terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

IPCA-15 sobe 0,41% em junho, abaixo do esperado, mas inflação acelera em 12 meses

Prévia da inflação desacelera ante maio, mas acumulado de 4,80% mantém pressão sobre Banco Central e Selic.

por Camila Braga
25/06/2026 às 10h37
em Economia
Ipca-15 Desacelera Para 0,62% Em Maio, Mas Inflação Segue Pressionada

Reprodução

O IPCA-15 subiu 0,41% em junho, informou o IBGE nesta quinta-feira (25), em resultado abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,44%. Apesar da desaceleração em relação a maio, quando a prévia da inflação havia avançado 0,62%, o índice acumulado em 12 meses acelerou para 4,80%, reforçando a leitura de que o processo de desinflação segue lento e ainda impõe cautela ao Banco Central na condução da Selic.

Segundo apuração da Gazeta Mercantil com economistas e operadores de mercado, o dado trouxe alívio parcial por ficar abaixo das estimativas, mas não muda substancialmente o quadro de preocupação com a inflação acumulada. O IPCA-15 segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, considerando centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,45%. Em junho de 2025, a variação mensal havia sido de 0,26%, o que explica parte da aceleração no acumulado em 12 meses. O resultado desta quinta também representa o maior patamar para o mês de junho desde 2022.

Alimentos e habitação concentram pressão sobre o índice

A principal pressão do IPCA-15 em junho veio de Alimentação e bebidas, grupo que avançou 0,74% e respondeu por 0,16 ponto percentual do índice geral. Em seguida, Habitação subiu 0,72%, com impacto de 0,11 ponto percentual.

Juntos, os dois grupos responderam por cerca de dois terços da inflação capturada pela prévia do mês, segundo o IBGE.

Na alimentação no domicílio, a alta foi de 0,87%. Os destaques ficaram por conta da batata-inglesa, que subiu 29,42%, do tomate, com alta de 17,27%, do feijão-carioca, que avançou 14,29%, e da cebola, com aumento de 9,54%.

O movimento mantém os alimentos como uma das maiores fontes de pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente nas faixas de renda mais sensíveis à variação dos itens básicos.

No acumulado do primeiro semestre, tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço. O tomate subiu 103,84%, a cenoura avançou 103,10% e a batata-inglesa acumulou alta de 100,20%.

Na direção oposta, o café moído recuou 3,69% em junho e as frutas caíram 0,96%, ajudando a reduzir parte da pressão dentro do grupo.

Energia elétrica pesa em Habitação

No grupo Habitação, o principal impacto individual veio da energia elétrica residencial, que subiu 2,04% em junho.

O avanço refletiu a manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona custo extra às contas de luz. A alta da energia é considerada relevante porque tem efeito disseminado sobre o orçamento das famílias e sobre custos de empresas, especialmente em setores intensivos em eletricidade.

Segundo agentes ouvidos pela Gazeta Mercantil, a pressão de energia limita a leitura positiva da desaceleração mensal do IPCA-15, porque mostra que componentes administrados e preços sensíveis a condições climáticas ainda podem dificultar a convergência da inflação.

Transportes ajudam a conter a alta mensal

O grupo Transportes foi o principal contraponto no índice de junho, com queda de 0,03%.

A baixa foi explicada sobretudo pelo recuo de 1,22% nos combustíveis. O movimento compensou altas em outros itens do grupo, como passagem aérea, que subiu 7,24%, ônibus urbano, com avanço de 1,18%, e automóvel novo, que teve alta de 0,42%.

A queda dos combustíveis ajudou a impedir uma alta maior do IPCA-15, mas economistas avaliam que o alívio pode ser temporário, dependendo da trajetória do petróleo, do câmbio e da política de preços praticada no mercado doméstico.

Saúde e cuidados pessoais também avançam

Saúde e cuidados pessoais subiu 0,47% em junho e exerceu impacto de 0,06 ponto percentual no índice geral.

Dentro do grupo, artigos de higiene pessoal avançaram 1,03%, com destaque para perfume, que subiu 2,22%. Planos de saúde tiveram alta de 0,35%, refletindo a incorporação do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar para planos contratados após a Lei nº 9.656/98.

O reajuste autorizado foi de 5,11%, vigente a partir de maio de 2026, e tende a continuar aparecendo de forma gradual nos índices de inflação.

Dado abaixo do esperado reduz pressão imediata, mas não altera cautela do BC

A leitura de 0,41% veio abaixo da mediana do mercado, que apontava alta de 0,44%. Esse desvio favorável pode aliviar parcialmente os juros futuros no curto prazo, mas não deve ser suficiente para alterar de forma relevante a postura do Banco Central.

A autoridade monetária acabou de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e vem sinalizando uma estratégia de flexibilização gradual. A inflação acumulada em 12 meses, agora em 4,80%, continua acima do limite superior da meta.

Segundo a leitura de economistas consultados pela Gazeta Mercantil, o número de junho reforça duas mensagens simultâneas: a inflação mensal perdeu força, mas a composição ainda exige atenção, principalmente por alimentos, energia, serviços e itens administrados.

Mercado recalibra apostas para Selic

Para investidores, o IPCA-15 desta quinta-feira ganha importância adicional porque foi divulgado no mesmo dia do Relatório de Política Monetária do Banco Central.

O documento atualiza projeções para inflação, atividade econômica e juros, em um momento em que o mercado ainda tenta interpretar a comunicação recente do Copom.

A combinação entre inflação abaixo do esperado no mês e acumulado de 12 meses acima da meta deve manter a curva de juros sensível a novas declarações do Banco Central.

Se a autoridade monetária indicar preocupação com a persistência inflacionária, os investidores podem reduzir apostas em cortes mais rápidos da Selic. Caso a comunicação reconheça melhora marginal dos dados, o mercado pode testar uma reprecificação mais benigna dos juros futuros.

Inflação segue no centro da política monetária

O resultado do IPCA-15 reforça que a inflação continua sendo o principal condicionante da política monetária brasileira.

Embora a desaceleração mensal seja positiva, o patamar de 4,80% em 12 meses mantém o Banco Central sob pressão para evitar uma flexibilização excessivamente rápida dos juros.

A leitura também afeta diretamente o câmbio e a Bolsa. Juros mais altos por mais tempo tendem a sustentar o real em determinados momentos, mas pressionam setores sensíveis ao crédito, como varejo, construção civil e consumo discricionário.

Para empresas, a inflação persistente mantém desafios de margem, reajuste de preços e planejamento de custos. Para consumidores, o peso de alimentos, energia e saúde limita a melhora do poder de compra, mesmo com avanços no mercado de trabalho.

Alívio mensal não elimina pressão acumulada sobre preços

O IPCA-15 de junho trouxe uma leitura melhor que a esperada pelo mercado, mas manteve um quadro de inflação acumulada elevada e composição ainda desconfortável.

A desaceleração em relação a maio reduz a pressão imediata sobre a política monetária, mas não encerra a preocupação com a persistência dos preços.

Com alimentos e energia ainda no centro das pressões, o dado reforça que o Banco Central deve continuar adotando cautela na condução da Selic, enquanto investidores ajustam expectativas para inflação, juros, dólar e Bolsa no segundo semestre.

Tags: alimentosBanco CentralEconomiaeconomia brasileiraenergia elétricaIBGEinflaçãoIPCA-15jurosSelic

LEIA MAIS

Projeto Permite Deduzir Academia E Personal Trainer Do Imposto De Renda - Gazeta Mercantil
Economia

Projeto permite deduzir academia e personal trainer do Imposto de Renda

Mensalidades de academia, contratação de personal trainer e até a compra de esteiras, bicicletas ergométricas, halteres e outros equipamentos para exercícios físicos poderão ser abatidas da base de...

Leia MaisDetails
Governo Volta A Discutir Tributação De Lci E Lca E Reacende Alerta Sobre Custo Do Crédito Imobiliário-Gazeta Mercantil
Economia

Governo volta a discutir tributação de LCI e LCA e reacende alerta sobre custo do crédito imobiliário

O debate sobre o fim da isenção de Imposto de Renda para Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) voltou ao centro da...

Leia MaisDetails
Brasil Pode Ter Deflação Em Agosto; Entenda Por Que Inflação Ainda Deve Fechar 2026 Em 5,02% - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Brasil pode ter deflação em agosto; entenda por que inflação ainda deve fechar 2026 em 5,02%

O Brasil pode registrar deflação em agosto de 2026, com queda média dos preços ao consumidor pela primeira vez em um ano. O movimento, porém, não significa que...

Leia MaisDetails
Grupo Mateus Corta 6,6 Mil Funcionários Em Demissão Em Massa
Mercados

Grupo Mateus (GMAT3): XP rebaixa ação e corta projeção de lucro em até 33%

A XP Investimentos rebaixou a recomendação para as ações do Grupo Mateus (GMAT3) de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para R$ 5 por ação no fim...

Leia MaisDetails
Bancários Aprovam Paralisação De 24 Horas Em 20 De Agosto
Economia

Bancários aprovam paralisação de 24 horas em 20 de agosto

Bancários de algumas das principais bases sindicais do país aprovaram uma paralisação de 24 horas para quinta-feira, 20 de agosto, depois de rejeitarem a proposta apresentada pela Federação...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:10:02
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails
Dólar Hoje Fecha A R$ 5,22 Com Tensão No Oriente Médio E Ata Do Fed No Radar - Gazeta Mercantil - Economia
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

Leia MaisDetails
Deputado Gilvan Da Federal - Gazeta Mercantil
Política

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP