O mercado brasileiro de veículos novos registrou 504.574 emplacamentos em julho de 2026, alta de 10,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e crescimento de 3,3% sobre junho, segundo balanço divulgado nesta terça-feira, 4 de agosto, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. O volume, que reúne automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, foi o terceiro maior já registrado para um mês de julho.
De janeiro a julho, os emplacamentos chegaram a 3.219.957 unidades, avanço de 15,1% sobre igual período do ano passado. Segundo a Fenabrave, esse é o segundo maior resultado da série para os sete primeiros meses de um ano. A entidade atribuiu o desempenho principalmente aos segmentos de maior volume, com destaque para automóveis, comerciais leves e motocicletas, além da ampliação da oferta de produtos e da competição entre marcas.
O avanço mensal também foi influenciado pelo calendário. Julho teve três dias úteis a mais do que junho, período em que foram registradas 488.420 unidades. No primeiro semestre, o setor havia acumulado 2.715.403 emplacamentos, crescimento de 16,01% sobre os seis primeiros meses de 2025 e o melhor resultado para o período desde 2011.
Apesar da continuidade da expansão, a Fenabrave não elevou suas projeções para 2026. A entidade manteve as estimativas revisadas em julho e informou que poderá fazer nova avaliação em outubro, caso ocorram mudanças relevantes no mercado. A decisão indica que o resultado de julho não foi interpretado, isoladamente, como garantia de aceleração durante todo o segundo semestre.
Resultado combina volume elevado e mais dias úteis
A comparação entre junho e julho mostra que o aumento absoluto foi de 16.154 unidades. Como houve três dias úteis adicionais, parte da expansão decorreu da maior quantidade de dias disponíveis para registros. Ainda assim, a alta de 10,2% frente a julho de 2025 e a posição histórica do mês indicam que o avanço não se limitou ao efeito do calendário.
A Fenabrave informou que o varejo de automóveis e comerciais leves e o mercado de motocicletas continuaram sustentando os números gerais. Esses segmentos concentram a maior parte dos registros e se beneficiam de uma combinação de renovação de frota, demanda por mobilidade, ampliação dos portfólios e maior concorrência comercial entre fabricantes e concessionárias.
O presidente da entidade, Arcelio Junior, avaliou que a disponibilidade de crédito no primeiro semestre pode ter antecipado parte das compras. A Fenabrave também considera que as eleições de outubro podem levar a uma acomodação do mercado nos próximos meses. A projeção, portanto, combina um acumulado forte com cautela sobre a manutenção do mesmo ritmo até dezembro.
A entidade também citou o Programa Carro Sustentável entre os fatores que contribuíram para o desempenho dos segmentos de maior volume. O mecanismo alterou a tributação de automóveis e comerciais leves conforme critérios ambientais, industriais e tecnológicos, criando uma faixa de Imposto sobre Produtos Industrializados zerado para versões registradas como sustentáveis pelo governo federal.
IPI zero favorece versões enquadradas no programa
O Programa Carro Sustentável foi instituído no âmbito do Mover pelo Decreto nº 12.549, de 10 de julho de 2025. A norma modificou a Tabela de Incidência do IPI para veículos de passageiros e comerciais leves e estabeleceu um sistema de bônus e acréscimos conforme fonte de energia, eficiência, potência, segurança e reciclabilidade.
Para receber IPI zero, a versão precisa cumprir simultaneamente quatro condições: emissão de até 83 gramas de dióxido de carbono por quilômetro no ciclo do poço à roda; uso de pelo menos 80% de materiais recicláveis ou reutilizáveis; realização no país de etapas fabris definidas pelo processo produtivo básico; e enquadramento como subcompacto, compacto, utilitário esportivo compacto ou picape compacta.
O enquadramento não é automático para todos os veículos de determinada fabricante. Cada marca e modelo depende de requerimento e de registro de versão sustentável aprovado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Os atos de habilitação identificam as versões que atendem às exigências técnicas e podem utilizar a alíquota reduzida.
A regra de IPI zero tem vigência prevista até 31 de dezembro de 2026. Para os demais veículos, o decreto adotou alíquota-base de 6,3% para modelos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, com ajustes positivos ou negativos conforme as características do produto. A estrutura foi desenhada para redistribuir a tributação dentro do setor, premiando modelos mais eficientes sem criar benefício indistinto para toda a frota nova.
Pesados aguardam efeitos do Move Brasil
Nos segmentos de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, a leitura da Fenabrave é diferente. A entidade afirmou que o Move Brasil interrompeu a deterioração observada nos meses anteriores, mas avaliou que parte dos pedidos financiados ainda precisa ser convertida em emplacamentos. Por essa razão, o efeito integral do programa deverá aparecer nos balanços seguintes.
O BNDES abriu em 29 de maio o protocolo do BNDES Mais Mobilidade, linha destinada à renovação de caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. O programa dispõe de R$ 21,2 bilhões, dos quais R$ 14,5 bilhões têm origem no Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões correspondem a recursos adicionais do banco de desenvolvimento.
A operação reservou R$ 2 bilhões para a aquisição de ônibus e outros R$ 2 bilhões para transportadores autônomos e cooperados. Os financiamentos são processados por agentes financeiros credenciados, com limite de até R$ 50 milhões por beneficiário, prazo que pode chegar a dez anos e possibilidade de até 12 meses de carência, conforme a modalidade e as condições aplicáveis.
Em junho, o BNDES informou que havia aprovado R$ 10 bilhões em operações nos primeiros 12 dias da nova etapa, o equivalente a 47,1% da dotação do programa. Como aprovação de crédito, faturamento, entrega e emplacamento ocorrem em momentos diferentes, a Fenabrave espera que parte desse volume apareça gradualmente nas estatísticas.
Projeções mantêm alta nos leves e queda nos pesados
A projeção revisada da Fenabrave indica 2.773.814 emplacamentos de automóveis e comerciais leves em 2026, expansão de 8,8% sobre as 2.549.462 unidades registradas em 2025. A estimativa substituiu a previsão inicial, que apontava crescimento de 3% e volume de 2.625.912 unidades.
Para motocicletas, a expectativa foi mantida em alta de 10%, com 2.416.980 unidades no ano. Somados todos os segmentos acompanhados, a entidade prevê 5.382.753 registros em 2026, crescimento de 8,6% diante das 4.957.517 unidades do ano anterior.
Os pesados permanecem com projeções negativas, apesar do crédito adicional. Para caminhões, a estimativa é de 102.245 unidades, retração de 7,8% frente às 110.873 registradas em 2025. Em janeiro, a entidade previa alta de 3,5% e 114.752 caminhões, cenário alterado após a fraqueza observada no primeiro semestre.
No caso dos ônibus, a projeção foi reduzida para 26.198 unidades, queda anual de 9,2%. A previsão inicial indicava crescimento de 3% e 29.709 veículos. Para implementos rodoviários, a estimativa passou a 63.516 registros, recuo de 10,6%, ante uma expectativa anterior de expansão de 2%.
O subtotal formado por automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus deve alcançar 2.902.257 unidades no ano, alta de 7,9% sobre 2025. O aumento dos leves mais do que compensa, no cálculo agregado, as quedas esperadas para caminhões e ônibus, mas a diferença entre os segmentos mostra que a recuperação não ocorre de forma uniforme.
Crédito e eleições entram no cálculo do segundo semestre
A Fenabrave considera que as taxas de juros ainda elevadas permanecem como limitação para consumidores e empresas, especialmente nas aquisições de maior valor. O impacto é mais intenso em caminhões, ônibus e implementos, normalmente financiados como bens de capital e associados a decisões de investimento de transportadores, cooperativas e operadores de transporte coletivo.
Nos leves, a concorrência entre marcas, os descontos comerciais e o tratamento tributário das versões sustentáveis ampliam as alternativas oferecidas ao consumidor. Esses fatores ajudam a explicar por que automóveis e comerciais leves apresentam projeção de crescimento, mesmo com o custo financeiro ainda elevado e com a possibilidade de desaceleração no segundo semestre.
A entidade também espera efeitos futuros do Move Brasil Táxi e Aplicativos, cuja execução depende do cadastramento dos motoristas, da aprovação das operações e do uso de garantias para reduzir o risco dos financiamentos. No balanço de julho, a Fenabrave afirmou que ainda não era possível estimar o impacto efetivo da iniciativa sobre os emplacamentos.
A próxima avaliação formal das projeções poderá ocorrer em outubro. Até lá, os balanços de agosto e setembro deverão mostrar se o terceiro melhor julho da série refletiu apenas a combinação entre calendário, incentivos e compras antecipadas ou se o mercado manterá crescimento suficiente para superar a previsão de 5,38 milhões de veículos emplacados em 2026. (Fenabrave)
Fontes:
- Fenabrave — Emplacamentos de veículos alcançam o terceiro melhor mês de julho da história e registram o segundo maior volume no acumulado — 4 de agosto de 2026
- Fenabrave — Emplacamentos de veículos fecham o primeiro semestre com alta acima de 16% — 2 de julho de 2026
- Fenabrave — Projeções revisadas de emplacamentos para 2026 — julho de 2026
- Presidência da República — Decreto nº 12.549, de 10 de julho de 2025
- Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Regulação do Programa Carro Sustentável
- BNDES — Governo amplia Move Brasil, que terá R$ 21,2 bilhões para aquisição de caminhões e ônibus
- BNDES — Move Brasil abre operação para renovar frota de caminhões e ônibus — 29 de maio de 2026
- BNDES — Move Brasil aprova R$ 10 bilhões para renovação de frota — 16 de junho de 2026










