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ESPM incorpora Panamericana e amplia aposta nas indústrias criativas

Campus da Avenida Angélica passa a operar como ESPM/Panamericana, em movimento que une marketing, negócios, arte, design e formação criativa

por Ana Luiza Farias
17/11/2025 às 13h37
em Negócios
Espm - Gazeta Mercantil

A ESPM incorporou a Escola Panamericana de Arte e Design e ampliou sua presença no mercado de educação voltado às indústrias criativas, em uma operação que integra uma das instituições mais tradicionais de arte e design do país ao ecossistema acadêmico da escola de marketing, comunicação e negócios. A partir de janeiro de 2026, o campus da Panamericana na Avenida Angélica, em Higienópolis, na capital paulista, passou a operar como ESPM/Panamericana, mantendo cursos atuais e abrindo espaço para novos programas educacionais.

A incorporação envolve cerca de 80 profissionais e 500 alunos, que passam a fazer parte da comunidade ESPM. A proposta da instituição é preservar o legado da Panamericana, fundada em 1961, e ampliar sua atuação em áreas como artes visuais, design, fotografia, moda, arquitetura, comunicação e inovação.

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O movimento reforça uma tendência do setor educacional: a aproximação entre criatividade, tecnologia, negócios e formação profissional. Em um mercado de trabalho cada vez mais dependente de repertório visual, pensamento crítico, inovação e capacidade de adaptação, escolas tradicionais buscam ampliar portfólio e reposicionar suas marcas para atender às novas demandas da economia criativa.

Integração une duas marcas tradicionais da educação

A ESPM tem 74 anos de atuação e construiu sua reputação em áreas como marketing, comunicação, consumo, gestão e negócios. A Panamericana, por sua vez, consolidou trajetória de mais de seis décadas na formação de artistas, designers, fotógrafos e profissionais criativos.

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A união das duas instituições busca combinar a visão estratégica da ESPM com a tradição prática da Panamericana no ensino de arte e design. Segundo a ESPM, a incorporação pretende dar continuidade ao legado da escola e expandir sua presença no ensino criativo.

Na prática, a operação permite à ESPM ampliar sua atuação em um campo que ganhou relevância no mercado corporativo. Empresas de diferentes setores passaram a demandar profissionais capazes de unir competências técnicas, visão de negócio e linguagem visual.

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Esse reposicionamento também reflete a valorização das chamadas soft skills, como criatividade, pensamento crítico, colaboração e resolução de problemas. A ESPM informa taxa de empregabilidade de 91% entre seus formandos, dado usado pela instituição para reforçar sua conexão com o mercado de trabalho.

Campus da Avenida Angélica é reaberto como ESPM/Panamericana

Um dos pontos centrais da operação é a reabertura do campus da Avenida Angélica, em Higienópolis, sob o nome ESPM/Panamericana. O endereço é parte importante da identidade da escola de arte e design e será usado como base para a nova fase da instituição.

Segundo informações divulgadas pela ESPM, os programas atuais da Panamericana serão mantidos, enquanto cursos da ESPM e novos projetos educacionais serão incorporados à grade.

A preservação do campus tem valor simbólico. A Panamericana construiu parte de sua reputação não apenas pelo portfólio acadêmico, mas também pelo ambiente ligado à experimentação artística, à prática visual e à formação criativa.

Com a incorporação, a ESPM tenta evitar a perda de identidade da marca adquirida e, ao mesmo tempo, usar sua estrutura para ampliar alcance, gestão acadêmica e conexão com o mercado.

Economia criativa ganha peso na formação profissional

A incorporação ocorre em um momento de maior valorização da economia criativa. Design, comunicação, moda, games, fotografia, audiovisual, branding, arquitetura, experiência do usuário e produção de conteúdo passaram a ocupar espaço estratégico em empresas, agências, startups e marcas.

A formação profissional nesse campo deixou de ser vista apenas como expressão artística. Hoje, criatividade é tratada como ativo econômico, capaz de influenciar vendas, posicionamento de marca, inovação, experiência do consumidor e competitividade.

Esse contexto ajuda a explicar o interesse da ESPM em ampliar sua presença nas indústrias criativas. Ao incorporar a Panamericana, a instituição adiciona uma marca reconhecida em arte e design ao seu portfólio de marketing, negócios e comunicação.

A estratégia também acompanha a transformação do mercado educacional, em que instituições precisam oferecer formações mais flexíveis, multidisciplinares e conectadas às demandas de empregabilidade.

Panamericana leva legado em arte, design e experimentação

Fundada em São Paulo em 1961, a Panamericana nasceu com foco em artes visuais, design e publicidade. Ao longo das décadas, tornou-se referência pela abordagem prática e pela valorização da experimentação artística.

