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BTG pode chegar a 19,9% da Viveo sem acionar OPA obrigatória

Banco poderá converter créditos de debêntures em ações e limitará participação a 19,9%, abaixo do gatilho estatutário de 20%.

por João Souza
08/09/2026 às 12h52
em Empresas
Btg Pode Chegar A 19,9% Da Viveo Sem Acionar Opa Obrigatória - Gazeta Mercantil - Empresas

O BTG Pactual (BPAC11) poderá se tornar um dos maiores acionistas da Viveo (VVEO3) ao participar das próximas etapas do aumento de capital da companhia de saúde. O banco assumiu compromisso de exercer direitos de subscrição de sobras e sobras adicionais até que sua participação, considerada em conjunto com afiliadas, alcance no máximo 19,9% do capital total e votante da empresa.

O percentual foi estabelecido imediatamente abaixo de um limite relevante do estatuto da Viveo. A companhia possui uma cláusula de proteção contra aquisição de participação relevante — mecanismo frequentemente chamado de poison pill — que, ressalvadas as exceções previstas no próprio estatuto, exige uma oferta pública de aquisição de ações quando um investidor atinge ou ultrapassa 20% do capital.

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Ao limitar a participação potencial a 19,9%, o BTG permanece 0,1 ponto percentual abaixo desse gatilho.

O movimento ocorre durante um aumento de capital que pode chegar a R$ 869,76 milhões e que permite aos investidores integralizar novas ações tanto em dinheiro quanto mediante capitalização de determinados créditos de debêntures da Viveo. Para o BTG, isso abre a possibilidade de transformar parte de sua exposição como credor em participação acionária.

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A operação ainda não significa que o banco necessariamente chegará aos 19,9%. O resultado dependerá da quantidade de ações que permanecer disponível após o exercício dos direitos dos demais acionistas e das etapas seguintes da subscrição.

Viveo pode emitir até 966,4 milhões de novas ações

O aumento de capital foi aprovado pelo Conselho de Administração da Viveo em 26 de junho de 2026.

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A companhia autorizou a emissão de até 966.401.192 novas ações ordinárias ao preço de R$ 0,90 por papel, o que corresponde a uma operação máxima de R$ 869.761.072,80.

O aumento também prevê homologação parcial, desde que sejam subscritas pelo menos 474.444.722 ações, equivalentes a R$ 427 milhões.

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Esse piso já foi superado.

Durante a primeira etapa, referente ao exercício do direito de preferência, foram subscritas 700.381.129 ações, totalizando R$ 630.343.016,10.

O volume corresponde a 72,47% do valor máximo pretendido pela companhia.

Restaram, portanto, 266.020.063 ações que não foram adquiridas nessa fase. Ao preço de emissão de R$ 0,90, esse estoque representa aproximadamente R$ 239,42 milhões.

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É sobre essa parcela remanescente que ocorrerão as próximas etapas da operação.

BTG começou com apenas 11.123 ações na subscrição

O compromisso do BTG foi comunicado à Viveo em 7 de setembro.

Durante o período inicial de preferência, o banco subscreveu 11.123 novas ações ordinárias, pagas em dinheiro, e solicitou reserva de sobras.

O número inicial de ações é pequeno diante do tamanho potencial da operação. O ponto mais relevante está no compromisso assumido para as etapas posteriores.

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O BTG informou que pretende exercer o máximo possível dos direitos de subscrição de sobras a que tiver acesso, incluindo eventuais sobras adicionais, observando o teto de 19,9% do capital depois da homologação do aumento.

A quantidade final dependerá de quantos outros acionistas exercerão seus direitos.

Se houver demanda elevada dos atuais investidores pelas ações remanescentes, a parcela disponível ao banco será menor. Caso reste volume significativo, o BTG poderá avançar de maneira mais relevante no capital da Viveo.

Dívida pode ser transformada em ações

A estrutura da operação permite que a entrada do BTG não dependa exclusivamente de uma nova injeção de dinheiro.

O banco e suas afiliadas possuem créditos relacionados a debêntures emitidas pela Viveo. Nas condições do aumento de capital, determinados créditos dessas emissões podem ser utilizados para integralizar as novas ações.

Na prática, a operação permite uma conversão de dívida em patrimônio.

Quando um credor utiliza um crédito contra a companhia para adquirir ações emitidas pela própria empresa, uma obrigação financeira pode ser substituída por capital próprio.

O efeito econômico é diferente de uma subscrição realizada integralmente em dinheiro. Nesse caso, não há necessariamente entrada equivalente de caixa novo na companhia, mas ocorre uma redução de passivos em contrapartida ao aumento do patrimônio líquido.

Para uma empresa em processo de reorganização de sua estrutura financeira, essa mudança pode contribuir para reduzir pressão futura relacionada ao pagamento da dívida.

Aumento de capital faz parte da reorganização financeira

A operação ocorre em um período de atenção à estrutura de capital da Viveo.

A empresa vem adotando medidas para alongar seu perfil de endividamento e reforçar o balanço, depois de um ciclo de expansão marcado por aquisições e aumento da dívida.

O próprio aumento de capital aprovado em junho foi estruturado com a possibilidade de conversão de créditos de debêntures, justamente permitindo que credores participem da recapitalização.

O preço de emissão foi fixado em R$ 0,90 por ação.

Segundo a documentação da companhia, o valor foi definido com base na média ponderada pelo volume das negociações das ações da Viveo nas 30 sessões da B3 encerradas em 25 de junho, aplicando-se desconto de aproximadamente 29,87%.

A emissão de centenas de milhões de novas ações provoca uma expansão expressiva da base acionária da empresa.

Antes da conclusão da operação, a composição acionária divulgada pela Viveo com posição de agosto mostrava 322,82 milhões de ações.

O Genoma VI Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia aparecia como maior acionista, com 21,61%, enquanto o Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia Genoma I possuía 15,58%.

A Perea Capital aparecia com 15,02%. As ações em circulação representavam 60,23% do capital na fotografia divulgada pela empresa.

A estrutura poderá mudar substancialmente depois da homologação das novas ações.

Por que 19,9% é um percentual importante

O teto definido pelo BTG chama atenção pela proximidade com os 20%.

A cláusula estatutária da Viveo estabelece, de forma geral e observadas suas exceções, a obrigação de realização de uma oferta pública de aquisição caso um acionista ou grupo enquadrado pela regra alcance participação igual ou superior a 20%.

Esse tipo de mecanismo busca dificultar a aquisição de uma posição relevante sem que os demais acionistas tenham oportunidade de vender suas ações dentro das condições previstas no estatuto.

Em 2024, os acionistas da Viveo aprovaram uma mudança importante nessa proteção.

O gatilho, que anteriormente estava em 15%, foi elevado para 20%.

A alteração ampliou o espaço disponível para investidores construírem posições relevantes na empresa sem necessariamente disparar a obrigação de realizar uma oferta por todas as ações abrangidas pela cláusula.

É exatamente nesse intervalo que se situa o compromisso do BTG.

Uma participação de 19,9% transformaria o banco em um acionista de peso, mas permaneceria abaixo do percentual escolhido pela Viveo para acionar a regra estatutária.

Participação não significa controle da Viveo

Mesmo que o BTG alcance o limite pretendido, uma posição de 19,9% não significa automaticamente aquisição do controle da companhia.

A Viveo possui uma estrutura acionária na qual fundos ligados ao grupo de controle continuam com participações relevantes.

Além disso, conceitos de controle societário dependem não apenas do percentual isolado de ações, mas da capacidade de exercer de forma permanente a maioria dos votos nas deliberações e de eleger a maioria dos administradores, entre outros elementos previstos na legislação societária.

O compromisso divulgado pelo BTG trata de um limite de participação no aumento de capital e não anuncia aquisição de controle.

Ainda assim, uma posição próxima de um quinto das ações pode conferir influência relevante em assembleias e decisões societárias, especialmente dependendo de como ficará distribuído o restante do capital depois da emissão.

Banco pede mais prazo para concluir operação

O BTG também solicitou que o período relacionado à subscrição das sobras seja prorrogado por pelo menos 65 dias.

O objetivo é permitir tempo para obtenção das aprovações concorrenciais necessárias à participação pretendida.

O pedido de extensão não significa que todo esse prazo necessariamente será utilizado nem que as autorizações resultarão na aquisição da participação máxima.

A Viveo ainda deverá conduzir as etapas restantes do aumento de capital e posteriormente informar ao mercado o resultado final da operação.

Somente após a conclusão será possível conhecer o número definitivo de ações emitidas, o valor total do aumento e a participação efetivamente alcançada pelo BTG.

Ação foi emitida a R$ 0,90 em operação de forte diluição potencial

O tamanho da emissão também merece atenção dos atuais acionistas.

A Viveo possuía aproximadamente 322,8 milhões de ações antes do aumento. A operação autoriza a emissão de até 966,4 milhões de novos papéis, quantidade quase três vezes superior à base anterior.

Isso significa que acionistas que não acompanham a subscrição podem sofrer forte redução de sua participação percentual na companhia.

Esse efeito é chamado de diluição.

A empresa concedeu aos acionistas existentes o direito de preferência justamente para permitir que mantivessem proporcionalmente suas posições.

A primeira etapa mostrou adesão relevante, com R$ 630,3 milhões subscritos, mas ainda deixou R$ 239,4 milhões disponíveis pelo valor de emissão.

A eventual entrada mais ampla do BTG ocorrerá nesse contexto.

O que muda para a Viveo se o BTG chegar a 19,9%

Para a Viveo, a operação pode produzir dois efeitos simultâneos.

O primeiro é financeiro. A conversão de créditos de debêntures em ações pode reduzir dívida e fortalecer o patrimônio da companhia.

O segundo é societário. O BTG pode passar de credor e acionista com participação limitada para um investidor com posição relevante no capital.

Ainda não é possível determinar qual será o tamanho dessa participação.

O compromisso estabelece um teto, e não uma aquisição garantida de 19,9%.

Também não há, até este momento, anúncio de compra de controle ou de uma oferta pública para adquirir a Viveo.

O que está formalmente colocado é que o BTG pretende absorver o máximo possível das sobras às quais tiver direito, respeitando uma fronteira societária muito específica.

Essa fronteira é 19,9%.

Ao parar imediatamente antes dos 20% previstos na cláusula estatutária, o banco consegue preservar a possibilidade de se tornar um dos principais acionistas da Viveo sem, nas condições atualmente divulgadas, acionar automaticamente a obrigação de apresentar uma oferta pública pela totalidade das ações abrangidas pela poison pill.

Fontes:

Viveo – fato relevante sobre o compromisso de subscrição apresentado pelo BTG Pactual

Viveo – documentos do aumento de capital aprovado em 26 de junho de 2026

Comissão de Valores Mobiliários – documentação do aumento de capital da CM Hospitalar, Viveo

Viveo – composição acionária com data-base de agosto de 2026

Viveo – Estatuto Social e regras aplicáveis à oferta pública por aquisição de participação relevante

B3 – informações sobre a subscrição do aumento de capital da Viveo

Documentos societários da Viveo – alteração da cláusula de proteção contra aquisição de participação relevante aprovada em 2024

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