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ISA Energia (ISAE4) capta R$ 1,2 bi; PicPay (PICS) recebe aval do BC para comprar a Kovr

Rodada de anúncios corporativos inclui follow-on com desconto, expansão do PicPay no setor de seguros, nova dívida da BrasilAgro e projeções da Intel acima das expectativas.

por João Souza
24/07/2026 às 11h49
em Empresas,Destaque,Notícias
Mercados - Gazeta Mercantil

A ISA Energia (ISAE4) precificou uma oferta primária de ações em R$ 27 por papel e levantou aproximadamente R$ 1,2 bilhão, enquanto o PicPay (PICS) recebeu a aprovação regulatória final do Banco Central para adquirir a Kovr. Os anúncios divulgados entre quinta-feira (23) e esta sexta-feira (24) movimentam o mercado por envolverem reforço de capital, expansão no setor de seguros e mudanças com impacto direto sobre acionistas e investidores.

A rodada corporativa também reúne uma dívida de até R$ 200 milhões aprovada pela BrasilAgro (AGRO3), a atualização do valor de dividendos da Allos (ALOS3), a nomeação de Felix Faber para a vice-presidência do conselho da Raízen (RAIZ4), a incorporação de quatro subsidiárias proposta pela Axia Energia (AXIA3) e os resultados do segundo trimestre da Intel (INTC).

O maior negócio financeiro do dia está na ISA Energia (ISAE4). A companhia de transmissão ampliou a oferta após identificar demanda adicional durante o processo de formação de preço. Para o investidor, a operação fortalece o caixa e aumenta a capacidade de investimento, mas também provoca diluição e estabelece uma nova referência para a cotação dos papéis.

No PicPay (PICS), o aval regulatório aproxima a fintech da conclusão de uma aquisição destinada a verticalizar sua atuação em seguros. A transação poderá ampliar as fontes de receita da plataforma, ao mesmo tempo que adiciona riscos próprios de uma operação seguradora, como sinistralidade, exigências de capital e necessidade de provisões técnicas.

ISA Energia (ISAE4) amplia oferta e levanta R$ 1,2 bilhão

A ISA Energia (ISAE4) definiu em R$ 27 o preço das ações preferenciais emitidas em sua oferta pública primária. A companhia colocou pouco mais de 44,4 milhões de novos papéis no mercado, alcançando uma captação próxima de R$ 1,2 bilhão.

O volume final foi superior ao inicialmente previsto porque a empresa exerceu integralmente a possibilidade de aumentar a quantidade de ações. A decisão foi tomada após a coleta de intenções de investimento indicar demanda suficiente para absorver o lote adicional.

Por se tratar de uma oferta primária, os recursos ingressam diretamente no caixa da ISA Energia (ISAE4). Não é uma venda realizada por um acionista para outro investidor, mas uma emissão de novos papéis que aumenta o capital social da companhia.

A empresa pretende utilizar os recursos para cumprir obrigações associadas à reorganização de participações em ativos de transmissão e acelerar investimentos em projetos de reforço e melhoria de sua rede.

O setor de transmissão exige desembolsos elevados antes que novos ativos comecem a gerar receita regulada. A captação permite à ISA Energia (ISAE4) financiar parte desses projetos com capital próprio, reduzindo a necessidade de recorrer exclusivamente a empréstimos ou emissões de dívida.

Preço da oferta impõe desconto e pressiona ISAE4

O preço de R$ 27 ficou abaixo dos R$ 28,50 registrados pelas ações preferenciais no fechamento anterior. O desconto foi de aproximadamente 5,3%, patamar que passou a funcionar como referência para os negócios com ISAE4 no mercado secundário.

Ações emitidas em ofertas subsequentes costumam ser precificadas com desconto para estimular a participação de investidores e garantir a colocação de volumes elevados. Esse mecanismo, porém, tende a pressionar temporariamente a cotação em Bolsa.

Os papéis da ISA Energia (ISAE4) chegaram a recuar mais de 5% na manhã desta sexta-feira e passaram a ser negociados próximos do preço definido na operação. O comportamento refletiu o ajuste natural entre a cotação anterior e o valor pago pelos participantes da oferta.

O efeito para os antigos acionistas é duplo. A entrada de recursos fortalece o balanço e amplia a capacidade financeira da companhia, mas a emissão de novas ações reduz a participação percentual de quem não acompanhou a operação.

O retorno efetivo do follow-on dependerá da forma como o capital será empregado. Projetos que entrem em operação dentro do prazo e gerem receita regulada adequada podem compensar a diluição. Atrasos, aumento de custos ou investimentos com retorno abaixo do esperado podem limitar os benefícios da captação.

Capital reforça expansão no setor de transmissão

A ISA Energia (ISAE4) administra uma ampla rede de linhas de transmissão e subestações. A receita desse tipo de companhia é determinada principalmente por contratos de concessão e pela Receita Anual Permitida, definida no ambiente regulado.

