Os fundos imobiliários Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) e XP Malls (XPML11) aparecem como os FIIs mais recomendados por analistas para julho, segundo levantamento com carteiras de bancos, corretoras e casas de análise.
Os dois fundos foram citados em cinco das dez carteiras recomendadas analisadas, refletindo duas teses distintas dentro do mercado imobiliário listado: de um lado, fundos de papel beneficiados pela Selic elevada; de outro, fundos de tijolo ligados à recuperação do consumo presencial.
O resultado mostra que os analistas seguem dividindo as recomendações entre estratégias defensivas, voltadas à geração de renda com recebíveis, e ativos imobiliários físicos com potencial de valorização operacional.
KNCR11 lidera entre os fundos de papel
O Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) é um fundo de recebíveis imobiliários, categoria conhecida como fundo de papel. Esse tipo de FII investe principalmente em títulos ligados ao setor imobiliário, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
A carteira do KNCR11 é concentrada em ativos atrelados ao CDI, característica que tende a favorecer o fundo em períodos de juros elevados. Com a Selic em patamar restritivo, fundos de papel indexados ao CDI seguem atrativos para investidores que buscam rendimento mensal.
O fundo conta com aproximadamente 547 mil cotistas na B3 e é visto por analistas como uma alternativa de alta liquidez dentro do segmento de recebíveis.
Para o BTG Pactual, o KNCR11 se destaca pela capacidade de estruturação própria, o que permite negociar melhores garantias, taxas mais atrativas e maior influência nas decisões relacionadas aos créditos da carteira.
XPML11 se destaca entre os fundos de tijolo
Na outra ponta, o XP Malls (XPML11) representa a principal aposta dos analistas entre os fundos de tijolo. O FII investe diretamente em imóveis físicos, com foco exclusivo em shopping centers.
O fundo possui cerca de 748 mil cotistas na B3 e patrimônio de aproximadamente R$ 7 bilhões. Seu portfólio reúne participação em 27 centros comerciais, que somam cerca de 1,1 milhão de metros quadrados de área bruta locável e mais de 5.200 lojas.
A tese para o XPML11 está ligada à recuperação do consumo presencial, ao aumento do fluxo de visitantes nos shoppings e ao crescimento do aluguel variável, componente que melhora a receita quando as vendas dos lojistas avançam.
Analistas do Daycoval destacam que o fundo possui ativos bem localizados, em regiões de alto fluxo comercial e concentração de renda. O banco também aponta melhora das margens operacionais, vacância estabilizada e distribuição consistente de dividendos.
Revisão de proventos entra no radar
Apesar da visão positiva, o XPML11 também exige atenção. O Itaú BBA destacou que o fundo revisou o guidance de dividendos para o segundo semestre, agora estimado entre R$ 0,83 e R$ 0,92 por cota.
Antes, a faixa projetada era de R$ 0,86 a R$ 0,92 por cota. A mudança ocorreu em meio à redução do resultado acumulado ainda não distribuído, que passou de cerca de R$ 3,76 por cota em janeiro para aproximadamente R$ 2,63 por cota.
Outro ponto observado pelos analistas é o nível de alavancagem do fundo, com cerca de R$ 537 milhões em CRIs e aproximadamente R$ 427 milhões em obrigações com vencimento até 2027.
Logística e fundos híbridos também aparecem
Além de KNCR11 e XPML11, o levantamento mostra presença relevante de fundos de logística e fundos híbridos entre os mais recomendados para julho.
Entre os nomes citados estão Bresco Logística (BRCO11), BTG Pactual Logística (BTLG11), TRX Real Estate (TRXF11), Guardian Real Estate (GARE11), Kinea Renda Imobiliária (KNRI11) e HSI Malls (HSML11).
A presença desses fundos indica que parte dos analistas segue buscando portfólios diversificados, com imóveis corporativos, logísticos, comerciais e de varejo, em vez de concentração em apenas um segmento.
Veja os FIIs mais recomendados para julho
| Fundo imobiliário | Ticker | Segmento | Recomendações |
|---|---|---|---|
| Kinea Rendimentos Imobiliários | KNCR11 | Papel | 5 |
| XP Malls | XPML11 | Tijolo — Shopping | 5 |
| Bresco Logística | BRCO11 | Tijolo — Logística | 4 |
| BTG Pactual Logística | BTLG11 | Tijolo — Logística | 3 |
| TRX Real Estate | TRXF11 | Tijolo — Híbrido | 3 |
| Guardian Real Estate | GARE11 | Tijolo — Híbrido | 3 |
| Mauá Capital Recebíveis Imobiliários | MCCI11 | Papel | 3 |
| Kinea Renda Imobiliária | KNRI11 | Tijolo — Híbrido | 3 |
| HSI Malls | HSML11 | Tijolo — Shopping | 3 |
Papel ou tijolo: o que pesa na escolha dos analistas
A liderança conjunta de KNCR11 e XPML11 resume o principal dilema do investidor em FIIs neste momento.
Fundos de papel tendem a entregar rendimentos mais diretamente ligados ao nível dos juros, especialmente quando possuem carteira indexada ao CDI. Já fundos de tijolo dependem mais da qualidade dos imóveis, da ocupação, da renegociação de contratos, do fluxo de consumidores e da capacidade de aumentar receitas operacionais.
No caso dos shoppings, a melhora do consumo presencial favorece fundos como XPML11 e HSML11. Já no segmento logístico, a demanda por galpões bem localizados continua sendo observada por gestores e analistas, especialmente em fundos como BRCO11 e BTLG11.
A escolha entre papel e tijolo, portanto, depende do perfil do investidor. Quem busca previsibilidade de rendimento pode preferir fundos de recebíveis. Já quem aceita maior exposição ao ciclo imobiliário pode encontrar oportunidades em shoppings, logística e fundos híbridos.









