quarta-feira, 16 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

China lança novas medidas para ampliar uso global do yuan e reduzir dependência do dólar

Banco central chinês cria mecanismos de liquidez e amplia negociações em yuan para fortalecer a presença internacional da moeda.

por Eduardo Toscano
17/06/2026 às 21h12
em Economia
China Lança Novas Medidas Para Ampliar Uso Global Do Yuan E Reduzir Dependência Do Dólar-Gazeta Mercantil

A China anunciou nesta quarta-feira (17) um novo conjunto de medidas para ampliar o uso internacional do yuan e fortalecer sua infraestrutura financeira diante do aumento das tensões geopolíticas e das incertezas na economia global. O pacote foi apresentado pelo presidente do Banco Popular da China (PBoC), Pan Gongsheng, e inclui mecanismos de liquidez para bancos centrais estrangeiros, além da criação de um programa piloto de negociação de câmbio em yuan offshore na Zona de Livre Comércio de Xangai.

As iniciativas representam mais um passo de Pequim para elevar o status do yuan como moeda de uso internacional e reduzir a dependência do sistema financeiro global dominado pelo dólar. O movimento ocorre em um momento de crescente fragmentação econômica, de aumento das disputas comerciais e de busca por alternativas às moedas tradicionalmente utilizadas em transações internacionais.

Segundo o PBoC, o objetivo é construir uma infraestrutura financeira mais resiliente, capaz de proteger a economia chinesa contra choques externos e ampliar a capacidade do país de influenciar os fluxos financeiros globais.

O anúncio também reforça a estratégia de longo prazo do governo chinês de transformar Xangai em um dos principais centros financeiros do mundo e consolidar o yuan como uma moeda de reserva e de liquidação internacional.

Banco central criará mecanismo de liquidez para autoridades monetárias estrangeiras

Uma das principais medidas anunciadas pelo Banco Popular da China é a criação de um novo mecanismo de recompra, que permitirá que bancos centrais estrangeiros e fundos soberanos obtenham liquidez em yuan diretamente da autoridade monetária chinesa.

Pelo sistema, as instituições poderão utilizar títulos financeiros como garantia para acessar recursos na moeda chinesa. Na prática, o instrumento cria uma rede de liquidez semelhante às linhas de swap e aos mecanismos utilizados por outras grandes economias para dar suporte aos mercados financeiros em momentos de estresse.

A medida é vista por analistas como mais um esforço de Pequim para ampliar a confiança internacional no yuan e incentivar seu uso em operações comerciais e financeiras.

Ao oferecer uma fonte de liquidez diretamente ligada ao banco central chinês, o país cria incentivos para que outras autoridades monetárias aumentem a participação do yuan em suas reservas internacionais e ampliem sua utilização em transações bilaterais.

O anúncio também ocorre em um contexto de crescente utilização da moeda chinesa em operações de comércio exterior, especialmente entre países emergentes e economias que buscam reduzir sua exposição ao dólar.

Xangai ganhará programa piloto para negociação de yuan offshore

Outra iniciativa anunciada por Pan Gongsheng é a criação de um programa piloto de negociação de câmbio de yuan offshore na Zona de Livre Comércio de Xangai.

A proposta busca ampliar a negociação internacional da moeda chinesa e fortalecer a cidade como um centro global de alocação de ativos e gerenciamento de riscos denominados em yuan.

O mercado offshore permite a circulação da moeda chinesa fora do território continental e é considerado peça-chave para o processo de internacionalização do yuan.

Ao ampliar a infraestrutura financeira ligada à moeda, Pequim pretende aumentar a profundidade do mercado, facilitar operações de hedge e atrair investidores estrangeiros para ativos denominados em yuan.

O fortalecimento de Xangai também faz parte da estratégia chinesa de competir com outros grandes centros financeiros globais, como Hong Kong, Londres e Singapura.

A iniciativa ganha relevância em um momento em que diversos países têm discutido formas de diversificar reservas internacionais e reduzir riscos associados à elevada concentração de transações globais em poucas moedas.

Mudanças sugerem nova fase da política monetária chinesa

Durante o discurso, Pan Gongsheng indicou ainda que o Banco Popular da China pretende aprimorar o mecanismo de regulação das taxas de juros de curto prazo.