Nos anos 1970, a escola consolidou reputação no cenário criativo nacional. Nas décadas seguintes, acompanhou a expansão da economia criativa e ampliou sua atuação em áreas como artes plásticas, design gráfico, fotografia e moda.

A partir dos anos 2000, a Panamericana incorporou novas linguagens, incluindo motion design, design digital e design de interiores. Entre 2010 e 2020, ganhou reconhecimento pela participação de alunos e ex-alunos em festivais e premiações criativas.

A incorporação pela ESPM representa, portanto, uma mudança relevante para uma marca com forte capital simbólico no ensino criativo brasileiro.

Operação fortalece disputa por alunos no ensino privado

A integração entre ESPM e Panamericana também deve ser lida no contexto competitivo do ensino privado. Instituições educacionais buscam diferenciação em um mercado pressionado por mudanças no perfil dos estudantes, avanço de cursos livres, educação digital e demanda por formações de rápida aplicação profissional.

Ao assumir a Panamericana, a ESPM amplia seu alcance em cursos ligados à criatividade e fortalece sua capacidade de atrair estudantes interessados em carreiras híbridas, que combinam arte, estratégia, tecnologia e negócios.

Esse tipo de movimento pode criar vantagem competitiva em relação a instituições que operam de forma mais segmentada. A junção de marca tradicional, campus reconhecido e portfólio ampliado pode elevar a atratividade da nova ESPM/Panamericana.

Para os alunos, a promessa é acesso a uma estrutura maior, preservando a identidade criativa da Panamericana. Para o mercado, a operação reforça a tendência de consolidação e reposicionamento de marcas educacionais em nichos de alto valor simbólico.

Novos cursos devem ampliar portfólio da instituição

A ESPM informou que novos cursos serão incorporados à grade atual da escola de arte. A instituição também afirma que o portfólio da Panamericana passa a se integrar à estrutura do grupo, com oferta de formações em áreas como artes plásticas, design e comunicação, fotografia, design de interiores, animação, games, design de moda, criatividade e repertório.

A ampliação do portfólio tende a aproximar ainda mais a escola de segmentos em crescimento. Áreas como experiência do usuário, design digital, produção visual, branding, inteligência artificial aplicada à criatividade e economia de criadores passaram a ganhar relevância na formação profissional.

O desafio será equilibrar expansão com preservação de identidade. Em incorporações de instituições tradicionais, o risco é diluir o valor da marca absorvida. A ESPM tenta contornar esse ponto ao manter o nome Panamericana e reabrir o campus como unidade própria dentro do grupo.

A decisão de preservar a marca sugere que a instituição reconhece o valor histórico da Panamericana e pretende usá-lo como ativo estratégico.

Movimento reposiciona ESPM no mercado criativo

A incorporação da Panamericana amplia o posicionamento da ESPM para além de marketing, comunicação e negócios. A escola passa a disputar com mais força o território da formação criativa, especialmente em São Paulo, principal centro de consumo, comunicação, moda, design e publicidade do país.

A estratégia é coerente com a transformação do mercado de trabalho. Empresas não buscam apenas profissionais técnicos ou especialistas isolados. A demanda cresce por perfis capazes de articular estética, tecnologia, estratégia, repertório cultural e visão de mercado.

Nesse cenário, escolas que conseguem integrar criatividade e negócios tendem a ganhar relevância. A ESPM/Panamericana nasce justamente com esse discurso: unir tradição artística, método prático e visão estratégica.

O movimento também reforça o papel da educação como parte da infraestrutura da economia criativa. Formação de talentos, redes profissionais, portfólios e conexão com empresas são fatores determinantes para o desenvolvimento de setores intensivos em conhecimento e criação.

Incorporação abre novo ciclo para a Panamericana

A incorporação pela ESPM marca um novo ciclo para a Panamericana. A escola, que atravessou diferentes fases do ensino criativo brasileiro, passa a operar dentro de uma estrutura institucional maior, com potencial de expansão acadêmica, comercial e de marca.

Para a ESPM, a operação representa avanço em um segmento com forte apelo de mercado e alta conexão com comunicação, consumo e inovação. Para a Panamericana, significa continuidade de uma história construída ao longo de mais de 60 anos.

A efetividade da integração dependerá da capacidade de preservar o método e a identidade da escola de arte, ao mesmo tempo em que novos cursos, recursos e projetos sejam incorporados. Esse equilíbrio será determinante para transformar a operação em ganho real para alunos, professores e mercado.

Com a reabertura do campus da Avenida Angélica como ESPM/Panamericana, a instituição passa a disputar um espaço mais amplo nas indústrias criativas. A operação une duas marcas de forte reconhecimento e sinaliza que criatividade, cada vez mais, deixou de ser área complementar para se tornar eixo estratégico da formação profissional.

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