Os fundos imobiliários KNCR11, MCCI11, BRCO11, XPML11 e TRXF11 aparecem como os FIIs mais recomendados para junho, segundo levantamento com dez carteiras de bancos, corretoras e casas de análise. Cada um dos cinco fundos foi citado em cinco portfólios mensais, em um ambiente no qual investidores seguem buscando renda recorrente, qualidade de ativos, liquidez e proteção em meio à Selic ainda elevada e à maior seletividade no mercado imobiliário.
A lista reúne fundos de segmentos distintos, incluindo recebíveis imobiliários, logística, shopping centers e renda urbana. A diversidade das recomendações mostra que as instituições financeiras não concentraram suas apostas em uma única tese para junho, mas em veículos considerados capazes de combinar geração de renda, controle de risco e possibilidade de valorização das cotas.
O levantamento considerou as carteiras recomendadas de Andbank, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, EQI, Genial, Itaú BBA, Santander e XP Investimentos. Além dos cinco líderes, também aparecem entre os mais citados HSI Malls (HSML11), BTG Pactual Logística (BTLG11), RBR High Grade (RBRR11) e Vinci Logística (VILG11), cada um com quatro recomendações.
Os FIIs seguem no radar do investidor pessoa física porque oferecem exposição ao mercado imobiliário por meio de cotas negociadas em Bolsa, com distribuição periódica de rendimentos. Em um cenário de juros altos, no entanto, a escolha dos fundos tende a exigir atenção maior à qualidade das carteiras, ao nível de endividamento, à vacância, ao desconto em relação ao valor patrimonial e à previsibilidade dos dividendos.
KNCR11 e MCCI11 lideram entre fundos de recebíveis
Entre os fundos de recebíveis, o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) e o Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11) ficaram entre os mais recomendados para junho. Ambos atuam no segmento de papel, categoria que investe principalmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários, os CRIs.
O KNCR11 tem aproximadamente 547 mil cotistas na B3 e possui uma carteira composta majoritariamente por CRIs atrelados ao CDI. Essa característica favorece a geração de rendimentos em um ambiente de taxa básica de juros elevada, já que parte relevante da remuneração acompanha o comportamento dos juros.
Para investidores que buscam renda mensal, fundos indexados ao CDI podem funcionar como alternativa defensiva dentro da classe de fundos imobiliários. A dinâmica, porém, depende da qualidade dos créditos, da estrutura das garantias e da capacidade de gestão para preservar a carteira diante de mudanças no ciclo monetário.
O Daycoval, que mantém o KNCR11 entre suas recomendações, avalia que o fundo possui perfil defensivo, sustentado pela previsibilidade dos rendimentos e pela qualidade da carteira de crédito. A instituição destaca o histórico consistente de distribuição de dividendos, o risco controlado e o perfil de renda ajustado à taxa básica de juros.
Essa leitura ajuda a explicar a presença do KNCR11 entre os FIIs mais recomendados para junho. Em um período de incerteza sobre o ritmo dos juros, veículos com carteira indexada ao CDI podem manter atratividade para investidores que priorizam fluxo de caixa.
MCCI11 combina liquidez, carrego e originação própria
O MCCI11 também se destacou entre os FIIs de papel. O fundo foi citado por cinco das dez instituições acompanhadas e aparece como uma das principais escolhas no segmento de recebíveis imobiliários.
Segundo avaliação do BTG Pactual, o MCCI11 reúne liquidez elevada, carrego atrativo e capacidade de estruturação e originação própria. Esses fatores são considerados relevantes em um mercado no qual a seleção de crédito ganha peso maior para reduzir riscos de inadimplência e preservar rendimentos.
A tese para o MCCI11 considera devedores com bom risco de crédito, maior controle sobre CRIs, exposição a setores defensivos e garantias localizadas em regiões resilientes. Na prática, a análise indica que a qualidade da carteira é um dos principais argumentos para a recomendação do fundo.
Fundos de recebíveis tendem a ser observados de perto em períodos de juros elevados porque podem manter dividendos competitivos. Ainda assim, a performance não depende apenas do indexador. A estrutura das operações, o perfil dos devedores, a concentração da carteira e a robustez das garantias são fatores que influenciam o risco do fundo.
No caso do MCCI11, a presença recorrente nas carteiras recomendadas indica confiança dos analistas na gestão e na capacidade do fundo de navegar um cenário de crédito ainda seletivo.
BRCO11 se destaca em logística com portfólio premium
Entre os fundos de tijolo, o Bresco Logística (BRCO11) ficou entre os mais citados pelos analistas. O fundo atua no segmento logístico, um dos mais acompanhados do mercado imobiliário por sua ligação com comércio eletrônico, varejo, indústria e cadeias de distribuição.
Na avaliação da Empiricus Research, o BRCO11 se destaca pela alta qualidade do portfólio, descrito como praticamente todo AAA, termo usado para imóveis considerados premium. Essa qualidade tende a reduzir riscos de vacância e sustentar contratos com locatários de maior porte.
A casa vê potencial de valorização de 7% para as cotas do BRCO11 e geração de renda de 9% nos próximos 12 meses. A projeção é apoiada pela boa ocupação dos imóveis e pela distribuição de ganho de capital de uma operação recente.
O segmento logístico tem ganhado relevância nos últimos anos, impulsionado por mudanças no consumo, expansão de canais digitais e necessidade de estruturas de armazenagem bem localizadas. Ainda assim, a avaliação dos FIIs logísticos exige atenção à localização dos ativos, ao prazo dos contratos, ao perfil dos inquilinos e à capacidade de reajuste dos aluguéis.
Para junho, o BRCO11 aparece como uma das principais escolhas dos analistas justamente pela combinação entre qualidade dos imóveis, ocupação elevada e perspectiva de geração de renda.
XPML11 representa aposta em shopping centers
O XP Malls (XPML11) também figurou entre os FIIs mais recomendados para junho. O fundo investe exclusivamente em shopping centers, segmento que combina exposição ao consumo, renda urbana, fluxo de visitantes e recuperação operacional do varejo físico.
Para o Daycoval, a qualidade dos ativos, a relevância urbana dos empreendimentos e a capacidade de geração de receita sustentam uma visão positiva para o XPML11. Fundos de shopping costumam ser avaliados por indicadores como vendas dos lojistas, aluguel nas mesmas lojas, taxa de ocupação, inadimplência e fluxo de consumidores.
O segmento passou por forte pressão durante a pandemia, mas recuperou espaço com a normalização da circulação de pessoas e a retomada do consumo presencial. A partir desse movimento, fundos de shoppings voltaram a atrair investidores interessados em ativos reais com potencial de ganho de capital e distribuição recorrente.
A atratividade do XPML11 está ligada à qualidade do portfólio e à capacidade de seus empreendimentos manterem relevância em regiões urbanas estratégicas. Shopping centers bem localizados tendem a apresentar maior resiliência, mesmo em momentos de desaceleração do consumo.
Ainda assim, o desempenho do segmento depende de variáveis macroeconômicas. Juros elevados, renda das famílias, crédito ao consumidor e inflação de serviços podem influenciar vendas, ocupação e repasses de aluguel ao longo dos próximos trimestres.
TRXF11 ganha força com renda urbana e reciclagem de ativos
O TRX Real Estate (TRXF11), fundo de renda urbana, completa o grupo dos cinco FIIs mais recomendados para junho. O veículo possui imóveis alugados principalmente para grandes varejistas e tem atraído atenção pela estratégia de reciclagem de ativos.
Segundo o BB Investimentos, o TRXF11 intensificou recentemente a venda e aquisição de imóveis, ampliando a pulverização da carteira. Atualmente, o fundo conta com 382 inquilinos, o que reduz a concentração de risco em poucos contratos ou locatários.
A instituição avalia que o desconto em relação ao valor patrimonial, o ciclo recente de vendas a cap rates comprimidos e as aquisições de imóveis bem localizados criam uma janela de oportunidade para renda e ganho de capital.
Fundos de renda urbana costumam ter contratos de locação com empresas de varejo, supermercados, farmácias, atacarejos e outros operadores ligados ao consumo. A tese pode ser defensiva quando os imóveis são ocupados por inquilinos de grande porte, com contratos longos e boa localização.
No caso do TRXF11, a pulverização da base de locatários é um ponto relevante. Quanto menor a dependência de um único inquilino, menor tende a ser o risco de impacto expressivo sobre a receita em caso de desocupação ou renegociação contratual.
Ranking mostra equilíbrio entre papel e tijolo
O ranking dos FIIs mais recomendados para junho mostra equilíbrio entre fundos de papel e fundos de tijolo. KNCR11 e MCCI11 representam a preferência por recebíveis imobiliários, enquanto BRCO11, XPML11 e TRXF11 refletem apostas em ativos físicos de logística, shopping centers e renda urbana.
Entre os fundos com quatro recomendações aparecem HSI Malls (HSML11), do segmento de shopping centers; BTG Pactual Logística (BTLG11), de logística; RBR High Grade (RBRR11), de recebíveis; e Vinci Logística (VILG11), também do setor logístico.
A presença de diferentes segmentos entre os mais citados indica que os analistas procuram combinar rendimento, liquidez e potencial de valorização em um mercado ainda sensível aos juros. Em fundos de papel, o CDI elevado sustenta parte dos dividendos. Em fundos de tijolo, descontos sobre valor patrimonial e qualidade dos imóveis podem abrir espaço para ganho de capital.
Essa composição também revela uma postura seletiva. Em vez de uma aposta ampla em todo o mercado de FIIs, as carteiras recomendadas concentram nomes com histórico de gestão, ativos considerados resilientes e capacidade de atravessar um cenário econômico menos favorável.
Para o investidor, a leitura do ranking deve ser acompanhada de análise de risco. Número de recomendações não elimina volatilidade, risco de crédito, vacância, inadimplência ou queda no valor das cotas. A decisão depende do perfil de investimento, horizonte de prazo e necessidade de renda.
Selic elevada mantém foco na renda recorrente
O ambiente de Selic elevada continua sendo um dos principais fatores para o mercado de fundos imobiliários. Juros altos aumentam a atratividade da renda fixa e elevam o custo de oportunidade dos investidores, o que pode pressionar cotas de FIIs, especialmente em fundos de tijolo.
Ao mesmo tempo, fundos de recebíveis indexados ao CDI ou à inflação podem se beneficiar do patamar elevado das taxas, preservando rendimentos em níveis competitivos. Esse é um dos motivos pelos quais KNCR11 e MCCI11 aparecem entre os líderes do levantamento.
Nos fundos de tijolo, o desafio é diferente. A tese passa por qualidade dos imóveis, reajuste de aluguéis, ocupação, contratos de longo prazo e capacidade de geração de receita operacional. Em alguns casos, o desconto das cotas em relação ao valor patrimonial pode representar oportunidade, desde que os fundamentos sejam consistentes.
A combinação entre renda e eventual valorização das cotas explica a presença de fundos como BRCO11, XPML11 e TRXF11 entre os mais recomendados. Esses veículos oferecem exposição a ativos reais, mas dependem de melhora gradual nas condições de mercado para capturar ganho de capital mais expressivo.
A expectativa sobre o ciclo de juros continuará influenciando o comportamento dos FIIs nos próximos meses. Uma perspectiva de queda da Selic poderia favorecer fundos de tijolo, enquanto a manutenção de juros altos tende a preservar a atratividade relativa dos fundos de papel.
Lista de junho reforça busca por qualidade nos fundos imobiliários
A liderança de KNCR11, MCCI11, BRCO11, XPML11 e TRXF11 entre os FIIs mais recomendados para junho mostra que bancos e corretoras continuam priorizando veículos com qualidade de carteira, liquidez, previsibilidade de renda e ativos considerados resilientes.
O levantamento também reforça que o mercado de fundos imobiliários segue dividido entre duas teses principais. De um lado, os fundos de recebíveis se beneficiam da Selic elevada e oferecem maior aderência ao investidor que busca dividendos previsíveis. De outro, fundos de tijolo podem oferecer exposição a imóveis de qualidade e potencial de ganho de capital, sobretudo quando negociados com desconto.
Para a Gazeta Mercantil, o ranking de junho indica que a seletividade permanece como palavra de ordem no mercado de FIIs. Em um ambiente de juros altos, crédito mais criterioso e atividade econômica desigual, os investidores tendem a olhar menos para o setor como um bloco único e mais para a qualidade específica de cada portfólio.








