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Dividendos em setembro de 2026: veja empresas, valores e datas de pagamento

Vale, Petrobras, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e BB Seguridade estão entre as companhias com proventos programados no mês

por Camila Braga
01/09/2026 às 11h30
em Mercados
Dividendos Em Setembro De 2026: Veja Empresas, Valores E Datas De Pagamento - Gazeta Mercantil - Mercados

Setembro começa com uma agenda relevante de remuneração aos acionistas da bolsa brasileira. Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4), Bradesco (BBDC3; BBDC4), Vale (VALE3), BB Seguridade (BBSE3), Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR3; PETR4), Fleury (FLRY3) e Allos (ALOS3) estão entre as companhias com pagamentos já programados para o mês.

A Gazeta Mercantil conferiu os principais eventos diretamente em comunicados empresariais, documentos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), páginas de relações com investidores e informações da B3. A checagem também identificou divergências entre alguns calendários publicados no mercado e as datas oficialmente informadas pelas próprias companhias. Leia também: Ágora Atualiza Carteira Top 10 e Carteira de Dividendos para Setembro.

Outro ponto que exige atenção do investidor em 2026 é a tributação dos proventos. Desde janeiro, a alíquota geral do Imposto de Renda retido na fonte incidente sobre juros sobre capital próprio, os JCP, passou para 17,5%. Algumas companhias ajustaram os valores brutos pagos para preservar determinados valores líquidos anteriormente estabelecidos.

Também passou a existir uma nova sistemática para dividendos de maior valor recebidos por pessoas físicas. Pagamentos superiores a R$ 50 mil realizados por uma mesma empresa à mesma pessoa física dentro do mesmo mês podem ficar sujeitos à retenção de 10%, observadas as regras legais e situações de transição. Leia também: Gringos enchem os bolsos com nova política de dividendos.

Itaú e Bradesco abrem setembro

Os primeiros grandes pagamentos do mês acontecem nesta terça-feira, 1º de setembro.

O Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) paga o JCP mensal referente à competência de agosto. O valor bruto é de R$ 0,018182 por ação, tanto para ITUB3 quanto para ITUB4.

Depois da retenção de 17,5% de Imposto de Renda, o pagamento corresponde a R$ 0,015 líquido por ação. Leia também: Tebet diz que orçamento do PAC está fechado, mas não revela valores.

A data-base foi 31 de julho. Isso significa que o investidor que comprar ações do Itaú agora não terá direito a esse pagamento específico.

O calendário foi estabelecido pelo banco ainda em dezembro de 2025 e posteriormente ajustado para refletir a nova tributação sobre JCP. O próximo pagamento mensal está previsto para 1º de outubro, relacionado à posição acionária de 31 de agosto. Leia também: Tribunal condena empresas por ataque hacker.

O Bradesco (BBDC3; BBDC4) também deposita JCP mensal nesta terça-feira.

Para BBDC3, o valor bruto é de R$ 0,017249826 por ação. Para BBDC4, chega a R$ 0,018974809 por papel. A data-base foi 3 de agosto.

O calendário oficial do Bradesco apresenta uma diferença importante em relação a algumas agendas de dividendos divulgadas ao mercado.

Os JCP intermediários de R$ 0,270307744 por BBDC3 e R$ 0,297338519 por BBDC4, aprovados anteriormente pela instituição, estão programados oficialmente para 30 de outubro de 2026, e não para 15 de setembro.

Outro JCP intermediário, de R$ 0,315359035 para BBDC3 e R$ 0,346894939 para BBDC4, está previsto para 29 de janeiro de 2027.

Assim, considerando o calendário oficial disponível no início de setembro, o pagamento confirmado do Bradesco neste mês é o JCP mensal de 1º de setembro.

Vale paga mais de R$ 2 por ação

Um dos maiores pagamentos por ação entre as principais empresas da B3 acontece na quarta-feira, 2.

A Vale (VALE3) distribuirá um total bruto de R$ 2,030721898 por ação.

