terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Agronegócio

Etanol amplia vantagem sobre gasolina e gera economia de até R$ 79 por tanque em São Paulo

Preço médio do biocombustível caiu para R$ 3,70 por litro no Estado e atingiu 57,9% do valor da gasolina, menor proporção desde 2018, segundo levantamento baseado nos dados da ANP.

por Daniel Wicker
04/08/2026 às 12h02
em Agronegócio
Combustíveis.-Gazeta Mercantil

O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica sobre a gasolina comum em São Paulo desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Com o biocombustível vendido, em média, a R$ 3,70 por litro e a gasolina a R$ 6,39, a diferença pode representar economia de R$ 79,29 no abastecimento de um tanque de 60 litros.

O cálculo considera que um litro de etanol proporciona, em média, 73% do rendimento energético da gasolina. Aplicado esse parâmetro, a gasolina vendida a R$ 6,39 corresponderia a um preço equivalente de R$ 5,07 para o etanol. Como o valor efetivamente encontrado nas bombas paulistas foi de R$ 3,70, a diferença ajustada chegou a R$ 1,32 por litro.

Leia também: Reestruturação do BRB acelera fechamento de agências e amplia atendimento virtual.

A relação entre os preços ficou em 57,9% em São Paulo. Quanto menor essa proporção, maior tende a ser a vantagem do etanol para os veículos flex. O resultado foi o mais favorável ao biocombustível em oito anos e o segundo melhor desde o início da série utilizada pela entidade, em 2013.

Os dados têm como base o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável por acompanhar os preços praticados nos postos. A pesquisa abrange gasolina comum, etanol hidratado, diesel, gás veicular e gás liquefeito de petróleo, com resultados nacionais, estaduais e municipais.

Leia também: São Paulo Investe na Indústria de Games e Assume Liderança Nacional em Jogos Digitais.

Vantagem depende do consumo de cada veículo

A proporção de 73% utilizada no cálculo representa uma referência técnica mais atualizada do que a regra simplificada dos 70%, tradicionalmente adotada para comparar os dois combustíveis. O ponto de equilíbrio pode variar conforme o modelo do veículo, o motor, as condições de condução e o tipo de percurso.

Para um automóvel que percorra proporcionalmente 73 quilômetros com etanol para cada 100 quilômetros realizados com gasolina, o biocombustível será economicamente vantajoso quando custar menos de 73% do preço do combustível fóssil. Em São Paulo, a relação de 57,9% ficou 15,1 pontos percentuais abaixo desse limite.

A economia de R$ 79,29 não corresponde apenas à diferença nominal entre os preços na bomba. Se fossem comparados diretamente os valores de um tanque de 60 litros, o abastecimento com etanol custaria R$ 222, enquanto a gasolina exigiria R$ 383,40. A distância nominal seria de R$ 161,40, mas parte dela é compensada pelo menor rendimento energético do etanol.

Depois do ajuste pelo consumo, o custo equivalente da gasolina para a mesma distância seria de aproximadamente R$ 304,20. A diferença em relação aos R$ 222 gastos com o etanol fica próxima dos R$ 80 estimados. O benefício efetivo poderá ser maior ou menor conforme a eficiência específica de cada automóvel.

Motoristas podem calcular a paridade dividindo o preço do etanol pelo preço da gasolina. Com os valores médios paulistas, a operação de R$ 3,70 divididos por R$ 6,39 resulta em 0,579, ou 57,9%. O resultado indica vantagem ampla mesmo para veículos nos quais o rendimento relativo do etanol fique abaixo dos 73% adotados pela entidade.

Etanol é competitivo em seis Estados pesquisados

A vantagem não ficou restrita à média estadual de São Paulo. Segundo a análise dos dados da ANP, todos os municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais apresentaram preços do etanol abaixo da paridade técnica com a gasolina.

Os seis Estados concentram parcela relevante da produção brasileira de cana-de-açúcar e de etanol de milho. A proximidade das usinas, a disponibilidade do produto e a estrutura logística reduzem custos de transporte e favorecem a transmissão dos preços praticados pelos produtores até os postos.

Em Mato Grosso, a relação entre os preços caiu para 55%. O etanol hidratado foi comercializado, em média, a R$ 3,74 por litro, diante de R$ 6,80 para a gasolina. A diferença nominal atingiu R$ 3,06 por litro, superior aos R$ 2,69 registrados em São Paulo.

