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Bolsas asiáticas fecham sem direção única com foco nas tarifas dos EUA

por Gabriel Monteiro
04/07/2025 às 10h20
em Economia
Bolsas Asiáticas Fecham Sem Direção Única Com Foco Nas Tarifas Dos Eua Gazeta Mercantil

Bolsas asiáticas operam sem direção única diante das incertezas com tarifas dos EUA

As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta sexta-feira sem direção definida. A instabilidade dos mercados reflete a apreensão dos investidores com a possibilidade de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A proximidade do prazo de 9 de julho para a aplicação de medidas protecionistas amplia as incertezas no cenário global e tem gerado reações distintas nas praças asiáticas.

Com os Estados Unidos em feriado pelo Dia da Independência, o volume de negociações globais foi reduzido, intensificando os efeitos das notícias geopolíticas e econômicas. As bolsas asiáticas, em especial, têm sido impactadas pela tensão comercial com Washington, que ameaça impor tarifas entre 10% e 70% sobre uma série de produtos importados.

Japão mantém estabilidade com Nikkei em leve alta

O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, registrou leve alta de 0,06%, alcançando 39.810,88 pontos. Esse segundo dia consecutivo de ganhos, ainda que modestos, indica a cautela dos investidores japoneses. O receio com o possível aumento das tarifas sobre produtos japoneses, especialmente nos setores automotivo e eletrônico, tem limitado movimentos mais expressivos.

Desempenho misto na China continental

Na China, o índice Xangai Composto teve um avanço de 0,32%, atingindo 3.472,32 pontos. O desempenho positivo é atribuído a expectativas de novos estímulos econômicos e à recuperação de setores ligados à infraestrutura. Por outro lado, o Shenzhen Composto caiu 0,43%, refletindo perdas em ações de tecnologia e consumo, mais vulneráveis ao cenário externo incerto.

Hong Kong registra queda no Hang Seng

Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 0,64%, encerrando o dia em 23.916,06 pontos. A instabilidade política local somada à dependência do comércio internacional tem deixado os investidores mais avessos ao risco. O setor imobiliário também pesou negativamente, contribuindo para o desempenho fraco.

Queda acentuada no mercado da Coreia do Sul

O índice Kospi, da Coreia do Sul, liderou as perdas no continente asiático ao cair 1,99%, fechando a 3.054,28 pontos. Empresas exportadoras foram as mais afetadas, com destaque para os setores de eletrônicos e semicondutores, que podem ser diretamente atingidos por eventuais barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Taiwan fecha em baixa com Taiex pressionado

O índice Taiex, de Taiwan, registrou queda de 0,73%, encerrando o pregão em 22.547,50 pontos. A retração foi influenciada pelo desempenho fraco das ações de tecnologia e pela pressão vinda de tensões geopolíticas entre China e Estados Unidos. Analistas apontam que investidores estão reavaliando posições antes do anúncio oficial das tarifas americanas.

Bolsa da Austrália encerra estável

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da bolsa australiana, subiu 0,08%, fechando a 8.603,00 pontos. A estabilidade foi sustentada pelo bom desempenho de empresas de mineração e energia, setores menos sensíveis à volatilidade comercial global. Ainda assim, o baixo volume de negociações limitou os ganhos no mercado australiano.

Bolsas europeias abrem em queda após alta recente

O cenário instável não ficou restrito às bolsas asiáticas. Na Europa, os mercados abriram em baixa após uma sequência de sessões positivas. Investidores reagiram a dados fracos de encomendas industriais na Alemanha e acompanharam de perto as movimentações dos EUA nas negociações comerciais.

A bolsa de Londres iniciou o dia com queda de 0,30%, Paris recuava 0,76%, Frankfurt cedia 0,35%, enquanto Milão, Madri e Lisboa registravam perdas de 0,10%, 0,48% e 0,23%, respectivamente. O feriado nos Estados Unidos contribuiu para uma liquidez mais restrita e uma postura mais cautelosa por parte dos investidores europeus.

A tensão com as tarifas dos EUA domina o cenário global

As expectativas em torno da imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos dominam a pauta econômica internacional. Com o governo norte-americano sinalizando medidas protecionistas contra diversos parceiros comerciais, os impactos já começam a ser sentidos nos mercados asiáticos.

Os produtos afetados podem incluir eletrônicos, automóveis, metais e alimentos. As tarifas, caso aplicadas, podem ter efeitos severos sobre as cadeias globais de suprimentos, afetando tanto exportadores asiáticos quanto consumidores americanos.

Perspectivas para a próxima semana

Com o fim do feriado nos Estados Unidos, os mercados devem retomar maior liquidez a partir de segunda-feira. O foco seguirá nas declarações do governo americano sobre as tarifas e em possíveis contramedidas por parte de China, Japão e Coreia do Sul.

Indicadores econômicos da zona do euro, como inflação e produção industrial, também estão no radar. Além disso, resultados trimestrais de empresas asiáticas relevantes poderão influenciar o humor dos investidores.

Volatilidade deve continuar

O comportamento das bolsas asiáticas nesta sexta-feira demonstra que o mercado segue sensível às incertezas provocadas pelas políticas comerciais dos Estados Unidos. O temor de uma escalada na guerra tarifária tem gerado reações diversas entre os investidores.

Enquanto algumas bolsas ainda encontram espaço para pequenas altas, como no Japão e na China, outras demonstram preocupação mais evidente, caso da Coreia do Sul e de Hong Kong. A instabilidade pode persistir nas próximas semanas, especialmente se não houver clareza nas decisões da Casa Branca.

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