Desse montante, R$ 1,568705805 serão pagos como juros sobre capital próprio e R$ 0,462016093 como dividendos.

O direito pertence aos investidores que mantinham ações da mineradora no encerramento do pregão de 11 de agosto. Desde 12 de agosto, VALE3 passou a ser negociada sem direito a essa distribuição.

A remuneração foi aprovada com base no balanço de 30 de junho e corresponde a uma antecipação dos resultados de 2026 combinada com utilização de reservas de lucros.

Segundo informações divulgadas pela própria mineradora, aproximadamente US$ 1,7 bilhão será destinado aos acionistas nesse pagamento.

O caso da Vale mostra por que a chamada data com é tão importante para investidores interessados em dividendos.

Quem comprar VALE3 durante setembro não receberá os R$ 2,03 previstos para o dia 2, já que o direito ao provento foi definido de acordo com a posição acionária de agosto.

Fleury e Allos também pagam no dia 2

O Fleury (FLRY3) também tem distribuição marcada para quarta-feira.

A companhia programou para 2 de setembro uma parcela dos dividendos anteriormente aprovados. O valor corresponde a aproximadamente R$ 0,130271531 por ação FLRY3 e integra uma distribuição maior dividida em diferentes datas.

A data-base dessa remuneração ocorreu ainda em dezembro de 2025.

A Allos (ALOS3) também tem pagamento previsto para 2 de setembro.

A companhia programou distribuição de aproximadamente R$ 0,2919 por ação, destinada aos investidores que estavam posicionados na data-base definida pela empresa.

Com isso, Allos, Vale e Fleury concentram alguns dos principais pagamentos já no segundo dia útil do mês.

BB Seguridade distribuirá cerca de R$ 3,85 bilhões

Na quinta-feira, 3 de setembro, será a vez da BB Seguridade (BBSE3).

A companhia pagará R$ 1,983284670 por ação, em uma distribuição que totaliza aproximadamente R$ 3,85 bilhões.

A data-base foi 6 de agosto, e as ações passaram à condição ex-dividendos no pregão seguinte.

A remuneração corresponde ao resultado referente ao primeiro semestre de 2026 e representa payout de aproximadamente 84,6%, de acordo com as informações divulgadas pela companhia.

Entre as grandes empresas com pagamentos programados para a primeira semana de setembro, a BB Seguridade aparece como uma das distribuições de maior volume financeiro.

O pagamento também reforça a característica da companhia como uma das empresas acompanhadas por investidores que priorizam geração de caixa e distribuição recorrente de dividendos.

Banco do Brasil paga duas parcelas no dia 11

O Banco do Brasil (BBAS3) terá uma situação particular em setembro: dois pagamentos de juros sobre capital próprio ocorrerão na mesma data.

O primeiro corresponde a uma remuneração complementar referente ao segundo trimestre de 2026.

O banco aprovou aproximadamente R$ 584,91 milhões para essa distribuição.

O valor originalmente deliberado foi de R$ 0,10245643978 por ação BBAS3, mas alcançava aproximadamente R$ 0,10413811686 após atualização até 12 de agosto.

O montante ainda pode sofrer atualização pela taxa Selic até a data efetiva do pagamento, marcada para 11 de setembro.

Além desse valor, o Banco do Brasil aprovou aproximadamente R$ 196,99 milhões em JCP antecipado relativo ao terceiro trimestre.

Nesse caso, o pagamento corresponde a R$ 0,03450628312 por ação.

Os dois proventos utilizam como referência a posição acionária desta terça-feira, 1º de setembro. BBAS3 passa a ser negociada sem direito a esses pagamentos a partir de quarta-feira, 2.

Esse detalhe torna o pregão desta terça especialmente relevante para investidores que acompanham Banco do Brasil.

Diferentemente de vários pagamentos previstos para setembro, cujas datas de corte já ocorreram semanas ou meses antes, o direito aos JCP do Banco do Brasil ainda está sendo definido neste início de mês.

Petrobras deposita nova parcela em 21 de setembro

Outro pagamento relevante acontece em 21 de setembro.