As declarações foram interpretadas pelo mercado como um possível movimento de transição para um modelo de política monetária mais próximo daquele adotado pelas principais economias desenvolvidas, que utilizam a taxa overnight como principal instrumento de referência.

Atualmente, a principal taxa de referência do banco central chinês é a taxa de recompra reversa de sete dias.

Uma eventual mudança estrutural no sistema de transmissão da política monetária poderá tornar a atuação do PBoC mais previsível e aumentar a eficiência dos mecanismos de controle de liquidez.

O presidente da autoridade monetária também afirmou que a instituição está desenvolvendo ferramentas destinadas a fornecer liquidez de emergência para instituições não bancárias em períodos de crise financeira.

A iniciativa busca reduzir riscos sistêmicos e ampliar a capacidade de resposta do sistema financeiro chinês diante de eventuais episódios de instabilidade.

Medidas surgem após indicadores mostrarem fraqueza da economia

Apesar do anúncio de novos instrumentos financeiros, o discurso do presidente do Banco Popular da China não trouxe sinais de flexibilização monetária adicional.

A decisão chama a atenção porque as medidas foram anunciadas um dia após a divulgação de indicadores considerados fracos para a economia chinesa.

Dados divulgados nesta semana mostraram a primeira queda nos gastos dos consumidores chineses em mais de três anos, além de nova retração nos investimentos, aumentando as preocupações em relação ao ritmo de recuperação da segunda maior economia do mundo.

Os números reforçam o desafio enfrentado por Pequim para reativar a demanda doméstica em meio à desaceleração do setor imobiliário, às incertezas no mercado de trabalho e à redução do dinamismo industrial.

Ainda assim, o PBoC optou por concentrar seus esforços no fortalecimento da infraestrutura financeira e no avanço da internacionalização do yuan, em vez de anunciar medidas de estímulo monetário mais agressivas.

Internacionalização do yuan ganha importância em cenário de tensões geopolíticas

A estratégia de ampliar a presença global do yuan vem sendo acelerada nos últimos anos, impulsionada pelo aumento das disputas geopolíticas e pelas mudanças nas relações comerciais internacionais.

A China tem firmado acordos bilaterais para utilização de sua moeda em transações comerciais, incentivado a emissão de títulos denominados em yuan e ampliado o acesso de investidores estrangeiros ao mercado financeiro doméstico.

Embora o dólar continue sendo a principal moeda de reserva e de liquidação internacional, o governo chinês busca criar alternativas que reduzam sua exposição a eventuais sanções financeiras e aumentem sua autonomia econômica.

O fortalecimento do yuan também tem implicações para mercados emergentes, bancos centrais e investidores globais, que acompanham de perto os movimentos de Pequim em direção a uma ordem financeira mais multipolar.

As medidas anunciadas nesta quarta-feira reforçam a percepção de que a China pretende desempenhar um papel mais relevante na arquitetura financeira internacional, utilizando o yuan como instrumento de influência econômica e de proteção diante de um ambiente global cada vez mais marcado por incertezas e rivalidades estratégicas.

LEIA MAIS

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails
Banco Mundial Nomeia Nobel Michael Kremer Como Novo Economista-Chefe-Gazeta Mercantil
Economia

Banco Mundial nomeia Nobel Michael Kremer como novo economista-chefe

O Banco Mundial nomeou nesta quarta-feira, 16 de setembro, o economista americano Michael Kremer, vencedor do Prêmio de Economia de 2019, para os cargos de economista-chefe do Grupo...

Leia MaisDetails
Super Quarta: Fed Pode Subir Juros Enquanto Copom Deve Cortar Selic Para 13,75%
Economia

Super Quarta: Fed pode subir juros enquanto Copom deve cortar Selic para 13,75%

Brasil e Estados Unidos chegam à Super Quarta desta quarta-feira, 16 de setembro, em momentos opostos de seus ciclos monetários. O Federal Reserve deve elevar os juros americanos...

Leia MaisDetails
Minha Casa Minha Vida - Gazeta Mercantil
Economia

Minha Casa, Minha Vida recebe R$ 500 milhões extras e subsídios chegam a R$ 13 bilhões

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aumentou em R$ 500 milhões o orçamento destinado aos subsídios habitacionais do Minha Casa, Minha Vida...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

22:07:39
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP