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Dólar cai 0,56%, a R$ 5,03, após notícias sobre acordo preliminar entre EUA e Irã

Moeda americana recuou 0,56% nesta quinta-feira, em sessão marcada por notícias sobre cessar-fogo no Oriente Médio, dados dos EUA e desemprego no Brasil

por Camila Braga
28/05/2026 às 18h10
em Dólar
Dolar - Gazeta Mercantil

O dólar hoje fechou em queda nesta quinta-feira, 28 de maio, após perder força ao longo da sessão diante de notícias sobre um possível entendimento preliminar entre Estados Unidos e Irã para estender por 60 dias o cessar-fogo no Oriente Médio. A moeda americana à vista recuou 0,56%, cotada a R$ 5,0331, enquanto investidores monitoraram também dados de inflação e atividade nos Estados Unidos, além da taxa de desemprego no Brasil.

Com o resultado, o dólar passou a acumular queda de 8,31% no ano frente ao real. No mercado futuro, o contrato de dólar para junho, o mais negociado na B3, também operava em baixa de 0,56% por volta das 17h10, aos R$ 5,0360.

Leia também: Dólar Hoje Cai com Expectativa de Alívio no Conflito EUA-Irã

A sessão começou com leve alta da moeda americana, em meio à cautela dos investidores com a instabilidade geopolítica no Oriente Médio. No fim da manhã, porém, o real ganhou força com relatos de que Washington e Teerã teriam chegado a um memorando de entendimentos para prolongar o cessar-fogo.

O movimento reduziu parte da aversão ao risco global, favorecendo moedas de países emergentes e ativos mais sensíveis ao fluxo internacional de capitais. Ainda assim, o cenário permaneceu instável diante de novos ataques e da fragilidade das negociações na região.

Cotação do dólar hoje

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,0331, com queda de 0,56%.

Dólar comercial hoje:

Compra: R$ 5,033
Venda: R$ 5,033

No acumulado de 2026, a moeda americana registra baixa de 8,31% ante o real. A valorização da moeda brasileira no ano reflete uma combinação de fatores externos e domésticos, incluindo diferencial de juros, fluxo para mercados emergentes e expectativa de trajetória da política monetária nos Estados Unidos.

Apesar da queda nesta quinta-feira, o câmbio segue sensível a mudanças no cenário internacional. Tensões geopolíticas, dados de inflação nos EUA, sinais do Federal Reserve e notícias sobre commodities continuam influenciando a direção do dólar no Brasil.

Oriente Médio reduz pressão sobre ativos de risco

O principal fator de alívio para o câmbio nesta quinta-feira veio do noticiário internacional. Notícias sobre um possível memorando de entendimentos entre Estados Unidos e Irã para estender o cessar-fogo por 60 dias reduziram a busca por proteção no dólar.

A melhora no sentimento global beneficiou o real, que costuma reagir positivamente em dias de menor aversão ao risco. Quando investidores avaliam que o ambiente externo está menos tenso, cresce a disposição para aplicar recursos em moedas e ativos de países emergentes.

O alívio, no entanto, foi parcial. A Guarda Revolucionária do Irã atacou uma base aérea dos Estados Unidos nesta quinta-feira, horas depois de o presidente americano, Donald Trump, rejeitar reportagem segundo a qual estaria perto de um acordo com Teerã.

A nova troca de ataques manteve a percepção de risco elevada. O conflito entre EUA e Irã ameaça a estabilidade do cessar-fogo e alimenta preocupações sobre possíveis interrupções em rotas marítimas estratégicas para a exportação de petróleo no Oriente Médio.

Petróleo e geopolítica seguem no radar do mercado

A tensão no Oriente Médio tem impacto direto sobre o mercado de câmbio porque a região concentra rotas relevantes para o transporte global de petróleo. Qualquer risco de interrupção na oferta pode elevar preços da commodity, pressionar inflação global e afetar decisões de política monetária.

Para o Brasil, o efeito é ambíguo. Preços mais altos do petróleo podem favorecer empresas exportadoras e melhorar termos de troca em alguns momentos, mas também aumentam preocupação com combustíveis, inflação e custos de produção.

No câmbio, o aumento da tensão geopolítica costuma fortalecer o dólar globalmente. A moeda americana é vista como ativo de proteção em momentos de incerteza, o que tende a pressionar moedas emergentes.

Nesta quinta-feira, porém, a possibilidade de extensão do cessar-fogo prevaleceu sobre a cautela inicial e ajudou o real a fechar em alta frente ao dólar.

Dados dos EUA reforçam leitura sobre juros

Além do noticiário geopolítico, investidores acompanharam indicadores econômicos dos Estados Unidos. O núcleo do PCE, medida de inflação acompanhada de perto pelo Federal Reserve, subiu 0,2% em abril, excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia.

Na comparação anual, o núcleo do PCE avançou 3,3%. Economistas consultados pela Reuters esperavam alta mensal de 0,3% e taxa anual também de 3,3%.

O dado mensal abaixo da expectativa ajudou a aliviar parte das preocupações com a inflação americana. Leituras mais moderadas de preços tendem a reforçar a percepção de que o Federal Reserve pode ter espaço para reduzir juros em algum momento, dependendo da evolução dos próximos indicadores.

Juros menores nos Estados Unidos costumam enfraquecer o dólar no mercado global e favorecer moedas emergentes. Isso ocorre porque a atratividade dos títulos americanos diminui, abrindo espaço para fluxos em busca de maior retorno em outros mercados.

PIB americano cresce menos que o esperado

O mercado também avaliou o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos. A economia americana cresceu 1,6% em termos anualizados no primeiro trimestre, abaixo da projeção de 2% de economistas consultados pela Reuters.

O dado reforçou a leitura de desaceleração da atividade econômica nos EUA. Para investidores, uma economia mais fraca pode reduzir pressões inflacionárias, mas também aumenta dúvidas sobre o ritmo de crescimento global.

No câmbio, indicadores mais fracos dos Estados Unidos podem pesar sobre o dólar quando reforçam expectativas de juros mais baixos. Ao mesmo tempo, se a desaceleração for interpretada como risco maior para a economia global, a moeda americana pode se beneficiar da busca por segurança.

Nesta sessão, a combinação de inflação levemente mais branda, PIB abaixo do esperado e alívio temporário no Oriente Médio favoreceu a queda do dólar ante o real.

Desemprego no Brasil vem abaixo da previsão

No cenário doméstico, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre encerrado em abril. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas de analistas consultados pela Reuters, que projetavam 5,9%.

O dado reforça a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido, com impacto potencial sobre consumo, renda e inflação de serviços. Para o câmbio, indicadores domésticos fortes podem favorecer a percepção sobre a economia brasileira, embora também sejam avaliados em conjunto com a política monetária.

Um mercado de trabalho resiliente tende a sustentar a atividade econômica e pode atrair atenção positiva de investidores. Por outro lado, renda e emprego fortes também podem dificultar a queda da inflação de serviços, influenciando as expectativas sobre os juros no Brasil.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um dos fatores relevantes para o comportamento do dólar. Enquanto o Brasil mantiver taxa real elevada, o real tende a receber suporte de operações de carregamento, embora esse efeito dependa do apetite global por risco.

Política doméstica também entra no radar

O mercado acompanhou ainda o levantamento Meio/Ideia divulgado nesta quinta-feira. A pesquisa mostrou que 51,4% dos eleitores desaprovam a condução do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 46,6% aprovam a gestão.

Apesar da melhora do presidente em pesquisas de intenção de voto, a desaprovação majoritária mantém a leitura de pressão política sobre o governo. Para investidores, indicadores de popularidade podem influenciar expectativas sobre articulação no Congresso, condução fiscal e agenda econômica.

No câmbio, o impacto político costuma ser mais intenso quando há sinais de deterioração fiscal, aumento de incerteza institucional ou dificuldade de aprovação de medidas econômicas. Nesta quinta-feira, porém, o fator predominante para o dólar foi o cenário externo.

Ainda assim, o ambiente doméstico segue relevante para a trajetória da moeda. A percepção sobre contas públicas, reformas, arrecadação e relação entre governo e Congresso continua no radar dos investidores.

Real se beneficia de combinação externa favorável

A queda do dólar nesta quinta-feira refletiu uma combinação de fatores. O possível avanço diplomático entre EUA e Irã reduziu parte da busca por proteção, enquanto dados dos Estados Unidos reforçaram apostas em uma política monetária menos restritiva adiante.

No Brasil, o desemprego abaixo do esperado contribuiu para a leitura de economia ainda resistente. O real também segue apoiado pelo diferencial de juros, que torna aplicações em moeda local mais atrativas em momentos de menor aversão ao risco.

O movimento, no entanto, não elimina a volatilidade. O câmbio permanece exposto a mudanças rápidas no noticiário do Oriente Médio, às próximas decisões do Federal Reserve, à trajetória do petróleo e aos sinais fiscais no Brasil.

Para os próximos pregões, investidores devem acompanhar a confirmação ou não de um acordo mais sólido entre EUA e Irã, novas falas de autoridades americanas, dados de inflação e atividade, além da agenda econômica doméstica.

Dólar fecha em baixa, mas cenário segue volátil

O dólar encerrou a quinta-feira em queda de 0,56%, a R$ 5,0331, após uma sessão marcada por mudança de sinal e forte influência do exterior. A moeda americana começou o dia em leve alta, mas perdeu força com o alívio gerado pelas notícias sobre um possível entendimento entre Estados Unidos e Irã.

A baixa levou o recuo acumulado do dólar no ano a 8,31% frente ao real. Ainda assim, a proximidade da cotação com R$ 5,03 mostra que o mercado segue atento ao equilíbrio entre fatores externos, juros americanos, diferencial de taxas e riscos geopolíticos.

A principal dúvida agora é se o alívio no Oriente Médio será sustentado. Caso o cessar-fogo avance, moedas emergentes podem continuar se beneficiando. Se a troca de ataques voltar a ganhar força, o dólar pode recuperar pressão diante da busca global por segurança.

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