A Petrobras (PETR3; PETR4) distribuirá R$ 0,35048636 por ação, tanto para os papéis ordinários PETR3 quanto para os preferenciais PETR4.

O pagamento será realizado integralmente na forma de juros sobre capital próprio.

Trata-se da segunda parcela da remuneração de R$ 0,70097272 por ação aprovada pela companhia.

A primeira parcela, no mesmo valor de R$ 0,35048636 por ação, foi paga em 20 de agosto.

Para os papéis negociados na B3, a data-base foi 1º de junho. As ações da estatal passaram a ser negociadas sem direito a essa remuneração em 2 de junho.

A Petrobras informou que as duas parcelas somam aproximadamente R$ 9 bilhões em remuneração aos acionistas.

O montante será considerado na distribuição correspondente ao exercício de 2026, conforme as deliberações societárias posteriores da companhia.

Principais pagamentos confirmados para setembro

Data Empresa Ticker Provento Valor bruto aproximado por ação
01/09 Bradesco BBDC3 JCP R$ 0,01725
01/09 Bradesco BBDC4 JCP R$ 0,01897
01/09 Itaú Unibanco ITUB3 JCP R$ 0,01818
01/09 Itaú Unibanco ITUB4 JCP R$ 0,01818
02/09 Vale VALE3 JCP R$ 1,56871
02/09 Vale VALE3 Dividendo R$ 0,46202
02/09 Allos ALOS3 Dividendo R$ 0,2919
02/09 Fleury FLRY3 Dividendo R$ 0,13027
03/09 BB Seguridade BBSE3 Dividendo R$ 1,98328
11/09 Banco do Brasil BBAS3 JCP complementar cerca de R$ 0,10414*
11/09 Banco do Brasil BBAS3 JCP antecipado R$ 0,03451
21/09 Petrobras PETR3 JCP R$ 0,35049
21/09 Petrobras PETR4 JCP R$ 0,35049

*O JCP complementar do Banco do Brasil é atualizado pela Selic até a data de pagamento.

O calendário não deve ser interpretado como uma lista definitiva de todos os dividendos e JCP que serão pagos durante setembro.

Empresas podem anunciar novas distribuições, aprovar proventos adicionais ou modificar datas e valores ao longo do mês.

Por isso, investidores interessados em receber dividendos devem acompanhar principalmente os comunicados oficiais das companhias e observar três informações: data-base, data ex e data de pagamento.

O que significa data com e data ex

A data com, também chamada de data-base ou data de corte, determina quais acionistas terão direito ao pagamento.

Se uma empresa estabelece determinada segunda-feira como data com, por exemplo, o investidor precisa terminar aquele pregão como acionista da companhia para ter direito ao provento.

No pregão seguinte, a ação normalmente passa a ser negociada ex-dividendos ou ex-JCP.

Quem comprar o papel a partir daí não recebe aquele pagamento específico.

A existência de um dividendo elevado, portanto, não significa necessariamente que seja possível comprar a ação imediatamente antes da data de pagamento e receber o dinheiro.

Em muitos casos, como ocorre com Vale e Petrobras neste calendário de setembro, o direito foi definido semanas ou até meses antes do depósito.

JCP tem incidência de Imposto de Renda

Também é importante diferenciar dividendos de juros sobre capital próprio.

O JCP é uma forma de remuneração utilizada pelas companhias brasileiras e sofre retenção de Imposto de Renda na fonte.

Em 2026, a alíquota geral aplicável ao JCP passou para 17,5%.

Isso significa que o valor divulgado pelas empresas como JCP bruto não corresponde necessariamente ao montante efetivamente creditado ao investidor pessoa física.

Um pagamento bruto de R$ 1.000 em JCP, por exemplo, corresponde normalmente a R$ 825 depois da retenção de 17,5%, desconsideradas situações tributárias específicas do beneficiário.

O investidor precisa, portanto, comparar valores líquidos, e não apenas os números brutos anunciados pelas companhias.

Tributação de dividendos também exige atenção em 2026

Os dividendos passaram a exigir uma análise adicional em 2026.

Pelas novas regras, quando uma mesma empresa distribui mais de R$ 50 mil em dividendos para uma mesma pessoa física dentro de um único mês, pode haver retenção de 10% sobre o total distribuído, observadas as hipóteses previstas na legislação e as regras de transição.

O limite é analisado considerando a empresa pagadora e o beneficiário dentro do mês.

Assim, se uma companhia realizar mais de uma distribuição para o mesmo acionista durante setembro, os pagamentos podem precisar ser considerados conjuntamente para verificar se o limite foi ultrapassado.

Para a maior parte dos pequenos investidores da bolsa, esse patamar tende a ficar distante. A regra, entretanto, torna-se relevante para acionistas com posições elevadas em companhias que realizam grandes distribuições.

Dividendos não devem ser analisados isoladamente

O calendário de setembro pode chamar a atenção pelos valores distribuídos, especialmente em companhias como Vale, BB Seguridade, Banco do Brasil e Petrobras.

Mas dividendos elevados não devem ser utilizados isoladamente como critério para a compra de uma ação.

O valor de um provento normalmente é descontado do preço teórico do papel quando a ação passa à condição ex-dividendo. Dessa maneira, o pagamento não representa dinheiro criado gratuitamente para o acionista.

A análise precisa considerar geração de caixa, lucro recorrente, endividamento, necessidade de investimentos, política de distribuição, perspectivas para o negócio e capacidade de manutenção dos pagamentos futuros.

Também é necessário distinguir dividendos recorrentes de distribuições extraordinárias.

Uma companhia pode apresentar dividend yield elevado em determinado período devido à venda de ativos, redução excepcional de investimentos ou utilização de reservas, sem que o mesmo pagamento consiga se repetir nos exercícios seguintes.

Para investidores que utilizam os proventos como estratégia de geração de renda, a previsibilidade costuma ser tão importante quanto o valor distribuído.

Setembro começa com calendário concentrado

A primeira semana de setembro concentra boa parte dos eventos mais importantes do calendário.

Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) e Bradesco (BBDC3; BBDC4) iniciam os pagamentos no dia 1º. Vale (VALE3), Allos (ALOS3) e Fleury (FLRY3) aparecem na agenda do dia 2, enquanto BB Seguridade (BBSE3) realiza sua distribuição no dia 3.

Na semana seguinte, o Banco do Brasil (BBAS3) concentra dois JCP em 11 de setembro.

Mais adiante, em 21 de setembro, a Petrobras (PETR3; PETR4) deposita a segunda parcela de sua remuneração anteriormente aprovada.

A agenda poderá crescer à medida que novas empresas deliberarem pagamentos durante o mês.

Para quem acompanha dividendos como parte de uma estratégia de investimento, o principal cuidado é separar a data do depósito da data que efetivamente concede direito ao dinheiro. Em vários dos principais pagamentos de setembro, a data-base já passou.

A próxima etapa do calendário ocorre nesta quarta-feira, 2 de setembro, com os pagamentos de Vale, Allos e Fleury e com BBAS3 passando a ser negociada sem direito aos JCP previstos para o dia 11.

Fontes:

Vale — Relações com Investidores e comunicado de remuneração aos acionistas.

Petrobras — Relações com Investidores e comunicado sobre remuneração aos acionistas.

Bradesco — Relações com Investidores, seção de remuneração aos acionistas.

Itaú Unibanco — Relações com Investidores e cronograma de juros sobre capital próprio.

Banco do Brasil — comunicados e documentos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários.

BB Seguridade — Relações com Investidores e histórico de dividendos.

Fleury — Relações com Investidores, seção de dividendos e juros sobre capital próprio.

Allos — Relações com Investidores e comunicados aos acionistas.

B3 — registros de eventos corporativos e agenda de proventos.

Receita Federal — orientações sobre tributação de lucros, dividendos e juros sobre capital próprio.

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