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Governo Lula tenta acordo com EUA para evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Brasil negocia com o USTR para barrar nova taxação antes do prazo de 15 de julho; proposta mira práticas comerciais investigadas pelos Estados Unidos.

por Camila Braga
06/07/2026 às 14h42
em Economia
Governo Lula Tenta Acordo Com Eua Para Evitar Tarifa De 25% Sobre Produtos Brasileiros - Gazeta Mercantil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida está em análise pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, no âmbito de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A expectativa em Brasília é que uma nova reunião com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, ocorra nos próximos dias. O encontro deve contar com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, responsável por conduzir parte das tratativas brasileiras sobre o tema.

Leia também: Pesquisa revela que 53% dos brasileiros acreditam em melhora econômica.

A investigação norte-americana mira práticas brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos. Entre os pontos citados no processo estão comércio digital, regimes tarifários preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

O prazo legal para a adoção da nova tarifa termina em 15 de julho. Antes disso, o USTR realiza audiência pública para ouvir empresas, associações e representantes da sociedade civil sobre a proposta de taxação.

Leia também: Políticos brasileiros reagem à prisão de Carla Zambelli na Itália: “Grande dia”.

Brasil busca saída negociada

A estratégia do governo brasileiro é tentar demonstrar aos Estados Unidos que os pontos questionados podem ser tratados por meio de compromissos regulatórios e comerciais, sem necessidade de uma tarifa adicional ampla contra produtos do país.

Nas conversas com Washington, o Brasil apresentou um mapa de compensações com medidas voltadas a áreas sensíveis da investigação. A proposta inclui reforço de mecanismos de controle e eventuais ajustes em setores de interesse norte-americano, preservando atividades consideradas estratégicas para a indústria nacional.

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Entre os segmentos que podem entrar na mesa de negociação estão máquinas, equipamentos de saúde e tecnologia da informação. Esses grupos somam cerca de 300 linhas tarifárias e são vistos pelo governo como setores nos quais poderia haver alguma acomodação sem provocar dano relevante à produção brasileira.

A avaliação no Palácio do Planalto, porém, é que a negociação segue difícil. Integrantes do governo admitem que o tema deixou de ser apenas técnico e passou a carregar forte componente político, em meio à relação tensa entre Lula e a administração de Donald Trump.

O que é a Seção 301

A Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos permite que o governo norte-americano investigue práticas de outros países consideradas injustificáveis, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos EUA. Com base nessa legislação, Washington pode aplicar medidas de retaliação, incluindo tarifas adicionais.

No caso brasileiro, o USTR concluiu etapa da investigação e propôs a aplicação de tarifa de 25% sobre determinados produtos importados do Brasil. A medida ainda passa por fase de consulta pública e análise antes de eventual implementação.

A proposta representa novo foco de tensão na relação comercial entre os dois países. Para o Brasil, uma tarifa dessa magnitude poderia afetar exportadores, elevar a incerteza para empresas com atuação internacional e ampliar a pressão sobre setores já expostos à disputa comercial global.

Setores acompanham risco de impacto

O empresariado brasileiro acompanha o caso com preocupação. A eventual aplicação de uma tarifa de 25% pode reduzir a competitividade de produtos nacionais no mercado norte-americano, dependendo da lista final de itens atingidos.

Além do impacto direto sobre exportadores, a medida também pode afetar cadeias produtivas integradas, contratos de fornecimento e decisões de investimento. A depender do desenho final da taxação, empresas brasileiras podem enfrentar perda de margem, necessidade de renegociação de preços ou redirecionamento de vendas para outros mercados.

O governo brasileiro tenta evitar que a discussão avance para uma escalada comercial. A prioridade é fechar um entendimento antes do prazo de 15 de julho, quando os Estados Unidos podem formalizar a adoção das novas tarifas.

Política pesa nas negociações

A negociação ocorre em meio a um ambiente político sensível. O governo Lula vê interferências políticas nas discussões comerciais e avalia que interlocuções paralelas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos dificultam as tratativas diplomáticas.

Do lado norte-americano, a administração Trump tem adotado postura mais dura em temas de comércio exterior, usando instrumentos tarifários como forma de pressão sobre parceiros comerciais. O Brasil entrou no radar em meio a questionamentos sobre práticas digitais, propriedade intelectual, acordos preferenciais e agenda ambiental.

Apesar das dificuldades, o governo brasileiro ainda aposta no diálogo com o USTR. A avaliação é que um acordo técnico, mesmo que parcial, pode reduzir o alcance da medida ou adiar sua implementação.

Próximos dias serão decisivos

A audiência pública do USTR e as reuniões bilaterais previstas para esta semana devem definir o rumo da disputa. Se não houver acordo, os Estados Unidos poderão avançar com a tarifa adicional de 25% a partir de 15 de julho.

Até lá, o Brasil tentará convencer Washington de que há alternativas à taxação. A ofensiva diplomática busca preservar o comércio bilateral, evitar prejuízo a exportadores brasileiros e impedir que a disputa se transforme em novo foco de instabilidade econômica.

Para o setor produtivo, o ponto central será acompanhar se a lista final de produtos atingidos será ampla ou concentrada em segmentos específicos. Para o governo, o desafio é transformar a negociação em solução antes que a tarifa vire fato consumado.

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