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Banco Mundial corta projeção para o PIB do Brasil em 2026 e 2027 e vê crescimento global no menor nível desde a pandemia

Instituição reduz estimativas para a economia brasileira, alerta para inflação global mais alta e aponta efeitos da crise no Oriente Médio.

por Antônio Lima
12/06/2026 às 20h38
em Economia
Banco Mundial Corta Projeção Para O Pib Do Brasil Em 2026 E 2027 E Vê Crescimento Global No Menor Nível Desde A Pandemia-Gazeta Mercantil

O Banco Mundial revisou para baixo suas projeções para a economia brasileira e passou a prever um crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e 2027. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (12), a instituição reduziu a estimativa de expansão do Brasil de 2% para 1,9% neste ano e cortou a previsão para 2027 de 2,3% para 2%.

A revisão ocorre em meio a um cenário de desaceleração gradual da atividade econômica doméstica, pressão inflacionária persistente e deterioração das perspectivas globais após o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Embora o Banco Mundial avalie que o Brasil continua relativamente protegido dos impactos mais severos do choque energético internacional por ser exportador líquido de commodities energéticas, a instituição reconhece que o ambiente externo tornou-se menos favorável para o crescimento.

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O relatório aponta que a economia brasileira deve enfrentar um período de expansão moderada nos próximos dois anos, refletindo principalmente a desaceleração do consumo das famílias, custos financeiros ainda elevados e um cenário internacional marcado por menor crescimento e maior incerteza.

Para investidores, empresários e formuladores de políticas públicas, a nova projeção reforça a percepção de que o ciclo de crescimento observado nos últimos anos tende a perder intensidade, exigindo maior atenção à produtividade, aos investimentos e às reformas estruturais.

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Consumo perde força e limita avanço do PIB brasileiro

Segundo o Banco Mundial, a principal razão para a revisão das projeções está na expectativa de desaceleração do consumo interno, que continua sendo o principal motor da economia brasileira.

Após anos de expansão impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido, programas de transferência de renda e aumento do crédito, os sinais mais recentes apontam para uma redução gradual do ritmo de crescimento da demanda doméstica.

A combinação entre inflação ainda elevada em determinados segmentos da economia, juros em patamares restritivos e maior cautela das famílias tende a limitar o avanço dos gastos dos consumidores.

Embora a instituição veja espaço para recuperação mais consistente a partir dos próximos anos, impulsionada pela perspectiva de redução dos juros, o ritmo dessa retomada deverá ser inferior ao projetado anteriormente.

Na prática, isso significa que o crescimento continuará positivo, mas em intensidade menor do que a esperada no início do ano.

A avaliação surge em um momento em que o mercado acompanha com atenção a trajetória da inflação brasileira e os próximos movimentos da política monetária.

Dados divulgados nesta semana mostraram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue pressionado, mantendo o desafio do controle inflacionário entre as prioridades das autoridades econômicas.

Conflito no Oriente Médio altera cenário econômico global

O Banco Mundial também atribui parte da deterioração das perspectivas econômicas ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

Segundo a instituição, o fechamento do Estreito de Hormuz e as interrupções na cadeia global de energia provocaram aumento expressivo nos preços do petróleo e elevaram os custos de transporte, produção e financiamento em diversas regiões do mundo.

Embora os impactos sobre a América Latina sejam considerados menores do que em outras partes do planeta, a alta da energia continua representando um fator relevante de pressão inflacionária.

O relatório destaca que países importadores líquidos de combustíveis tendem a sofrer de forma mais intensa com o choque energético. Já economias exportadoras de petróleo e derivados, como o Brasil, possuem mecanismos naturais de compensação que ajudam a amortecer parte dos efeitos negativos.

Mesmo assim, o encarecimento dos combustíveis afeta toda a cadeia produtiva, pressionando custos logísticos, transporte de mercadorias e preços finais ao consumidor.

A avaliação da instituição é que governos poderão ser obrigados a adotar medidas de mitigação, incluindo subsídios temporários ou mecanismos de controle de preços para reduzir os impactos sobre famílias e empresas.

Crescimento global caminha para o pior desempenho desde a pandemia

O relatório do Banco Mundial apresenta uma visão mais cautelosa para a economia internacional.

A instituição projeta crescimento global de apenas 2,5% em 2026, abaixo dos 2,9% registrados em 2025.

Caso a estimativa se confirme, será o desempenho mais fraco desde os anos mais críticos da pandemia de Covid-19.

Segundo a análise, a desaceleração decorre da combinação entre conflitos geopolíticos, inflação persistente, juros elevados em diversas economias e aumento dos custos de financiamento.

A recuperação deverá ocorrer de forma lenta.

Para 2028, a expectativa é de expansão global de 2,8%, ainda abaixo da média observada ao longo da década de 2010.

O diagnóstico reforça um cenário de menor dinamismo econômico mundial, com reflexos diretos sobre comércio internacional, investimentos e fluxo de capitais.

Para economias emergentes como o Brasil, um crescimento global mais fraco tende a reduzir oportunidades de exportação e limitar o ingresso de recursos externos.

Inflação global volta a preocupar autoridades monetárias

Outro ponto de destaque do relatório é a revisão das perspectivas para a inflação mundial.

O Banco Mundial estima que a inflação global alcance 4% em 2026, acima dos 3,3% registrados no ano passado.

Grande parte dessa aceleração é atribuída ao aumento dos preços da energia e dos fertilizantes.

A valorização desses insumos tem potencial para impactar diretamente os preços dos alimentos, ampliando pressões inflacionárias em diversos países.

O movimento preocupa bancos centrais porque dificulta o processo de flexibilização monetária iniciado em algumas economias após os choques inflacionários observados nos últimos anos.

Se a inflação permanecer elevada por mais tempo, autoridades monetárias poderão manter juros altos por períodos mais prolongados, reduzindo o ritmo de expansão econômica.

Para o Brasil, esse cenário ganha relevância porque influencia tanto o comportamento do câmbio quanto o custo do crédito e as expectativas dos investidores.

América Latina mantém crescimento moderado

Apesar do ambiente internacional mais desafiador, a América Latina e o Caribe devem continuar apresentando crescimento positivo.

O Banco Mundial projeta expansão regional de 2,2% em 2026.

Embora modesto, o resultado coloca a região em posição relativamente estável diante da desaceleração observada em outras partes do mundo.

O Brasil permanece como uma das principais economias do bloco e continua exercendo influência relevante sobre os resultados regionais.

A instituição destaca que a diversidade da pauta exportadora latino-americana e a presença de grandes produtores de commodities ajudam a reduzir a vulnerabilidade diante dos choques externos.

Ainda assim, os países da região enfrentam desafios estruturais relacionados à produtividade, infraestrutura, educação e ambiente de negócios.

Banco Mundial defende reformas para sustentar crescimento

Além das projeções econômicas, o relatório traz recomendações para governos e formuladores de políticas públicas.

Segundo Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Banco Mundial, o atual cenário deve ser encarado como uma oportunidade para fortalecer as bases do crescimento de longo prazo.

A instituição defende a ampliação dos investimentos em infraestrutura, melhorias regulatórias, estímulos ao setor privado e medidas que favoreçam a geração de empregos.

O Banco Mundial argumenta que economias capazes de aumentar produtividade e atrair investimentos terão melhores condições de enfrentar períodos de instabilidade internacional.

No caso brasileiro, a discussão ganha relevância em um momento em que o governo busca elevar investimentos, estimular a indústria e melhorar indicadores fiscais.

Especialistas avaliam que avanços nessas áreas poderão ser decisivos para ampliar o potencial de crescimento do país nos próximos anos.

Revisão do Banco Mundial amplia debate sobre ritmo da economia brasileira

A redução das projeções para o PIB do Brasil reforça um movimento observado por outras instituições financeiras e organismos multilaterais nos últimos meses.

Embora o país continue apresentando crescimento positivo, o consenso entre analistas aponta para uma desaceleração gradual da atividade econômica após anos de expansão sustentada pelo consumo e pelo mercado de trabalho.

Para o mercado financeiro, a revisão do Banco Mundial representa mais um sinal de que o desempenho econômico brasileiro dependerá cada vez mais da capacidade de ampliar investimentos, elevar produtividade e criar condições para uma expansão mais sustentável.

Ao mesmo tempo, o cenário internacional permanece como fator de risco relevante, especialmente diante das incertezas envolvendo energia, inflação e conflitos geopolíticos.

Com a economia global caminhando para o crescimento mais fraco desde a pandemia e o Banco Mundial reduzindo suas estimativas para o Brasil, o debate sobre competitividade, reformas e capacidade de atração de investimentos tende a ganhar ainda mais espaço nas decisões econômicas dos próximos meses.

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