A competitividade, entretanto, não é uniforme em todo o território nacional. Estados distantes das principais regiões produtoras enfrentam custos logísticos maiores, e a tributação também interfere no preço final. A ANP esclarece que os combustíveis operam em regime de liberdade de preços desde 2002, sem tabelamento ou autorização prévia para reajustes.

O valor ao consumidor é composto pelos preços praticados por produtores ou importadores, tributos federais e estaduais, custos de distribuição, despesas de revenda e margens comerciais. No caso da gasolina, também influencia a proporção de etanol anidro obrigatoriamente adicionada ao produto antes de sua comercialização.

Preço nas usinas acumula quedas em julho

A redução observada nos postos ocorreu após uma sequência de quedas nas negociações entre usinas e distribuidoras. O Indicador Semanal do Etanol Hidratado Cepea/Esalq para São Paulo passou de R$ 2,2427 por litro no período encerrado em 3 de julho para R$ 2,0764 entre os dias 20 e 24.

O recuo acumulado nesse intervalo foi de 7,4%. Apenas na semana de 20 a 24 de julho, a diminuição chegou a 2,68%. O indicador é calculado sem frete, ICMS, PIS e Cofins, motivo pelo qual não deve ser comparado diretamente com os valores pagos pelo consumidor nos postos.

O etanol anidro, misturado à gasolina, apresentou trajetória semelhante. O preço médio caiu de R$ 2,5808 por litro na semana encerrada em 3 de julho para R$ 2,3786 entre os dias 20 e 24, uma redução de 7,8%.

O movimento refletiu a intensificação da moagem de cana-de-açúcar e a necessidade de comercialização por parte de algumas unidades produtoras. A entrada de maior volume no mercado pressionou as cotações, enquanto distribuidoras mantiveram cautela nas compras diante da expectativa de continuidade da oferta.

A transmissão das quedas das usinas para os postos não é automática nem integral. Estoques adquiridos anteriormente, contratos, frete, tributos e margens comerciais podem retardar ou reduzir o repasse. A sequência de recuos, porém, abriu espaço para uma diminuição dos preços ao consumidor ao longo de julho.

Produção cresce com cana e etanol de milho

A oferta também foi favorecida pelo desempenho da produção na safra 2026/2027. Até 1º de junho, as unidades do Centro-Sul haviam produzido 7,54 bilhões de litros de etanol, crescimento de 31,55% em relação ao mesmo estágio do ciclo anterior.

O etanol hidratado, vendido diretamente nos postos, somou 4,96 bilhões de litros, aumento de 29%. A fabricação de anidro alcançou 2,58 bilhões de litros, avanço de 36,73%. Os dados abrangem a produção a partir de cana-de-açúcar e de milho.

Somente na segunda quinzena de maio, foram fabricados 2,13 bilhões de litros de etanol. Desse volume, 1,33 bilhão correspondeu ao hidratado e 796 milhões ao anidro. Cerca de 19,4% da produção quinzenal teve o milho como matéria-prima.

A produção de etanol de milho atingiu 1,57 bilhão de litros desde o começo da safra, alta de 8,63%. Essa modalidade permite fabricação ao longo de períodos em que a moagem de cana diminui e amplia a disponibilidade do combustível em Estados do Centro-Oeste.

A expansão da produção ocorreu apesar de a moagem de cana ter recuado na segunda metade de maio. As usinas processaram 41,55 milhões de toneladas, 13,08% abaixo do volume do mesmo período da safra anterior. A maior destinação da matéria-prima ao etanol e o crescimento da produção de milho compensaram parcialmente a redução.

Vendas internas acompanham ganho de competitividade

As vendas das unidades do Centro-Sul somaram 2,88 bilhões de litros de etanol em maio. O hidratado respondeu por 1,79 bilhão de litros, enquanto o anidro totalizou 1,09 bilhão.

No mercado doméstico, a comercialização de hidratado alcançou 1,77 bilhão de litros. A média diária avançou 2,09% na comparação com maio da safra anterior. As vendas de anidro aumentaram 1,66%, também considerando o mercado interno.

A melhora já era observada no fim de maio, quando o preço do etanol nos postos correspondia a 60,7% do valor da gasolina em São Paulo. Na última semana daquele mês, todos os municípios pesquisados nos seis principais Estados produtores apresentavam vantagem para o biocombustível.

Entre o fim de maio e o levantamento divulgado em agosto, a paridade paulista caiu mais 2,8 pontos percentuais, de 60,7% para 57,9%. A redução mostra que o preço do etanol recuou em ritmo superior ao da gasolina durante o período.

