que determinado parlamentar tenha destinado recursos especificamente para aquele show. A identificação dessa relação depende da rastreabilidade entre a emenda, o instrumento de transferência, a execução municipal e o contrato artístico.

Segundo os números apresentados pelo levantamento, Ana Castela aparece entre os artistas sertanejos que receberam os maiores valores em contratações públicas analisadas durante 2024. A publicação contabiliza 17 shows e soma R$ 12,265 milhões em pagamentos ou despesas atribuídas às apresentações.

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Cachês teriam chegado a R$ 850 mil por apresentação

Entre os contratos mencionados, os maiores valores individuais teriam alcançado R$ 850 mil. A publicação cita apresentações em Nova Lima, em Minas Gerais, e Afonso Cláudio, no Espírito Santo, nesse patamar.

Na outra ponta, um show realizado em Jacarezinho, no Paraná, teria custado R$ 450 mil aos cofres públicos. Entre esses extremos aparecem outras apresentações com valores diferentes, formando o total calculado pelo levantamento.

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A contratação de artistas por municípios para festas, exposições agropecuárias, aniversários de cidades e grandes eventos culturais tornou-se uma área de crescente escrutínio sobre a origem dos recursos e a proporcionalidade dos cachês. Em determinadas situações, prefeituras financiam esses eventos com receitas próprias; em outras, utilizam transferências estaduais ou federais, inclusive recursos originários de emendas.

No caso atribuído a Ana Castela, a publicação sustenta que os shows analisados foram financiados com recursos públicos vinculados a emendas. Ao mesmo tempo, informa que ainda não conseguiu estabelecer nominalmente qual parlamentar seria responsável por cada repasse.

Por isso, não é possível, a partir das informações disponibilizadas no levantamento apresentado, atribuir individualmente um determinado show ou pagamento a um congressista específico.

Levantamento relaciona despesas a partidos do Centrão e da direita

A Revista Fórum afirma que os recursos analisados teriam origem em emendas ligadas a parlamentares pertencentes a legendas como PL, PP e Republicanos, entre outros partidos classificados pela publicação como integrantes do Centrão ou da direita.

O material cita figuras políticas ligadas a essas siglas ao contextualizar o levantamento, mas não apresenta, nas informações disponibilizadas, a correspondência documental entre cada político mencionado, número da emenda, município beneficiário e contrato específico de Ana Castela.

Essa distinção impede tratar como comprovada uma transferência individual realizada por qualquer um dos nomes citados sem a identificação do respectivo instrumento orçamentário.

A discussão ganhou dimensão política depois de Ana Castela aparecer em uma fotografia com o deputado federal Nikolas Ferreira durante a Festa do Peão de Barretos. Na imagem mencionada pela publicação, ambos aparecem fazendo um gesto associado ao número eleitoral 22.

A fotografia, porém, constitui um episódio separado das contratações públicas realizadas em 2024 e não estabelece, por si só, relação entre a cantora, determinado parlamentar e a origem orçamentária dos shows.

A associação entre os dois assuntos decorre do enfoque dado pelo levantamento ao histórico de apresentações financiadas pelo poder público e ao episódio político envolvendo a artista.

Contratações no Centro-Oeste somaram centenas de milhões

O levantamento faz parte de uma análise mais ampla sobre despesas municipais com apresentações artísticas. Segundo dados compilados pela publicação, municípios de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul teriam movimentado R$ 211,679 milhões em 1.856 contratos de shows durante 2024.

Desse total, R$ 189,085 milhões teriam sido gastos por prefeituras administradas por partidos classificados pela publicação como integrantes do Centrão e da direita.

Os números apresentados apontam Goiás como o estado com o maior volume de contratações, com R$ 132,743 milhões. Mato Grosso aparece com R$ 59,125 milhões e Mato Grosso do Sul, com R$ 19,810 milhões.

Os valores estaduais apresentados no levantamento, contudo, exigem atenção metodológica porque a soma dos três números informados supera o total de R$ 211,679 milhões atribuído ao conjunto regional. Essa diferença não é esclarecida no material fornecido e, portanto, não permite concluir, sem documentação adicional, qual agregado deve prevalecer.

Na divisão por partidos dos prefeitos responsáveis pelas administrações municipais, a publicação aponta União Brasil com R$ 39,742 milhões em 312 contratos, seguido pelo MDB, com R$ 34,559 milhões em 258 contratações.

O PSDB aparece com R$ 23,729 milhões em 132 contratos; Republicanos, com R$ 19,957 milhões em 126; PP, com R$ 18,701 milhões em 142; e PL, com R$ 9,104 milhões distribuídos por 95 contratos.

Esses números se referem à filiação partidária das administrações municipais apontadas pelo levantamento e não significam, isoladamente, que os diretórios nacionais ou dirigentes dessas legendas tenham autorizado ou financiado diretamente as apresentações.

Ana Castela aparece entre artistas com maiores contratos

No recorte feito para a Região Centro-Oeste, Ana Castela teria recebido R$ 2,24 milhões em três contratos realizados por três municípios, segundo a publicação. O maior cachê individual nesse conjunto teria sido de R$ 800 mil.

Outros nomes da música sertaneja também aparecem no levantamento. Gusttavo Lima teria somado R$ 5,5 milhões em cinco contratos, com uma apresentação chegando a R$ 1,1 milhão.

Leonardo teria acumulado R$ 4,08 milhões em sete contratos, enquanto Ícaro e Gilmar aparecem com R$ 3,35 milhões distribuídos por dez apresentações.

Zé Neto e Cristiano teriam recebido R$ 2,05 milhões em três cidades; Maiara e Maraisa, R$ 1,95 milhão; Eduardo Costa, R$ 1,82 milhão; e Barões da Pisadinha, R$ 1,78 milhão.

Os dados reforçam que a discussão não se limita a uma única artista. Festas financiadas ou apoiadas por recursos públicos formam um mercado relevante para grandes nomes da música popular, especialmente em municípios onde exposições agropecuárias e celebrações locais mobilizam públicos numerosos.

Origem de cada emenda ainda é ponto central

A principal lacuna do levantamento divulgado está justamente na identificação individual dos recursos parlamentares que teriam financiado os 17 shows atribuídos a Ana Castela.

A publicação afirma que as contratações tiveram financiamento relacionado a emendas e associa o conjunto de despesas a partidos do Centrão e da direita, mas registra que os autores formais das emendas ainda não foram identificados.

Sem essa correspondência, não é possível afirmar documentalmente que determinado congressista transferiu recursos especificamente para contratar a cantora, tampouco estabelecer participação individual de políticos mencionados no contexto apresentado.

Também é necessário distinguir emendas parlamentares comuns de modalidades orçamentárias que ficaram conhecidas politicamente como “orçamento secreto”. O uso dessa expressão para despesas realizadas em 2024 não permite, sem identificação do código orçamentário e do instrumento de transferência, concluir que todos os recursos estejam juridicamente vinculados ao antigo mecanismo das emendas de relator.

O ponto decisivo para aprofundar o caso é a abertura da cadeia documental completa de cada apresentação: identificação da prefeitura contratante, número do contrato, fonte orçamentária, empenho, pagamento, instrumento de transferência federal e eventual número da emenda parlamentar que originou os recursos.

Enquanto essa vinculação individual não for apresentada, permanecem confirmados, dentro dos limites do levantamento divulgado, os valores atribuídos às contratações analisadas e a afirmação da própria publicação de que ainda não conseguiu identificar formalmente os autores das emendas associadas aos shows.

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