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Ibovespa fecha em alta de 0,62% em 5 de maio com disparada da Ambev e alívio no petróleo

por Camila Braga
05/05/2026 às 19h00
em Ibovespa
Ibovespa - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, em uma sessão marcada pela forte valorização de Ambev (ABEV3), pelo recuo expressivo do petróleo no mercado internacional e pela leitura da ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central. O principal índice da B3 avançou 0,62%, aos 186.753,82 pontos, com volume financeiro de R$ 26,2 bilhões.

Durante o pregão, o índice oscilou entre a mínima de 185.364,01 pontos e a máxima de 187.427,56 pontos. A Bolsa brasileira ganhou tração ao longo da sessão com a temporada de balanços corporativos, especialmente após a reação positiva dos investidores ao resultado trimestral da Ambev (ABEV3). A ação da companhia subiu 15,3% e atingiu o maior fechamento desde abril de 2018.

O desempenho positivo do índice ocorreu apesar da queda de papéis relevantes ligados a commodities, como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3). O petróleo Brent encerrou o dia em baixa de 3,99%, a US$ 109,87 o barril, pressionando empresas do setor de óleo e gás. Ainda assim, a queda da commodity foi interpretada por parte do mercado como um sinal de menor pressão inflacionária global, o que ajudou a sustentar o apetite por risco.

No cenário doméstico, investidores avaliaram a ata da última reunião do Copom. O Banco Central havia reduzido a Selic para 14,50% ao ano na semana anterior, mas manteve um tom cauteloso em relação à inflação, às expectativas de mercado e aos riscos externos. A leitura predominante foi de que o documento não trouxe surpresas capazes de alterar de forma brusca a trajetória dos ativos locais.

O exterior também contribuiu para o fechamento positivo da Bolsa brasileira. Em Wall Street, o S&P 500 avançou 0,81%, apoiado pela temporada de balanços e pelo alívio nos preços do petróleo. A melhora do ambiente internacional reforçou o apetite por risco e ajudou o mercado acionário brasileiro a recuperar força após sessões de maior volatilidade.

Ambev lidera ganhos e impulsiona o Ibovespa

A alta do Ibovespa foi puxada principalmente por Ambev (ABEV3). A ação disparou 15,3%, para R$ 16,65, em reação ao resultado trimestral acima das expectativas. O movimento levou o papel ao maior patamar de fechamento desde abril de 2018 e representou uma das maiores altas diárias da companhia desde sua criação.

A fabricante de bebidas reportou Ebitda ajustado de R$ 7,56 bilhões, com crescimento orgânico de 10,1%. A margem avançou de 33,1% para 33,6%, enquanto o volume cresceu 1,2%, alcançando novo recorde para um primeiro trimestre.

O resultado foi recebido pelo mercado como sinal de resiliência operacional em um ambiente ainda desafiador para o consumo. Juros elevados, renda pressionada e seletividade do consumidor seguem no radar dos investidores, mas os números da companhia indicaram capacidade de preservar margens e ampliar volumes.

A Ambev (ABEV3) também aprovou pagamento de juros sobre capital próprio e manteve suas projeções para o ano. A combinação entre resultado acima do esperado, remuneração ao acionista e manutenção de guidance fortaleceu a percepção positiva sobre a empresa.

Como Ambev (ABEV3) integra a carteira teórica do Ibovespa e possui alta liquidez, a valorização expressiva teve impacto direto sobre o índice. Em um pregão dominado pela temporada de balanços, a ação concentrou fluxo comprador e compensou parte das perdas de empresas ligadas a commodities.

O movimento reforçou o peso dos resultados corporativos para a Bolsa brasileira. Empresas que entregam números acima das projeções tendem a atrair capital em um ambiente de juros altos, enquanto companhias com desempenho abaixo do esperado podem sofrer ajustes rápidos nos preços.

Petróleo cai quase 4% e muda leitura do mercado

O petróleo foi um dos principais vetores do pregão. O Brent recuou 3,99%, a US$ 109,87, em meio à percepção de menor pressão imediata sobre os preços globais de energia. A queda da commodity teve efeito duplo sobre os ativos brasileiros.

De um lado, o recuo do petróleo favoreceu a leitura de alívio inflacionário. Preços menores de energia tendem a reduzir a pressão sobre combustíveis, transporte e cadeias produtivas. Esse movimento melhora a percepção de risco e pode diminuir a pressão sobre bancos centrais em diferentes economias.

De outro lado, a baixa do petróleo pressionou empresas diretamente ligadas ao setor. Petrobras (PETR4) caiu 1,38%, acompanhando a commodity no exterior. PRIO (PRIO3) também recuou, com baixa de 0,94%, em sessão na qual investidores avaliaram dados de produção de abril.

Apesar da pressão sobre petrolíferas, a leitura predominante foi positiva para o mercado como um todo. O alívio no petróleo ajudou a melhorar o humor dos investidores em meio às tensões externas, especialmente envolvendo o Oriente Médio e o Estreito de Ormuz.

O recuo da commodity ganhou importância porque o petróleo vinha sendo uma das principais fontes de preocupação para investidores globais. Uma escalada prolongada nos preços poderia pressionar inflação, juros e crescimento econômico, afetando diretamente Bolsas, moedas e títulos públicos.

Oriente Médio permanece no radar dos investidores

O cenário geopolítico continuou influenciando os mercados nesta terça-feira. Investidores acompanharam as tensões no Oriente Médio e os possíveis efeitos sobre petróleo, inflação e ativos de risco. O Estreito de Ormuz permaneceu como ponto sensível, por sua relevância estratégica no transporte global de petróleo.

A percepção de um tom mais conciliador dos Estados Unidos ajudou a reduzir parte da aversão ao risco. A sinalização de que Washington não buscaria uma escalada imediata no conflito contribuiu para aliviar os mercados, que vinham monitorando a possibilidade de deterioração mais ampla do ambiente geopolítico.

Em momentos de tensão internacional, investidores tendem a buscar proteção em dólar, títulos soberanos e ativos considerados mais seguros. Esse movimento costuma pressionar Bolsas emergentes e moedas de países em desenvolvimento.

No pregão de 5 de maio, a combinação entre petróleo em queda e menor temor de escalada ajudou a sustentar o mercado brasileiro. Ainda assim, o cenário permaneceu instável. Qualquer nova deterioração no Oriente Médio pode recolocar pressão sobre energia, câmbio, juros e ações.

Ata do Copom mantém cautela com Selic a 14,50%

No Brasil, a ata do Copom foi analisada com atenção pelo mercado financeiro. O Banco Central havia reduzido a Selic para 14,50% ao ano na semana anterior, mas manteve comunicação prudente sobre o cenário inflacionário.

O documento indicou que a continuidade da guerra no Irã aumenta a possibilidade de impactos duradouros na economia global. O Copom também avaliou que o conflito pode ter materializado riscos para a inflação no Brasil, especialmente pela deterioração das expectativas de mercado.

Para a Bolsa brasileira, a ata teve leitura relativamente controlada. O mercado não identificou uma surpresa relevante, mas reforçou a percepção de que a autoridade monetária seguirá dependente dos próximos dados de inflação, câmbio, atividade econômica e expectativas.

A Selic em 14,50% ao ano segue elevada e mantém a renda fixa competitiva. Esse quadro limita parte do apetite por risco no mercado acionário. Ao mesmo tempo, a continuidade do ciclo de cortes, ainda que em ritmo menor, pode sustentar setores mais sensíveis ao crédito.

Empresas de consumo, varejo, construção, saúde e tecnologia costumam reagir com maior intensidade às expectativas sobre juros. Bancos, por sua vez, são afetados por margem financeira, inadimplência, demanda por crédito e qualidade das carteiras.

Bancos ajudam a sustentar o índice

O setor financeiro contribuiu para o fechamento positivo do Ibovespa. Bradesco (BBDC4) subiu 1,56%, Santander Brasil (SANB11) avançou 0,74%, Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 0,05% e Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou em alta de 0,14%.

O desempenho dos bancos foi relevante porque o setor tem peso elevado na carteira do índice. Em dias de maior estabilidade nos juros e melhora no exterior, ações financeiras costumam atrair atenção dos investidores.

Itaú Unibanco (ITUB4) fechou em alta antes da divulgação do balanço após o encerramento do pregão. O mercado acompanhava expectativas para lucro, margem financeira, inadimplência, provisões e expansão da carteira de crédito.

Bradesco (BBDC4) teve avanço mais expressivo entre os grandes bancos citados. O papel ganhou força em meio à melhora geral da Bolsa e à avaliação de que o setor financeiro pode se beneficiar de um ciclo gradual de queda da Selic, desde que a inadimplência permaneça controlada.

A participação dos bancos ajudou a contrabalançar a queda de Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), duas ações de peso relevante no Ibovespa. Sem o desempenho positivo do setor financeiro e de Ambev (ABEV3), a alta do índice teria sido mais limitada.

Vale recua sem referência do minério na China

Vale (VALE3) encerrou em queda de 0,34%, após forte baixa na véspera. A ação operou sem a referência dos preços do minério de ferro na China, em razão de feriado no país asiático. A ausência desse parâmetro dificultou uma leitura mais clara sobre o comportamento da commodity no curto prazo.

A mineradora é uma das empresas de maior peso no Ibovespa. Por isso, mesmo variações moderadas em Vale (VALE3) podem influenciar o desempenho do índice. O papel costuma reagir ao minério de ferro, à demanda chinesa, ao câmbio e à percepção sobre crescimento global.

A China segue como variável central para as ações da companhia. Qualquer sinal de desaceleração na atividade industrial chinesa pode pressionar o minério e afetar Vale (VALE3). Por outro lado, medidas de estímulo econômico no país asiático tendem a melhorar a percepção sobre o setor.

No pregão desta terça-feira, a queda da mineradora limitou parte do avanço da Bolsa, mas não foi suficiente para impedir o fechamento positivo do índice.

Petrobras cai pressionada pela baixa do Brent

Petrobras (PETR4) recuou 1,38%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. A baixa do Brent pressionou ações do setor de óleo e gás, ainda que o movimento tenha ajudado a melhorar a percepção inflacionária mais ampla.

O desempenho de Petrobras (PETR4) é relevante para o Ibovespa porque a companhia tem grande peso no índice e alta liquidez. Em pregões de forte oscilação do petróleo, o papel costuma reagir de forma direta ao movimento da commodity.

O mercado também observa fatores internos da empresa, como política de preços, dividendos, produção, investimentos e riscos regulatórios. Nesta sessão, porém, o fator predominante foi a queda do petróleo no exterior.

A baixa de Petrobras (PETR4), combinada ao recuo de Vale (VALE3), impediu uma alta mais forte da Bolsa brasileira. Ainda assim, o avanço de Ambev (ABEV3) e dos bancos garantiu o sinal positivo do índice.

Hapvida e BB Seguridade avançam na sessão

Hapvida (HAPV3) fechou em alta de 1,83%, com investidores repercutindo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Os números mostraram adição líquida de 22 mil clientes de planos de saúde em março.

O dado foi considerado relevante para avaliar o crescimento da base de beneficiários. Em empresas do setor de saúde, a evolução do número de clientes influencia receita, escala operacional e percepção de recuperação.

BB Seguridade (BBSE3) avançou 1,77% após divulgar lucro líquido ajustado de R$ 2,2 bilhões no primeiro trimestre. O resultado representou alta de 11,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado em parte por melhora no resultado financeiro.

Os dois papéis ajudaram a reforçar a leitura de seletividade positiva na Bolsa. O mercado premiou empresas com dados operacionais ou balanços considerados favoráveis.

Isa Energia cai apesar de lucro maior

Isa Energia (ISAE4) caiu 0,17%, mesmo após divulgar lucro líquido de R$ 357,7 milhões no primeiro trimestre. O resultado ficou 6% acima do registrado no mesmo período do ano anterior e foi impulsionado pela entrada em operação de novas linhas e subestações.

A reação negativa moderada mostra que investidores analisam mais do que o lucro líquido. Em empresas de transmissão de energia, o mercado costuma observar Ebitda, alavancagem, investimentos, Receita Anual Permitida, cronograma de projetos e custo da dívida.

O caso de Isa Energia (ISAE4) ilustra a seletividade da temporada de balanços. Nem todo resultado positivo gera alta imediata das ações. Quando parte das boas notícias já está incorporada ao preço, a reação pode ser limitada.

No contexto do mercado acionário brasileiro, a queda de Isa Energia (ISAE4) teve impacto restrito, mas a companhia entrou no radar dos investidores pela divulgação de seus números trimestrais.

Ações fora do Ibovespa também movimentam a B3

Fora da carteira do Ibovespa, Bradesco Saúde (BDSA3) avançou 6,06% em sua estreia na B3. A companhia nasceu da consolidação das operações do Bradesco no segmento de saúde, por meio de combinação com a Odontoprev (ODPV3).

Executivos classificaram a operação como o maior IPO reverso já realizado na B3. A estreia chamou atenção por envolver o setor de saúde, segmento com grande relevância econômica e forte presença de grupos financeiros.

Movida (MOVI3), também fora do índice, subiu 4,32%, apoiada no balanço do primeiro trimestre e na projeção de lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões no segundo trimestre.

IRB (IRBR3), que deixou o Ibovespa na carteira vigente desde segunda-feira, valorizou 3,41%. A companhia divulgou lucro líquido de R$ 101,6 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 14,8% na comparação anual.

Log (LOGG3) avançou 2,31% após reportar lucro líquido de R$ 134 milhões no primeiro trimestre, alta de 55,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esses movimentos mostram que o pregão foi influenciado não apenas pelas empresas de maior peso no índice, mas também por companhias específicas que divulgaram resultados, estrearam na B3 ou passaram por mudanças relevantes de carteira.

Wall Street fecha em alta e reforça apetite por risco

O exterior favoreceu a Bolsa brasileira. Em Wall Street, o S&P 500 subiu 0,81%, em sessão positiva para ações norte-americanas. O movimento ocorreu em meio à temporada de balanços e à queda do petróleo, combinação que ajudou a reduzir a aversão ao risco.

Quando os índices dos Estados Unidos avançam, mercados emergentes tendem a se beneficiar, especialmente em dias de dólar mais fraco e melhora na percepção global. Esse movimento pode favorecer o fluxo para ações brasileiras.

Ainda assim, o Brasil depende de fatores próprios. Juros elevados, risco fiscal, inflação, cenário político e fluxo estrangeiro continuam determinantes para a sustentação de altas mais consistentes.

O Ibovespa respondeu bem à combinação de exterior positivo, petróleo em queda e balanços fortes. Mas o mercado permaneceu atento a qualquer sinal de piora em commodities, guerra, juros globais ou inflação.

Temporada de balanços deve manter Bolsa seletiva

A temporada de balanços deve continuar influenciando o mercado nos próximos pregões. A reação a Ambev (ABEV3) mostrou que resultados acima das expectativas podem provocar altas expressivas, especialmente quando acompanhados de melhora operacional e manutenção de projeções.

Investidores devem seguir avaliando margens, geração de caixa, endividamento, lucro, receita e guidance das companhias. Em um ambiente de juros elevados, empresas com balanços sólidos tendem a atrair mais atenção.

Ao mesmo tempo, resultados abaixo do esperado podem gerar correções. A seletividade deve permanecer elevada, com movimentos fortes em ações específicas mesmo quando o índice apresentar variação moderada.

Para o mercado, a combinação entre balanços, Copom, petróleo e exterior continuará definindo o ritmo da Bolsa brasileira no curto prazo.

Ibovespa volta aos 186 mil pontos, mas cautela permanece

O Ibovespa fechou aos 186.753,82 pontos, em alta de 0,62%, apoiado por Ambev (ABEV3), bancos, Wall Street positiva e queda do petróleo. A sessão marcou recuperação da Bolsa brasileira, mas não eliminou os principais riscos monitorados pelos investidores.

A disparada de Ambev (ABEV3) foi decisiva para o avanço do índice. O papel teve forte reação ao balanço e compensou a pressão de Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), que recuaram no pregão.

A ata do Copom manteve o tom cauteloso sobre inflação e riscos externos, mas não trouxe surpresa capaz de pressionar os ativos locais. O mercado segue atento à Selic, à trajetória dos juros futuros, ao dólar, ao petróleo e ao fluxo estrangeiro.

A sustentação do Ibovespa acima dos 186 mil pontos dependerá da continuidade dos balanços, do comportamento das commodities e da percepção global de risco. A sessão de 5 de maio foi positiva, mas o cenário ainda exige atenção diante da volatilidade externa e da política monetária doméstica.

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