Esse modelo oferece maior previsibilidade do que atividades expostas diretamente ao preço da energia, mas não elimina riscos. Atrasos em obras, indisponibilidade de ativos, custos financeiros e mudanças regulatórias podem afetar o retorno dos projetos.

A captação também deverá ser analisada em conjunto com o endividamento da ISA Energia (ISAE4). A substituição de parte da dívida potencial por capital próprio pode preservar indicadores financeiros e abrir espaço para novos investimentos.

O reforço patrimonial ocorre em um momento de expansão da infraestrutura elétrica brasileira. O avanço de fontes renováveis em regiões distantes dos grandes centros consumidores exige novas linhas para transportar a energia até os mercados com maior demanda.

Para os investidores, o ponto central será acompanhar a capacidade da ISA Energia (ISAE4) de transformar os recursos em ativos operacionais, aumento de receita e geração de caixa. A escala da oferta eleva a responsabilidade da administração sobre a disciplina na alocação do capital.

PicPay (PICS) recebe autorização final para comprar a Kovr

O PicPay (PICS), controlado pela J&F Investimentos, informou ter recebido do Banco Central a aprovação regulatória final para adquirir a Kovr Participações e suas subsidiárias.

A operação já havia sido analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica e pela Superintendência de Seguros Privados. Com o novo aval, o negócio avança para o cumprimento das condições previstas antes de seu fechamento definitivo.

A compra representa um movimento estratégico para ampliar a presença do PicPay (PICS) no setor de seguros. A plataforma já distribui produtos de proteção por meio de parcerias, mas a aquisição permitirá uma participação mais direta na criação, subscrição e administração das apólices.

A Kovr integrou o conglomerado do Banco Master entre 2021 e 2025. Antes da negociação com o PicPay (PICS), a seguradora passou por uma reorganização societária e foi adquirida por executivos, deixando de fazer parte da estrutura controlada por Daniel Vorcaro.

A autorização do Banco Central não significa que a integração será imediata. As partes ainda precisam concluir as etapas contratuais e operacionais estabelecidas para a transferência do controle.

Compra amplia receitas e exposição a riscos de seguros

A aquisição da Kovr permite ao PicPay (PICS) avançar além da distribuição de produtos desenvolvidos por terceiros. A fintech poderá criar coberturas próprias e integrá-las aos serviços financeiros oferecidos em sua plataforma.

A estratégia pode elevar a receita por cliente e aumentar a utilização do aplicativo. Seguros de celular, proteção de compras, cobertura para crédito e produtos associados a contas digitais formam um mercado disputado por bancos, fintechs e seguradoras tradicionais.

O controle de uma seguradora, no entanto, adiciona uma nova camada de complexidade. O desempenho depende da correta precificação dos riscos, da frequência e do valor dos sinistros, das despesas de comercialização e da formação de reservas suficientes para pagar indenizações futuras.

A integração tecnológica será outro ponto relevante. O PicPay (PICS) precisará conectar os sistemas da Kovr à sua infraestrutura sem comprometer controles internos, proteção de dados e requisitos regulatórios.

A verticalização pode reduzir a parcela das receitas repassada a parceiros e aumentar as margens em determinados produtos. Por outro lado, transfere ao PicPay (PICS) uma parcela maior do risco financeiro associado às apólices.

BrasilAgro (AGRO3) aprova dívida de até R$ 200 milhões

O conselho de administração da BrasilAgro (AGRO3) autorizou a contratação de uma operação de crédito de até R$ 200 milhões junto ao Banco do Brasil.

O financiamento será estruturado por meio de uma Cédula de Produto Rural. A empresa também aprovou uma operação de swap para converter a exposição financeira da dívida para dólar.

A mudança cambial busca aproximar o perfil do passivo das receitas e dos ativos da BrasilAgro (AGRO3), que são influenciados pelas cotações internacionais das commodities e pela variação da moeda americana.

A empresa também autorizou a renovação de um empréstimo de US$ 2,7 milhões contratado por sua subsidiária Palmeiras junto à agência do Banco do Brasil em Nova York.

A contratação amplia a liquidez, mas eleva o passivo financeiro. O impacto para os acionistas dependerá do custo efetivo da operação, do prazo de vencimento e do retorno obtido com os recursos.

Política de hedge passa a admitir maior descasamento

Além da nova dívida, a BrasilAgro (AGRO3) modificou sua política de hedge. O limite ordinário de descasamento entre as exposições da companhia e os instrumentos de proteção foi elevado de 5% para 10%.

Para o exercício social de 2026/2027, o conselho admitiu que esse limite possa chegar a 20% em determinadas situações. A mudança proporciona mais flexibilidade à tesouraria diante das oscilações do câmbio, dos juros e dos preços agrícolas.

A política de proteção é especialmente relevante para empresas do agronegócio porque parte das receitas é vinculada a commodities cotadas em dólar, enquanto uma parcela dos custos e das obrigações permanece denominada em reais.

Um nível maior de descasamento pode permitir que a companhia aproveite condições favoráveis de mercado. Ao mesmo tempo, aumenta a exposição a perdas caso a moeda ou os preços agrícolas se movimentem em direção contrária à esperada.

O mercado deverá acompanhar os efeitos dos derivativos sobre o resultado financeiro da BrasilAgro (AGRO3), especialmente em períodos de maior volatilidade cambial.

Allos (ALOS3) recalcula segunda parcela de dividendos

A Allos (ALOS3) atualizou para R$ 0,291941424 por ação o valor bruto da segunda parcela dos dividendos intermediários com pagamento marcado para 4 de agosto.

O valor anterior era de R$ 0,291937564 por ação. A pequena diferença decorre de uma alteração na quantidade de papéis mantidos em tesouraria e, consequentemente, no número de ações com direito ao pagamento.

O montante total distribuído pela companhia não sofreu mudança relevante. O ajuste apenas redistribui o valor aprovado entre os acionistas elegíveis.

A Allos (ALOS3) atua na administração de shopping centers e tem sua capacidade de pagamento de dividendos associada à geração de caixa dos empreendimentos, ao nível de ocupação, às vendas dos lojistas e ao custo de sua dívida.

Embora o acréscimo por ação seja reduzido, a atualização deve ser considerada pelos investidores que acompanham o fluxo de proventos e fazem projeções de rendimento.

Raízen (RAIZ4) troca vice-presidente do conselho

A Raízen (RAIZ4) nomeou Felix Faber para a vice-presidência de seu conselho de administração. O executivo substitui Anna Mascolo e foi indicado pela Shell Brazil Holding, integrante do bloco de controle da companhia.

O mandato já está em vigor e deverá ser ratificado na próxima assembleia geral convocada pela empresa. Faber permanecerá no cargo pelo período restante do mandato atual.

A Shell e a Cosan (CSAN3) dividem o controle da Raízen (RAIZ4), com participações iguais nas ações ordinárias. A indicação reforça a presença da multinacional anglo-holandesa na condução estratégica da companhia.

Faber possui experiência internacional no setor de energia e ocupou diferentes posições de liderança na Shell. Sua chegada ocorre enquanto a Raízen (RAIZ4) busca reduzir a alavancagem, revisar investimentos e melhorar a geração de caixa.

As prioridades incluem disciplina na alocação de capital e avaliação do portfólio de ativos nos segmentos de açúcar, etanol, distribuição de combustíveis e energia renovável.

Axia Energia (AXIA3) propõe incorporar subsidiárias

A Axia Energia (AXIA3) convocou uma assembleia geral extraordinária para 28 de agosto com o objetivo de deliberar sobre a incorporação de quatro subsidiárias integrais.

A proposta envolve Juno Participações e Investimentos, Tijoá Participações e Investimentos, Retiro Baixo Energética e SPE Nova Era Janapu Transmissora.

Se a operação for aprovada, a Axia Energia (AXIA3) assumirá os bens, direitos, contratos, obrigações e contingências das empresas incorporadas. As quatro sociedades serão extintas ao final do processo.

Como as subsidiárias são integralmente controladas, não haverá emissão de novas ações nem aumento de capital. A companhia também informou que a reorganização não dará direito de retirada aos acionistas.

A medida busca reduzir estruturas administrativas duplicadas e simplificar a gestão societária. A conclusão dependerá da aprovação dos acionistas e das autorizações regulatórias aplicáveis aos ativos de energia.

Intel (INTC) projeta receita de até US$ 16,8 bilhões

No exterior, a Intel (INTC) informou receita de US$ 16,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O lucro ajustado foi de US$ 0,42 por ação. Pelos critérios contábeis oficiais, contudo, a fabricante registrou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 11 bilhões, influenciado por efeitos financeiros e ajustes extraordinários.

A divisão de data centers e inteligência artificial apresentou receita de US$ 6,3 bilhões, avanço anual de 59%. A unidade de fundição registrou US$ 5,8 bilhões, com crescimento de 31%.

Para o terceiro trimestre, a Intel (INTC) estima receita entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões. A projeção de lucro ajustado ficou em US$ 0,38 por ação.

A fabricante atribuiu a expansão à demanda por capacidade computacional, processadores para servidores e infraestrutura voltada à inteligência artificial. A companhia também anunciou aumento de investimentos em equipamentos, fábricas e componentes para atender ao crescimento esperado.

A rodada de anúncios deixa a ISA Energia (ISAE4) no centro do mercado brasileiro, com uma captação capaz de alterar sua estrutura de capital e o ritmo de expansão. Ao lado da compra da Kovr pelo PicPay (PICS), a operação reforça um dia marcado por decisões corporativas com efeitos sobre dívida, governança, dividendos e competição.

Tags: AGRO3AllosALOS3Axia EnergiaAXIA3BrasilagroEmpresasfollow-onINTCIntelIsa EnergiaISAE4KovrMercado de açõesPicPayPicsRAIZ4Raízen

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