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Embraer (EMBJ3) compra fatia da Safran e assume controle total da EZ Air

Fabricante incorpora os 50% restantes da empresa no México e atividades de Jacareí dedicadas aos E-Jets; valor da transação não foi divulgado.

por João Souza
02/07/2026 às 13h09
em Empresas
Embraer - Gazeta Mercantil

A Embraer (EMBJ3) concluiu a aquisição dos 50% que ainda pertenciam à Safran Cabin na EZ Air Interior Limited e passou a controlar integralmente a fabricante de componentes de interiores aeronáuticos instalada em Chihuahua, no México. A operação, concluída em 1º de julho de 2026, também inclui a incorporação de parte das atividades da Safran Cabin em Jacareí, no interior de São Paulo, que atendem exclusivamente aos programas da companhia brasileira.

A transação encerra uma parceria societária iniciada em 2012, quando Embraer e C&D Aerospace, posteriormente incorporada pela Safran, criaram a joint venture para fornecer interiores destinados à família de aeronaves E-Jets.

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A EZ Air produz compartimentos superiores de bagagem, cozinhas de bordo, lavatórios e painéis de piso. A unidade também participa de atividades de pós-venda relacionadas aos componentes fornecidos para as aeronaves comerciais da Embraer.

Com a compra, a fabricante brasileira deixa de dividir as decisões societárias da operação mexicana e passa a ter controle direto sobre uma etapa relevante da cadeia de produção dos E-Jets. A companhia não informou o valor pago pela participação, a forma de financiamento, o impacto esperado sobre os resultados nem as eventuais sinergias financeiras da operação.

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A conclusão ocorreu depois da obtenção das aprovações regulatórias exigidas e do cumprimento das condições previstas no contrato firmado em janeiro.

Unidade mexicana emprega cerca de 1.100 pessoas

A fábrica da EZ Air em Chihuahua emprega aproximadamente 1.100 profissionais, segundo a Safran. A unidade será integralmente controlada pela Embraer após a transferência da participação.

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Embora esteja sediada operacionalmente no México, a EZ Air Interior Limited aparece nos documentos societários da Embraer como uma empresa registrada na Irlanda. Essa estrutura jurídica não altera a localização da produção industrial, concentrada em Chihuahua.

A fábrica foi criada para atender exclusivamente aos programas da Embraer e produz sistemas instalados nas cabines dos E-Jets de primeira e segunda gerações. Os componentes fazem parte da configuração interna das aeronaves e precisam atender a requisitos técnicos, de segurança, peso, durabilidade e certificação.

Os compartimentos de bagagem, por exemplo, devem suportar cargas e impactos durante as operações. Lavatórios e cozinhas de bordo exigem integração com sistemas elétricos, hidráulicos e de gerenciamento de resíduos. Painéis de piso precisam combinar resistência estrutural e baixo peso.

O controle integral permite que a Embraer coordene diretamente investimentos, capacidade produtiva, planejamento de entregas, qualidade e desenvolvimento dos produtos fabricados pela EZ Air.

Isso não significa que todos os componentes dos E-Jets passarão a ser produzidos internamente. A aviação comercial depende de uma rede extensa de fornecedores globais, responsáveis por motores, aviônicos, sistemas hidráulicos, equipamentos de cabine e estruturas.

A aquisição concentra especificamente os ativos e as atividades que já eram dedicados aos programas da companhia brasileira.

Operação de Jacareí será dividida entre Embraer e Safran

O acordo também abrange parte das atividades mantidas pela Safran Cabin em Jacareí. Serão transferidas para a Embraer as operações de engenharia e fabricação relacionadas aos programas da fabricante brasileira.

As atividades de engenharia que atendem outros clientes e projetos continuarão sob controle da Safran. A empresa francesa inaugurou, no início de 2026, um novo centro de engenharia em São José dos Campos, após transferir parte de sua estrutura anteriormente instalada em Jacareí.

A separação procura preservar os projetos independentes da Safran e, ao mesmo tempo, transferir para a Embraer os profissionais, ativos e conhecimentos diretamente vinculados aos seus produtos.

A quantidade de trabalhadores que será incorporada no Brasil não foi divulgada. Também não foram detalhados os ativos físicos, contratos, patentes, ferramentas industriais ou sistemas incluídos na operação.

A estrutura final deverá ser apresentada com maior precisão nos próximos balanços da Embraer. A companhia precisará definir o tratamento contábil da aquisição, reconhecer os ativos e passivos assumidos e informar eventuais efeitos sobre custos, investimentos e resultados.

Acordo havia sido anunciado em janeiro

A Safran anunciou em 19 de janeiro de 2026 a assinatura do contrato definitivo para vender sua participação de 50% na EZ Air.

Naquela ocasião, a empresa informou que a transação incluiria as atividades de pós-venda da operação mexicana, além das responsabilidades relacionadas à engenharia e à fabricação no Brasil.

O fechamento ainda dependia das autorizações regulatórias e de condições comuns a operações de compra e venda de empresas. Essas etapas foram concluídas antes do anúncio de julho.

A diferença entre a assinatura e a conclusão é relevante. Em janeiro, as empresas tinham apenas um acordo vinculante sujeito a condições. A partir de julho, a transferência tornou-se efetiva e a EZ Air passou a integrar o conjunto de empresas controladas pela Embraer.

Documentos societários da fabricante já apresentavam a EZ Air entre suas subsidiárias ao fim de 2025, embora a Safran ainda detivesse metade do capital econômico. A aquisição elimina essa participação compartilhada e dá à Embraer a totalidade do controle societário e operacional.

Integração ocorre durante aumento da produção

A Embraer conclui a compra em um momento de expansão de sua carteira de pedidos e de aumento das entregas.

A companhia terminou o primeiro trimestre de 2026 com uma carteira total de pedidos de US$ 32,1 bilhões, crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2025 e o sexto recorde trimestral consecutivo.

A Aviação Comercial concentrava US$ 15 bilhões desse total, avanço anual de 50%. A divisão inclui a família E-Jets, atendida pelos componentes produzidos pela EZ Air.

No primeiro trimestre, a fabricante entregou 44 aeronaves, ante 30 unidades no mesmo período do ano anterior. A Aviação Comercial respondeu por dez jatos, incluindo três E195-E2.

A Embraer projeta entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais em 2026. Para a Aviação Executiva, a estimativa varia de 160 a 170 unidades.

O crescimento da carteira e o aumento das metas de produção tornam a previsibilidade da cadeia de suprimentos mais importante. Atrasos em componentes aparentemente menores podem impedir a conclusão e a entrega de uma aeronave inteira, mesmo quando motores, asas e estruturas principais já estão disponíveis.

Nesse contexto, o controle direto da EZ Air pode ajudar a fabricante a alinhar a produção dos componentes de cabine com o ritmo das linhas de montagem dos E-Jets.

A operação também pode facilitar mudanças de projeto, adaptações solicitadas por companhias aéreas e iniciativas para reduzir peso, tempo de instalação ou custo de manutenção.

Esses benefícios são possibilidades industriais, mas ainda não foram quantificados pela Embraer. A companhia não divulgou metas de redução de custos, produtividade, margens ou prazos de retorno do investimento.

Receita da Embraer cresceu 31% no primeiro trimestre

A aquisição ocorre em um período de recuperação financeira e operacional da Embraer.

A companhia registrou receita de US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado para os três primeiros meses de um ano em sua história. O valor representou crescimento de 31% sobre o mesmo intervalo de 2025.

A receita da Aviação Comercial alcançou US$ 293 milhões, alta de 45%, impulsionada por maior volume de entregas e preços. A unidade de Defesa e Segurança faturou US$ 227 milhões, enquanto a Aviação Executiva gerou US$ 418 milhões.

Serviços e Suporte respondeu pela maior receita entre as divisões, com US$ 490 milhões no trimestre.

O lucro operacional ajustado antes de juros e impostos chegou a US$ 94 milhões, com margem de 6,5%. O lucro líquido ajustado foi de US$ 27,7 milhões.

A Embraer também elevou os investimentos. Foram aplicados US$ 98,8 milhões no primeiro trimestre, sem considerar a Eve Air Mobility, ante US$ 88,2 milhões no mesmo período de 2025.

A compra da EZ Air acrescenta uma nova frente de integração industrial, mas o impacto financeiro não poderá ser medido enquanto a companhia não divulgar o preço e os números individuais da operação adquirida.

Controle de fornecedores pode reduzir riscos, mas aumenta responsabilidades

A internalização de uma atividade industrial pode diminuir a dependência de um parceiro externo, porém também transfere integralmente os riscos do negócio para o comprador.

Enquanto a EZ Air era uma joint venture, Embraer e Safran compartilhavam decisões, investimentos e responsabilidades. Com a compra dos 50% restantes, a fabricante brasileira passa a responder sozinha pela necessidade de capital, modernização de equipamentos, contratação de profissionais e desempenho da unidade.

A Embraer também assume maior exposição aos custos trabalhistas, cambiais e operacionais do México. A produção em Chihuahua envolve despesas em moedas diferentes daquelas utilizadas na venda das aeronaves e está inserida em uma cadeia logística internacional.

A integração precisará preservar o fornecimento durante a transição societária. Interrupções poderiam afetar a montagem dos E-Jets, especialmente em um período de aceleração das entregas.

A permanência de profissionais experientes será outro ponto relevante. A fabricação de componentes aeronáuticos exige conhecimento sobre processos certificados, rastreabilidade, materiais, inspeções e padrões específicos da indústria.

A Safran afirmou, quando anunciou a venda, que os cerca de 1.100 empregados de Chihuahua passariam para a estrutura integralmente controlada pela Embraer. No comunicado de conclusão, a fabricante brasileira deu boas-vindas aos novos profissionais, mas não informou mudanças de gestão ou reorganização da unidade.

Safran mantém presença relevante no setor aeronáutico

A venda da EZ Air não representa a saída da Safran do mercado de interiores de aeronaves nem o encerramento de sua relação comercial com a Embraer.

A Safran Cabin mantém operações globais de desenvolvimento, certificação, fabricação e suporte de sistemas de cabine. A empresa produz cozinhas, lavatórios, compartimentos de bagagem, divisórias e soluções para tratamento de água e resíduos.

O grupo francês possui cerca de 25 unidades da Safran Cabin distribuídas por dez países. A companhia também participa de outros segmentos da indústria aeronáutica, incluindo motores, trens de pouso, sistemas elétricos, aviônicos, defesa e equipamentos.

No Brasil, as atividades de engenharia não relacionadas aos programas da Embraer continuarão com a Safran. A separação é restrita aos ativos e profissionais vinculados ao escopo transferido.

A decisão também faz parte de uma reorganização do portfólio da empresa francesa. Em 2026, a Safran realizou outras operações de compra e venda de ativos, mantendo o foco em negócios considerados prioritários para sua estratégia global.

Valor e impacto contábil continuam desconhecidos

O principal dado ainda não divulgado é o preço da aquisição.

Sem esse valor, não é possível calcular quanto a Embraer pagou pela totalidade do negócio, qual múltiplo foi aplicado, se houve assunção de dívidas ou como a transação será financiada.

Também não foram informadas a receita anual da EZ Air, sua margem operacional, o patrimônio líquido, o endividamento ou o volume de negócios realizados com a própria Embraer.

Como a unidade atendia exclusivamente aos programas da fabricante, parte relevante de sua receita provavelmente já estava relacionada a compras realizadas pelo grupo. A consolidação integral poderá eliminar contabilmente algumas transações entre empresas do mesmo conglomerado.

Esse efeito não representa, por si só, crescimento de receita. O impacto econômico dependerá da eficiência da unidade, dos custos que deixarão de ser pagos à antiga sócia e dos investimentos necessários para sustentar a produção.

A Embraer deverá fornecer informações adicionais quando publicar as demonstrações financeiras referentes ao período em que a aquisição foi concluída. Até lá, o significado estratégico da operação é mais claro do que seu efeito financeiro.

A companhia passa a controlar integralmente um fornecedor dedicado a seus principais jatos comerciais, reforça a presença industrial no México e incorpora atividades brasileiras diretamente relacionadas aos E-Jets.

O próximo teste será transformar esse controle em maior previsibilidade de produção, eficiência e qualidade, sem provocar interrupções durante a integração das operações.

Fontes e documentos

Embraer: conclusão da aquisição dos 50% restantes da EZ Air Interior Limited e integração de atividades da Safran Cabin no Brasil — 1º de julho de 2026 — https://www.embraer.com/media-center/en?detail=27113&mediatype=NEWS.

Safran: assinatura do acordo definitivo para a venda de sua participação de 50% na EZ Air — 19 de janeiro de 2026 — https://www.safran-group.com/pressroom/safran-sell-embraer-its-50-stake-their-aircraft-interiors-joint-venture-ezair-2026-01-19.

Embraer: resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 — receita, lucro, investimentos e entregas — 8 de maio de 2026 — https://www.embraer.com/media-center/en?detail=26052&mediatype=NEWS.

Securities and Exchange Commission: lista de subsidiárias da Embraer em 31 de dezembro de 2025 — registro da EZ Air Interior Limited — https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/1355444/000162828026021824/embj-20251231xex8.htm.

Safran: perfil da Safran Cabin e atividades globais em interiores de aeronaves — consultado em 2 de julho de 2026 — https://www.safran-group.com/companies/safran-cabin.

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