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Inclusão de BDRs pode tornar Ibovespa mais atraente para investidores internacionais, avalia BofA

Banco aponta nove ativos com exposição relevante ao Brasil que podem entrar no índice; mudanças seguem estudo da B3

por Camila Braga
02/07/2026 às 19h48
em Ibovespa
Bdr - Gazeta Mercantil
A possibilidade de incluir os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na composição do Ibovespa (IBOV) pode aumentar a atratividade do principal índice da bolsa brasileira, tornando-o mais alinhado a padrões internacionais e ampliando seu apelo junto a gestores e investidores globais. A avaliação é do Bank of America (BofA), que analisou o impacto de uma eventual reformulação metodológica em estudo pela B3.
Os BDRs são certificados negociados no mercado local que representam papéis de empresas com sede no exterior. Eles permitem que investidores brasileiros tenham acesso a ativos internacionais sem a necessidade de abrir contas em corretoras fora do país. Atualmente, existem cerca de 818 BDRs listados na B3, dos quais aproximadamente 55% correspondem a companhias dos Estados Unidos integrantes do índice S&P 500.

Critérios de análise e seleção de ativos

Para definir quais papéis teriam maior potencial de integração ao Ibovespa, o BofA adotou como parâmetro principal o “país de risco” — ou seja, a região onde a empresa gera a maior parte de sua receita e concentra suas operações estratégicas.
Segundo o levantamento, apenas nove BDRs apresentam como principal risco econômico o Brasil. Desses, cinco se destacam por ter maior valor de mercado e liquidez: Mercado Livre (MELI), Nubank (NU), XP Inc. (XP), StoneCo (STNE) e Banco Inter (INTR).
Outros dois nomes também foram citados, mas com ressalvas quanto à sua classificação: JBS (JBSS32) e Aura Minerals (AURA33). No caso da processadora de proteínas, a maior parte da receita vem dos Estados Unidos, e a empresa é registrada com sede fiscal nos Países Baixos. Já a mineradora tem expressiva atuação no Canadá e seus ativos de risco são majoritariamente associados aos Estados Unidos.

Reformulação da metodologia do Ibovespa

A eventual mudança faz parte de uma revisão mais ampla conduzida pela B3 para tornar o Ibovespa mais representativo da estrutura econômica nacional e compatível com regras aplicadas em índices de referência internacional.
Hoje, a composição do indicador segue critérios focados principalmente na liquidez. Para entrar na carteira, uma ação deve responder por pelo menos 0,1% do volume financeiro negociado no mercado à vista ao longo de três ciclos consecutivos de avaliação. Também são excluídos papéis com valor inferior a R$ 1,00, chamados de penny stocks.
Essa regra difere da utilizada por referências globais, como o índice MSCI Brazil, que dá maior peso ao valor de mercado e ao free float — parcela das ações efetivamente disponível para negociação pública. Desde 2024, o indicador da MSCI já aceita a inclusão de empresas listadas no exterior, desde que tenham exposição relevante ao Brasil.

Alinhamento com padrões internacionais

Para o BofA, a adoção de regras semelhantes às da MSCI seria um passo importante para ampliar a capacidade de o Ibovespa ser acompanhado por fundos de investimento estrangeiros.
“Caso os BDRs sejam efetivamente incluídos, o Ibovespa poderá se aproximar da metodologia do MSCI Brazil, que já contempla nomes como Aura Minerals, JBS, Nubank, Stone e XP”, diz o relatório do banco.
A aproximação a esses parâmetros pode facilitar a entrada de recursos externos, já que muitos gestores globais estruturam suas carteiras com base em índices de referência. Quanto mais semelhante for a regra de composição, menor o custo e a complexidade para replicar a carteira.

Impacto sobre a dinâmica do mercado

A inclusão de BDRs também pode alterar o perfil de risco e retorno do Ibovespa. Empresas como Nubank, Mercado Livre e XP atuam em setores digitais e financeiros, com crescimento acelerado, mas também com volatilidade diferente da observada em negócios mais tradicionais, como commodities, bancos e energia — segmentos que hoje dominam a carteira do índice.
A mudança pode aumentar a diversificação do indicador, reduzindo a concentração em poucos setores e trazendo mais representatividade para atividades ligadas à economia digital e à inovação.
Do ponto de vista dos investidores locais, a medida também amplia as opções de exposição. Hoje, muitos aplicam recursos diretamente nessas empresas por meio dos BDRs, mas sem que esses papéis integrem a referência mais utilizada do mercado nacional.

Etapas da revisão e perspectivas

A B3 ainda não divulgou detalhes oficiais sobre a nova metodologia, nem o cronograma para sua implementação. A análise técnica segue em curso, e qualquer alteração deve passar por consulta pública e aprovação da câmara setorial responsável pela definição dos critérios dos índices.
Para o BofA, a transformação é positiva, mas deve vir acompanhada de clareza nas regras de elegibilidade. Definir com precisão o que caracteriza a exposição ao Brasil será fundamental para evitar distorções e garantir que o Ibovespa continue refletindo a realidade econômica do país.
A expectativa no mercado é que, se aprovada, a mudança passe a valer a partir das revisões programadas para o segundo semestre de 2026 ou início de 2027. A depender da configuração final, o Ibovespa pode chegar a mais de 85 ou 90 papéis, com participação maior de empresas que cresceram fora do modelo tradicional de listagem da B3.

Maior integração com fluxos globais

A reforma metodológica também ganha relevância em um momento em que o mercado brasileiro busca recuperar participação em carteiras internacionais. A entrada de BDRs pode tornar o índice mais atrativo para fundos que buscam acompanhar a evolução da economia digital, que tem ganhado espaço na renda variável global.
Ao aproximar as regras de composição do Ibovespa às práticas internacionais, a B3 reduz barreiras e reforça a competitividade do mercado local. O resultado esperado é maior liquidez, mais fluxo de recursos e uma representação mais atualizada do tecido produtivo e financeiro do Brasil.

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