MPF investiga fraudes a aposentados do INSS cometidas por empresa de crédito
O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para investigar a Eagle Sociedade de Crédito, após denúncias de fraudes a aposentados do INSS. O caso envolve descontos irregulares em benefícios de aposentados, pensionistas e pessoas com deficiência, levantando alerta sobre a atuação de empresas financeiras que se aproveitam de beneficiários vulneráveis.
Segundo os investigadores, a Eagle Sociedade de Crédito chegou a solicitar autorização para operar empréstimos consignados e cartões de crédito para beneficiários da Previdência, mas teve seu pedido negado pelo governo. Mesmo assim, a empresa continuou realizando operações que estão sendo consideradas fraudulentas, conforme apontam os órgãos de controle.
Como as fraudes ocorreram
De acordo com a Procuradoria da República em Rondônia, que iniciou a apuração no ano passado, a Eagle aplicou descontos em benefícios sem autorização dos titulares. Esses descontos afetaram não apenas aposentados e pensionistas, mas também pessoas com deficiência, que dependem integralmente dos valores recebidos pelo INSS para suas despesas básicas.
O INSS informou ao MPF que já acompanha 32 processos judiciais relacionados à suspensão de descontos feitos pela empresa, evidenciando uma atuação reiterada contra os direitos dos beneficiários. Paralelamente, o Procon de Rondônia registrou 196 reclamações contra a Eagle, sendo 158 em 2024 e 38 em 2025. O perfil predominante dos reclamantes são idosos, pensionistas e pessoas com deficiência.
Repercussão e medidas do MPF
O procedimento instaurado pelo MPF enquadra a Eagle por prática abusiva e lesiva aos direitos econômicos e patrimoniais de consumidores vulneráveis. Como os benefícios previdenciários têm caráter alimentar, a legislação brasileira garante proteção especial a esses recursos, o que torna as ações da empresa ainda mais graves.
O inquérito investiga especificamente a suposta fraude decorrente de descontos não autorizados, incluindo operações em contas bancárias dos beneficiários. Caso confirmadas, as práticas podem resultar em responsabilização civil e criminal da empresa, além de medidas de reparação financeira aos prejudicados.
Contexto das fraudes contra beneficiários do INSS
Fraudes a aposentados do INSS não são casos isolados. Ao longo dos últimos anos, o MPF e órgãos de defesa do consumidor identificaram que empresas de crédito frequentemente tentam explorar a vulnerabilidade financeira de idosos e pessoas com deficiência. As principais irregularidades incluem:
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Cobranças não autorizadas em benefícios do INSS;
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Oferta de empréstimos consignados sem consentimento formal;
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Inclusão de taxas ocultas e juros abusivos;
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Operações envolvendo cartões de crédito consignados sem registro adequado.
Esses crimes financeiros afetam diretamente a renda de milhares de brasileiros, podendo comprometer a subsistência dos beneficiários.
Papel do Procon e do INSS
O Procon de Rondônia tem atuado como canal de registro de denúncias contra a Eagle, consolidando informações sobre a recorrência das práticas ilegais. Já o INSS monitora judicialmente os casos, garantindo a suspensão de descontos e prevenindo novas irregularidades. A colaboração entre MPF, Procon e INSS é essencial para coibir fraudes e proteger os direitos dos aposentados.
Direitos dos beneficiários e prevenção
Beneficiários do INSS devem estar atentos a qualquer desconto em seus benefícios que não tenha sido previamente autorizado. Algumas medidas preventivas incluem:
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Conferir regularmente o extrato do benefício e saldos em conta;
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Questionar qualquer desconto que não tenha sido solicitado;
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Registrar reclamações em órgãos como Procon e Ministério Público;
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Evitar fornecer dados pessoais ou bancários para empresas não autorizadas;
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Consultar o INSS ou sites oficiais antes de contratar crédito consignado.
Essas ações podem reduzir riscos e impedir que fraudes a aposentados do INSS se propaguem.
Consequências legais
Caso o MPF confirme as irregularidades, a Eagle Sociedade de Crédito poderá responder por:
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Fraude contra beneficiários do INSS;
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Cobranças indevidas e lesão aos direitos patrimoniais;
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Violação do Código de Defesa do Consumidor;
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Possível responsabilização criminal dos administradores da empresa.
Além disso, medidas de reparação podem ser exigidas, incluindo devolução de valores descontados indevidamente e indenizações por danos morais e materiais.
Importância da fiscalização
O caso reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre empresas que operam no mercado de crédito consignado. O INSS e o MPF têm buscado coibir abusos que afetam beneficiários de programas previdenciários, garantindo que recursos essenciais não sejam desviados de maneira ilegal.
A atuação conjunta das autoridades ajuda a prevenir novas fraudes e a conscientizar aposentados e pensionistas sobre os riscos de fornecimento de dados pessoais e bancários para empresas não autorizadas.
A investigação da Eagle Sociedade de Crédito pelo MPF destaca a vulnerabilidade de aposentados, pensionistas e pessoas com deficiência frente a práticas fraudulentas de instituições financeiras. O acompanhamento judicial pelo INSS e a atuação do Procon são fundamentais para proteger os direitos desses beneficiários e coibir fraudes a aposentados do INSS em todo o país.
Com o inquérito em andamento, o caso serve de alerta sobre a necessidade de fiscalização constante e conscientização dos beneficiários, reforçando que golpes financeiros podem ser prevenidos com atenção e informação.