No acumulado da safra até 1º de junho, as vendas das usinas do Centro-Sul chegaram a 5,66 bilhões de litros. O hidratado respondeu por 3,55 bilhões, e o anidro, por 2,11 bilhões.

Mistura de etanol na gasolina sobe para 32%

O ganho de competitividade do hidratado ocorre simultaneamente ao aumento do uso do etanol anidro na gasolina. O Conselho Nacional de Política Energética aprovou a elevação temporária da mistura obrigatória de 30% para 32%, conhecida como E32.

A medida entrou em vigor em 1º de agosto e terá duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação por igual período. A autorização está prevista na Lei do Combustível do Futuro e foi precedida por testes coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.

Os ensaios avaliaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões em veículos leves e motocicletas. Segundo o ministério, a mistura com 32% apresentou comportamento equivalente ao das proporções anteriores, inclusive em veículos que não possuem motor flex.

O governo estima que o E32 poderá reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina. A maior demanda por anidro cria uma destinação adicional para a produção das usinas, ao mesmo tempo que o hidratado permanece disponível como opção direta para proprietários de veículos flex.

A vantagem econômica observada em agosto dependerá da continuidade da oferta, das cotações nas usinas e dos repasses ao varejo. A ANP atualizará semanalmente os preços estaduais e municipais, permitindo verificar se a relação favorável ao etanol será mantida após o início do E32 e durante o avanço da moagem no Centro-Sul.


Fontes:

  • União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018 — 3 de agosto de 2026
  • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Levantamento de Preços de Combustíveis — consultado em 4 de agosto de 2026
  • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Série Histórica de Preços de Combustíveis e de GLP — consultada em 4 de agosto de 2026
  • Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada — Indicador Semanal do Etanol Cepea/Esalq — consultado em 4 de agosto de 2026
  • União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Safra 2026/2027, segunda quinzena de maio — 24 de junho de 2026
  • Ministério de Minas e Energia — CNPE aprova elevação do teor de etanol anidro na gasolina para 32% — 24 de julho de 2026

LEIA MAIS

Bradseg, Do Bradesco, Mira Expansão Em Seguros E Prioriza Rentabilidade - Gazeta Mercantil - Empresas
Empresas

Bradseg, do Bradesco, mira expansão em seguros e prioriza rentabilidade

Estratégia mantém um limite claro: não vai sacrificar rentabilidade para crescer agressivamente em ramos que entraram em disputa excessiva de preços, a exemplo do segmento de automóveis

Leia MaisDetails
Gasolina - Gazeta Mercantil
Economia

Governo zera tributos federais da gasolina por 30 dias e anuncia pacote de R$ 5,2 bilhões

Ministro da Fazenda afirmou que essas medidas são adicionais em relação a mitigação da guerra e impacto dos preços de combustíveis no país

Leia MaisDetails
Terras Raras Concentram Cerca De 42% Dos Valores Mapeados, Enquanto Grupos Chineses Ampliam Presença E Grandes Mineradoras Reduzem Exposição A Ativos Fora De Suas Prioridades-Gazeta Mercantil
Negócios

Fusões e aquisições na mineração somam US$ 8,2 bi e terras raras concentram 42%

A mineração brasileira atravessa uma forte reacomodação de capital, impulsionada pela disputa internacional por minerais estratégicos e pela revisão dos portfólios de grandes grupos do setor. Fusões e...

Leia MaisDetails
Tiktok Shop Cresce 102 Vezes No Brasil E Entra Na Estratégia De Grandes Marcas - Gazeta Mercantil
Negócios

TikTok Shop cresce 102 vezes no Brasil e entra na estratégia de grandes marcas

Plataforma transforma influenciadores em vendedores e vídeos em lojas virtuais

Leia MaisDetails
Shake Shack - Gazeta Mercantil
Empresas

Shake Shack chega ao Brasil em 2027 com grupo do Outback e plano de 40 restaurantes

Operação será comandada pelo grupo responsável pelo Outback no país e terá 40 unidades previstas nos próximos 10 anos. * * :strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/N/o/zPApFMTgWoIS2PPciyIA/234f.jpg) Shake Shack abrirá no Brasil em...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

17:21:41
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
â‚¿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Leia MaisDetails
Vivara Aprova Emissão De R$ 300 Milhões Em Debêntures Com Vencimento Em 2031-Gazeta Mercantil
Empresas

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Leia MaisDetails
Mercado Livre
Mercados

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

Leia MaisDetails
Governo Notifica 37 Fintechs Ligadas A Bets Ilegais
Política

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Embraer (EMBJ3) fecha acordo com Latam para suporte a 24 jatos E195-E2

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP