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Ibovespa cai com crise no Oriente Médio; Petrobras sobe e evita perdas maiores da Bolsa

Principal índice da B3 recuou 1,20%, aos 175.739,08 pontos, pressionado pela escalada da crise entre Estados Unidos e Irã e pela alta dos juros futuros, enquanto Petrobras avançou com o petróleo.

por Camila Braga
13/07/2026 às 18h39
em Ibovespa
Ibovespa Cai Com Crise No Oriente Médio; Petrobras Sobe E Evita Perdas Maiores Da Bolsa - Gazeta Mercantil

O Ibovespa interrompeu a sequência de altas e fechou em queda de 1,20%, aos 175.739,08 pontos, nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, em um pregão dominado pela deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio. A nova escalada das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã provocou uma forte migração para ativos considerados mais seguros, elevou os preços internacionais do petróleo, pressionou a curva de juros brasileira e levou investidores a reduzir exposição a ações ligadas ao mercado doméstico.

A aversão ao risco ganhou força depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retomada de medidas de controle sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, principal corredor de exportação de petróleo do mundo. Além do embargo marítimo, a Casa Branca informou que pretende cobrar uma taxa de 20% sobre cargas protegidas pela Marinha norte-americana na região, ampliando as preocupações sobre a segurança do abastecimento global de energia.

Leia também: Exoneração do marido de Carla Zambelli aprofunda crise no núcleo bolsonarista.

O impacto foi imediato nos mercados internacionais. Os contratos futuros do petróleo Brent chegaram a registrar ganhos próximos de 10% durante a sessão, aproximando-se de US$ 83 por barril, enquanto investidores passaram a revisar o potencial efeito da crise sobre inflação, política monetária e crescimento econômico.

Na Bolsa brasileira, o movimento produziu efeitos distintos entre os setores. As empresas ligadas ao petróleo avançaram de forma expressiva, mas bancos, varejistas, construtoras e companhias sensíveis ao comportamento dos juros concentraram as maiores perdas do dia.

Ibovespa hoje em números

Fechamento: 175.739,08 pontos

Variação do dia: -1,20%

Dólar comercial: R$ 5,13

Taxa Selic: 14,25% ao ano

Principal fator do pregão: escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã

Principal influência positiva: Petrobras e petroleiras

Principal influência negativa: bancos, Vale e empresas ligadas ao consumo doméstico

Geopolítica volta ao centro das atenções

Depois de uma semana marcada pelo otimismo com a inflação brasileira abaixo das expectativas, o mercado voltou a precificar riscos externos.

A possibilidade de restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz elevou rapidamente o prêmio de risco sobre os contratos futuros de petróleo. Cerca de um quinto do consumo mundial da commodity passa diariamente pela região, tornando qualquer ameaça à navegação um fator de preocupação para produtores, refinarias e consumidores.

O receio de interrupções na oferta mundial de petróleo também reacendeu temores sobre uma nova rodada de pressão inflacionária global. Se os preços da energia permanecerem elevados por um período prolongado, bancos centrais poderão enfrentar maior dificuldade para reduzir juros, afetando diretamente as expectativas para crescimento econômico.

Esse ambiente levou investidores a diminuir posições em mercados emergentes e em empresas mais dependentes do ciclo doméstico, movimento que se refletiu na Bolsa brasileira.

Petrobras limita perdas do índice

Apesar da queda do Ibovespa, as ações da Petrobras encerraram o pregão entre os destaques positivos.

Os papéis ordinários da Petrobras (PETR3) avançaram 3,44%, enquanto as ações preferenciais (PETR4) subiram 2,55%, acompanhando a forte valorização do petróleo Brent.

O desempenho da estatal foi suficiente para impedir um recuo ainda maior do índice. Como Petrobras possui uma das maiores participações na carteira teórica do Ibovespa, movimentos relevantes em seus papéis costumam exercer influência significativa sobre o resultado diário da Bolsa.

Outras empresas do setor também acompanharam a valorização da commodity.

As ações da Prio (PRIO3) encerraram o dia com alta de 3,16%, refletindo a expectativa de receitas maiores em um cenário de petróleo mais caro.

Embora o avanço das petroleiras tenha sustentado parte do mercado, ele foi insuficiente para compensar as perdas registradas em setores de maior peso ligados ao crédito e ao consumo.

Bancos sofrem com abertura da curva de juros

A forte alta do petróleo provocou uma reprecificação das expectativas para inflação e juros ao redor do mundo.

No Brasil, os contratos futuros de Depósito Interfinanceiro voltaram a subir, indicando aumento do prêmio exigido pelos investidores para aplicações de prazo mais longo.

A abertura da curva de juros atingiu principalmente empresas cujo desempenho depende das condições de crédito e do custo de financiamento.

As ações dos grandes bancos recuaram em bloco, acompanhadas por varejistas, empresas de tecnologia, construção civil e consumo discricionário.

Embora instituições financeiras possam se beneficiar de juros elevados em determinados segmentos de suas operações, movimentos abruptos na curva normalmente refletem aumento das incertezas econômicas, reduzindo o apetite por ativos de risco.

O mercado também realizou parte dos ganhos acumulados na semana anterior, quando o Ibovespa havia avançado quase 3% impulsionado pelo IPCA abaixo das expectativas.

Vale acompanha minério e amplia pressão

Outro fator de peso para o índice foi o desempenho da Vale (VALE3).

As ações da mineradora encerraram a sessão em queda de 1,98%, acompanhando o comportamento do minério de ferro e contribuindo para ampliar as perdas do Ibovespa.

A combinação entre Petrobras em alta e Vale em baixa produziu um efeito de compensação parcial entre as duas maiores empresas da Bolsa brasileira. No entanto, o movimento negativo dos bancos e das empresas domésticas acabou predominando.

Dólar sobe com busca global por proteção

O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,13, refletindo o aumento da demanda internacional por ativos considerados mais seguros.

Tradicionalmente, episódios de tensão geopolítica elevam a procura por títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela moeda norte-americana, movimento que reduz o fluxo para mercados emergentes.

A valorização do dólar também tende a pressionar expectativas de inflação em países importadores de combustíveis e produtos industrializados, aumentando a sensibilidade dos investidores às próximas decisões dos bancos centrais.

No Brasil, o avanço do câmbio reforçou o movimento de alta dos juros futuros observado ao longo da sessão.

Realização de lucros amplia movimento

Além do cenário externo, operadores destacaram que parte da queda refletiu um movimento natural de realização de lucros.

Na sexta-feira anterior, o Ibovespa havia registrado alta de 2,97%, sua maior valorização diária desde março, impulsionado pela surpresa positiva com o IPCA de junho.

O forte avanço levou diversos investidores a reduzir posições após o surgimento de um fator de risco internacional capaz de alterar o humor dos mercados.

Esse comportamento é comum após movimentos intensos de valorização, especialmente quando ocorre um evento inesperado que aumenta a percepção de incerteza.

Petróleo muda a dinâmica entre os setores

A sessão desta segunda-feira ilustrou como um mesmo fator econômico pode produzir efeitos distintos sobre diferentes segmentos da Bolsa.

Enquanto empresas produtoras de petróleo foram beneficiadas pela alta da commodity, companhias dependentes de crédito sofreram com a perspectiva de juros mais elevados.

Esse processo de rotação setorial explica por que Petrobras e Prio terminaram entre as maiores altas do pregão, ao mesmo tempo em que bancos, varejistas e empresas de consumo lideraram as perdas.

A diferença de desempenho entre setores evidencia que, em momentos de forte volatilidade internacional, investidores tendem a privilegiar empresas diretamente favorecidas pelo novo cenário macroeconômico.

Mercado seguirá atento ao Oriente Médio

A evolução da crise entre Estados Unidos e Irã continuará sendo o principal fator para os mercados nos próximos dias.

Investidores acompanharão atentamente qualquer sinal sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz e seus possíveis impactos sobre a oferta mundial de petróleo.

Também permanecerão no radar os próximos indicadores de inflação nos Estados Unidos, declarações de dirigentes do Federal Reserve e novos dados sobre atividade econômica global.

No Brasil, a atenção seguirá voltada ao comportamento da curva de juros, ao câmbio e às expectativas para a política monetária do Banco Central.

Depois de interromper a sequência de ganhos da semana passada, o Ibovespa inicia uma nova fase em que fatores externos voltam a exercer influência predominante sobre os ativos brasileiros. A intensidade da volatilidade dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e da resposta dos mercados internacionais ao avanço dos preços da energia.

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